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sexta-feira, 5 de junho de 2009

Almir Sater e Renato Teixeira “Tocando em Frente” - por Alba Vieira

Ando devagar porque já tive pressa
Levo esse sorriso porque já chorei demais
Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe
Só levo a certeza de que muito pouco eu sei
Eu nada sei

Conhecer as manhas e as manhãs
O sabor das massas e das maçãs
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso a chuva para florir

Penso que cumprir a vida seja simplesmente
Compreender a marcha e ir tocando em frente
Como um velho boiadeiro levando a boiada
Eu vou tocando os dias pela longa estrada eu vou
Estrada eu sou

Todo mundo ama um dia, todo mundo chora,
Um dia a gente chega, no outro vai embora
Cada um de nós compõe a sua história
Cada ser em si carrega o dom de ser capaz
E ser feliz
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As Nossas Palavras XIII - por Alba Vieira

Homens frequentemente têm ideias.
Mas até que ponto tornam-se responsáveis por elas?
Quantas vezes deixam de fazer o que idealizam?
As ideias fazem os homens crescerem.
Elas são responsáveis pela evolução da humanidade.
Os homens fazem muitas coisas e têm, às vezes, poucas ideias.
Os homens têm muitas ideias e fazem muito pouco com elas.
Os homens são os responsáveis por aquilo que fazem, apesar das suas ideias.
Homens e ideias. O que fazem uns com os outros? São responsáveis?



Visitem Alba Vieira
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Remando Contra a Maré - por Ana

É difícil a verdade,
Ela não é pra qualquer um...
Mas eu te digo: a mentira
Não leva a lugar nenhum.

Ela é aranha ladina,
Tece teia invisível
E depois, se livrar dela,
É praticamente impossível.

Mas há teias por todo canto,
Está todo mundo a fiar
Redes que se entrelaçam
Nos horrores do falar.

Poucos são os corajosos
Que mostram a cara sem medo;
Os sensatos, equilibrados,
Que não criam arremedos

Daquilo que foi vivido,
Daquilo que antes foi dito,
Daquilo que foi ouvido,
Do que nem por todos foi visto.

A mentira é filha dileta
Do medo, seu pai-patrão,
E de mãe por vezes aética:
A poderosa imaginação.

Neste caldeirão genético
Ela se forma, impunemente,
Pois quem não possui estes pais
Habitando a própria mente?

Em algumas pessoas, no entanto,
Só se encontra a verdade,
Talvez porque nelas, aqueles pais
Não cheguem à maturidade:

Pessoas com medo mínimo
Ou pouca imaginação.
Aí não cresce a mentira
Como primeira opção.

Mas, como disse, são algumas,
As outras com isto consentem
E, com o tempo e a prática,
Elas mentem que nem sentem.

Por isso, meu caro Gio,
Considerando a manada,
Ser mentiroso é tão simples...
A verdade é que é complicada...



Resposta a “A Verdade a Ver Navios”, de Gio.
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A Hegemonia da Verdade - por Dália Negra

Gio:
Li seu post “A Verdade a Ver Navios” e o que li me fez lembrar de uma entrevista que vi há muito tempo com a Baby Consuelo. Ela estava com as filhas adolescentes e o repórter fez uma pergunta que deixou as meninas constrangidas. A Baby falou:
- “Digam a verdade.”
As meninas não falaram nada, se entreolharam, incomodadas, procurando outra saída.
Baby insistiu:
- “A verdade sempre.”
Uma delas, então, falou, nas mínimas palavras que encontrou, o que o repórter queria saber, enquanto as outras praticamente se escondiam, de tanto incômodo.
Quando terminou a resposta, Baby sentenciou:
- “Elas são criadas assim: para dizerem sempre a verdade, por mais que seja difícil. Só se deve dizer a verdade.”
Não me lembro qual foi a pergunta... mas da situação não esqueci porque me fez pensar.
Sou adepta de se dizer a verdade sempre que possível, mas as pessoas são tão preconceituosas, tão críticas, tão invasivas, tão donas da verdade, tão mesquinhas no pensamento, rotulam com tanta facilidade e são tão cruéis nos julgamentos e nas sentenças, que nem todo mundo está preparado para lidar apenas com a verdade. Muitos não seguem as regras vigentes (já que as possibilidades do comportamento humano vão muito além destas normas tacanhas), fazem escolhas diferentes e, para evitar a rejeição ou a crítica social, mentem. Pode-se culpá-las? Não sei... Uns suportam as sentenças muito bem e/ou as ignoram, mas, para outros, elas são extremamente dolorosas... E, independentemente de críticas, muitas pessoas não gostam de dividir aquilo que consideram intimidade.
É uma questão complicada, que nos faz pensar em tantos possíveis motivos, situações e seus desdobramentos...
Só sei que, naquele momento, vendo a posição da Baby Consuelo e o imenso desconforto público das filhas, a obrigação da verdade (sem deixar nenhuma outra opção, nem a de se absterem), me pareceu uma prisão que incluía tortura.
(Continua)



Resposta a “A Verdade a Ver Navios”, de Gio.
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Na Sala de Espera - por Fatinha

Querido Brógui:

Juro que hoje eu não estava preparada psicologicamente. Você sabe que quando eu saio pra encarar algum serviço de corno, já vou cantando um mantra desde o portão de casa. Saio com todo o equipamento de sobrevivência na selva: mp3, livrinho, barrinha de chocolate, uma revistinha de palavras cruzadas e um tercinho. Mas hoje foi demais.
Eu sabia que ir ao médico, nesse país da CPMF, mesmo tendo plano de saúde, é um exercício de resistência física e emocional. Ou você se cura, ou vai logo comer capim pela raiz. O fato de você ter marcado hora é absolutamente irrelevante. Você vai esperar. Rindo pra secretária senão ela lhe sacaneia e diz que seu plano não cobre aquela consulta. Mas hoje foi demais. Minha façanha valia uma linha no Guiness Book. Foram sete horas de agonia.
Primeira parada, cardiologista. Nessa primeira parada, aproximadamente uma hora de espera. Penso que a consulta começa na própria ante-sala entupida de velhinhos. Os velhinhos e eu. O sofazinho é tão baixinho que é preciso fazer um esforço hercúleo para se sentar e outro dobrado para se levantar. Se o velhinho conseguir isso, meio caminho andado. Pra que prova de esforço na esteira? A dificuldade para se pôr de pé é semelhante a dar partida em um carro a álcool, modelo equipado com carburador, num dia de frio. Sabe aquele nhemnhemnhemnhemnhem quando a gente vira a chave na ignição? É igualzinho. Na terceira tentativa, o coitado se põe de pé, pisa no acelerador para permanecer de pé, puxa o afogador pra não deixar o motor morrer e os outros velhinhos aplaudem emocionados. O segundo teste para o coração é o tempo de espera. Se estiver bichado, parada cardíaca garantida ou seu dinheiro de volta. Passou nos dois primeiros testes? Nenhuma sequela? Seu coraçãozinho está bacana, nenhum problema.
Segunda parada, perícia médica, pra abonar as minhas faltas da semana passada. Tempo de espera: três horas. Nessa parada só não surtei e quebrei tudo porque encontrei a amiga de uma amiga e ficamos conversando. Graças a Deus ela é uma pessoa muito legal, senão eu teria dado um soco na cara dela, depois quebrado as cadeiras da sala na cabeça dos funcionários, depois metralhado os médicos. Nesse exato momento, ao invés de estar aqui escrevendo, estaria trajando uma camisa de força e babando como uma samambaia de plástico. O lado bom é que além de conseguir o abono das minhas faltas teria conseguido um afastamento bem longo pela psiquiatria, quiçá uma aposentadoria por invalidez com proventos integrais.
Terceira parada, ginecologista: três horas de espera. Como a essa altura do campeonato meu estômago já havia entrado em autofagia, devorei todo o pote de balinhas da ante-sala do inferno. A secretária estava tentando descolar uns convites para o baile do CRM. Fiquei três horas ouvindo o telefone, que estava no viva-voz, fazer: tu–tu–tu. Ocupado. Três horas ouvindo o barulhinho da discagem e depois o tu–tu–tu. Nessa última parada quase me descontrolei, mas depois lembrei que a médica vai estar dentro de poucos dias apontando seu bisturi para minha barriga e que eu estarei dormindo, indefesa. Vai que ela resolve se vingar largando um tufo de gaze dentro do meu abdômen? Ou um telefone? Ou um saquinho de balas?
Ok, sobrevivi, resolvi tudo direitinho, cheguei em casa, tomei um banho com caco de telha, comi duas empadinhas, dois croissants, uma fatia de bolo, três mini-risoles, um brigadeiro, fiz uma prece ao deus do colesterol e fui dormir.



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Aprender com a Perda - por Jair Antônio Pauletto

Na semana passada, recebi um e-mail de uma amiga, perguntando se eu tinha um livro chamado Perdas Necessárias da autora Judith Viorst. Infelizmente não tinha o livro para emprestar e lamentei não tê-lo lido, pois já havia recebido várias recomendações. No entanto, o título ficou marcado na minha mente e comecei a pensar na grandeza destas palavras: Perdas Necessárias.
Parece contraditório, especialmente para nós ocidentais, acostumados a querer ganhar e ganhar sempre mais, todavia mergulhei nos meus pensamentos e percebi o extraordinário aprendizado que podemos extrair diante de uma perda. Obviamente que não aceitamos perder e sequer gostamos de ver alguém que amamos perdendo algo, nem mesmo o nosso time de futebol.
Porém, a perda é uma experiência necessária ao desenvolvimento do ser humano e importante para que possamos adquirir experiência e maturidade. Tudo começa quando nascemos e perdemos a tranqüilidade, o bem-estar que o ventre materno nos proporciona, quando aprendemos a lutar pela vida sem a constante presença da mãe e assim sucessivamente a vida nos impõe perda e desafios que nos impulsionam para seguirmos em frente. Algumas vezes não percebemos a perda, pelo simples fato de temermos a mudança, como no caso da passagem da fase de criança para a adolescência. A busca pela independência nos fascina tanto que esquecemos que não podemos mais exigir, ou melhor, que perdemos aqueles benefícios do tratamento de criança, sem grandes responsabilidades e obrigações.
Geralmente percebemos a perda de alguém apenas com a morte. Nesta hora pensamos nas pessoas que amamos e nosso íntimo imediatamente manifesta um desconforto. Mas a perda vai além, ela abrange muitos outros aspectos na nossa vida. O simples fato de mudar, por exemplo, causa perdas, uma vez que deixamos coisas para trás, sejam materiais ou sentimentais. Perdemos os objetivos, os sonhos e as expectativas, seja de forma consciente ou inconsciente, mas em algum momento essas perdas ocorrem, mesmo quando estes são substituídos ou modificados existe uma perda, que é necessária ao crescimento, ao aperfeiçoamento.
Outra perda importante é a das ilusões, que se vão conforme amadurecemos; uma das mais importantes para o nosso desenvolvimento, uma vez que a ilusão é um grande obstáculo ao desenvolvimento da própria consciência; que nos faz perceber que o amor que nossas mães nos dedicam não é só nosso, que um dia vamos perder quem amamos e que existem muitas dores que já não passam com um simples beijo.
Com o passar dos dias, também percebemos que a juventude deu lugar às rugas e que definitivamente somos mortais; que estamos no mundo numa caminhada individual; que descobrimos que somos limitados essencialmente pelo próprio pensamento, pela culpa e autonomia. Observamos que existem falhas em qualquer relacionamento humano, que por mais sábios e encantadores que possamos ser nunca vamos agradar a todos e que nossa passagem por este planeta é apenas transitória. Todas essas percepções e muitos outros aprendizados estão relacionados à perda e, consequentemente, ao autodesenvolvimento.
Muitas vezes precisamos desistir, deixar de lado, perder algo para poder crescer, pois é através da renúncia que podemos nos tornar mais fortes e melhores. O rompimento de um laço afetivo causa uma dor mortal, mas pode ser o aprendizado que necessitamos para cultivarmos o verdadeiro amor. O afastamento de um amigo, que considerávamos essencialmente bom, devido a uma grande maldade nos mostra que temos que aceitar que as pessoas e nós mesmos somos um misto de amor e ódio, de bem e mal. A perda inesperada de uma pessoa amada nos coloca frente a frete com uma realidade da qual não podemos fugir, que é o nosso limitado poder de evitar a dor do outro, que somos completamente incapazes de proteger as pessoas e a nós mesmos do sofrimento, da velhice e da morte.
Perder sempre é difícil e doloroso, não importa a idade ou o desenvolvimento pessoal de cada um, mas é através das perdas que crescemos. É preciso compreender as perdas para entender a vida, para ter forma, coragem e determinação para seguir em frente e tornar-se um ser humano melhor. É através deste aprendizado que determinamos o que somos e a vida que vivemos, ou seja, é o que vai nos transformar para melhor ou para pior. Não estou dizendo que perder é bom, simplesmente mostra que a perda faz parte da vida e através dela podemos aprender e crescer. Obviamente que ganhar é melhor, mas percebam que a perda está definitivamente ligada ao crescimento; embora muitas vezes dolorosa, é fundamental para nos tornarmos pessoas melhores.
Dessa forma, espero que as perdas em sua vida sejam leves e cheias de aprendizado, e assim possam minimizar o sofrimento sem prejuízo ao seu crescimento. Que o saldo final seja positivo, no qual as perdas tenham se transformado em lucrativo aprendizado. Boa semana.



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O Velho - por Leandro M. de Oliveira

Ele olhou pela janela dos fundos como quem olhasse através do tempo. Inspirou o hálito externo àquela cela, como em milagre ou sonho sentiu por um instante que tudo tornara a ser simples outra vez, aquele homem havia desafiado o destino e o que lhe restou era nada mais que a lembrança de um tempo que há tempos se foi. Cada ruga em sua face conservava a insígnia daquele nome, cada polegada de sua alma sentia ainda fresco o hálito daquela que poderia ter sido companheira, mas não, era tarde demais. Ali estava um homem marcado pela calamidade da própria grandeza, com os olhos perdidos nada ambicionava além do nada sem termo. Cheguei manso como chega a morte aos enfermos, ao notar que ele percebera a minha presença prontifiquei-me logo em me apresentar, ele continuou inerte, absorto em si. Depois por um instante me olhou com relutância, porém alguns minutos depois a minha presença era algo já pacífico. Foi como se eu estivesse por muito tempo naquele lugar, tudo soou comum de repente. O homem me falou da vida com tal gravidade que desejei por um momento nunca ter nascido; embora tivesse o olhar cândido, as nuances de seu rosto pesavam como mil bigornas de Hefesto. Perguntei ao velho qual a melhor e a pior coisa da vida, ele me disse que falaria, mas era necessário ter ouvidos para “sentir”. Então ele começou:

“Escuta que quero falar como dois olhos, pra que você veja através de mim. Uma palavra define o melhor e o pior da vida, é uma chave que pode abrir todas as portas ou fechar outras mil. Desejo! Esse é o mestre de toda ruína e de toda exaltação humana. Desejo ardente é consumido nas próprias chamas, o resignado raro é suficiente para o impulso necessário à manipulação do Kairós¹. O desejo é como a mão que segura o grão de areia: se a deixas relaxada a areia se esvai com o vento, se contrai a fim de segurar mais firme, a areia escapa por entre os dedos e igualmente põe tudo a perder. Luz não existe sem treva assim como bem sem mal. Faz da parte de teu desejo que é besta escolta para a parte que é mansidão, pede a essa que seja conselho para a outra que tão alto se põe a rugir. Não te enganes pela minha aparência, hoje sou decadente é verdade, mas já fui jovem como tu, já tive mulheres, admiradores, paixões... Nada posso te ensinar senão isso, guarda teu desejo como uma relíquia sagrada, esconde-o sob o alforje de tua montaria quando reiniciares o caminho. Se queres amar alguém, ame um pouco menos a si próprio, transforma teu desejo de amar em devoção pelo amor e serve a esse Deus humildemente com a constância do sol de janeiro. Se queres conhecer, transforma teu desejo por sabedoria em compaixão pelos ignorantes, compartilha desambicionado o que sabe, imita a fé do jardineiro que semeia em campos incertos. Se queres crescer, desejas ser pequenino, aprende passo a passo, não permita que a soberba de teu coração te converta em alguém intoxicado de si ou nunca ultrapassará o teu próprio tamanho, lembra que a planta sem sol definha e morre... A vida nunca será para homem nenhum uma equação resolvida, ela é quando mais amena um fluxo interminável de questionamentos aos quais só as eras mais remotas poderão responder. A prudência diria, o melhor é resignação com o mundo, aprende com urgência a não contabilizar com tanta dureza o não vivido, glorifica o que há diante de ti, os acontecimentos mais singelos são o passaporte de teu milagre, crê na força da vida, ela te trouxe até aqui e pode te conduzir além. Eu poderia ter tido uma trajetória comum, filhos, netos, me ver continuar através deles, mas não, quis o perigo, o inusitado. À minha maneira tive meus triunfos mas, agora que tento remoldar o meu mundo pasmo em ver que tenho as mãos decepadas... Como é difícil, como é difícil dominar o leão que carregamos no peito. O tempo é veloz! Sonha e realiza, ou vive e resigna...”

Senti um nó na garganta. Interrompendo perguntei quem era ele. E ele me respondeu:

“Eu sou o teu futuro.”

Naquele momento meus olhos umedeceram... Não pude mais continuar.



1. Kairós: Do grego antigo, genericamente justa medida, podendo ser empregado como tempo oportuno.




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Perdão - por Alba Vieira

Sinto-me atordoada. Há tempos não saio de casa, exceto para o trabalho, percorrendo os mesmos lugares sempre. Vindo novamente a esse lugar, onde tantas vezes estive no passado, o percebo agora inteiramente diferente. As pessoas me assustam e caminho trêmula por estes corredores de gente que com suas auras esbarram na minha. Não sei se conseguirei voltar para casa sem me sentir tão exaurida, sugada nas minhas energias. Essa praça me traz a sensação de familiaridade, pois há exatos quatro anos, fazia parte do meu dia a dia. Agora, passando por aqui, penso que posso encontrar aquela pessoa que há tanto tempo eu espero ver, para tentar redimir a culpa que ainda sinto, mesmo sabendo que não se justifica. Tenho a impressão de estar perto de reencontrar o elo perdido. Só quero revê-la e tentar remediar, corrigir o que sem intenção eu causei. Parece que estou bem perto dela, embora não consiga encontrá-la. É como se seus radares internos pudessem captar a minha presença e, voluntariamente, fugisse de mim. Mas, talvez não a veja porque apenas sinta que está perto, que seja só a minha vontade a me impressionar. É como algo que ficou inacabado e não sai da nossa mente. Devemos cuidar de resolver na vida, todas as pendências do nosso coração. Mas, se é coração, pressupõe ligação e, consequentemente, outra pessoa envolvida. E aí é que a coisa degenera. Porque nem sempre o que é necessidade para nós atinge o outro da mesma forma. Questões que envolvem outra pessoa acabarão por ter que ser resolvidas dentro de nós mesmos.
A culpa é um entrave desnecessário na vida de qualquer pessoa, que efetivamente, não leva a nada, que só suga a nossa energia, faz doer e turva a mente, nos deixando num estado de estar sem estar ali, sempre, no lugar que se relaciona aos fatos que geraram esse sentimento limitante.
O que importa na verdade, é compreender os fatos, do nosso ponto de vista, vendo então onde acertamos e onde erramos, porque erramos, se naquele momento era só aquela opção que tínhamos ou se podíamos ter agido diferente. Em qualquer dos casos, terá sido o que conseguimos fazer. Devemos aceitar isto e nos perdoar, depois de reconhecer o erro e dessa forma, aprender com ele.
A outra pessoa não precisa nos redimir, ela terá condições de avaliar sozinha a questão e depois do tempo que for necessário para ela, também nos perdoar (ou não) e, principalmente, se perdoar por ter acreditado demais, de acordo com suas fantasias e desejos em relação a nós.
Eis a origem da traição. Na verdade, cada vítima de traição se trai a si próprio, por ter acreditado demais, às vezes seduzida pelo traidor em questão, às vezes pela própria fantasia.
De fato, os nossos acertos serão sempre apenas conosco mesmos.
Assim é que não era necessário para trabalhar esta questão, ter reencontrado aquela pessoa.
Foi tudo apenas impressão motivada pelo desejo de resolver essa culpa pendente e pela volta ao lugar que representava o elo com o passado.



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