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terça-feira, 9 de março de 2010

Fabuleta - por Cacá

Um dia o diabo resolveu dar umas voltas sobre a Terra e aterrissou no Brasil. Aterrissou é mentira, posto que veio lá de baixo: então irrompeu no Brasil. Circulou geral e como não podia deixar de ser, andou visitando parlamentos, palácios de governos e outras plagas que abrigam umas pragas eleitas pelo voto. Fez muitos amigos, entabulou muitas conversas, deu conselhos e, principalmente, fez muitos tratados. Disse aos seus pares que poderia lhes oferecer o paraíso se seguissem os seus ensinamentos. O paraíso, a seu modo, claro! Com os seus métodos e também com os seus riscos. Garantia inclusive, que a taxa de risco seria muito baixa, a fim de conseguir bastante adeptos. Disse também que havia o paraíso prometido, “o outro”, mas esse, quem o desejasse, que fosse se queixar com um bispo, afinal era demorado alcançá-lo e não havia garantias reais. Garantias do tipo as que ele mostrou ao levantar seu saiote, mostrando a cueca e as meias recheadas de dinheiro. Um pacto foi assinado de imediato por muita gente com olhos brilhando e lambendo beiços. Uns já suspeitos, outros insuspeitos até então. No ato da assinatura, no entanto o diabo avisou: - A condição para ser membro desse doce paraíso é que meu nome nunca apareça. Sabem como é, ando meio desgastado perante a opinião pública e isso não é bom para mim e pode não ser para vocês numa eventual reeleição. Então, em todas as suas campanhas, dirão nos comícios e também depois de eleitos, em todos os meios de comunicação possíveis:
A VOZ DO POVO É A VOZ DE DEUS.
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*Fabuleta é uma pequena fábula sobre as peripécias do capeta.
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.Visitem Cacá
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domingo, 22 de fevereiro de 2009

domingo, 18 de janeiro de 2009

O Predador - por Tércio Sthal

Ao encontrar um carneiro, um lobo diz:
- Dele vou comer a carne para matar a minha fome, a carne é alimento, a carne é pão da vida; vou beber dele o sangue para fortalecer o meu sangue, sangue é forte, é como o bom vinho, é melhor do que água para matar a minha sede. Mas o que fazer com a lã? Vou jogá-la fora, não me serve para nada.

Outro lobo porém, ao ver a lã do carneiro jogada, sentenciou:
- Vou usar esta lã sobre os meus pelos para enganar os carneiros e atacá-los um a um. Não correrei nenhum perigo, os lobos me conhecerão pela minha pose e pela minha voz, os lobos sempre saberão que sou um deles. E se forem tão espertos quanto eu, em breve estarão usando lã também. E então, eu serei considerado o mais esperto, o mais inteligente, o maior, o grande líder de toda a alcatéia, afinal eu sou o estrategista, o verdadeiro predador.


Moral da Estória:
O lobo sempre é lobo. Aparentemente, por algum tempo, pode até perder a pose mas não o pelo.

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