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sábado, 27 de junho de 2009

Memórias de um Seminarista (Parte XI) - por Paulo Chinelate

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AS FÉRIAS SE APROXIMAM


O ano, ainda para mim cheio de novidades, passou rápido. Papai e mamãe se revezam nas cartas. Estranhei no começo que a correspondência era-nos entregue aberta. Soube que o reitor faz isso para evitar que remetentes mal intencionados busquem minar as vocações religiosas ainda florescentes. A cada missiva a dor da saudade é revivida. Ainda que imerso em ambiente onde todas as necessidades são supridas, eram fortes as lembranças da meninice lá em casa sem compromissos muito sérios senão das brincadeiras de bolinhas de gude, soltar pipas com a carretilha que vovô João construíra para mim, as piculas e brincadeiras de roda. Embora recordasse que eventualmente tinha obrigações proporcionais à meninice: levar o almoço do papai e vender o jornal na porta da igreja, com certeza era muito mais branda do que levantar às seis da manhã e enfrentar as obrigações pertinentes a um internato.
As notícias de lá também não estão muito alvissareiras. Mamãe está acometida de mal nos rins. Minha irmã Conceição, mais nova que eu, está incumbida de cuidar dos manos mais novos. Papai conseguiu um emprego de carteiro nos Correios e Telégrafos por conta de ter sido pracinha na Segunda Guerra lá na Itália, ex-combatente que fora. Nas horas de folga continua costurando para suprir as necessidades da casa.
É com este quadro que tenho que decidir rapidamente o que fazer. As férias de dezembro estão próximas. Serão trinta dias em casa. Tenho que escrever para papai a fim de que venha me buscar e trazer de volta. O prazo para isso é curto. Os correios levam dias para as trocas de correspondência. No entanto não levei muito tempo para deliberar a dolorosa a decisão: não iria de férias. Com isso, papai, em novo emprego, não precisaria se ausentar nem tampouco arcar com as despesas de viagem. E pronto.
Ao invés de escrever que não ia de férias, omiti-lhes que elas existiam. E fiquei junto com uns vinte colegas, dos cento e tantos existentes, sem viajar às nossas terras natais.
Se por um lado eu e os colegas ficantes não pudemos gozar as delícias do ninho familiar, nossos superiores compensaram-nos com uma grande surpresa: iríamos passar as férias na cidade do Rio de Janeiro, capital da Guanabara.
Os preparativos para tal empreendimento se fizeram necessários.
Arrumei pequeno enxoval conforme indicação dos superiores e partimos de ônibus pertencente ao Colégio Marista São José do Rio onde ficamos alojados.
Tudo novidade para mim: o cheiro do mangue, logo que entramos na grande planície da baixada de Duque de Caxias bem como o burburinho de uma grande capital.
Estamos hospedados no grande Internato São José, na Rua Conde de Bonfim, na Tijuca.
Não sei o que me acometeu. Estou espirrando muito desde que cheguei.
A noite está péssima. Os espirros foram intermitentes.
O dia de amanhã promete. Vamos escalar o Pico da Tijuca, o maior da cidade.
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As Nossas Palavras XIII - por Lélia

Os homens que têm ideias realmente inovadoras podem ser responsáveis por mudanças importantes em nossa civilização tão decadente. Eles fazem diferença, é verdade, mas, muitas vezes, suas inovações (mesmo voltadas para o bem) são utilizadas de forma negativa por aqueles que só têm em mente aumentar seus lucros explorando as vontades que vêm do lado negro do ser humano. Antigamente, muita gente dizia: “Pare o mundo que eu quero descer!”, agora não se ouve mais isso com tanta frequência porque todos já sabem que a humanidade está com os dias contados, o mundo vai parar em breve mesmo e cumprir a ordem de despejo dada pela Terra, expulsando da face do planeta, de uma vez por todas, este predador voraz que, com suas inovações de burro progresso desenfreado, determina a própria expulsão.
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As Nossas Palavras XII - por Lélia

Você sempre vinha com perguntas indiscretas. Todas as vezes eu te dava respostas curtas, tipo: sim, não, nunca, talvez. Mas você insistia e não parava de me atentar. Por isso, peste, risquei você do meu caderninho de uma vez por todas. Por quê? Ninguém aguentaria, como eu, tamanha encheção de saco! Vai conversar com teu cachorro! Ele vai te aturar mais tempo que qualquer humano, pois a diferença de linguagens vai proteger o coitado e dar a você a falsa impressão de estar sendo ouvido. Mas, por favor... não aprenda a latir!
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Luarormônio - por Alba Vieira

Quando ela reina no céu absoluta,
Enviando seus raios prateados ao mundo,
Traz um quê de assanhamento aos corações.
Deixa no ar , nas pessoas, sentimento profundo.
É ter o sentido aguçado para o outro,
Uma vontade enorme de agarrar,
É o beijo que anda à solta, faminto,
A busca incessante do relacionar.

A cabeça zonzeia , está nas nuvens,
Hipersensibilidade no olhar,
Tudo parece tão imenso e passageiro,
É coisa de arrepiar e endoidar.
Nada faz sentido e, ao mesmo tempo,
É só gravidade no que pintar.
Faz-se tempestade de chuvisco,
Melhor mesmo é deixar passar...

Apesar de toda essa barafunda na mente,
O que se sente, não se pode deletar.
Porque o sentimento, esse é transparente,
Sob os auspícios do astro argênteo no ar.
É lindo olhar no céu quando ela é plena,
Pois explodindo de carinho vou estar,
Só resta encontrar alguém que queira,
Uivar junto, a noite inteira, à beira-mar.



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Reflexão - por Roger Amado

A verdade é que nenhum homem morre,
os homens são todos assassinados,
por outros homens ou por eles mesmos…
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