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sábado, 6 de fevereiro de 2010

Ex-Haiti - por Alba Vieira

A morte é oportunidade para quem vai e para aqueles que ficam e a presenciam. Com a morte, o físico se desintegra para que possa ser reorganizado no futuro. E a porção de luz segue como consciência, acrescida de mais aprendizado até que após um período de transição cósmica possa novamente habitar outro corpo físico e renovar as experiências na realidade material.
Aqueles que assistem ao desenrolar da morte - seja individual ou coletiva - e estão atentos às sutilezas que o cercam, igualmente poderão adquirir conhecimento e trazer transformação às suas vidas.
A experiência do que vem ocorrendo no Haiti todos os dias, há tanto tempo, acrescida pela catástrofe que aconteceu agora, pode ser enriquecedora para o observador interessado. O caos permite, pelo contraste, delinear ocorrências da mais elevada esfera, presentes lá e em todos os lugares onde o sofrimento físico pode ser transcendido pela força do espírito.
Até quando serão necessários as grandes hecatombes e o caos disperso no cotidiano, em tantos outros lugares pelo mundo, para que a humanidade se confronte com a realidade de que o sofrimento advém da ignorância de que fazemos parte da mesma unidade e que, portanto, o que afeta a um afeta a todos e podemos mudar a realidade redescobrindo nossa verdadeira natureza de espíritos?
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Imortal - por Duanny

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“Eu sabia que nós dois corríamos um risco mortal, mesmo assim eu me sentia bem, me sentia inteira, consegui sentir o vento gélido e pálido em meu rosto, o coração batendo firme e o sangue correndo ainda em minhas veias.

Parecia que ele nunca tinha arrancado uma parte de mim, como se aquele buraco no meu peito não existisse mais, eu estava perfeita, não curada, mas inteira.

Todos, a essa altura já deveriam saber: não me arrependo de nada; mesmo com aquele desfalque em meu peito eu ainda me sentia viva, eu estava incondicional e irrevogavelmente apaixonada por ele. Erro meu?

Pode até ser tolice minha, mas nunca me senti tão viva como estou me sentindo hoje, ou será que você foi mais uma das minhas alucinações? Besteira... talvez fosse a imortalidade me lembrando que de você eu não morro mais.”
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O Desfile - por Leila Dohoczki

Os olhos dos pequenos
Brilhavam ao ver a marcha
Dos soldados que iam à frente
Escoltando aquela banda.

Eram heróis em ritmada passada
Que com orgulho carregavam
A Bandeira e o hino cantavam.

E quando a banda por eles passou
O bumbo, a corneta e o clarim
Ficaram encantados.
Também quero tocar assim!

Alguns dias depois
A turminha reunida
Ali na praça ao ar livre
Surgiu a ideia:
Vamos fazer um desfile?

Que ideia genial!
Vamos fazer a convocação.
Colo o anúncio chamando todos,
Na escola e no portão.

No dia marcado,
Estava lá toda a criançada
Curiosa e animada
Querendo saber
Que instrumentos vão tocar.

Ah! Isso, cada um vai ter que inventar.
O desfile é amanhã à tarde
Ninguém pode faltar.

E o ensaio?
Não vai ter?

Pra quê? É só tocarem todos juntos
Que a música vai aparecer.

Então tá...

No outro dia à tardinha
Pouco antes do jantar
A vizinhança assustada
Foi toda para a rua ver

Que barulhada era aquela
Que não dava nem pra ouvir a tv.
Parados, em seus portões
Ficaram olhando a banda da rua passar.
Agora eles ficaram encantados
Com tamanha animação

Marchavam as crianças
Com tampas e panelas na mão
Baldes bumbos, reco-reco ralador,
Garrafas, feijão dentro, chocalhos coloridos
E as meninas graciosas
Bailavam em meio aos ruídos...

Aplausos e sorrisos
Magia de criança a desfilar
Passando o último instrumento
Gente grande a acompanhar

Passaram em frente ao quartel
Toda a vizinhança e as crianças a desfilar
Saíram os soldados e nem puderam acreditar
Em posição de sentido, prestaram continência
Àquele exército poderoso
Que portava as maiores armas do universo:

Alegria, esperança e sonho...
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.............................................Visitem Leila Dohoczki
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Dia de Machado! - por Ninguém Envolvente

Dia de festa!
Estreia hoje* na Rede Globo a minissérie: Capitu.
Obra baseada no livro de Machado de Assis: Dom Casmurro.
Infelizmente não poderei assistir (vai ao ar após o programa Casseta e Planeta - Muito Tarde!).

Li 4 vezes Dom Casmurro e recomendo.
(Não vou comentar o livro porque estraga a surpresa de quem ainda não leu.)


Escritos de Machado que li e recomendo:
Esaú e Jacó
Casa Velha
Memórias Póstumas de Brás Cubas
A mão e a Luva
A Carteira
O Alienista
O Espelho
A Cartomante
Missa do Galo
Crisálidas
Quincas Borba
Estou lendo RESSURREIÇÃO...
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*Postado, originalmente, em 09/12/2008.
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Memórias de um Seminarista (Parte XIX) - por Paulo Chinelate

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Concomitante às perturbações políticas da nação brasileira, nossa vida em seminário segue a rotina usual só quebrada pela saída abrupta do nosso convívio de colegas, muitas vezes amigos chegados. A cada separação repentina cabe a quem fica a administração da perda.
Dá-se o nome de “ir para a bica”, o fato das saídas súbitas. O significado do cognome dado a este evento, conforme reza a tradição local, é de um sujeito que vai à bica para saciar a sede, escorrega e cai.
Vê-se que o sentido de queda não é aleatório. Associa-se ao episódio como derrota, ruína, perda e prejuízo. Há um quê de cuidados para não permitir muitos comentários sobre os afastamentos. Censura explicada, talvez, pela maledicência que daí pode advir ou, a meu julgamento, para evitar que companheiros simpáticos ao que “embicara” possam, sem razões maiores, seguirem os seus passos.
O certo é que eu analiso as reações de toda comunidade, já me colocando como um dos próximos candidatos a resvalar no “limo da bica”.
Iniciado o ano escolar, como de costume, é dada a partida aos ensaios de nova peça teatral. Meu papel, coadjuvante e de menor importância, com poucas falas, tem, porém, significado no enredo de “JULIANO, O APÓSTATA”. Peça que traduzia a saga dos primeiros cristãos ao tempo das perseguições.
Os cuidados da trupe na construção dos figurinos eram desde cedo tomados. Cada qual laborava, com base em um projeto, na construção dos capacetes dos soldados romanos, da coroa do rei, dos mantos, arcos e flechas, lanças, panos de bastidores etc.
Duas a três dezenas de companheiros estão investidos na façanha que apresentaremos em meados do ano. O interessante é que o Irmão Constantino, sempre solicito e amável, é severo o bastante para nos exigir que mantenhamos em segredo não só o enredo da peça como até mesmo o seu título. Não me recordo de que em anos anteriores houvesse vazamentos.
Eu farei também parte de uma esquete, geralmente humorística, que entremeia os atos da peça teatral permitindo que os bastidores sejam reformulados às exigências do enredo.
No cenário político os acontecimentos precipitaram-se: os militares, sustentados pela Igreja Católica e outras organizações da sociedade que clamam por ordem na ameaça anárquica, tomam a frente e o General Aragão Filho lidera, com as forças vindas de Minas Gerais, abafando qualquer levante a favor do infeliz João Belchior Marques Goulart, presidente perdido em querer transferir ao solo brasileiro um regime socialista.

De resto, rotina, rotina, rotina.

Junho desponta como sempre com os esperados festejos de São João, as apresentações teatrais tão aguardadas e a novidade: férias do meio de ano em família, dantes nunca ocorridas.
A apresentação teatral foi muito competida pelos convidados, como em todos os anos. Os trabalhos, tanto por parte dos atores como sonoplastia e iluminação, impecáveis. Só um acontecimento arranhou minha participação: enquanto aguardava a apresentação do terceiro ato da peça principal, e após ter concluído a exposição da esquete, estando eu e mais três colegas nos alçapões do palco, acendemos e “apreciamos” um cigarro retirado de um maço adquirido pelo contra-regras e usado pelo ator humorístico. Não contávamos com a ingerência do nosso Reitor Irmão Zeno Ângelo Camata, que certamente já pressentindo alguma peripécia nossa, nos pegou em fragrante. Nada foi dito, nada se escutou. Bastou seu olhar de inquisidor sobre os óculos redondos, grossos de aro fino para sabermos que estava tudo muito, muito censurável.
O tempo passou, saímos de férias e nenhuma consequência da peraltice praticada, aparentemente, teve curso.
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Minhas Travessuras - por Poty

Eu, feito menino
Vou brincando
Com minhas artimanhas
Sem querer parar.

Sou menino rebelde.
Dou gargalhadas
De minhas travessuras.
Às vezes deixo pessoas horrorizadas.
Só faço coisas boas para alegrar os que estão carentes, tristes, necessitando de algo a mais...

Sou menino travesso
Que atravesso
E permaneço no mesmo lado...
Vou ao outro lado para cometer travessuras.

Não fico quieto,
Me inquieto diante tanta arte...
Contesto.

Sou o arquiteto
Que detesto
A pequenez,
Por isso sou a própria travessura.
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Amigos - por S. Ribeiro

O que consterna foram todas aquelas partes que se foram com o Tempo, ou seja, não estão no passado sozinhas. Provavelmente o Tempo, sem perguntas, os sente e descobre enfim que tudo irá mudar. Assim, alguns seres humanos que encheram de alegria a vida, ficaram no passado, sem morte, o que é pior. Crescendo, ninguém me perguntava dos ossos, ou das palavras, que línguas e formas que enfim surgem quando você ressurge em si mesmo. Absolutamente, estavam lá, mas não pararam a meu lado. E um receio teimoso se descobre nesta manhã, se, talvez, quem agora me ouve e segura não passará de cortina ao vento numa casa antiga, testemunha de galhos secos.

Por que isto acontece? Em meus anseios de crisálida não obrigo ninguém a descobrir que a morfose nunca é estática (claro!); quem sente, fica, observa, acaricia, mas não me impede de ir. Como impedir alguém de ir? Obrigar a não ir? Não faz parte de nada a obrigação, de nada digo que, de nada que dá prazer, óbvio. Amizades passaram a se conservar por status ou afinidade ou oportunidade; talvez por existirmos num tempo de pouca empatia e consciência da mudança, tudo que canta fora do ritmo conhecido parece, digamos, ameaçador. Muitos não ligam se sou um cultor da alma, curioso das teorias, das peculiaridades e destrezas estrelares, comportamentais, estranhas; não, creio que ninguém vê isso. Não aceite, respeite. Não condene, compreenda. O mundo não é um só.

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Acima, parte de um post em comemoração de 1 ano de meu blog. Convido todos os talentos do Duelos (blog que me deu um apoiozão!) a marcarem presença em meu espaço e verem o post inteiro. Obrigado a todos!
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