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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Tema do Mês de Fevereiro: Amor Virtual

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Caríssimos amigos:
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Hoje foram postados os textos referentes ao tema do mês de fevereiro: “Amor Virtual”,
sugerido por ZzipperR e vencedor da enquete de janeiro.
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Participantes:
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Aaron Caronte Badiz
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Dália Negra
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Lélia
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Penélope Charmosa
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Soraya Rocha
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Muito obrigado a todos que colaboraram com esta “blogagem coletiva”!
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Um grande abraço!
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Amor Virtual - por Artemisia

Pensando bem, não é difícil viver um amor virtual. As coisas acontecem bem na nossa cara e não nos damos conta.
Levei dias achando que não conseguiria escrever sobre tal assunto. Quando de repente, bem ao alcance da mão, um mini Aurélio, século XXI!
A ideia não poderia ser melhor. Abro. Olho. Leio. E a definição salta em 3D na minha frente.
Vir.tu.al adj2gn. 1. Que existe como faculdade, porém sem efeito atual. 2. Suscetível de realizar-se; potencial. 3. Inform. Que é efeito de emulsão ou simulação...
Escolho a opção dois. Amor virtual e virtuoso!
Viver um amor virtual há mais de trinta anos. Simples assim...
Adolescentes. Moravam na mesma cidade. Estudavam na mesma única escola. Os amigos eram comuns aos dois. A vida era sem grandes realizações. Mas o amor era virtual.
Ela no interior. Ele na capital. Sempre quis dar umas voltas pelo mundo à procura de melhores dias. Mudou-se de uma capital para outra. E o amor virtual foi acontecendo dentro das possibilidades.
Não havia outra forma de comunicação além de cartas através dos Correios. Década de setenta. Intelsat? Somente conheciam na música de Paulo Diniz. Mas o amor era virtual. Tão virtual se fez que são casados há mais de trinta anos e têm três filhos maravilhosos...
Quer amor mais virtual que esse? Faça a experiência sem medo de ser feliz.
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Visitem Artemisia
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Amor Virtual - por Alba Vieira

Cada um ama, no contexto pessoal, como sente, quer e pode.
Considerando cada elemento: terra, água, fogo e ar, o amor pode ter várias manifestações. Assim, de acordo com o elemento que predomina em cada ser e pode ser analisado do ponto de vista astrológico, o amor se expressará de forma particular.
O amor virtual tem a ver mais com o elemento ar, diriam alguns. Claro, é a mente que comanda. Cada um se coloca na rede como bem quer, se traveste daquela imagem que deseja mostrar, às vezes para atrair, outras para afastar (ou seja, atrair exatamente o que mais abomina e garante que a relação não poderá ir além do mundo virtual).
Mas será mesmo que os outros elementos também não têm vez no mundo virtual?
Será que os românticos do fogo não tremem, aceleram o coração e suam frio quando, em sua página do orkut ou facebook recebem mensagens daquela figura que cabe exatamente na idealização de seus sonhos?
E os nativos de água, também não se derretem e passam horas dos seus dias fantasiando com os elementos daquelas histórias construídas pelos seus novos amigos virtuais?
E o que dizer dos que são filhos da terra, que a cada dia, depois dos lances inesperados do cotidiano, sentem-se seguros quando podem vivenciar, a seu modo, o amor virtual, do jeito que lhes agrada e não oferece qualquer perigo (ou será que não se deram conta ainda dos perigos do transitar num mundo que exatamente por não ter como base o concreto é tão estranho para eles, apesar de serem tão desconfiados)?
O fato é que todos nós temos em nossa constituição psíquica todos os elementos e o mundo virtual é vivido por cada um de acordo com o que predomina no seu ser e, em última instância, tudo se mistura nesta rede que é a vida.
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Visitem Alba Vieira
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Virtuosidade - por Dália Negra


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Minha vingança é ser outra na rede
Te rastrear até te trazer pra mim
E rastejar até te matar de sede
Me fingir tua do início ao fim.
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Após te prender em laços primorosos
Ver-te buscar-me por todo lado em vão.
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Se regozijam, meus olhos criminosos,
Sabendo-te triste, com o coração na mão.

Amores Moribundos - por Runa

Ouço ainda o rumor dos teus lábios de cinza
a espernear de encontro às tábuas gastas do meu peito,
e dou por mim, num delírio febril,
a murmurar as sílabas nostálgicas do teu nome,
que dançam, numa vertigem de fumo,
ensombrando os versos obscuros do poema.
Um pássaro de cera derretida,
pousado no luar arruinado dos meus ombros,
digere a ressaca de um eco distante,
no vazio destroçado do papel
onde tento fixar as últimas sombras
do teu sorriso desfeito.

Vozes escondidas murmuram nos recantos da memória
a litania decadente dos ventos,
invocando, num ranger de ossadas,
a réstia contaminada de remotos sonhos
enterrados dentro de mim.
Sacudindo o feitiço,
acendo as palavras efervescentes do teu nome
e deixo-as, a queimar, no rebordo encardido do cinzeiro,
entre duas baforadas de fumo baço
e a insónia lenta da tua ausência,
renegando para os confins do poente
aquilo que já não me serve.

Esta noite, num derradeiro gemido,
entrego o teu rosto calcinado
às chamas fugazes do esquecimento
e, definitivamente, te fecho a porta.
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Visitem Runa
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Diluído - por Davi Rodrigues

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O torpor, contínuo
Frágil habilidade
Continuamente se fornece
Mas não se pode possuir
Aflora a mente
Desfalca seu pensar
Atravessa a cortina reluzente
A visão distorcida
O ar falta
Falta a presença
Não há ninguém lá fora
Só quem eu queira
O querer agora é meu
Único!
Quem pode me impedir
Desejo e não possuo
Só a lembrança
Essa não me abandona
Agora é cristalinidade
A pura transparência do pré-suicida
Falta algo?
Que não seja o que desejo!
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Virtual - por Soraya Rocha


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Minha cama sem teu corpo,
Minha mão sem tua mão,
Minha mente, teus carinhos,
Mato a fome sem ter pão.
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Minha casa em silêncio,
A luz fria na solidão,
Tuas palavras, carícias,
Em meus sonhos, tua afeição.
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És meu amor virtual,
Linda bolha de sabão.

Mário Quintana e o “Poeminha Sentimental” - Citado por Penélope Charmosa

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O meu amor, o meu amor, Maria
É como um fio telegráfico da estrada
Aonde vêm pousar as andorinhas...
De vez em quando chega uma
E canta
(Não sei se as andorinhas cantam, mas vá lá!)
Canta e vai-se embora
Outra, nem isso,
Mal chega, vai-se embora.
A última que passou
Limitou-se a fazer cocô
No meu pobre fio de vida!
No entanto, Maria, o meu amor é sempre o mesmo:
As andorinhas é que mudam.
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Verdades, Previsões, Lamúrias e Outros Bichos - por Ana

Queridos Bródi:

Pois é... ano novo, vida nova... Eu que o diga!... Mais responsabilidades, mais trabalho, ligação intensa com a família... Eu GOSTO MUITO de todas estas coisas, mas... diz o horóscopo chinês que as pessoas de galo, tigre e sei-lá-o-quê vão ter um 2010 de muita sorte. Até agora, eu, que sou tigre de acordo com o povo de lá, não vi isso não. Tô vendo é muita coisa pra fazer, demandas que não acabam mais... De tigre refestelado em galho de árvore depois de um ótimo almoço sem muito esforço, tenho é nada. Não existe o cão labrador? Pois é, sou o tigre laborador. E tô mais pra outros bichos... Pareço um castor consertando desesperadamente seu dique antes de uma baita tempestade, formiga reparando formigueiro recém-pisado ou um polvo trabalhando numa linha de montagem em alta velocidade. Daqui a pouco meus tentáculos vão dar nó.
Não pensem que tô reclamando do trabalho, porque, como não sou normal, eu ADORO trabalhar. Mas é que então acontece uma coisa que tem tudo a ver com o Duelos: nesse ritmo frenético eu não consigo me inspirar... Quando termina a cota de tarefas do dia, sobra um tantinho de tempo pra ler o livro emprestado (o mais rápido possível, que eu não gosto de ficar com nada de ninguém) até não aguentar ficar mais de olho aberto.
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Eu visito o Duelos logo cedo, antes de ser atingida pela avalanche de tarefas esperadas e inesperadas (entendeu, Escrevinha, por que apareci no chat de “madrugada”?). Como sempre, passeio pelas mentes alheias com curiosidade e satisfação, pensando em interagir com elas e dizer estive aqui e gostei ou deixar comentários mais longos ou até sentar nas cadeirinhas do Duelos Café, calmamente, e fazer um lanchinho ouvindo boa música. Mas... qual o quê! O pc já está aberto em outras janelas, o telefone começa a tocar, outras palavras estão povoando minha mente de tal forma que não vem nem aquela maravilhosa centelhazinha de inspiração que sempre surgia quando eu lia vocês. Então lá vou eu arrancada, definitivamente, para outros mundos.
Ando me sentindo deserta, árida, pior que os coitadinhos de “Vidas Secas”: nem um cadáver de árvore ou caveira de jegue no meu horizonte pra contar história...
E assim começou meu auspicioso 2010: uma odisseia de concretude e a inspiração indo pro espaço...
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Referências: “2001: uma odisseia no espaço” e sua sequência “2010”; Ao Querido Brógui, de Fatinha.
Imagem: Dedo de Gente
Graciliano Ramos, Stanley Kubrick
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Era... Pegar ou Largar... - por Manhosa

Paixão...
Ela surge
... acontece...
Fica presente...
Ela é independente...
Derruba qualquer barreira...
Na distância ela é Virtual...
Nasce... cresce... vive...
Marca... arranha cria raízes... profundas...
Se torna natural...
Queima nosso corpo...
Nos deixa frágil...
Joga com todos os sentimentos...
Nada mais importa...
Só vale viver... intensamente ...
Compartilhar o todo que só nos dá alegrias...
Faz o coração palpitar mais forte...
Em um simples toque...
... um simples suspiro...
Paixão é dádiva sem cobrança...
Ela prende... suga... sempre quer mais...
Como a abelha... recolhe o melhor néctar...
A cada ato... renova-se...
Com ou sem blefes...
Tudo que tenho sonhado...
Corri... busquei... apostei...
Apostei fixas boas...
Apostei alto...
Sem disputa... pois era eu a minha antagônica...
Apostei contra os medos...
Quebrei a banca...
Estou pagando pra ver...
... risos...
Esta já selado meu destino...
Embaralhei nossas vidas...
Tudo é nosso... enquanto for...
... É pra valer...
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.....................Visitem Manhosa
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Tarde Demais - por Runa

O vento virou nos quintais
soprando de encontro às portas fechadas,
agora é tarde demais,
grasnam nas árvores as aves empoleiradas.

De regresso ao jardim
sombras nostálgicas cantam ao luar
cantigas de amores sem fim
e da felicidade que não pode voltar.

Sobrado a um canto
o coração faminto deita-se e chora,
tanta mágoa, tanto pranto,
pelo sonho que demora.

Na praia distante ainda brilha
a velha fogueira ateada,
sua luz é agora uma ilha
cercada de areia gelada.

Teimoso, o sonho arde,
agarrado à fantasia,
mas, amor, agora é já tarde,
o tempo quebrou a magia.
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Visitem Runa
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PARTICIPE TAMBÉM!

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182 PESSOAS JÁ PARTICIPAM DO DUELOS!
BEM-VINDA, ARTEMISIA!
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COMPONHA UM TEXTO SOBRE QUALQUER TEMA LISTADO NAS CATEGORIAS
(OU PROPONHA OUTROS), DEIXE AQUI EM “COMENTÁRIOS”
OU ENVIE PARA O E-MAIL shintoni@terra.com.br, QUE SERÁ POSTADO.
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AGRADEÇO A TODOS VOCÊS QUE COLABORAM E NOS PRESTIGIAM!
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Amor Virtual - por Leo Santos

Ao amor virtual falta um tchan
aquilo, que a todos impele;
por fazer de teclas e mouse
um acesso que é coisa de pele

Ainda que seja touch screen
o carinho se faz na lata
um toque que não toca enfim
e a suspeita face da gata

é fácil conquistar o IBOPE
sem carecer pesquisa alguma
basta a magia do photoshop
e a perfeição preenche a lacuna

Agora, se viva a webcam
o disfarce é psicológico
onde é tarde se fala manhã
e o improvável se faz de lógico

Majestosa ilha da fantasia
onde aportam os desavisados
encenando ou aplaudindo magia
que verte por todos os lados

o opositor virtual é sincero
não se fabrica contradição
ter com estes, antes, quero
a ser ninado pela ilusão

Como veem, não creio em tal amor
sucesso, contudo, ao que a ele se entrega
que colha fruto depois da flor
ao menos, como exceção, confirmando a regra

boa sorte ao nauta que se ilude
que encontre a felicidade,
mas amor é vassalo do reino da virtude
www.sentimento.com verdade
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..............Visitem Leo Santos
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Fazendo Amor Virtual - por ZzipperR

A capacidade da relação humana virtual pode ser comparada ao perfume profundo de um vinho fino e para desfrutar do calor gerado por esse aroma virtual temos que aprender a cheirar as palavras, saboreá-las e invadir as profundezas da sua fragrância se embriagando e desatando as amarras para desvestir as roupas cruéis e pesadas de culpa desse mundo real.
Muitos não acreditam ser possível, mas é.
Não sei afirmar a localização exata do mundo virtual, mas posso apontar um mundo paralelo entre o real e o sonho. Às vezes pisamos em solo real e outras vezes nos sentimos perdidos nos sonhos, porém os sentimentos são reais, o prazer é real e a outra pessoa também é real.
O ato.
Se não é real por que sinto sua falta?
Porque sinto falta do seu toque que arrepia? Do seu beijo doce e melado de prazer? Das suas palavras queimando de desejos? Do seu carinho íntimo e do seu corpo suado?
O ponto G da relação é inexplicável, pois permanece camuflado em um esconderijo de amor decorado com suas cores e suas flores misturadas ao cheiro do prazer. A verdadeira localização desse esconderijo deve ser o sonho que consegue provar que eles não estão distantes e sim juntinhos, nos braços, no abraço, no beijo, no colo, nos pensamentos, nas palavras, no olhar e no ato do amor.
Se o mundo virtual não é real, por que as dores profundas da paixão? A explosão de um amor devorador que faz querer mais e mais e o ciúme vivo?
São só palavras! Então chega pertinho de mim. Escuta o que eu tenho pra lhe dizer, mas não diga nada, fique quietinha. Apenas sinta! Vou tocar o meu dedo nas suas costas! Aproximar-me bem pertinho do seu ouvido e perguntar bem baixinho: - Adivinha quem chegou?
- Não sei! Quem?
Não se surpreenda se a resposta for:
- O amor virtual!
Se isso acontecer e você o deixar entrar no seu coração, nunca mais ele será o mesmo e nesse momento você também ficará em dúvida se o amor é virtual, pois o que você está sentindo é real.
Só as palavras podem esclarecer, pois é surfando por elas que tudo isso se torna possível e tudo isso prova a capacidade da força mágica e infinita embutida no conteúdo da poesia.
Um amor inexplicável que queima gostoso o coração dos dois, meditando concentrados no teclado, envolvidos e receptivos às palavras com grandes segredos de amor íntimo entre eles surgindo no monitor. Nesse momento eles estão distantes do teclado e podem estar em qualquer lugar, mas com certeza estão juntos e podem estar correndo num parque, namorando, escondidinhos na cama, dançando e até brigando por amar loucamente o outro e não poder ter nas mãos.
O computador está desligado. As luzes estão apagadas. Nem música eu estou ouvindo, mas você permanece como um vírus virtual e real nos meus pensamentos que não conseguem se desligar dos nossos bons momentos. Mesmo ciente de tanto amor. Por que terminamos sempre sozinhos, vivendo como fantasmas a assombrar a vida do outro e desaparecendo como fumaça sem explicação?
Melhor não pensar e seguir os impulsos do coração, pois somos virtuais, nos amamos como loucos e somos felizes quando estamos juntos em nosso mundo.
Com certeza vocês sabem do que eu estou falando, pois também são virtuais e também estão reféns dos sentimentos reais.
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Zip...Zip...Zip...ZzipperR
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Visitem ZzipperR
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Conceitual - por Davi Rodrigues

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Os pés estão descalços
A areia fina massageia a sola
Os dedos tentam alcançar o maior volume possível
Tentam resgatar o formato antigo de meus passos de menino
Dos meus não temores
Da pura ânsia de desejos sem premeditações
Ténue caminhar para adultos
Torrencial e desbravador para o garoto
Passadas vigorosas
Objetivos audaciosos
Onde consigo essa dúctil emenda
Onde deixei escapar a fusão
Foi algum olhar qual não enxerguei?
Foi um sorriso que desejei e jamais obtive?
Qual virtual desejo se apossa em nosso existir particular, que sempre se opõe à fase qual vivemos?
O inatingível e o inalcançável
O visível e o pueril
O que nos impele a isso?
Desejo do impalpável ou sociedade imposta a qual nascemos?
Creio que somente esse meu desejo por respostas...
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Chuva Produtiva - por Daisy

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engano-me nos
planos que faço;
perco-me nos
caminhos que sigo;
esqueço-me no
amor que sinto;
encontro-me nos
erros que cometo.

nada é impossível.
até o deserto floresce
mesmo com pouca chuva.

aproveitemos
a chuva que cai
em nossos desertos.
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Visitem Daisy...........................
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Dança das 7 Luas - por Runa

Sete ciganas dançavam loucas
Sacudindo o corpo enfeitiçado
Sete luas chorando roucas
O triste e insólito fado

Sete ventos sopravam no monte
Velhas cantigas de solidão
Sete almas vagando no horizonte
Sem asas nem coração

Sete fogueiras sempre ateadas
Traçavam círculos na escuridão
Sete mágoas na noite afundadas
Rolando o ventre pelo chão

Sete rezas teciam ao luar
As tranças negras da dor
Sete ciganas loucas a dançar
Sobre as cinzas do amor
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Visitem Runa................
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Amor/Amigo Virtual - por Vera Celms

Não lhe conheço os olhos,

Não sei do calor da sua pele,

Seu cheiro, não imagino,

Sei que em algum lugar deve existir um elo,

Algo que liga nossa existência,

Por mais que me distancie lhe atraio,

Por mais que me distancie quero lhe atrair,

Posso não me importar com sua distância,

Nem mesmo com a sua proximidade,

Mas me faz bem saber que me procura,

Que me quer,

Seu pulso viril se faz sentir,

No seu olhar virtual,

No seu pouco gesto,

Parece-me tão familiar sua silhueta,

Suas poucas palavras, não guardei,

Todas as minhas negativas, rebateu com um único talvez,

E abateu-as todas, de uma só vez,

Mas voltou... só não sei porque,

Nem por quanto, só tempo dirá...
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........................................Visitem Vera Celms
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Devaneios de um Certo Amor - por Débora Paula

Ficaram eles ali, sentados, a conversar; o pôr-do-sol não puderam ver,
entre quatros paredes nada se pode ver.
Trocaram confidências, desejos, figurinhas, cansaram-se e ficaram apenas a observar um ao outro,
aproximaram as mãos, mas não as tocaram.
Perderam a noção do tempo, nem viram a noite adentrar como um fantasma, escura e silenciosa.
Dali não saíram um minuto sequer, fome não sentiram, o sono há muito havia desistido de puxá-los para a cama.
Verbalizaram juras eternas de amor, imaginaram seus corpos unidos.
Não estavam perdidos, mas queriam se encontrar, estavam separados, colocados em pontos distantes;
unidos por metros e metros de fios de energia, ligados por um quadro, uma tela.
Jamais estiveram juntos, mas se conheciam o suficiente para saber que amavam um ao outro.
A máquina era o passaporte para a felicidade;
A rede o meio mais fácil de estarem próximos.
Um pertencia ao outro, mas estavam sós;
Amavam-se enquanto cada um estivesse frente a sua própria tela, embalado pelo tic-tic do teclado e clique do ratinho.
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Amor Virtual - por Lélia

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Nosso amor virtual seguiu o caminho normal: chat, orkut, facebook, msn, celular.
Nos entendemos muito bem, nos pedimos pra namorar, trocamos confidências importantes, descobrimos amigos virtuais comuns, namoramos por longas madrugadas, comemoramos o aniversário de nossa relação, nos consolamos mutuamente em momentos difíceis.
Nunca esquecerei de seu rosto na tela de meu pc, tão real, tão presente...
Nosso amor virtual durou mais que o esperado: foram 43 dias de felicidade e frisson.E terminou com um torpedo.
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Saudades - por Renata Zonatto

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Eu aqui, morrendo de saudades.
Você aí.

Eu aqui, com vontade de beijar sua boca.
Você aí.

Eu aqui, louca pelo seu corpo.
Você aí.

Eu aqui, sentindo vontade de estar aí.
Você aqui!
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Novidade ou Na Falta de um Poema Mais Intenso - por S. Ribeiro

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Um homem enraizou-se aqui, todo ou as
partes plenas. Seus olhos verdes são inegáveis, a
tarde também; mas há a pressa que
esconde o medo, mal interpretando-o.

O silêncio é uma constante, parece que
esperando minha morte, desidratando meus
fatores e meu homem
de fantasia.
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.....................Visitem S. Ribeiro
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Nosso Amor Não Virtual - por Aaron Caronte Badiz

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Virtual nós nunca fomos, mas a distância nos amamos. Por tantos anos, tantas cartas trocamos com amor. A espera ansiosa, as notícias recentes, os longos debates existenciais e o eterno “Com amor” ao final. A saudade cruel, as lacunas dolorosas, a longa ausência e o infindável amor permeando tudo. Ah! Se naquela época houvesse webcam!... Se eu tivesse podido ver seus olhos todas as vezes que desejei meu reflexo neles... Teria sido um amor virtual tão feliz e profundo quanto sempre foi nossa paixão de todos estes anos.
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Mundo Paralelo - por ZzipperR

Nesse mundo azul e triste, as cores não conseguem alegrar as pessoas, pois a maioria delas está num mundo paralelo.
Não que seja ruim viver nesse mundo paralelo virtual, mas vivenciá-lo é viver como amigo. Você pode querer! Tentar e até imaginar, mas não conseguirá encontrar um cruzamento e desta forma estará condenado ao mundo paralelo.
Quem vive no mundo paralelo?
Quem vive no mundo paralelo são amigos, aqueles que nunca vão cruzar com você, pois seu coração está protegido contra eles, lacrado com uma capa de proteção.
Amigos vivem num mundo paralelo, amigo não cruza com amiga, amigo não come amiga. Amiga dá pra outro que nem conhece e depois conta para o amigo, que muitas vezes é apaixonado por ela. Se ele tentar alguma coisa. Ela fala:
- Você é meu amigo!
Ele não serve porque está no mundo paralelo e sua vida nunca cruzará com a dela.
Penso que quando namoramos ou somos amantes, vivemos em uma linha toda embaraçada, num mundo todo cruzado, onde os cruzamentos são inevitáveis e ficamos cruzando o mundo do outro a todo o momento. Temos o prazer de cruzar o caminho do outro e queremos que o outro cruze o nosso também, pois queremos o seu carinho, a sua presença e a sua voz sem medo e sem restrições de corpo e alma.
Estou aqui falando e vivendo num mundo paralelo ao seu, nossos caminhos nunca se cruzarão, se cruzarem com certeza seremos apenas grandes amigos.
Viver num relacionamento paralelo é viver na ilusão, na imaginação, nos sonhos, na vontade e na incapacidade de tornar possível, pois tudo está além das forças e do alcance. Nem tente pegar o que não vê. Se não vê é porque não vai ter.
Fico imaginando como poderíamos fugir desse relacionamento no mundo paralelo e concluo que não há solução. Mesmo você vivendo no mundo paralelo e tomando todas as precauções não está livre do amor. Uma hora o coração vacila se encantando e você é pego desprevenido. No momento em que você percebe que já está encantado e caiu na armadilha do amor leva uma flechada do cupido. A partir desse momento você perde os domínios do sentimento e é levado para a paixão, acaba apaixonado.
Somos jogados num mundo paralelo e para cruzarmos deve haver atração. O que nos leva a ter atração pelo outro? O que ele tem que nos atrai e ficamos tão fascinados, ao ponto de ficarmos apaixonados mesmo estando no mundo paralelo?
Eu estava em uma estrada paralela e quando olhei para o lado vi uma garota toda de vermelho, tentei dar a minha mão para ela, tentei catar na mão dela, mas não foi possível. Eu olhei e o que vi não sei se foi real ou imaginação, pois não tinha como cruzar o caminho dela seguindo naquela estrada paralela, na qual todas as passagens estavam fechadas e seguindo no mesmo sentido.
Quem cria o mundo paralelo somos nós mesmos não abrindo as passagens para o outro. Mantemos as portas fechadas e ficamos escondidos enquanto o tempo usa suas armas para nos afogar e matar pouco a pouco destruindo tudo de bom que foi construído, depois não adianta gritar porque a distância não deixará o outro escutar, pois mesmo em estradas paralelas as velocidades não são as mesmas.
Se um dia você amar alguém! Abra a porta para ele entrar. Não o deixe seguindo no mundo paralelo, pois você pode perdê-lo de vista para sempre.
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Zip...Zip...Zip...ZzipperR
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Visitem ZzipperR
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Virtualidade - por Davi Rodrigues

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Tento lutar contra o desejo
Com o tempo se torna vã tal luta
Meu titubear constante inibe a ação
Mas o desejo se torna incontrolável
Posso sentir a respiração de seu sussurrar
Vem como o vento de madrugada litorânea
Traz o frescor pós dia de insuportável calor
Tento mudar a direção
Não resta rotas que me desviem
O incontrolável sempre foi meu segundo nome
Não há tempo para se mudar agora
O que se desiste não se pode se desejar
O que não se deseja jamais se poderá obter
São canções que compus, poemas e poesias que escrevi
Não há outros respirares
Não há outros desejos
Só o impossível elo físico que nos separa
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Sonho de uma Noite de Verão - por Runa

O estranho bater de tuas asas
Sacudiu meus desejos acorrentados,
Voaremos por cima das casas
Roçando o ventre pelos telhados.

À noite desenterramos segredos
No seio da areia molhada,
Longe, sepultaremos nossos medos
Numa curva longínqua da estrada.

Vem, juntemo-nos aos cães vadios
Que rimam o amor nos passeios,
Esperando pelos dias frios
Para adormecer em teus seios.

Juntemo-nos aos ventos uivantes
Que fecundam as manhãs de verão,
Esperando pelos dias triunfantes
Para darmos forma à nossa ilusão.
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Visitem Runa
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terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Naomi - por Ana

Naomi, minha cara Naomi,
Que belos traços você tem!
Mas vejo que atrás de ti
Há um fantasma narigudo
Que não assusta ninguém.
É a Campbell ou não é?
Me debruço neste estudo,
Mas só sei que é mulher!


Inspirado em Naomi, de Raquel Aiuendi.
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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Post Inesquecível do Duelos - por Alba Vieira

Vale a pena ler de novo, se você já conhece, e é ótima oportunidade para conhecer, se ainda não leu este magnífico poema da Ana.


MANÁ DA SECA
(ANA)

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Desciam os abutres das nuvens
Em voos rasantes sobre nós:
Fileira crua de retirantes,
Muitos passos, nenhuma voz.

Só há um caminho à frente
Indo sei lá pra onde,
Vindo de lugar nenhum,
Talvez onde a morte se esconde.

Da convivência com ela
Tanto tempo, sem descanso,
Estamos a arriscar
Aportar em outro canto.

O que buscamos não sei,
Acho que aqui ninguém sabe...
Tantos dias sem comer,
O pensar já não nos cabe.

Andamos para outro lugar
Buscando apenas distância
De momentos entristecidos
Que dizimaram a infância

De um vilarejo esquecido
Entre o vazio e o nada,
Formado por alguns casebres,
Sem vegetação ou estrada.

Por isto não foi difícil
Abandonar o abandono,
Seguir para outro destino
Dentro do mesmo longo sono.

Sono perpétuo sem sonhos,
Sono que nos leva alhures,
Sono enviado da morte
Para alimentar os abutres.
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Pessoas Manipuladoras da Internet - por Ninguém Envolvente

Fato verídico que ocorreu comigo.

Há dois anos atrás fiz um Orkut e entrei em muitas comunidades médicas e coisas do tipo (pelo meu grande interesse em prestar vestibular para medicina). Após entrar em uma comunidade sobre Leucemia, logo apareceu uma mulher querendo que eu a adicionasse em meu círculo de amizades lá do Orkut; penalizada pelo estado da moça, adicionei e passei a trocar scraps todo dia.
Moni, era assim que ela gostava de ser chamada. A Moni era linda, apesar de estar com leucemia mielóide aguda e obviamente careca e abatida. Do Orkut passamos para o messenger (MSN) e depois para o celular.
Eu me tornei uma quase meia irmã desta Moni e ficava muito triste por ver aquele sofrimento. Quando ela ligava a webcam, tinha dias que eu ficava para morrer: vê-la na cama, careca, parecendo uma defunta já, era demais pra mim e muitas vezes eu chorei por ela e com ela.
Fiz campanhas para doação de medula óssea, consegui 5 mil voluntários e fiz também um blog (Moni quer medula). Tudo para ajudar a divulgar a Leucemia, o transtorno que era a doença e tudo mais. Ia colocar uma lojinha no blog (loja virtual, para arrecadar algum dinheiro e ajudar a Moni, minha querida amiga).
Um dia, entrei no msn e a Moni me falou, chorando, que a Leucemia estava muito avançada e não tinha mais o que fazer, seu corpo não reagia mais aos tratamentos e ela teria que amputar as pernas (ela era bailarina antes de ficar doente, dançava muito e bem).
Neste dia, eu não dormi! Juro por Deus... Não dormi! Fiquei imaginando como ia ser... minha amiga distante, doente, sozinha e agora sem pernas.
Fiquei emocionalmente abalada uns 15 dias.
Eu não tinha mais forças para alegrá-la, não conseguia mais falar com ela sem chorar e fazer com que ela chorasse, eu estava mais abalada do que ela própria.
Depois do ocorrido, comecei a pesquisar muito sobre câncer e leucemia, a mecânica da doença e como a medicação ia agir, pirei em estudar leucemia, conversei com muitos médicos sobre o caso da minha amiga e fiquei quase uma expert no assunto.
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Uns 9 meses após já ter esse grande vínculo de amizade com a Moni, eu passei a desconfiar de que ela poderia ter qualquer doença do universo, menos LEUCEMIA. Resumindo bem a história, tinha coisa que não fazia sentido, eu passei a estudar mais do que um leigo faria, estudei coisas clínicas e dados que ela nunca achou que eu fosse pesquisar, estudei sobre o tanto de plaquetas que ela tinha que ter em tal circunstância e tanto de hemoglobina etc., coisas que nunca passaria pela cabeça de alguém tão desesperado como eu estava. Geralmente, as pessoas procuram por sobrevida ou coisas assim (no máximo pesquisariam sobre a medicação), mas eu fui a fundo no assunto e notei que ela estava mentindo, mas eu não tinha prova de que ela mentia, e nessa altura do campeonato a comunidade no Orkut (Moni quer medula) já contava com mais de 10 mil pessoas e eu era responsável pelo blog também; eu não podia do nada sair falando que uma menina com cara de defunto não estava morrendo e aquilo era uma maquiagem 5D.
Fiquei na moita, dando print em conversas, cada detalhe era importante e não poderia ser perdido.
Até que surgiram outras pessoas - desta vez tinha um oncologista - que vieram me confrontar, falando que a Moni não tinha câncer e que nós duas éramos golpistas e queríamos a grana do povo.
Depois dessa, fiquei com medo e resolvi que, naquele mesmo dia, eu seria sincera com ela e falaria na cara dura que eu sabia que ela não passava de uma mentirosa. Falei. Ela não disse que sim e nem que não. Ficou offline, excluiu o Orkut dela, sumiu com as comunidades e nunca mais a vi.
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Fiquei sabendo depois que foram até a cidade dela e descobriram que ela não tinha nada mesmo e era mais pra doente mental do tipo QUERO ATENÇÃO... era uma hipocondríaca maluca.
Me senti uma otária.
O meu prejuízo foi emocional: fiquei com depressão, às vezes nem dormia ou mal dormia de tão preocupada, mas algumas pessoas tiveram prejuízo financeiro com valores absurdos, p’ra mais de 3 mil reais, por ajudá-la e de tanto telefonarem para ela.
Ela, na verdade, não queria dinheiro ou bens materiais, queria emoção e atenção. Ela vivia uma vida cheia de ação, com muita adrenalina, com medo que todos sacassem, e acho que isso a estimulou.
As últimas notícias que tive dela, foram a de que ela ficou internada em um hospício e depois saiu, toma Prozac e outros controladores de humor e ansiedade, teve uma filha e ainda apronta no Orkut.
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O que tenho a dizer é CUIDADO, ela é uma pessoa muito convincente (enganou 10 mil pessoas) e o poder de manipular que ela tem é surreal. Faz ótimos jogos emocionais.
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O Difícil Exercício da Simplicidade nas Palavras e Ações - por Alba Vieira

Cada um de nós tem o seu caminho de desenvolvimento espiritual que, em última análise, seria um processo de refinamento durante essa existência rumo a níveis cada vez mais altos de consciência, independentemente do que significa Deus para cada um, inclusive os que se intitulam ateus.
Assim, considerando que nós somos matéria e energia que só se diferenciam pela vibração mais lenta ou mais rápida, sendo realmente compostos da mesma “substância” do espírito,o objetivo maior de nossas existências é sintonizar com as esferas mais altas. Essa separação só existe na nossa ilusão e quando nos conscientizamos de que somos espírito num corpo material, tudo faz sentido e fica mais fácil. Só que essa consciência vem em raros lampejos que são percebidos por alguns de nós e que para outros é estranho, não se dando conta quando ocorrem. E desenvolver essa percepção é extremamente difícil no estágio de evolução em que nos encontramos e ocorre progressivamente, em várias etapas que nos permitem, aos poucos, ir aumentando o nosso autoconhecimento, tentando vencer os condicionamentos e alcançando um estado de observador dos acontecimentos da vida, o que não quer dizer indiferença e sim uma placidez que reflete a paz do espírito.
Chegar a isso, que ainda não é estar plenamente consciente do seu verdadeiro Eu, já é uma raridade de ser alcançada pelo homem comum. Entretanto, pelo menos, podemos tentar evitar o eterno estado de separação em que vivemos (diabo=dia-ballo que quer dizer: o que divide) que gera nossos conflitos, sofrimentos e dor. Esse distanciamento do espírito do estado de união é a grande heresia (voltarmos as costas para a luz que faz parte de nós) que é o resultado do estado de inconsciência do homem, a ilusão.
Essa evolução não se faz pelo externo e sim, lentamente, pelo interior. Não é possível usar a vontade apenas, o racional. É muito mais do que isso. Somos humanos e os dois polos, o bem e o mal, fazem parte desse processo. O importante é sempre, através do erro, redirecionar a nossa energia para sintonizar com as vibrações mais altas do espírito.
Dessa forma, não importa em qual âmbito das nossas vidas isso ocorra. Inclusive, no campo da sexualidade, a agressividade se transmuta em força, poder e vontade em nível espiritual; o criticismo em discernimento e o amor egoístico em amor universal.
Mas, por enquanto, todos nós ainda estamos no caminho, senão não habitaríamos este mundo.
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Visitem Alba Vieira
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Bálsamo - por Leo Santos

Uma face lhe foi negada
mas uma certeza não:
Em algum ponto da estrada,
haveria mudança de estação.

Até a voz profética fugiu em parte,
ficando porém, a certeza que falou;
quebrando petrechos regidos por Marte,
pras vestes de Vênus, apontou.

O que andara por terceiros,
só pra servir de bom grado,
viu a fila andar, foi feito primeiro,
então por si, laborava o arado.

O tempo da ceifa, enfim chegado,
o galho pendia com o fruto maduro;
também a sombra onde assentado,
virava a página escrevendo o futuro.

Feridas deixaram de molestá-lo,
sentia-se então, rumando pro céu;
e daí, as mãos marcadas de calos?
Esses agora, se tornaram um troféu.

O sumo de muitas ervas amargas,
e imenso penar durante a subida;
frasco pleno que traz nas ilhargas,
destilado bálsamo, consolo de vidas…
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Visitem Leo Santos
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Pressentimento - por Marília Abduani

Ninguém adivinha o meu corpo
escondido na escuridão.
Rumor de passos na estrada,
nenhuma espada e um dragão.

Um gosto amargo de sangue,
num gesto de suicida.
Meus olhos hirtos de medo,
maior que o medo da vida.

Tenho a sombra traiçoeira
de monstros vivos, famintos.
Debruçada na janela,
o que temo é o que pressinto.

Se ao menos o gosto vivo
de sangue, dentro de mim,
recolhesse a eternidade
desse amor frágil e sem fim.
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Juízo - por Leila Dohoczki


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O que me importa
Se é perfeita a torta
Se o “in” nega
E o inflamável incendeia
Se a rosa não é rosa
É vermelha
Se a teia está na telha
Ou na aranha
Se nas mesmas entranhas estranhas
Da vida a que me nego
Há os que não amam o que amo
E os que adoram o que eu relego?

Importa a vida que levo...
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Visitem Leila Dohoczki...............................
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90 Minutos - por Gio

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Era um dia de jogo e, como já virou tradição em casa, lá estávamos meu pai e eu na sala, cada um em sua poltrona, vendo o Imortal em campo. De repente, o juiz apita escanteio em um daqueles lances que não deixam dúvidas – é claro que é tiro de meta. As consequências foram proporcionais ao tamanho do erro: gol para um lado, expulsão para o outro. Mesmo com meu time favorecido, achei aquilo um absurdo, e acabei transparecendo minha indignação.

– Vais torcer contra?

É, era meu pai me xingando. Perguntei se ele iria fazer daquilo uma briga.

- Não, porque, se tu vai torcer contra, eu saio da sala!

Estava instaurado o famoso “clima”. O resto do jogo se passou em silêncio, enquanto eu me perguntava para onde teriam ido todos os valores de justiça e de ganhar limpo que ele mesmo, meu pai, tinha me ensinado. Será que eles podiam ser simplesmente jogados para baixo do tapete durante 90 minutos por semana, e depois pegos de volta, como algum sapato apertado?

Não foi a primeira vez que arranjei discussão pelo meu modo racional de torcer. Torcedor não costuma ser assim: é emocional, impulsivo e inevitavelmente parcial. Avalia lances iguais de maneiras estranhamente diferentes, conforme o interesse. Utiliza argumentos e os rebate com o mesmo fervor. Nutre um ódio pela equipe rival de uma maneira tão pré-uterina como o amor que sente por sua mãe.

Não que seja necessariamente uma má pessoa. Muitas vezes é o funcionário exemplar, o bom pai, o estudante regular. Basta o apito do juiz, e a coerência é mandada para o espaço; a interpretação vira a mais maleável das armas; o coração passa a mandar, ao menos até o próximo apito final. Mas por quê?

A verdade é que ser certinho cansa. Por mais que viver dentro dos valores seja mais uma questão interior do que obrigação para muitas pessoas, nem todos têm a mesma visão da realidade. Sentir que está perdendo oportunidades por agir corretamente, enquanto vê os outros se beneficiando, pode ser bem incômodo, mas não há como agir de outro jeito: ir contra a própria natureza traria peso na consciência.

Entretanto, o futebol é um mundo a parte. Um mundo que se abre e se encerra com um apito, e que é regido por suas próprias leis. Um mundo ao qual o torcedor pertence, se envolve, mas vê tudo de fora, com o poder de julgar e a impotência de não alterar o resultado. Nesse mundo, o torcedor pode largar todas as suas máscaras, soltar-se da linha reta que o prende, e liberar um pouco o seu instinto, sem, com isso, trazer quaisquer consequências. Dentro da dimensão dos 90 minutos, o torcedor pode livrar-se do peso de suas decisões, e ser um pouco egoísta.

E a justiça? Pode esperar até o fim do jogo...
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Visitem Gio
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Pra Que Serve? - por Fatinha

Querido Brógui:
Para que serve uma porta se ninguém bate antes de entrar? Essa é uma dúvida vivenciada por um monte de gente que conheço e que compartilha o mesmo teto com outras pessoas (por opção ou falta dela). Essa gente tolinha tenta, no mais das vezes sem sucesso, garantir um pouquinho de privacidade utilizando-se do singelo expediente de fechar a porta do cômodo no qual se encontra. Gente tolinha, sedenta por um minuto pra chamar de seu, que após a décima segunda invasão, começa a pensar seriamente que melhor seria retirar todas as portas da casa. Melhor ainda seria morar num loft, já que o espaço seria comum a todo mundo mesmo, evitando a ilusão de que a privacidade e a intimidade existem quando se trata de “família-a família-ê”. Eu sou mais heavy metal. Meto logo a chave na porta, mesmo correndo o risco de o invasor se sentir ofendido porque eu deixo claro que sua presença não é bem-vinda. Essa é a máxima expressão da máxima: “se tiver que haver opressor e oprimido em uma relação, eu serei a opressora.”
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Postado, originalmente, em 15/12/08.
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Visitem Fatinha
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Selo “Este Blog é um Sonho” - Recebido de DAS

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O Duelos Literários, honradíssimo, recebeu mais um selo.
Desta vez, foi o selo Este Blog é um Sonho, das mãos de nossa amiga DAS.
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Hoje o selo é publicado aqui, com um enorme agradecimento à nossa autora que, efetivamente,
fez por merecê-lo, pois possui um blog extremamente criativo,
no qual podemos encontrar toda inspiração e simpatia de DAS.
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Regras:
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1. Exibir a imagem e publicar as regras.
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2. Postar o link de quem te indicou: DAS.
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3. Responder se usa produtos Natura e os preferidos: não uso.
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4. Indicar 10 blogs e avisá-los:
Este selo é dedicado a todos os nossos autores.
Estejam à vontade para colá-lo em seus blogs, com os cumprimentos de shintoni.
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Milhões de Computadores Interligados - por Tércio Sthal

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Em rede, todo o mundo e o mundo todo,..................................................
A permitir e enviar informações e dados,..................................................
Compartilhamento, relações e engodo...................................................
(Tércio Sthal)..................................................
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JANELAS ABERTAS
(O Meio é a Mensagem)

Colha informações, arrecade,
crie o tudo e o todo, e a cada dia
frustre as tentativas de fraude,
conecte-se, faça análise fria,
entenda e defina o embarque,
cheque a capacidade de memória,
execução, desempenho e possibilidades.

Escolha diversão e produtividade,
implemente os valores que tria,
incremente e mude com propriedade,
recomende ações com alegria,
entusiasme-se, pois, de verdade,
compartilhe, mobilize e propicie
relações múltiplas e de qualidade.
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Ressurgindo de Mim - por Adir Vieira



Quero ressurgir de mim e encontrar aquele ânimo e aquela alegria fincados no âmago.
Quero olhar à volta e me surpreender com os arroubos de vivacidade, antes tão comuns.
Quero olhar no espelho e dar graças a Deus pela imagem que vejo.
Quero reencontrar minha gargalhada diante da piada mais boba e sem graça.
Quero me rodear de otimismo e crer que na balança do mundo os bons momentos pesam muito mais do que os maus.
Quero crer que minhas atitudes ainda vão determinar o que será de mim amanhã.
Quero me emocionar e deixar as lágrimas fluírem com o choro forçado da mocinha da novela.
Quero idealizar muitas e muitas vezes jantares à luz de velas, só pra nós dois.
Quero enfim, ressurgir de mim e me reencontrar como há vinte anos atrás, tendo a certeza de que o tempo e as dores não marcam.
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Visitem Adir Vieira
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Porque os Homens Gostam de Cachorros... - Enviado por Davi Rodrigues

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Por que alguns homens têm cachorros ao invés de esposas:
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1. Quanto mais atrasado você está, mais felizes seus cachorros ficam ao lhe ver.
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2. Cachorros não notam se você os chama pelo nome de outro cachorro.
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3. Cachorros gostam que você deixe coisas no chão.
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4. Os pais do cachorro nunca visitam.
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5.Cachorros concordam que você tem que aumentar sua voz para argumentar.
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6. Você nunca precisa esperar por um cachorro; eles estão prontos para sair 24 horas por dia.
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7. Cachorros acham engraçado quando você está bêbado..
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8. Cachorros gostam de sair para caçar e pescar.
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9. Um cachorro nunca irá lhe acordar à noite para perguntar, “Se eu morresse, você iria ter outro cachorro?”
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10. Se um cachorro tem filhos, você pode pôr um anúncio no jornal e dá-los para outras pessoas.
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11. Um cachorro irá deixar você colocar uma coleira nele sem lhe chamar de pervertido.
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12. Se um cachorro sente o cheiro de outro cachorro em você, ele não fica bravo. Ele apenas acha interessante.
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13. Cachorros gostam de passear no banco de trás do carro.
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E por último, mas certamente não menos importante:

14. Se um cachorro vai embora, ele não leva a metade das suas coisas.
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Teste da verdade: Tranque sua esposa e seu cachorro no porta-malas do seu carro. Após meia hora abra o porta-malas e veja quem está mais feliz em lhe ver.
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Doce Ser - por Yuri

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Hoje eu matei aula para pensar em você
amanhã eu posso matar alguém apenas para te ter.
e assim queima queima queima sobre minha própria pele
que vai se desfazendo ao lindo pôr-do-sol
enquanto você vive e vive
sobre essas cavernas sombrias e frias
tentando se afundar cada vez mais
somente para tentar ouvir o ruído de minha doce voz
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...............................Visitem Yuri
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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Oásis - por Alba Vieira

Antes de começar mais uma jornada de trabalho, um grande número de funcionários civis e militares passa por ali todos os dias.
É um lugar colorido e aconchegante, onde pessoas bem-humoradas, solícitas e carinhosas recebem os clientes, contrastando com a frieza que reina em torno.
Lá, as pessoas podem saciar a sua curiosidade pelo que acontece no mundo, buscar informações, comprar livros, algumas vezes de conteúdo surpreendente e desopilar o fígado congestionado pela rotina estressante.
Antes do trabalho, quando ficarão inevitavelmente imersos numa atmosfera cinza, sem graça e fria, por conta da natureza extremamente rígida do local, podem satisfazer seu lado lúdico, enquanto folheiam revistas e livros de todo tipo.
Nesse pequeno recinto, pouco refrigerado, que inicia tão cedo suas atividades todos os dias no hospital, acontece uma alquimia muito interessante. Lá, é possível para os que têm mais sensibilidade, perceber que transmutamos as energias pesadas, adquiridas durante o trajeto até ali, num encontro sutil com almas afins, os nossos queridos jornaleiros.
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Visitem Alba Vieira
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O Rio - por Marília Abduani

Rio que corre
que morre
que estende.
que ofende
que arrasta
meu corpo pra lá.
rio que gera
fulgor transparente
na mágoa,
na enchente
que quer me levar.
Rio que rola
que é fruta madura.
que beija,
que cura
que atura o luar.
Rio que fere
as entranhas do dia,
que é irmão
da poesia,
amante do mar.
Rio que passa
que agita,
que geme,
e palpita
até se fartar.
Rio que suga
que enruga
que engana,
que espanta
que chama
querendo encantar
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Visitem Marília Abduani.................................
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Urgência - por Paulo Chinelate


Quem mora ou já esteve em São Paulo sabe muito bem o significado exato da palavra “URGÊNCIA”. O corre-corre diário em que os paulistas se envolvem não se permitindo sentir a existência de uns e outros pelos quais cruzam nas calçadas, shoppings, bancos, supermercados, metrôs, avenidas, ruas ou estradas, enfim por onde trafegam.
Na realidade, o emergencial toma conta de suas vidas, no entanto, sem justificativas. Pura solidão, embora no meio das multidões. Egoístas, talvez, impulsionados pelos seus próprios interesses. O paulista aqui foi tomado como exemplo. Somos todos parecidos.
Situações há, naturalmente, quando existe risco de se perder vidas, em que necessário se faz tomar atitudes rápidas… mas com isso colocar em risco outras vidas, vai lá grande distância.
Voltando ontem, terça-feira de carnaval, de uma praia em Fortaleza, a fila na estrada estava longa. Muitos, porém, apressados com suas “urgências” pessoais, entravam perigosamente na contra-mão, furando filas e colocando-se e aos outros em perigo.
No entanto podemos qualificar a palavra “URGÊNCIA” do anedotário que diz: “Um minuto tem o seu valor de precedência dependendo em que lado da porta do banheiro você se encontra”.
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Call Center do Blog - por Ninguém Envolvente

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Qualquer semelhança com algum serviço de call center brasileiro, foi mera coincidência.
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Inocente - por Leo Santos

A delicada mão da chuva
descascou flores,
mais cores ao dia;
que nem carecia,
pois o potro tordilho da aurora,
trouxera com galhardia,
luz aos vergéis, que vemos agora.

Tapete engalanado
lugar de limpar os olhos,
maciez, encanto, poesia;
poeta algum se omitiria,
ser culpado, quem quer?
De omissão, todavia,
mas quisera ser, do alento de uma mulher…

Essa inocência dói,
de jogar alto o arranjo,
sem, contudo, ter quem pegue;
ou, azo pra que em mãos entregue,
o afeto, de pétalas salpicado;
sabe, quem entender consegue,
que é bem melhor ser culpado…
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....Visitem Leo Santos
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(Sem Título) - por Leila Dohoczki

Quando perde a rima o poema que clama
A entrega de corpos e almas,
Perde o sentido em cada frase que declama.
Um “eu te amo” que não ama
Já nem se sabe se é amor ou se é paixão
Um rima amor com posse
o outro com solidão
E o terno poema enamorado
num instante um amontoado
de palavras lindas, sem razão.

É um poema que engana
não vem do coração!

As palavras ficam soltas

Como as folhas velhas de um ipê florido,

Que quando mortas caem ao chão...
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..............Visitem Leila Dohoczki
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PPV - Passos de Areia - por Gio

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Depois de infinitos trabalhos, incontáveis preocupações e horas despendidas que jamais serão recuperadas – embora não tenham sido gastas em vão –, só me restava uma opção: descansar. Sabendo que não poderei conjugar esse verbo muitas vezes durante o ano que se segue, optei por fazer isso de maneira completa e total, com todos os pleonasmos a que tenho direito.

Mas a paixão não some, e a saudade é grande, então resolvi tirar a poeira disso aqui enquanto não reassumo o posto de vez. Está instituído o PPVPost Perdido no Verão –, que não tem dia e nem número de vezes definido para aparecer. Divirtam-se (ou não)!
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Caminhava sozinha na areia, perdida em seus pensamentos. Tais pensamentos pareciam desenhar-se em sua mente tão incertos e sem rumo quanto o pó de pedras que o vento arrastava pouco acima do chão. Era um dia de vento forte na praia, e aquela pequena cortina bege parecia cortar seus pés na altura dos tornozelos. Sensação falsa, desconforto verdadeiro.

Já nem se lembrava há quanto tempo não parava para pensar assim, acompanhada apenas de si mesma. Há muito que estava ocupada demais para pensar, seguindo passos e cumprindo objetivos. E era boa nisso. Estudou, passou, lutou, venceu, e ainda viveu para contar. Seguiu o caminho traçado para uma boa vida, mesmo sem saber bem quem o traçou, e fez tudo aquilo se esperava de alguém com, como chamavam?, juízo na cabeça. Como prêmio, passou a ostentar o título de Pessoa Bem-Sucedida, troféu dado a quem conseguia ter desenvoltura para usar as regras desse jogo a seu favor.

Podia ser pior. Poderia ter recebido, em vez disso, o título de Pessoa de Bem, uma espécie de medalha de “honra ao mérito” dada aos jogadores que, embora não costumassem ganhar muitas rodadas, seguiam jogando sem trapacear. O que era engraçado, já que muitas das Pessoas Bem-Sucedidas não preencheriam esse pré-requisito necessário a uma Pessoa de Bem. Era uma das poucas a não seguir esse caminho, embora sua formação a tenha ensinado a pensar somente nos resultados.

Saiu da areia seca, que já revestia suas pernas até pouco abaixo dos joelhos, para a beira d’água. O calor escaldante foi trocado pelo frio da terra úmida. Mudança brusca, pensou, não sabendo se estava se referindo ao solo, ou ao rumo de sua vida. Um belo dia, acordou e cansou de tudo aquilo: o emprego dos sonhos do pai, a casa dos sonhos da mãe, um estilo de vida que era o sonho de todos os que não viviam nele. Vendeu a casa, largou o emprego, e se mudou para o interior, a fim de arriscar uma nova profissão. Não sabia mais como seria o dia de amanhã, e nem queria saber: era a dúvida que a fazia seguir em frente.

Contou as conchas que avistava perto de seus pés, e se perguntou se algum dia alguém seria capaz de contar todas as conchas do mundo. Mas que pergunta infantil, repreendeu-se, mas logo emendou: E qual é o problema? 16, 17, 18... Talvez até o fim do dia ela tivesse uma estimativa.

Agora, livre de tudo, experimentava a sensação de liberdade que só a incerteza proporciona. Só que a incerteza não trazia segurança, e isso a incomodava. Passou a vida inteira tendo seus passos guiados e sua vida programada, que, agora que andava com as próprias pernas, não sabia o que fazer. Sentiu-se perdida. Será que eu fiquei louca? Como pude deixar tudo para trás? Será que um dia eu vou me arrepender? ...Ou já estou me arrependendo? Pela primeira vez, sentiu uma dor de cabeça debaixo daquele sol de 40 graus.

Caminhava sozinha na areia, perdida em seus pensamentos. Pensamentos traiçoeiros, é verdade, mas ainda assim eram pensamentos. E o mais importante: dessa vez, eram seus.
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Visitem Gio
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Irmão Gêmeo - por Fatinha

Querido Brógui:

Há alguns meses eu havia feito o propósito de levar você para outro lugar. Hã? Levar você, Querido Brógui, para morar no WordPress. Bem, mudei parcialmente de ideia e, ao invés de levá-lo embora, criei um irmão gêmeo seu. Gêmeo bivitelino, não idêntico. Confesso que fiquei meio com preguiça de aprender a usar todos os recursos que o WordPress oferece, então, não dei muita atenção ao seu irmão (pobrezinho, tão novinho e já largadinho à própria sorte). Você era mais fácil de lidar. Percebeu a sutileza do “era”? Pois bem. Acabo de travar uma batalha para conseguir abrir o Terra Blog, agora cheio de novidades, cheio de guerigueri, cheio de coisa e tal. Uma hora depois, consegui acessar você, coitadinho, perdido, sozinho, nesse cibermundo tão cruel. Suei frio, só de pensar que nunca mais ia lhe ver. Tudo resolvido, dou de cara com o que? Um genérico do WordPress. A opção pelo básico já era. Sendo assim, já que estou sendo obrigada aprender a usar os recursos que são mais ou menos os mesmos, passarei a publicar você e o seu irmão gêmeo. Você fica magoado? Com ciúmes? Fique não. Você continua a ser o primogênito, e isso é uma grande coisa.
A propósito, estou tentando migrar para o blogspot, mas tá difícil. É muito complexa essa coisa de fazer mudança, acho que é por isso que moro na mesma casa desde que nasci...
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Postado, originalmente, em 10/12/08.
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Visitem Fatinha
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Apenas em Meu Coração - por Yuri

o tempo deu uma suposição
ele disse que ama quando dá 17 horas em ponto.
e você chega do trabalho e diz: olá, querido!
nos olhamos nos olhos, espelhos da alma!
um choque de luz, onde possamos enxergar toda nossa verdade interior
onde tudo pode se curar ou se estragar em uma questão de segundos
esta noite pretendo fazer como uma das melhores
feche a janela daquela maneira que só você sabe
acendo as velas da paz, sem medo do preto
mova seus lábios, só você sabe como
estando juntos aqui eu sei que nada me faria chorar
eu sinto que ainda não é a hora de você ir
está apenas começando..
feche os olhos pois esta noite será uma das melhores que você já teve
ele gritou meu último nome, e disse que me ama
nos imploramos para ficarmos por mais um ano
desde o momento que Deus escolheu ele para mim, ele se tornou
alguém muito mais do que qualquer coisa e alguém
ele provou que o amor existe entre duas pessoas
provou com sua alma digna de essência
cheia de sabedoria
como a minha
você, você
está... only in my heart
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.......................Visitem Yuri
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Charlotte - por Adir Vieira



Ontem foi um dia especial.
Conheci Charlotte. Charlotte, bonequinha de porcelana, como uma pinturinha de Renoir.
Mansa, como uma carneirinha após a mamada.
Linda, nas suas carinhas e bocas, nos seus sonhinhos únicos que só ela sabe quais são.
Conheci Charlotte no meu ambiente. Melhor ainda.
Sem a possibilidade de vê-la ao nascer, ela veio a mim, pela bondade da mãe, minha sobrinha querida.
Através dela, a vida se apresenta...
Tão simples, tão certa, tão real...
Melhor foi ver a mãe, tão nova ainda e trazendo dentro de si tanta experiência, tanto carinho, tantos cuidados naturais com seus dois bebês.
Melhor ainda foi constatar ali,nos seus atos, duas formas de viver, ambas amplas e cruciais. A da profissional competente e a da mãe doce e suave certa do passo seguinte.
Ontem foi um dia de Deus.
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Visitem Adir Vieira
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Deus, Fonte de Amor - por Izabel Sadalla Grispino

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Trecho da poesia “DEUS, FONTE DE AMOR”:

Deus, dê forças e consolo renovado
A quem carrega o fardo da provação,
No dia de hoje, cuide do desesperado,
Leve-lhe, Deus, a santa resignação!
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Aprecie o resto desta bela poesia em um vídeo de 2 minutos e 10 segundos, clicando aqui.
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Quem Ama a Vida, Sorri, Abraça e Ama - por Tércio Sthal

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Auxilia a quem sofre, a quem clama,..............................................
Participa ativamente de cada cena,..............................................
Apoia e diz palavras que valem a pena;..............................................
Entusiasma-te pelo silêncio de alguém,..............................................
Ajuda a quem precisar, e vai em frente,..............................................
Solidário e sempre a dizer o que convém,..............................................
Valendo-se do coração de carne e sangue..............................................
Disposto a fazer o bem a toda gente...............................................
(Tércio Sthal)..............................................
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ABRINDO A FRUTA
(A semente é o caroço)

Não sejamos como os baios burros de carga,
A comer, beber, obedecer aos seus donos, e a seguir:
Sem ter sequer um chapéu de abas largas,
Trabalhar muito e, depois de extenuados, só dormir.

Precisamos aproveitar bem o tempo e maturar as ações,
Para produzir os melhores resultados que integram,
Sem precisar se valer da força bruta ou de imposições,
E do constrangimento das altercações das regras.

Não devemos agir como mendigos, a reclamar atenção,
Nem ficar pedindo dinheiro, emprego, justiça e paz,
Mas exigir o reconhecimento, e também a reparação,
em face do desrespeito aos nossos direitos fundamentais,

Incomodar-se e não se conformar,
eis o princípio ativo para transformar.
Quem se incomoda e não se conforma, entra em ação:
muda a si mesmo no mundo em constante transformação.

Tudo muda, o mundo muda,
as pessoas mudam em todo lugar,
e ninguém deveria continuar
do mesmo jeito, ou do jeito que está.

Na maior parte das vezes
a semente é o caroço,
e para reconhecê-lo
abre-se a fruta, seu moço.

Não é fácil distinguir o rosto e a máscara,
Falsos valentões e verdadeiros heróis,
Fruto verdadeiro sem lhe tirar a casca,
Carolas falastrões e verdadeiros fiéis.

Artifício que sempre engana
a muitos, e por algum tempo, é a aparência,
mas o que conduz o ser humano
ao seu verdadeiro propósito, é a essência.

Se fizermos o que não gostamos,
Ou o que não queremos amar,
Vamos ver o tempo a passar
como carroça com roda quebrada
a ser forçosamente arrastada.

Mas, se por vontade própria vier a ocorrer
A vida que queremos e gostamos de fazer,
o tempo irá, num relance passar,
como um par de olhos a piscar.
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.......................Visitem Tércio Sthal
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