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Eróticos.)




domingo, 5 de julho de 2009

Minha Filha Não Remexe a Bundinha - por Bruno D’Almeida

Dona Feliciana não queria a filha de seis anos vestida como se fosse uma dançarina de pagode ou fantasiada de rainha do funk. Foi tratando de desligar o som e de trocar a roupa da menina, tirando o shortinho malhação e o top de lycra. Limpando a base avermelhada, a sombra nos olhos e o batom borrado da boca daquela alminha em fase de crescimento, ela disse espere um pouco minha filha, preciso falar com sua tia, dirigindo-se à cozinha e esfregando freneticamente os molares dentro da boca.

Duelo verbal. Feliciana, ou Feliz, como era chamada por tia Leocrécia, começou a bradar. Não quero minha filha parecendo uma coisinha vulgar, onde seus coleguinhas da alfabetização queiram agarrá-la como se ela fosse o corrimão da escola. Não quero a coisa mais importante da minha vida esfregando as mãos no corpo e se requebrando até ficar de cócoras, ouvindo o cantor machista da música chamá-la de ordinária, cachorra e que vá remexendo a bundinha, disse a mãe. Sou contra a erotização infantil. Quem perde a infância antes da hora passa a idade adulta lamentando que seu melhor momento da vida não aconteceu.

Tia Leocrécia não deixou por menos. Acorde, Feliz, a vida não é a vida da Chapeuzinho Vermelho, dizia a tia. Não pode colocar sua filha numa redoma de vidro e esconder as verdades verdadeiras do mundo. Dorinha precisa ver a vida como ela é, se preparar pra encarar a vida de frente, afinal o elo de ligação que liga ela com a gente um dia vai sair para fora, falava a tia assassina da linguagem objetiva. Você é enfermeira, é uma pessoa estudada, mas não é dona da verdade, disse Leocrécia, que só tinha estudado o Ensino Fundamental. A tia parou de falar para prestar atenção no programa da televisão, onde a câmera focava, em pleno horário de almoço, um homem com a cabeça estourada por um fuzil na favela do Brongo.

Mudando o canal para um programa onde bonecos coloridos e feitos com massas de modelar cantavam uma ciranda, por ter percebido a presença da filha, dona Feliciana olhava pro seu troféu e dizia que não era contra qualquer estilo musical ou manifestação de pensamento, que inclusive costumava brincar seu carnaval dançando exatamente as mesmas músicas que proibia sua filha de ouvir. Mas era tempo de sua filha curtir a infância sendo criança de verdade e não apenas uma miniatura de adulto, correndo o risco de Dorinha ser abusada por um pedófilo troglodita neste país de crimes nem sempre solucionados. Vamos embora, minha filha.

Mas não acabou por aí. Feliz precisava convencer a própria prole. A menina disse que queria ser como as colegas da escola, e a mãe devolveu que não queria saber dos filhos dos outros e sim da sua filha. De cara embirrada, foi praticamente obrigada a usar seu vestido bordado rosa e entrelaçar os cabelos. Sentada no sofá e de braços cruzados, foi aos poucos prestando atenção na gritaria e nas risadas vindas do lado de fora da janela. Suas amigas de rua brincavam de amarelinha. Nem precisou sua mãe terminar de balançar a cabeça permitindo, e lá se foi Dorinha correndo encontrar Duda, Fatinha e Maria Luíza. A euforia foi tanta, mas tanta, que a menina esqueceu o cd de DJ Marlboro que sua tia lhe deu de presente.



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As Nossas Palavras XV - por Lélia

É difícil falar sobre qualquer defeito quando se trata de nós, especialmente sobre aqueles que desenvolvemos durante a juventude. Mesmo quando os curamos mais tarde, na fase adulta, lembrar deles, entrar em contato com os erros decorrentes deles é muito difícil, vergonhoso mesmo. Quero que chegue logo a velhice, pois creio que seja o modo mais rápido da gente esquecer todas as bobagens que fizemos na vida.
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O Relógio - por Adir Vieira

Logo de cara, ao vê-lo, apaixonei-me.
Não sou daquelas que se rende a obras de arte caríssimas, famosas, só para mostrar que sou antenada em cultura artística ou coisas que tais.
Se um objeto me chama a atenção, podem crer que foi pela emoção. Pela sinuosidade das linhas, pela beleza e, sobretudo, pelo encantamento que gera em mim.
Desde criança, sei que sou fanática por relógios. Capto-os no pulso de quem quer que seja, nas estantes e nas mesinhas de cabeceira quando entro numa casa, nas paredes das cozinhas, nas torres das igrejas ou mesmo nas paredes das lojas comerciais.
Todos me prendem ao menor “tic-tac”. Já há muito, deixei de procurar uma razão para tal apego.
Eis que hoje fui surpreendida por um despertador nunca antes visto, nem mesmo em lojas onde esse é o produto principal. E foi de súbito que ele me chamou a atenção.
Não era um despertador comum, mas descomunal em sua beleza.
Sabem aqueles despertadores de mesa pequenos que no seu topo exibem duas campainhas? Aqueles que embaixo possuem duas perninhas viradas para o lado? Pois é. Imaginem um despertador desses com 45cm de altura! Exuberante!
Só ele preenche todo o espaço de uma mesinha de cabeceira.
Apesar do tamanho, conseguia ser sutil. E sabem, onde achei a “obra de arte”? Numa papelaria de um shopping.
Agora, de volta a casa, estou aqui com ele povoando meus pensamentos e interferindo na minha vontade, na minha compulsão de correr lá e comprá-lo.



Visitem Adir Vieira
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Caindo em Si - por Alba Vieira

Sol a pino, meio-dia
Os miolos cozinhando, tonteio
Caio no meio-fio, sozinha
Roda tudo, enjoo e desnorteio.

No chão me sinto melhor,
Era tudo o que eu queria:
Parar por um só instante,
Ficar quieta, em minha companhia.

Mas logo vem o alvoroço,
Chegam curiosos de todo lugar,
Melhor eu estaria num calabouço
Que cercada pela multidão a tagarelar.

Minha cabeça outra vez volta a doer,
Só queria um momento de descanso.
Mas, caindo sob o peso do mundo a me corroer
Constato que ceder não deixa de causar espanto.



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Escrevinhadoce - por Ana

À cara Escrevinhadora,
Que um dia ficou querendo
Um quindim aqui no blog.
Explico a você que está lendo:

Recebi prêmio do Gio,
Inominável quindim
Divino, maravilhoso,
Adorável... só pra mim...

Então é compreensível:
Se só uma pessoa ganha
Comida tão guloseima,
Resto do povo se assanha...

Eu, portanto, decidi
Vir aqui nestes versinhos
Irmanar este presente
No meu pequeno forninho.

Havemos de concordar:
A minha forma é maior,
O cuidado, talvez, igual,
Mas o dom é bem menor.

Eu não nasci pra cozinha...
Uma coisa que me falta...
Queria ser grande chef
Uma vez aqui, na ribalta.

Impossível, porém, isso...
Não tenho talento mesmo...
Digo sabendo que sou
Infante tentando a esmo...

Não sei fazer bom-bocado...
Zombe bastante de mim...
Impassível, aceito as vaias,
Mas te fiz um quindinzim...



Resposta a “Doce para Todos”, de Escrevinhadora........................................................
Referências: “Nem Tudo é o que Parece”, de Gio;.......................................................
O que Aparece Nem é Tudo”, de Ana;.......................................................
Duo-acróstico para Ana”, de Gio........................................................
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Eu Não Vi Tropa de Elite - por Fatinha

Querido Brógui:

Então, só pra constar:
Não, eu não vi Tropa de Elite assim como não li Elite da Tropa. Não vi a cópia pirata de cinco, nem a de dez reais. Não vi no cinema também.
Não, eu não participo de nenhum grupo de debate acerca da existência ou não de ética no comportamento do Capitão Nascimento e me recuso a aplaudir a barbárie como única forma de controle da própria barbárie.
Não, eu não vou ao cinema para ver a realidade do Rio, porque tô de realidade até aqui. Quero ver o Mágico de Oz.
Pronto. Agora dá pra parar de comentar esse filme como se fosse a oitava maravilha do mundo moderno, imprescindível para a existência sadia de uma pessoa? Não sei se é bom, ruim, não quero saber, não vi e não vou ver em sinal de protesto, só porque todo mundo viu e quem não viu vai ver. Vou erguer em volta de mim uma barreira de resistência. Excluo-me acintosamente de qualquer conversa que mencione esse filme e ponto final.
A bem da verdade minha rebeldia não conseguiu erguer uma barreira suficientemente alta. Ontem no RoncaRonca ouvi a música-tema do maldito filme, dancei a música-tema do maldito filme e estou cantando a música-tema do maldito filme: “Tropa de Elite, pega um pega geral!”. Só lembro desse pedaço. Escapei do maldito filme, mas não escapei da maldita musiquinha. Só espero que essa mensagem subliminar não me conduza em estado hipnótico até o cinema.



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José Padilha

Millôr Fernandes: Haikai - Citado por Gio

Com pó e mistério
A mulher ao espelho
Retoca o adultério




Visitem Gio
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Memórias de um Seminarista (Parte XII) - por Paulo Chinelate

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LONGE DOS OLHOS ou NEM SÓ DE PÃO…


Estou chorando desde que aqui cheguei mas não são lágrimas de saudades nem tampouco de crocrodilo. Estou acometido de grave alergia nos olhos devido o cheiro e fumaça exalados pela Fábrica de Cigarros Souza Cruz, vizinha do colégio onde me encontro hospedado. Quando nos afastamos para um passeio longe da Tijuca e especificamente da Rua Conde do Bonfim, volto à normalidade.
A piscina, campo de futebol e outras atividades, enquanto na referida hospedagem, não estão sendo absolutamente aproveitados, sequer consigo abrir os olhos.
Alvíssaras, hoje vamos subir o Pico da Tijuca e amanhã jogaremos em pleno Maracanã. Em vista de o gerente atual do maior estádio do mundo ser ex-aluno Marista tivemos o privilégio de jogar uma pelada. O único problema é que estão jogando remédio no gramado. Por esta razão só utilizamos a metade do campo. Eu estou me habilitando em ser goleiro, dos bons.
Visitas às praias principais, ao zoológico e museu da Quinta da Boa Vista, às Igrejas da Candelária e da Glória no Aterro, escalar o Corcovado, andar no Bonde de Santa Tereza, estas e tantas outras atividades estão preenchendo os poucos dias de nossas férias.
Realmente não sinto mais a saudade familiar, aliás, já não sentia antes porquanto as atividades do internato não nos permitem parar para pensar.
Voltamos hoje para Mendes, nossa casa, nosso lugarzinho querido, o juvenato.
Neste retorno não tive boas notícias. Embora tenha tido muitas dificuldades no ano letivo por conta de não conseguir acompanhar os colegas oriundos de diversos colégios particulares, principalmente Maristas,conseguira passar do curso de admissão ao primeiro ano ginásio com a nota mínima “seis”. O que fiquei sabendo somente agora é que o Irmão Zeno, nosso reitor, escrevera ao papai dias antes de nossas lautas férias. A resposta só agora recebida me trouxe o conhecimento do teor. Pedira ele ao papai autorização para que eu repetisse o período escolar por conta de tomar maior base para enfrentar o duro ginásio do internato. Autorização dada.
Uma peculiaridade no ensino a que eu me exponho neste colégio é de nós não sermos somente aprendizes comuns mas, e principalmente, de formarmos futuros mestres. Daí a exigência do meu superior.
As alegrias das férias foram-se como por encanto. Tinha me enturmado com colegas tão especiais neste primeiro ano e agora além de separados do convívio mais íntimo da turma ainda teria que dividir as atenções com colegas novatos e menores. Enfim, tangido pela obediência, virtude muito apreciada no ambiente em que me encontro, aceito a determinação. E a vida continua…
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Primeiro dia sem posts

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Caríssimos amigos:
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Ontem não foi possível publicar no Duelos por problemas técnicos do meu provedor.
Hoje retomo as atividades, esperando não ter mais problemas.
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Um grande abraço a todos!
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