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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
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segunda-feira, 1 de junho de 2009

A Autora de Maio

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PARABÉNS, VESTIVERMELHO!
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Wordle: Autor do Mês de Maio
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Clique na imagem para ampliar.
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Imagem: Wordle
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Coquinho no Arraial - por Ana

Eu recebi um convite
Pro Duelos’ Arraiá.
Eu fiquei maravilhada!
Mal conseguia esperar!

Seria a maior festança
Repleta de barraquinhas
(121, ao todo),
Concurso de Sinhazinha

(Ou então de Delegado),
Cadeia, música ao vivo,
Capela, litercafé,
Fogueira e desafios.

Chegado o grande dia,
Me arrumei, toda apressada,
Coloquei foi qualquer roupa,
De tanto que estava animada.

Nem pensei em me pintar,
Me esmerar no visual,
Só pensava em diversão
E encontrar com o pessoal.



A festa estava linda!
Diversidade sem par!
Barracas de todo Brasil
E também de Além-mar!

Havia trem colorido
Com maçãs em seda azul,
Guloseimas do Amapá
Ao Rio Grande do Sul.

Bolo inglês, de cogumelo,
Bolo-pudim e café,
Cookies, tortas, pão de queijo,
Pra família, picolé.

Vinha, da Terra do Nunca,
Chá quente com pedra de gelo.
Trouxeram garrafa de rum
(Bebiam pra ter argumento).

Barraquinha dos mais velhos:
Comida pastosa, sopinha,
Água mineral, café com leite,
Só dieta bem levinha.

Délicatesse: chá, biscoito,
Bala de coco, sorvete de limão...
Cheguei a ver pires finíssimos
Com flores pintadas à mão.

Na barraca natureba:
Berinjela refogada,
Alface, chuchu e vagem,
Várias frutas em cascata,

Muitas saladas cruas,
Macaxeira, água de coco,
Arroz branco ou com tomate,
Coisas pra quem come pouco.

Do Nordeste: feijoada,
Muita carne de fumeiro,
Tinha pirão de aipim
E até feijão tropeiro...

E cenoura com dendê,
Angu com lauta rabada,
Ensopado de jiló...
Gente... Sobrou foi nada!

Do Sudeste: strogonoff,
Suflê e carne ensopada,
Frango à parmegiana,
Linguiça frita, cachaça,

Farofa com ameixas secas,
Muito alho, sal, pimenta
Nos galetos temperados
Que nem todo mundo aguenta.

Maionese com presunto,
Mocotó, macarronada,
Camarão na moranga, rosbife,
Deliciosas empadas,

Três espécies de salsichas:
De frango, peru e porco,
Batata frita à vontade...
O povo aqui ficou louco!

Do Sul: almoços, jantares,
Churrasco ao ar livre, mesinhas,
Cerveja, salada russa,
Barris de chopp, farinha

E pão com alho na brasa,
Tinha coisa de montão!
Muito arroz de carreteiro,
Alguém tomando chimarrão...

Ainda havia a barraca
Que era só de sanduíche:
Mostarda, pimenta, ketchup,
Queijo, presunto e aliche;

Patês, os mais variados,
Na carne, no frango ou no peixe,
Muita maionese Hellman’s
No hambúrguer ou cachorro-quente.

Eram baitas sanduíches!
Deliciosos! Very good!
Pães altos, fofos, clarinhos...
Pros adeptos do fast food.

O buffet tinha refrescos,
Refrigerantes de cola,
Diversos fondants ornados
Com florezinhas cor-de-rosa,

Champagne, lindos pães doces
Recheados com aneizinhos,
Bacalhau e bacafá,
Chocolate bem quentinho.

Numa barraca extravagante
Peixe inédito-gororoba,
Lacraia e escorpião no palito,
Locusta para quem gosta.

Tinha gente vomitando,
Com marmita quem não é bobo,
Gente a viver de luz,
Gente com biscoito Globo.

Menino a mascar chiclé,
Um outro roía madeira...
Gente com sushi na bolsa...
Pedinte na maior choradeira...



De repente anunciaram
O resultado da votação.
Vencedora: Sinhazinha!
Não foi Delegado, não!

Daí então me toquei
Que eu estava concorrendo,
Mas nem me lembrava disso...
Só conversando e comendo...

Comentei com o pessoal
Que estava decepcionada
Com meu imenso descuido:
Não fiz propaganda nem nada...

Então apareceu, de repente,
Um moleque tri-abusado,
Chegou para mim e falou:
“Tô sabendo do babado!

Também, presta só atenção:
Sinhazinha é pra quem pode!
Você vem com este vestido
Cor de burro quando foge...”

Ouvindo estas palavras
Dei coquinho no fedelho,
Mas tinha razão, o pestinha:
Por que não vestivermelho?




Referências: “Coquinho no Matagal”, de Bruno D’Almeida;
todas as citações gastronômicas e relacionadas a festa junina no Duelos (posts, comentários e chat);
resultado da votação do melhor autor da 1ª quinzena de maio.
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Refletindo - As Nossas Poesias XVI

Lagoa tranquila refletindo meu rosto,
Como um Narciso às avessas
Não vejo indescritível beleza,
A minha figura só me traz desgosto.

A imagem que ondula nas águas me acusa,
A feiúra é minha alma refletida,
Triste, opaca, arrependida,
Espelho de uma vida confusa.

Errante, fugindo de tudo,
Incapaz de enxergar a beleza do mundo,
Incapaz de entregar-me a um sentimento profundo,
Vivo um destino infecundo,

Fruto de escolhas incertas
Guiadas por meus temores,
Reféns de meus vãos amores,
Vítimas de rígidas metas.

O rosto que a água reflete
E o tempo que já passou
Mostram a mim o que sou,
E o que sinto me perverte.

Sinto asco de mim mesmo,
Culpa descomunal
Ao ver a água matinal
Refletir a vida a esmo.



Poesia criada por Alba Vieira, Clarice A., Ana, Gio, Escrevinhadora, Aaron Caronte Badiz e Anônimo.
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Entardecer - por Alba Vieira

Cai o véu da noite devagar...
Todo o burburinho do dia se cala.
O corpo cansado busca aconchego,
O olhar se dirige agora para dentro.

Cai em si o que procura...
Já não há como escapar do incômodo.
Está frente a frente com a verdade,
O seu estado depende apenas de si mesmo.

O entardecer é a consciência...
Nenhum brilho de fora disfarça a escuridão.
Ou existe luz e a tarde é acolhedora,
Ou nos resta iluminar nosso porão.



Poesia cujos título e primeiro verso foram utilizados para a versão coletiva Entardecer - As Nossas Poesias XV.
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Visitem Alba Vieira
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Charada - por Eu

A vida é uma charada eterna a ser desvendada.
Momentos e caminhos.
Encontros e espinhos.
Pessoas e amores.
Tudo... absolutamente tudo.
Uma imensa e infindável
“Charada”.




Visitem Eu
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Tarde de Domingo - por Gio

Outono, o vento sopra devagar
Ou todo o mundo, abrupto, sacode?
Quem sabe a diferença? E quem pode?
Quisera eu saber de tudo isso!
Cantando, eu sigo, sem compromisso
Contando as andorinhas a voar

Mas hoje tudo cheira a calmaria
Matinê, os mesmos filmes de anteontem
Charada, cujo final não me contem!
Chá-mate, um passeio pela praça
Amigos com que a gente se embaraça
Amores que fazem valer o dia

Tarde em tons pastéis, melancolia
Tudo muda a cor e fica triste
A brisa; e então o sol, que logo insiste
Abrir sorrisos por onde passar
Desejo inesperado em ver o mar
Desenhos que uma criança faria

O tempo passa, e dele eu me vingo
O temporal me lava a alma inteira
Me vejo novo, queira ele ou não queira
Solfejo, alegre, a mesma melodia
Que sopra o vento agora, quem diria?
É só mais uma tarde de domingo




Visitem Gio
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Recado - por Raquel Aiuendi

Vou falar pra Kalim
fazer um favor pra mim
pintar em única tela
o trem da alegria
e as suas libélulas
que lindas são
que sonho me trazem
a inspiração
dos traços
que seus pincéis
nos quadros fazem.

Um abraço, Kalim
e continue assim.



Inspirado em “Trem da Alegria” e “Livres Libélulas”, de Kalim Autuori.
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Manuel Bandeira e seu “Neologismo” - Citado por vestivermelho

Beijo pouco, falo menos ainda.
Mas invento palavras
que traduzem a ternura mais funda
e mais cotidiana.
Inventei, por exemplo, o verbo teadorar.
Intransitivo:
Teadoro, Teodora.



Nota de vestivermelho
Poema de Manuel Bandeira... intransitivamente divino!
Lembrei dele ao ler “Os Amores de Minha Vida”, de Raquel Aiuendi.
Achei lindíssimo...
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Terremoto em Honduras - por Alba Vieira

Num terremoto
Parece que o mundo
Desequilibrou.

E tudo treme.
Coisas caem sem cessar,
Pavor vem do céu.

Como se manter
Íntegro na destruição?
Só ficando zen.



Visitem Alba Vieira
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