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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Palavras - por Marília Abduani

Palavras voam ao vento.
Atravessam fronteiras,
chegam até onde a vista não alcança.
E são cálidas,
complacentes,
cuide para que as suas palavras
levem nas asas ouro,
levem a mais doce esperança
onde pulsa a fé, cumplicemente.
Deixe-as
seguindo o próprio percurso.
Que sejam encantadas,
delineadas,
iluminadas,
ilimitadas.
Que sejam sementes,
que saibam acalentar sonhos,
os mais simples e os mais complexos.
Palavras brancas, verdes, amarelas,
vermelhas de paixão.
As negativas, não.
Deixe-as quietas, adormecidas, talvez. Elas passarão.
Palavras, palavras...
Na recriação dos sentidos, na emoção que contagia,
na flor que desabrocha, linda.
Assim são as palavras.
Use-as, ame-as, solte-as ao sopro da brisa
e ao silencioso toque do vento.
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.....................................Visitem Marília Abduani
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Hermógenes e as Potencialidades Humanas - Citado por Alba Vieira

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As potencialidades infinitas do Ser Supremo, que nós somos, permanecem abortadas pelas posses, afazeres, doutrinas, partidos, preceitos, preconceitos, vaidades estúpidas, verdades que não o são e que, embora nos retenham na penúria verdadeira e em verdadeira servidão, são por nós defendidas e amplificadas como se nos dessem segurança e paz.
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A Justiça é Cega!! - por Esther Rogessi

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Brasília é a capital da arte, tem arte por toda parte... Em toda parte tem arte!
Lu é artista lá... Pouco lá Lu está!...
Nada sabe, nada vê... Nada no lago dos Três... Haja Poder!
Grandes obras desde o passado são vistas... As Obras e seus artistas: plásticos, escultores, engravatados, engenheiros, doutores, mágicos, transformistas, calculistas e projetistas...
Obras nem sempre boas de se ver... Boas obras as de Niemeyer... ‘Revolucionista’ que arredondou massa e tijolo, grande e belo projetista; Alfredo Ceschiatti, junto a ele trabalhou, talhou, embelezou e grandes esculturas perpetuou!
O filho das Gerais... fez obras como não há iguais! Em pedra de ‘Granito Petrópolis’ assentou a ‘Dona Justiça’ - puro cavalheirismo -, para que ela não cansasse; vedou-lhe os olhos, para que não contasse o que lá... pudesse ver!
O sindicato dos artistas... Deve isso a você!
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.Amigos poetas...
Não esqueçamos, primeiramente, que este texto é satírico... Em verdade, a escultura simbolismo da ‘Justiça’ tem ‘significado universal’ - denota igualdade no exercício da mesma. Em se tratando do poema concernente ao monumento exposto na praça dos ‘Três Poderes’ em Brasília, tão bem talhada pelo ‘filho das Gerais’ - Ceschiatt -, é uma sátira poética quanto aos descasos e aplicações - muitas vezes indevida -
do termo ‘JUSTIÇA’ em nosso país.
O poeta tem o poder de metaforizar, satirizar... zar... zar... zoar!...
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.Visitem Esther Rogessi
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O Haiti é Aqui - Leandro M. Oliveira

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Desde o terremoto ocorrido no Haiti há alguns dias, vê-se um desfile de boas ações noticiadas em todas as instâncias da mídia. Governos nacionais, atletas, empresas, milionários, gente comum, todos unidos em prol do socorro a esse país vítima da mais aguda miséria histórica das Américas. Fato pacífico é que esse estado do Caribe vive em condições de uma precariedade às vezes inimaginável no século XXI, desde sua fundação como colônia escravista de exploração econômica francesa, até o século XX com a ocupação militar e depois política da América, esse país foi continuamente dilapidado em seus recursos financeiros, naturais e sociais. A tragédia haitiana vem de longa data, ao contrário do que se imagina, grande parte do quadro de caos apresentado pelas redes de TV como grande população de rua, falta de emprego, inacesso à educação, escassez alimentícia entre outros, são flagelos que acompanham a população desse desafortunado país com maior ou menor intensidade desde sua conturbada independência nos idos do ano 1.804.

Como humanista não há como não se apiedar, entendo o homem do futuro como um ser essencialmente sem bandeiras, que se alista em qualquer trincheira disponível à busca do progresso global, aceitando o mundo como pátria, desconhecendo as fronteiras. Entretanto, esse homem novo a meu ver depende de mais que de boa vontade e romantismo pra surgir, ele há de ser um evento concreto quando a opção for de dentro pra fora, quando em seu próprio país conhecer e trabalhar por uma justiça social efetiva, poderá ir a outros estados e reivindicar isso àqueles que lá vivem, todo o mais de empreita semelhante é conjetura ou aceitar a condição de massa de manobra dos poderosos.

O que se busca dizer com esse discurso, é que faz-se em esforço de pouca valia nos abstermos de questões básicas à evolução social interna em favor de outra ordem externa. Nesse caso vale o antigo dito popular de não adiantar em nada “descobrir um buraco pra tapar outro”. Vejo nos dias atuais o cinismo do governo brasileiro, enquanto milhões morrem de inanição, falta de emprego, educação, esclarecimento e oportunidade em inúmeros pontos desse país, nosso presidente ainda tem surtos de líder sindical e como em sonho ou ataque psicótico parece se sentir discursando na velha internacional comunista, com aquele grito de guerra inflamado e cheio de segundas intenções. Mas a era das revoluções foi (tristemente) sepultada, e os antigos líderes eram muito mais que fantoches nas mãos de uma pequena elite intelectual filha da classe média que os usa como símbolo e contraponto a uma já alardeada decadência burguesa, objetivando em última análise o status de novos messias da sociedade. Não, aqueles homens eram mais que massa de manobra.

Infelizmente hoje estamos, enquanto sociedade, acometidos pelo mal do “imbecil coletivo”, essa praga que em parte vem desses tempos de globalização, em parte das intenções escusas de quem nos informa do panorama geral (mídia) e seus afiliados. Tem-se a idéia de que é melhor salvar alguém do outro lado do mundo do que aquele que está perdido à sua porta e tudo só porque o jornal nacional falou que assim soa mais humano. Esse momento de mobilização das boas intenções por um país vizinho é também uma oportunidade de repensar a capacidade e necessidade de resolução das questões domésticas. Acaso é legítimo enviar milhões de dólares entre outros recursos a um país estrangeiro enquanto nós ainda que em menor escala perecemos das mesmas faltas? Os Estados Unidos estão lá, por uma dívida histórica e pela capacidade recursal que possuem, assim como os demais países europeus e os grandes asiáticos. Mas e o Brasil? Será que vale a pena deixar o sistema público de saúde em petição de miséria, igualmente a rede de ensino que nada oferece? Abandonar os miseráveis do Nordeste e do Jequitinhonha à própria sorte, tudo em nome da vaidade, do reclame de uma liderança regional que não governa a si própria... Por fim, a respeito dessas intervenções e abstenções do governo faço minhas as palavras do mestre Darcy Ribeiro, um dos maiores humanistas que esse país já conheceu:

“(...) Quem mais representa como massa humana a Latinidade somos nós, os mestiços Brasileiros. Nesse sentido, nós somos a Nova Roma, uma Roma que o mundo vai ver espantado, no momento em que realizarmos nossa potencialidade — tantas! No momento em que resolvermos problemas elementares: que todo mundo coma todo dia, que toda criança tenha uma escola, que se façam aquelas reformas urbanas e rurais para que a terra seja acessível para quem trabalha, para que as cidades sejam a morada dos homens, cordial. Nesse dia, vai florescer no mundo uma civilização diferente, que nunca ninguém viu. (...) Ao lado dos eslavos, milhões de eslavos! Ao lado dos neo-britânicos, milhões! Ao lado dos chineses, milhões! Dos árabes, milhões! De outros tantos milhões, existirá essa face morena.”
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A Coruja - por Leila Dohoczki

No galho de uma árvore
Em noite clara de luar
O pio da coruja arrepia
Dá medo até de pensar.

Mas isso é uma bobagem!

Só porque ela gosta da noite
E gira a cabeça pra trás
A coitada da coruja
Agora dá azar?

Quem a conhece
Logo percebe
Que é linda de se admirar.

É o símbolo da sabedoria
Por sua visão peculiar
Vê o que ninguém vê
A uma distância espetacular.

Voa, silenciosamente
À procura de alimento
Por entre árvores ou na cidade
Os filhotes a esperam no ninho
Com muita fome e saudade.

Enquanto alguns dormem
A coruja trabalha
Ajudando manter equilibrado
O ambiente onde todos moram.

Ouvir uma coruja piar
Nunca haverá de ser um mau sinal,
A menos que seja de madrugada...

Até aquela hora acordada,
A pessoa não irá descansar
Vai passar o dia com sono
A cabeça avoada,
E depois diz que é azar.
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Augusto dos Anjos e “A Esmola de Dulce” - Citado por Penélope Charmosa

Ao Alfredo A.
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E todo o dia eu vou como um perdido
De dor, por entre a dolorosa estrada,
Pedir a Dulce, a minha bem amada
A esmola dum carinho apetecido.

E ela fita-me, olhar enlanguescido,
E eu balbucio trêmula balada:
- Senhora dai-me u’a esmola - e estertorada
A minha voz soluça num gemido.

Morre-me a voz, e eu gemo o último harpejo,
Estendendo à Dulce a mão, a fé perdida,
E dos lábios de Dulce cai um beijo.

Depois, como este beijo me consola!
Bendita seja a Dulce! A minha vida
Estava unicamente nessa esmola.
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