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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




quarta-feira, 20 de maio de 2009

Calouro - por Leo Santos

O calouro sonhou com o palco,
aurora empurrou a parede,
o pulso pulsou o instinto,
e o desejo lançou a rede.

Perdeu o ônibus por um passo,
o passo por um sorriso;
O sorriso por um olhar,
promessas de perder o juízo.

Ante tão vasta empresa,
mesclam-se timidez e esperança;
Ora a veste parece sob medida,
outra, inda vestir-se como criança.

É sonho que vive a puberdade,
idade de tantas certezas;
No entanto a dúvida na imberbe face
desafinando a natureza.

Pois é tão alto o trampolim,
quão intenso o anelo de mergulhar;
De novo um passo, o causador do atraso,
em último caso, outro ônibus passará…



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As Nossas Palavras XI - por Alba Vieira

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Sublime ignorância: quando dei por mim estava a um passo do ridículo. O que fazer quando a emoção nos embota a razão a ponto de suprimir todo o conhecimento prévio?



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As Nossas Palavras XI - por Clarice A.

Ridículo e sublime
Habito constantemente os dois
Posto que entre nossa gente
Não há unanimidade
Às vezes agrado muito
Outras sou uma calamidade
E assim vou adiante
Andando neste meu passo
É assim mesmo que vivo
Ou deste jeito ou me desfaço.
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As Nossas Palavras XI - por Gio

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ATESTADO DE LOUCURA


Tenho o andar maior que o passo
Passo a vida em liberdade
Há molecagem no que eu faço
Faço a minha eternidade

Vivo a vida, vejo
Com o olhar de uma criança
Digo adeus, desejo
Muito mais que confiança

Faço as pedras do caminho
Caminho na contramão
Os normais, de terno e cinto
Sinto, não me encontrarão!

Viva a vida! Veja
A inocência em forma pura
Sinta a sina, seja
Mais um mártir da loucura

Sublime desejo do bem
Bem que se quis ser assim
Ridículo é zombar dos meios
Se todos têm o mesmo fim
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As Nossas Palavras XI - por Kbçapoeta

Passo a cada passo a memorizar
Vislumbrar tristezas
Deleitar euforias
Sem medo do ridículo
Que nos faz singular
Cortejando o sublime desejo
De ser reconhecido pelo plural



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As Nossas Palavras X - por Alba Vieira

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Nos dias de hoje, se souberes lidar com a raiva e a tristeza em qualquer momento e se fores sempre paciente, valerás por cem homens.



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Mimoso, o Gato Feliz - por Adir Vieira

Mimoso era um gato feliz.
Era o único habitante daquela casa grande, além da dona da casa. Dominava tudo enquanto ela estava fora, no trabalho.
Sua rotina era sempre a mesma.
Ao primeiro toque do despertador, espreguiçava-se na almofada verde de veludo, onde dormia, aos pés da cama de Dona Florência. Imediatamente pulava para cima da cama e puxava a colcha, clamando pelos afagos de bom dia. Juntos, seguiam para a cozinha e enquanto a dona da casa ligava o rádio e fervia a água para o café, ficava aninhado aos seus pés, à espera do leite com miolo de pão.
Já sabia o momento de voltar para a almofada, agora colocada no parapeito da janela, quando Dona Florência, pronta para sair, recomendava-lhe a casa e seus pertences.
Ontem, no entanto, sua dona demorou-se na rua mais do que de costume, fazendo com que, à sua chegada, rosnasse e pulasse muito de alegria.
Aquietou-se quando percebeu em suas mãos uma maletinha cheia de furinhos em volta. Ao movimento, ouvia-se um pequeno latido, que mais parecia um lamento.
Mimoso observava sua dona preocupado e triste.
Não deixou de perceber que seus cumprimentos ao chegar foram substituídos pelos cuidados e com a apresentação da casa ao novo bichinho. Os carinhos e agradecimentos que recebia diariamente foram trocados pela busca de um pequeno colchonete que a partir dali seria a cama do Pimposo. Era assim que ela o chamava.
O relato de seu dia de trabalho, contado em detalhes a cada noite a Mimoso, foi feito, sem cerimônia, a Pimposo.
Os dias foram passando e Mimoso, cada vez mais abatido, caiu em depressão, ao ser preterido.
A dona, feliz com a chegada do cãozinho, sequer notou o desatino.
Indignado, Mimoso encheu-se de coragem e decidiu dar o troco.
Pensou em fugir para causar surpresa, mas Dona Florência adivinhou seu esconderijo.
Pensou em fugir de verdade, tentando encontrar outro dono que o quisesse, mas o devolviam à Dona Florência, conhecido que era nas redondezas.
Mimoso não sabia mais o que fazer. Amava sua dona e precisava dos seus dengos de outrora.
Pensou em subir no telhado, ser içado por bombeiros e na vizinhança causar fusuê. Não conseguiu. Desacostumado há tanto tempo com altura, não teve coragem de ir além das janelas. Mais triste ainda ficou com sua incapacidade e também ao sentir que Dona Florência sequer se dava conta de suas artimanhas.
Se os vizinhos notavam Mimoso cabisbaixo e indagavam a Dona Florência sobre o que se passava, ela respondia que a sardinha do almoço havia-lhe feito mal.
Enquanto isso, Pimposo ia crescendo garboso, com seu pelo branco cada vez mais aveludado.
Dia a dia ia nascendo em Mimoso a raiva natural do ciúme.
Domingo chegou e uma buzina de carro chamou a atenção de todos.
Uma menina, acompanhada de sua mãe, saltou do carro e, de braços abertos, correu em direção a Pimposo, que lhe cobria freneticamente o rosto com suas lambidas carinhosas.
Dona Florência, vindo de dentro com a maletinha, paninhos, escova, sabão e ração nas mãos, entregou-os à mãe da menina que, entre abraços e agradecimentos, levou Pimposo embora.
Só então Mimoso tudo compreendeu.
Nesse momento tambores tocavam dentro de sua cabecinha e fogos de artifício desfilavam frente aos seus olhos, fazendo-o feliz de novo.
Só aí viu que sua dona olhava para ele dizendo:
– “Agora só nós de novo, heim, Mimoso?”
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Mão Pedinte - por Ana

Um pão, por misericórdia,
Um pãozinho até mofado
Para matar minha fome...
Eu estou desempregado...

Não me negue, é tão barato!
Pra você não custa nada,
Mas para mim, esfomeado,
É iguaria danada!

Não vai atender meu pedido?
Ignora assim, na lata?
Meu caro, não sou mendigo:
A marolinha tá braba!

Vai embora? Vira as costas?
Não me dá nem um centavo?
Tá legal, pega teu rumo,
Minha cova eu mesmo cavo...

Eu só te digo uma coisa,
Preste bastante atenção:
Imagine que um dia
Se inverta a situação,

Você venha me pedir
Na rua, um mísero pão,
Terá, de mim, pelo menos,
Um centavo na tua mão.




Inspirado em Pão Pedinte, de Marcelo Ferla.
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