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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




sexta-feira, 3 de julho de 2009

Duelando Manchetes VI: Incesto - por Ana

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VÃOS


Em vão tento resgatar momentos bons de minha juventude. Encontro, tecidas em minha pele, vergonha, culpa e asco. Minha adolescência está soterrada: ruínas de tragédia, desmandos e luxúria esmagam meu corpo deformado pela violência. Escombros inúteis e irrecicláveis bloqueiam a luz, impedem o ar, protegem a morte. Desequilíbrio, tortura e insanidade são o amálgama decadente de uma família imatura e pervertida. Resulta disto meu cadáver jovem, agonizante, capitulado, desistente, decomposto e violado. Sem memória, sem momentos, apenas a dor lenta e interminável que aguarda o último suspiro. Em vão.
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Duelando Manchetes VII: Células-tronco - por Roberto Soares

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SOBRE O USO DE CÉLULAS-TRONCO EMBRIONÁRIAS


O uso ou não de células-tronco embrionárias é uma questão difícil para se pensar, principalmente entre cristãos (ou não) que creem que a vida começa a partir do momento em que o espermatozóide encontra o óvulo formando o embrião.
Para quem acredita nessa teoria, usar os embriões dessa forma seria uma espécie de “aborto” ou “assassinato”.
Eu, embora creia que a vida possa começar no embrião, penso que a proposta acaba por ser “boa”, já que dá um destino mais nobre aos embriões descartados do que eles teriam se não fossem utilizados.
Os embriões de laboratórios de fertilização não ficam guardados para sempre, se não utilizados serão destruídos; por isso penso que melhor é que se use para pesquisas do que simplesmente se destrua.
Digo isso baseado no sistema que já existe, afinal a lei brasileira permite que existam essas formas de fertilização e são elas acabam condenando, mais cedo ou mais tarde, embriões à destruição.
É como se escolher entre doar ou não os órgãos de um ente querido que teve morte cerebral, a gente escolhe se vai deixar seus órgãos terem um fim mais útil, ou se preferimos que ele seja enterrado com todos os órgãos.
Não adianta lutar contra essas pesquisas, se fôssemos lutar contra algo, seria contra os laboratórios que criam os tais embriões in vitro porque a culpa pela suposta “morte” dos embriões seria deles e não dos que querem pesquisar células tronco.
Seria mais interessante, conforme citado por Geremias do Couto em seu artigo Células-tronco:porta aberta para o aborto, estimular a adoção de embriões não usados para evitar a sua destruição ou uso em pesquisas, mas, até que isso se torne uma realidade, acho que continua sendo melhor que sejam usados em pesquisas do que simplesmente sejam destruídos após certo tempo.

A Bíblia não diz quando a vida se origina?
Ora, Deus não é Deus de mortos, mas de vivos; porque para ele vivem todos. Lucas 20:38
O pastor Ciro Sanches Zibordi afirma que a Bíblia diz quando a vida se inicia, mas eu discordo de que os versos citados tenham alguma afirmação real sobre isso, o que se diz é que Deus conhece o homem antes mesmo que haja qualquer vestígio dele, para Deus tanto faz se você nasceu, morreu ou ainda nascerá, “para Ele todos vivem”.

Conclusão
Eu penso que a proposta do uso das células-tronco embrionárias seja menos má do que a perda delas, embora preferisse que esses embriões não precisassem ser perdidos ou pesquisados.

E você, o que pensa acerca deste assunto?
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Heitor Villa-Lobos: “Bachianas Brasileiras No 5” (Ária) - por Clarice A.

Tarde uma nuvem rósea lenta e transparente.
Sobre o espaço, sonhadora e bela!
Surge no infinito a lua docemente,
Enfeitando a tarde, qual meiga donzela
Que se apresta e a linda sonhadoramente,
Em anseios d’alma para ficar bela
Grita ao céu e a terra toda a Natureza!
Cala a passarada aos seus tristes queixumes
E reflete o mar toda a Sua riqueza...
Suave a luz da lua desperta agora
A cruel saudade que ri e chora!
Tarde uma nuvem rósea lenta e transparente
Sobre o espaço, sonhadora e bela!
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Hoje, Quer Saber? Senti Muita Pena dos Ambulantes! - por Adir Vieira

Vinha eu pela rua, meio assustada, em pleno meio-dia!
Tinha acabado de sair do banco e mesmo acompanhada do marido sinto aquele temor costumeiro que, creio, nem cinquenta anos de análise vão jogar por terra.
Como vivo sempre à cata de espécimes comestíveis, deparei-me com belos sonhos doces na vitrine de uma padaria e, para acalmar minha ansiedade, paramos para comprar.
Mais à frente, uma extensa barraca, tipo barraca de feira mesmo, fazia ponto na calçada e impedia o trânsito das pessoas, a não ser pela movimentada avenida. Várias pessoas aglomeravam-se ao redor do vendedor, pois as maçãs, frutas-do-conde, peras e até mesmo uma única couve-flor por ali perdida, chamavam a atenção pela sua excelente qualidade e baixo preço. Lógico que também ali paramos e fizemos a nossa compra habitual.
Um pouco mais adiante, cocadas pretas e brancas, parecendo que vieram de Itu, convidavam à compra e o sorriso do menino que portava o tabuleiro merecia que, ao menos uma, levássemos para casa.
O interessante é que normalmente não se vê, naquele local, tantos ambulantes.
Mas hoje, especialmente hoje, vários pareciam fazer ponto no mesmo espaço.
De repente, um grito se ouve e todos, numa dança conjunta, começam a desarmar suas tendas e a jogar seus produtos em caixas de papelão, sem se importarem com os danos que eles próprios possam causar às mercadorias. O tempo urge e todos, ao mesmo tempo, precisam fazer tudo sumir em segundos, para que os “fiscais” não levem embora aquilo que representa a sua sobrevivência e a de sua família.
Paramos assustados com tanta correria e confesso que demorei um pouco para entender o que se passava.
Nessa parada pude observar que, embora ativos, não pareciam nervosos nem temerosos com a situação. Tudo ocorre todos os dias, fazendo-os treinados para exercerem seus papéis de feiticeiros no momento em que o rapa aparece.
Explicou-me a moça que vende cocos, que alguém lá atrás emite um sinal qualquer, conhecido de todos os outros ambulantes, como se fosse um assobio ou um grito de pega!
Nesse momento, já sabem o que fazer. O material exposto vai para dentro de caixas vazias, estrategicamente colocadas atrás dos balcões e à espera do momento crucial.
Casas comerciais ou mesmo residenciais abrem suas portas para a guarda dos carrinhos de supermercados, nesse momento, apinhados de mercadorias que, devido à correria, são ali empilhados desordenadamente.
Fixo minha atenção numa ambulante que vende arranjos de flores em vasos de vidro. Até seu balcão, ornado com uma toalha de renda branca, demonstra a sutileza do seu coração. Parece inexperiente, talvez tenha se iniciado no ramo há bem pouco tempo. Na ânsia de fazer sumir seu patrimônio, esbarra em outro ambulante e um dos vasos espatifa-se no chão de paralelepípedos.
Esquecendo que não deve deixar rastros, para e lágrimas escorrem de seus olhos, fazendo-me crer que aquele vaso era o mais caro dos produtos que tentava vender.



Visitem Adir Vieira
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Macacos me Mordam - por Alba Vieira

Sei que o mundo anda cada vez mais louco,
Macacos me mordam se não for proposital...
O caos, a destruição são só mais um motivo
Para o reencontro com a alma e coisa e tal.

A aparente degradação do ser humano,
Macacos me mordam se não for ideia genial,
Para instaurar um novo tempo nesse universo,
Mudança de paradigma ou então vai tudo mal...

Macacos me mordam se não for verdade,
Que agora é o numinoso que vai reinar,
A supremacia do feminino, nova realidade,
Harmonia, cooperação, respeito, amor estão no ar.



Visitem Alba Vieira
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Férias

Crie um texto sobre este tema e deixe aqui, em “comentários”, que nós postaremos.
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De Férias - por Escrevinhadora

Hoje, o primeiro dia das minhas férias. A natureza, meio que incomodada com meu ócio, parece que resolveu me sacanear: amanheceu um dia frio, chuvoso, cinzento.
Fazer o quê num dia como esses? Ficar na cama até mais tarde, é claro.
Mas o hábito de levantar pra ir trabalhar me fez acordar no mesmo horário de sempre. Tentei dormir outra vez, não consegui.
O jeito foi sair da cama e pensar numa forma de aproveitar o meu dia.
Pensei em ir ao cinema. Mas isso implicaria em sair de carro, enfrentar o trânsito. Num dia assim chuvoso?... não vale a pena.
Pensei em arrumar gavetas (odeio arrumar gavetas que, de qualquer maneira, não ficam arrumadas por mais de 48 horas) e logo desisti.
Ler um bom livro, então, seria a solução. Uma rápida olhada na estante me fez ver que já li quase tudo que lá está. O único que ainda não li é um chato, cuja leitura não consigo terminar. Não vou me atracar com um livro chato logo no primeiro dia das férias.
Acabei passando o dia metida num moletom surrado, arrastando inutilmente meus chinelos pela casa, ligeiramente deprê.



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Beleza, Impulso e Refúgio (Parte 1) - por Leandro M. de Oliveira

Desde sempre a humanidade é tiranizada pela busca da beleza, cada qual em sua leitura tem buscado entendê-la de maneira própria. A teoria dominante na Antiguidade Clássica provinha de Platão que propôs a beleza como um objeto com função dupla, ao mesmo tempo em que encerrava e convergia para si o afã do desejo era também um ponto de partida, pois a contemplação do belo era o que abria as portas para o transcendental. No medievo Tomás de Aquino, com uma leitura bem coerente à visão pudico-teológica da época, produz um conceito de beleza ligado à ideia de uma dádiva de Deus manifesta em atributo do ser, assim era a beleza uma de espécie elo teológico entre criador e criatura, fazendo o primeiro das últimas sua imagem e semelhança.

Decerto é a beleza bem mais que apenas uma tese continuadamente reformulada de acordo com o animus social de cada tempo, ela é, deveras, uma espécie de inconsciente coletivo que habita o arcabouço do desejo humano, muitas vezes sendo a peça que delimita o seu direcionamento. Então o que se pretende em verdade com esse breve comentário, não é listar dados históricos de um conceito dominante de beleza, mas sim lançar uma pergunta, sendo essa a pergunta fundamental. Que lugar deve ela, a beleza, ocupar em nossas vidas?

Grandes teóricos têm debatido a questão visando formular um conceito estético-funcional adequado ao nosso tempo, porém, embora haja muitas especulações, pouco se conclui a respeito. Particularmente quero crer na tese da beleza como um gatilho de acionamento do desejo, sendo ela uma espécie de combustível para a ação humana. Nesse sentido, seria lícito dizer que a vida converter-se-ia em algo que talvez não valesse tanto a pena viver, não fosse a beleza e o interesse (estímulo para a ação) que ela desperta. Não entenda o belo como algo meramente subjetivo, porém e mais acertadamente em forma de algum sentimento essencialmente abstrato, como o Platão ensinava na grande Atenas de outrora.

Esse mestre do mediterrâneo propunha um ponto de contemplação para a beleza, mas não encerrava na ação de culto visual àquela forma bela o único estágio da contemplação. Com efeito, era aquele ser idolatrado nada mais que um ponto de partida ou um gatilho de acionamento para a busca do aperfeiçoamento pessoal. Nesse foco poder-se-ia justificar o zelo do mestre para com seu pupilo e vice-versa na pederastia ateniense, por exemplo. Há também passagens na literatura universal das quais gosto muito que refletem o sentimento de zelo dado ao ser que se presta culto, como em “A Morte em Veneza” de Thomas Mann, onde o autor apresenta um determinismo obstinado sofrido por Gustav Aschenbach quando descobre a peste que prolifera em Veneza e quer a todo custo resguardar Tadzio, seu ser idolatrado, do contágio da mesma.

Todavia, trazendo o foco para formas mais cotidianas a nós, pode-se citar o caráter de busca da beleza como um exercício de elevação pessoal na situação muito comum onde, por exemplo, um homem se apaixona pela imagem de uma mulher e para chegar até ela tenta se melhorar como um todo, idealizando algo de mais elevado naquele ser e buscando evoluir em pontos difusos para se equiparar a ele. O homem então passa a praticar exercícios para melhorar seu físico, a ler poemas ou algo de literatura para fecundar ideias mais sensíveis em seu subconsciente etc. Com isso vem a segunda fase (insuspeitada) que é onde tudo fica mais abstrato: aquele homem antes sedentário toma gosto pela atividade física e torna-se com isso mais saudável, o antes extremamente racional e frio aprende a ser menos calculista e a ver a beleza dispersa pelo mundo, num pôr do sol, numa flor ou no rosto puro de uma criança, aprende o sentido de sensibilidade no conceito lato de ser-humano. Se o intento inicial de conquistar a mulher é ora conseguido ou não, no bojo da conjuntura isso tem papel de sorte incidental, a coisa em si é, com efeito, o grau de sublimação que aquele momento de frenesi causou.

Não há como negar, o impacto da beleza é sentido por todos, lembro de quando li meu primeiro livro por volta dos nove anos mais ou menos, era o “Livro de Sonetos” do Vinicius de Moraes, as palavras, a textura, o cheiro do papel, a densidade do ar naquela pequena biblioteca do colégio... É tudo tão presente em minha memória, como se tivesse sido ontem. Aquela experiência me impactou de uma forma que quando dei por mim era já um compulsivo por poesia, daquele momento até muitos anos depois. A descoberta de Vinicius, Pessoa, Bandeira, Quintana, Cecília e assim por diante, tenho certeza me protegeram de muitas coisas tão menos ou nada edificantes a que qualquer adolescente desses tempos está exposto. O milagre da força do belo se fez em mim. Não cabiam estereótipos, meias intenções ou qualquer outra tentativa de caricaturização intelectual. Naqueles anos eu não buscava a leitura como forma de justificar alguma superioridade ou de obtenção de poder por força dela, a beleza contida nas palavras era, a meu ver, autossuficiente. Como tenho sentido falta daqueles anos...



Esse comentário breve não encerra nossa discussão acerca da beleza,
em breve postarei novas considerações para se somarem a essas.
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São Tomás de Aquino, Fernando Pessoa, Manuel Bandeira, Mário Quintana, Cecília Meireles

Os Sertões e A Guerra do Fim do Mundo - por Kbçapoeta

A Guerra do Fim do Mundo - Mario Vargas Llosa
Os Sertões - Euclides da Cunha



“‘A Guerra do Fim do Mundo’, obra belíssima de Mario Vargas Llosa.
Esse livro nos faz retornar a guerra de Canudos porém no bando de Antonio Conselheiro onde, personagens de carne e osso, alguns reais, outros imaginados, transitam em meio à guerra de Canudos.
Leia ‘Os Sertões’ de Euclides da Cunha e depois delicie-se com essa obra.
Vale a pena!”
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E você? Que livro gostaria de comentar aqui?
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