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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Traição - por Ana

Mais uma vez eu traí
Mais que o outro: minha crença
De sempre fazer o bem,
Pois não existe mal que vença

Os generais da esperança,
As bazucas da amizade,
Os soldados da alegria,
Os mísseis da felicidade.

Embora acredite nisso,
Vez por outra eu resvalo,
Tropeço nos meus defeitos,
Caio feio do cavalo.

E quando isso acontece,
Me ajoelho, em constrição,
Peço desculpa à pessoa,
Avalio a má ação.

Vejo porque eu falhei,
Juro a mim não repetir,
Dou na minha própria cara,
Não canso de refletir.

É o que estou fazendo agora,
Nesta hora consciente,
De forma mais que severa
Tô me descendo o cacete.

Pois nada é mais abjeto,
Mais detestável, irritante,
Do que errar, tendo senso
Daquilo que é importante.

Então em público eu venho
Expiar o meu pecado,
Dizer que não sou perfeita
Embora eu tenha tentado

Durante toda essa vida
Alcançar a excelência
Me cobrando, duramente,
Com furor e impaciência.

Reúnam-se em meu cadafalso,
Façam coro, por favor!
Me xinguem, tratem a pedradas
Este monstro traidor.

Só assim, de uma vez,
Vou aprender a lição:
Não pode nunca trair
Quem abomina a traição!
.

Recado - por Raquel Aiuendi

Quanto mais beber
Mais contumaz tu serás
Se... não dirija.
.

Além do Trocadilho - por Raquel Aiuendi

Te digo
Que adianta
Se já não sei
O que faço
Se corro
Ou fico
Em jogo
Antagônico
Já que o corro
Pode ser o fico
O fico fica
No corro
Não saindo
Do fico
Se o poema saiu
Só pra nos dar
Sensação de ficar
Ou
Só pra nos darmos
Em trocadilho
Não vale ou apenas
Isso já o bastante seja
Mas o que queria mesmo
Não é ser o trocadilho
Mas uma troca mais
Que da sociedade
Um cadinho
Pelo menos
Um bocadinho
Do que se é
Enquanto ser.
.

As Brumas de Avalon - por Ana

As Brumas de Avalon - Marion Zimmer Bradley (Tetralogia)
...A Senhora da Magia - Volume 1
...A Grande Rainha - Volume 2
...O Gamo-rei - Volume 3
...O Prisioneiro da Árvore - Volume 4


“As Brumas de Avalon! Simplesmente espetacular!”
.
.
.
E você? Que livro você achou espetacular?
.

Os Quinze Anos - por Adir Vieira

Queria porque queria uma festa de quinze anos.
As coleguinhas de turma da mesma idade que aniversariavam em datas próximas já haviam esquematizado suas grandes festas, guardando em sigilo os detalhes mais preciosos para que não fossem imitados umas pelas outras. Sabedoras de que seu aniversário estava próximo, não se cansavam de indagarem sobre o convite.
Os convites das outras, que mais pareciam obras de arte , já estavam em seu poder e olhando-os, seus olhos brilhavam de excitação ao imaginar a arte gráfica do seu para o próximo mês.
Seria todo branco e, rodeando sua foto gigante em perfil, teria seu nome repetido várias vezes, em letras em caixa alta manuscrito, de cor dourada em relevo.
O convite anunciaria seu dia de princesa e o cartão individual para a festa ficaria preso a um clip
logo acima dos nomes de seus pais, no lado de dentro. Essa primeira parte já estava resolvida.
Restava agora nomear os convidados, cerca de cinqüenta amigos, além da família pequena que, por certo, viria de São Paulo para a festa.
Prosseguindo, desenharia o vestido branco de corpo comprido, bordado com pedras e vidrilhos brilhantes formando na frente um coração, deixando parte do seu pequeno busto à mostra. A saia, rodada em duas abas, lhe daria um ar de rainha e, com certeza, o farfalhar do tecido ao caminhar soaria como música em seus ouvidos.
A festa teria que ser no clube especializado para tal e conceituado pelo grande número de contratos para esse fim. Não teria o que pensar. Seria nesse local.
De perto, faria questão de escolher o buffet. Estando no verão, a mesa de frutas em cascata não poderia faltar e os fondants ornados com minúsculas flores de cor rosa dariam um requinte especial a sua festa. O bolo deixaria a cargo de sua mãe, especialista na questão.
O baile e a dança com o pai à meia-noite teria a música de seus sonhos e para tal ensaiava toda noite em seu quarto, após o jantar.
Queria porque queria uma festa de quinze anos. Não agüentava mais, estando a data tão próxima, ouvir o questionamento das colegas sobre o convite.
Naquela noite, surpreendida em choro por sua mãe, não pôde explicar o porquê, pois sua mãe não entenderia.
Queria porque queria sua festa de quinze anos, mas como tê-la, se nem ao menos um vestido apropriado para a festa das amigas sua mãe poderia comprar?
.

Valor - por Alba Vieira

Mais vale quem faz
Que tantos indecisos
Sem realizar
.

Troque o TOC - por Raquel Aiuendi

Troque o TOC
Por um leve toque: é
Só um toquezin...
.

Meu Passeio a Paquetá - por Adir Vieira

Deixando a casa, preferi tomar um táxi por ser mais confortável e não precisar me preocupar com o estacionamento para o carro.
Subi as escadas do viaduto da Praça XV com toda a elegância e descontração, observando as pessoas que, como eu, iriam fazer o trajeto.
Comprei o ingresso para o Catamarãs com facilidade, pois não sendo final de semana, mesmo em época de férias, tudo fica tranqüilo. Não esperei muito pela barca, deu tempo de ir ao banheiro e de tomar um refrigerante. Aprecio tudo nesses passeios pela Baía de Guanabara. Até a loja de souvenires ganha um aspecto diferente aos meus olhos.
A barca, imensa, chega imponente e seu apito, avisando a chegada, é como música ritmada com minha expectativa. Entro e logo vou à proa – tenho mania de me fotografar na frente, ao vento, com os cabelos em desalinho. Já lá dentro, escolho o lugar para sentar-me e acomodo minha pequena bagagem no banco ao lado. Tenciono lá permanecer apenas por umas quatro horas, razão pela qual dispus-me a trazer apenas um leve casaco e lenços de papel especiais para suportar a coriza que a aproximação do mar me provoca. Observo os vendedores ambulantes que várias vezes ao dia fazem o mesmo trajeto. Do vendedor de sorvetes e biscoitos ao de bijuterias, todos percorrem automaticamente o início e o fim da barca, em busca de compradores que diminuam o peso de suas bagagens, revertendo-as em ganho para o seu sustento.
Escolho um brinco colorido com uma pequena pena azul na ponta para combinar com a calça e túnica esvoaçantes e de cor azul piscina com que estou vestida. Não deixo de comprar, também, um pacote de biscoito Globo salgado que venho saboreando em silêncio, ao mesmo tempo em que desfruto a beleza da paisagem. Noto que meus companheiros de viagem são os tipos mais diferenciados.
Na minha frente duas adolescentes papeiam agitadas e sem a preocupação de que outros as escutem, falam de suas experiências amorosas sem qualquer pudor. Uma senhora franzina, de cerca de setenta anos, sentada do lado direito das duas, mostra-se incomodada com a conversa e abre e fecha a revista que tenciona ler, com gestos ríspidos de quem não gosta do que escuta. Do outro lado, à minha esquerda, um grupo com quatro estrangeiros fotografa e filma toda a Baía, não contendo gritinhos de admiração com a beleza ao redor.
Um senhor em cadeira de rodas amparado pela filha, pouco atrás de mim, pergunta insistente e repetidamente sobre o horário da consulta médica. Outra senhora, com dificuldade, vai remando ao balanço da embarcação e passa por nós em busca do banheiro. Lá na frente, um casal de namorados, alheio a tudo e a todos, não percebe a hora da descida e é preciso ser chamado pelo fiscal.
Após o apito anunciando nossa chegada à Ilha, vamos todos em fila indiana, num percurso de cores e cadências, atingir o outro lado, onde o trenzinho local, as charretes, bicicletas e outros ambulantes encontram-se a nossa espera.
Passo por todos e dirijo-me à Igreja de São Roque, bem na entrada da Ilha, imponente na sua simplicidade, parecendo receber a mim, exclusivamente, de braços abertos.
Cumpro meu ritual de visita e calmamente, seguindo a paz do local, faço minhas orações.
Aqui estou eu, novamente em Paquetá. Embora estejamos no verão, o dia não está muito quente. O Sol observa a paisagem de longe e fica indeciso de se mostrar. Sento num dos bancos de madeira maciça embaixo de um coqueiro milenar e fixo na mente a natureza plena. Compro uma garrafa de água mineral numa das carrocinhas de ambulantes que circunda a praça e volto ao banco para terminar de saborear meu biscoito Globo. Refestelo-me com o ar, com o barulho das ondas batendo no mar calmo.
Decido alugar uma charrete para reviver meus passeios de infância, sem deixar de fora nenhum local.
O condutor, sem querer saber se lá estive outras vezes, cumpre a rotina que lhe ensinaram e anuncia cada passagem, no ritmo da puxada dos burros. Passamos pelo Museu de Artes, pela Casa de José Bonifácio, pela Academia de Letras, pela Pedra da Moreninha e pela árvore O Baobá, originária da África, chamada Maria Gorda. Aí peço ao condutor da charrete que pare por uns segundos e abraço aquela árvore com dificuldade, pois de tronco tão largo, parece nos engolir no toque. Todo o percurso é coberto por flamboyant. O Parque Darke de Matos parece nos tirar desse mundo levando-nos a distâncias não imaginadas por entre árvores de todos os tipos. Uma delas parece conter, no tronco, uma casa, onde não posso deixar de entrar e admirar o outro lado do parque que termina no mar. Só essa experiência de descobertas já vale o passeio.
Resolvo tomar o trenzinho para ir ao Mirante, no Morro da Cruz, e apreciar, serenamente, a vista parcial da Ilha. De repente, dou de cara com dois sagüis, típicos da região. Filmo sua fugida, como coisa preciosa nas minhas recordações. Já lá se vão quase duas horas e meu estômago anseia por alimento. Prefiro um sanduíche de dois andares ao almoço tradicional, pois assim posso, após um breve descanso, alugar uma bicicleta Monark de pneu balão e por, pelo menos duas horas, sentir o sabor dos meus passeios à tardinha na rua em que morava quando tinha quatorze anos.
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Haikai - por Alba Vieira

Pandeiro quente
Na roda de samba,
Só pra quem é bamba!
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Caminho... - por Rosana PoderRosa

o relógio marca o tempo
e no rosto ele se mostra
carregando na memória
dores, sabores, cores...
nada além de lembranças
coisas de crianças
nada além de sonhos
apenas dores, amores...
caminhando sem rumo
ou rumando sem caminho
percorrendo, traçando
acompanhado ou sozinho
apenas marcas deixando
pra poder saber voltar
porque o tempo é implacável
deixa rugas, marcas,
caminhos na pele
marcando o compasso da vida
bem vivida, corrida
mal vivida, despida
apenas percorrida
sentida, ferida
de um jeito ou de outro
é a vida
com suas escolhas
com suas opções
apenas vida
.

Reflexo - por Raquel Aiuendi

Luz reflete luz
Espelho: a imagem
E também a luz.
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Casamento

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