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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Luzeiros - por Leo Santos

O primeiro limiar no teto, marco entre a noite e o dia, bradou:
“Deixai um pouco vosso tapete mágico,
contemplai o alto, vede as obras do Senhor!

A lua pela fenda da janela tocou-se e disse: Oi!
Depois seguiu indiferente,
mirou seu rumo, e se foi.

Ditosa loura celeste! Vê de perto, a Constância bela das constelações.
Famílias que não desagregam,
felizes amoladas às suas missões.

Os passageiros do expresso noturno saltam, quando o advento do dia, é certo;
Alva, a última. Quanto às obras do Senhor, ela diz:
Vede-as mais de perto…

A mão de Hélio, força a entrada e grita: Vem.
Nada impõe contudo, só a luz,
depois segue, pois tem um ofício também.

De perto se ouve o que quiçá não se ouvisse;
A sabedoria chorando filhos roubados,
que foram adotados pela estultice…

Essa ruína, é certo, não vem do Senhor, é obrada por todos nós;
Aves noturnas inimigas da luz,
que pousam sobre os girassóis…



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Feliz Aniversário, Adilson! - por Alba Vieira

Ele ocupa o lugar do irmão mais velho em nossa família, não por sua opção, mas por força das contingências e por possuir os dons necessários para exercer esse papel que sempre desempenhou com responsabilidade e dedicação.
Aos quinze anos, ainda usando calças curtas, foi subitamente promovido a arrimo de família, em virtude do casamento inesperado do irmão que era de fato o primogênito. Amedrontado, ouviu de nossa mãe a sentença de que na semana seguinte, iria trabalhar como boy na Phillips do Brasil e passaria a estudar à noite. Para cristalizar esse momento solene, foi levado às lojas Ducal onde lhe compraram um terno e um par de sapatos pretos.
Assim, o menino franzino e medroso passou a enfrentar os trens cheios, onde era colocado para dentro, todas as manhãs, empurrado pela multidão que embarcava. E pode conhecer o centro da cidade nas andanças durante o expediente. Entretanto, permaneceu como boy por pouquíssimo tempo, sendo sua promoção motivada pela inteligência, responsabilidade e presteza na execução das tarefas que lhe eram atribuídas e também porque não ficava bem um boy trabalhando de terno. Essa postura de responsabilidade, orgulho e altivez, todos nós herdamos da mãe que, repetidamente nos estimulava dizendo: “É pra frente que se anda”.
Evidentemente que a Phillips foi seu único emprego, onde se aposentou após 35 anos de trabalho, atingindo o cargo máximo a que poderiam almejar aqueles que só contavam com competência, retidão de caráter e dedicação.
Sempre cuidou dos irmãos mais novos e mais velhos que ele, sete ao todo. Esteve ao lado da nossa mãe em todos os seus empreendimentos, já que nosso pai não compartilhava da mesma ambição e capacidade de lidar com a realidade, um pisciano típico, por natureza, contemplativo.
Mesmo com seu casamento, um tanto ou quanto tardio, continuou a ocupar-se de nossa família, sobretudo naquilo que se referisse à parte administrativa e legal. Foi, por todos esses anos, o burocrata de plantão e desempenhou funções de advogado sem nunca ter-se graduado nesta carreira, com competência e brilhantismo.
Nas questões ligadas à saúde, ele não se empenha, posto que é seu ponto fraco lidar com a doença. Deixa isso para as suas irmãs. Mas, quando se trata de cuidar dos óbitos da família, inventários, compras de bens e imóveis, sempre podemos contar com a sua prestimosa ajuda.
Ele sempre tem a palavra certa, a atitude coerente, a conduta irrepreensível e a ação protetora, nos momentos mais delicados de nossas vidas.
No fundo, ainda é o mesmo menino que pegava os doces de Cosme e Damião para organizar e dividir com os irmãos; que vendia as pipas que fazia e não soltava, para aumentar o orçamento familiar; que começou a trabalhar cedo e aprendeu com a vida que o mundo era ameaçador e que era preciso estar sempre alerta para não ser atingido. Com a maturidade, adquiriu a segurança que a competência e o progresso alcançado lhe trouxeram na expressão do seu dom natural para vendas.
Depois da morte de nossa mãe, que era seu grande exemplo e representava para todos nós a segurança e proteção, ele pode iniciar uma nova fase de sua vida.
Agora está sendo convidado a relaxar, soltar as amarras, dispensar defesas que hoje, mais o impedem que protegem e inaugurar um novo tempo.
Neste momento, ele já pode viver seus dias com mais calma e tranquilidade, dedicando-se mais a si mesmo, fazendo o que gosta de fazer, sem cobranças, sem expectativas, apenas saboreando os acontecimentos, expressando suas habilidades e exercendo suas funções de irmão mais velho, no que toca à proteção, orientação e esclarecimento. E podendo estar mais livre para se dedicar à esposa e ao filho, para os seus passeios, os contatos com os amigos ou simplesmente para ouvir o canto dos seus pássaros, uma de suas paixões.
Hoje é seu aniversário, quando completa 67 anos. E você merece de todos nós, seus irmãos, o reconhecimento de tudo que representa em nossas vidas e o agradecimento sincero por tudo que fez e continua a fazer por nós.
Um grande abraço, com todo o meu afeto, carinho e agradecimento. Beijos e um feliz aniversário.



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Mea Culpa - por Ana

Eu devia ter-te ignorado. Devia ter guardado em mim aquilo que é meu. Devia ter ficado quieta e fingido indiferença. Acontece que sigo pela vida me dirigindo às pessoas, olhando-as, admirando-as, interagindo. É meu jeito e gosto disto. Penso que empatia e comunicação sincera são coisas que fazem muita falta hoje em dia. Mas nem todos aceitam, e outros ainda confundem com mediocridade. Fazer o quê? Eu errei, confesso. Tentei compartilhar com Narciso. Foi ato vão.
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Ponto - por Vicenzo Raphaello (Erótico)

Ela o apresentara àquele ponto.
Não era um ponto qualquer.
Chegar nele requeria sedução, e convite.
Cedo ela aprendera alcançá-lo, agradá-lo; outros na juventude chegaram nele sem sucesso, para jovens não há lugar para sutilezas.
Em Veneza, já mulher, brincando com sedutora amiga aprende a dar ao ponto novas formas de prazer.
O tempo
Vão-se o entusiasmo e a amiga.
Seus dedos dão a ele a atenção que não recebe de outros, acaricia-o onde houvesse chance de.
Esse ponto seu vício, adora tocá-lo exibindo-se frente a um espelho, no banho acaricia-o, num tempo sem tempo, excita-se com o cheiro e sabor que seus dedos trazem do seu corpo.
Neste ato solitário, falta testemunha e cúmplice para seu jogo.
Seduz um amigo, ensina-o como fazer.
Este exacerbado no seu despudorado exibicionismo, agrada-a mais do que ela própria consegue.
Entre os ruivos cabelos que adornam sua concha, ele surge, o pequeno e róseo ponto, deixa-se tocar pelos habilidosos dedos, lubrificado pela boca ansiosa em sugá-lo e mordê-lo, em meio a grunhidos e gemidos; próxima da tensão ela assume o controle do seu ritmo e ele expondo sua virilidade a mão agita jorrando, lubrificando-o.
Complementam-se no desejo, na forma, na exibição, na cumplicidade de novas descobertas, a lição de Veneza é sua sexualidade, as mãos, a boca, o sexo do companheiro não são mais suficientes, todo corpo é necessário, deitada de bruços roçando com suavidade seus seios nas suas costas, atrita o ponto no corpo arqueado do amante, molhando-o com o fluir da sua excitação, tudo a satisfaz, costas, coxas, ombros, a rigidez do seu sexo sem penetrar, apenas o roçar.
O tempo
Prolongada rotina cansa, desejo acaba.
O ponto é, para ele, apenas lembranças de visões, cheiros e sabores.
Para ela, razão de nova procura.

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Hoje Choveu - por Violeta

A frase dizia qualquer coisa como: “manda-me uma palavra”… Só uma. Uma. Às vezes necessito de qualquer coisa… uma espécie de inspiração e, muitas vezes, quanto mais pequena… melhor. É nas coisas ínfimas e simples que encontramos aquilo que nos altera, no sentido de vivermos um pouco mais a dita “efémera felicidade” que todos buscamos. Por isso, uma palavra. Uma só palavra pode ser sinónimo de nada, mas pode também ser sinónimo de tudo. Lembro-me sempre da passagem de uma carta que Frida Kahlo escreveu ao seu amigo de longa data Alejandro Arias, na qual dizia qualquer coisa como “escreve-me, nem que seja só uma palavra, mas escreve-me. Assim saberei que enquanto escrevias aquela palavra pensavas em mim…” Frida era brilhante. Um gigante brilhante, mas assustado. Assustado com uma coisa que se chama esquecimento... Uma palavra. Uma só. O poder do seu significado. Lápis, mar, manta, colher, entardecer, arrepio, pedra, cheiro … não importa se é um verbo, um adjectivo ou um substantivo, é uma palavra e as palavras transportam-nos. Leio: “chuva” e de repente já não estou aqui… não. Fui transportada pelo significado e estou no meio de um sítio mágico, numa cidade que adoro. Chove. (Eu amo a chuva, mas…) Chove muito. Refugio-me num espaço que me assombra com a sua intensa magia… estou na Casa Batlló. Logo nas primeiras salas não deixo de me encantar com uma das minhas filhas que tenta brincar com todas as formas das paredes e das portas… são rampas, são montes, são florestas e ela rapidamente compõe um conto infantil. Na verdade, ela também já não está ali, já está num outro lugar onde a magia dos talhes tomou conta da sua fértil imaginação de criança. Uma palavra. Às vezes basta uma palavra.
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Foto: “A Popcorn na casa Batlló”, de Violeta
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