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segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Cartas que Não Enviei - por Cacá

Eu gostaria que você sentisse imensamente essa carta como as escritas à mão. Há hoje tantas maneiras de dizer as coisas que se quer, que a caneta está sendo usada quase somente para as primeiras letras da alfabetização de escolas públicas ou para assinaturas em cheques. E mesmo esses meios já vão se tornar obsoletos já-já. O governo tem prometido colocar computadores em todas as escolas. Um tal “programa um computador por aluno”. E quanto às assinaturas, já há as digitais. Só falta os estabelecimentos aderirem. E então, a antiga pena, a shaffer, a montblanc e a indispensável bic estarão banidas à lembrança. Como os carteiros estão ficando.

Já não se escrevem mais cartas. Não da forma mais romântica que há para dizer “saudade de você”, “eu te amo”, “mande notícias pelo correio”. Eu não sei se você sente como eu uma diferença fria entre abrir um e-mail e rasgar um envelope depois de ter visto a letra no destinatário e remetente. Ali a carta já começa a me dizer alguma coisa. Há pessoalidade, há intimidade. Dizia o Milton que “qualquer maneira de amor vale a pena”, mas umas formas são tão portadoras que valem mais a pena. O adiamento das coisas em cumprimento à sina do tempo é a palavra saudade exercida em sua plenitude mais bonita. Tem graça eu falar tanto de sua falta e sem que ouça a minha voz, sem que espere o tempo de ir à caixa de correio, sem abraçar o papel da carta depois de lido o conteúdo? Esses afagos tão caros ao coração, modernidade nenhuma é capaz de subtrair de nós. Que outra forma é aceitável de se sentir amada por mim se não estamos perto? Há calor em meio eletrônico? Há desespero maior do que uma webcam com uma imagem que a mão não alcança? Que o beijo não refresca na tela?

A virtualidade só pode ser aplacada pelo papel de carta em cuja tinta escorreu amor junto com as palavras. Em caso extremo sou capaz de lhe mandar uma lágrima manchando a folha. E você poderá levá-la em sua bolsa, para o quarto, para o banheiro, dormir com ela sob o travesseiro ou ao seu lado. Tem calor essa lembrança.

Bom, também chega de comparações, senão fugimos do objetivo mais grandioso que é nunca esquecermos o nosso amor, independente de suas manifestações antigas ou modernas. Não deixarmos de nos amar será a modernidade eterna, onde quer que estejamos.

Vou lá correndo postar com um selinho bem bacana. O correio fecha às cinco. E vou contando as horas em forma de empurrão para ver se adianto o fim de semana de poder te ver de pertinho. Aí sim, entre beijos, abraços, carinhos profusos, seremos uma carta a quatro mãos dadas. Enquanto isso, repito aquela frase que é o sinal da sua ausência em mim: sem você o vazio tem hora marcada em meu coração.

Cacá



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Milton Nascimento

2 comentários:

_Gio_ disse...

É por essas e outras que eu tenho andado sempre com caderno e caneta. Escrever à mão tem seu valor!

Ana disse...

Cacá:
Adorei seu post. Penso exatamente como você. Sinto falta das cartas de antigamente. Hoje em dia só recebemos, pela ECT, contas a pagar e propagandas. Triste...
E, como Gio, lhe digo: estou sempre com caneta e bloquinho à mão, e ainda escrevo bilhetinhos de amor e amizade. Resistirei bravamente até a morte. rsrsrs
Um abraço.