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terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Não sei como começar... - por Ana

Não sei como começar... Então vou direto ao ponto: Mãe, você não presta!
Quando eu era criança, roubava minhas balas, torturava meu papagaio e afogava meu preá.
Quando eu era adolescente, roubava minhas roupas, torturava meus namorados e afogava meu coelho.
Quando me tornei adulta, roubava minhas amigas, torturava meus cachorros e afogava meu canário.
Agora que sou velha, rouba minha dentadura, tortura meus gatos e afoga minha tartaruga.
Se você não parar com isso, vou assaltar o seu barraco, dizimar as suas éguas e asfixiar os seus micos de estimação.
E, na sua morte, vou quebrar a sua urna, sujar as suas cinzas e varrer tudo pra baixo do tapete.
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sábado, 14 de fevereiro de 2009

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Não sei como começar… - por Ana

Não sei como começar… Então lá vai: Dane-se!
Dane-se você com suas roupas justas e seus terninhos a la Direito.
Dane-se você com sua fala mansa e seu olhar de corsa abatida.
Dane-se você com seu jogo de cintura e sua eterna diplomacia.
Dane-se você com seu marido perfeito e suas crianças limpinhas.
Dane-se você com seu emprego estável e sua carreira brilhante.
Dane-se você com seu ego inflado e suas contas bancárias.
Dane-se você com tudo o que você tem de bom.

Dane-se você e todo o resto.

Porque uso roupas largas,
Falo grosso,
Jogo na cara,
Não quero casar,
Não trabalho,
Não tenho grana
E tô na boa!
.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Não sei como começar... - por Adir Vieira

Não sei como começar, mas me impressiono com o fato de algumas pessoas dragarem, para si, jeitos e trejeitos daquelas que lhe estão mais próximas. É como um rio que passa, levando no seu percurso as folhas amareladas, as pedrinhas quebradas pelo bater das ondas e o lixo sujo. É assim o que ocorre com Alcinda e Lucíola. Diferentes na sua forma de ser, atesto que, de uns tempos para cá, as confundo no falar. Termos nunca usados por uma vagueiam nos lábios da outra como sua propriedade, com a mesma entonação. A maneira de sorrir descambada para a esquerda, de uma, hoje, na outra, se repete escondendo a covinha que antes ali realçava. Não entendo como o ar, tal qual espelho, reflete de uma para outra (e vice-versa) meios e manuseios que, executados identicamente pelas duas, chamam minha atenção com vibração.
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quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Não sei como começar... - por Ana

Não sei como começá, moço… Acho que foi assim: ele vinha vindo no cruzamento, eu também, a gente se esbarrô e ele me xingô. Xingamento eu não aturo, não! Aí eu xinguei também… no mermo nível, claro, que não sô mulher de descer do salto. Aí, ele, estouradinho, danô a gritar um monte de palavrão. Aí não deu pra mim: tasquei-lhe um empurrão. Ele, que não é nem um pouco cavalhero, me empurrou também (ninguém ensinô pra ele que em mulher não se bate). Eu gritei, espantadona, e taquei-lhe um soco na cara. Daí pra chegar ao chão os dois junto engalfinhado foi meio pulo. A multidão logo tava em volta, com torcida organizada pros dois lado (a minha era maió, craro!, até pruque eu tava de saia e a homizada delirô!). De repente fiquei por riba dele (que não sou de ficá por baixo de ninguém) e danei a enforcá ele, que foi ficando vermelho, azul, roxo batata. Aí larguei, venci o froxo. Fui pra galera que me apraudiu de montão. Então ele levantou, foi chegando pra perto de mim todo torto (eu preparada pra socar de novo) e me tascô um beijo daqueles de novela das oito, todo babado. Daí, como ele gosta de apanhá e eu sô fissurada em batê, nós tamo aqui, na frente do senhor, pra assiná os papel, seu tabelião.
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Não sei por onde começar... - por Márcio Matos e Leo Santos

Não sei por onde começar,
dilema que meu ser atinge
Édipo sem a coroa,
perplexo ante a esfinge.

A sombra da lua
que cobriu o destino
com seu manto
desnudando possibilidades

qual a sombra da dúvida
no olhar do menino
que em meio a mentira
procura verdades.

Agora acho que sei,
a mentira já não mais atrai
sobra por onde não começar
por caminhos que afastam do Pai.

Por eliminação busco o rumo
nego-me a ser onda que a rocha desfaz
darei pra minha parede um prumo
num leito para as águas da paz.

Não sei por onde começar
mas nem sempre a dúvida atrapalha
manterei os pés no mesmo lugar
sem Deus, não moverei uma palha.

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