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sexta-feira, 27 de junho de 2014

Post Inesquecível do Duelos - Indicado por Ana

Escolhi este post porque ele traz verdades sobre o sentir amor e o saber do amor. Alba mais uma vez me encantou com a percepção contundente das coisas que muitas vezes retrata em seus escritos. Parabéns! Gostei muito!



AMOR
(ALBA VIEIRA)

Do amor só os bobos sabem...
E seguem enganados
Enquanto pensam que conhecem
Aquilo que, não sentindo,
É de todo impossível saber de verdade.

Porque aquele que de fato ama
Sabe que nada sabe,
Nada espera,
Apenas sente, recebe.
E como criança
Ainda se espanta,
Tudo oferece
E, às vezes, reclama.



Visitem Alba Vieira
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quinta-feira, 19 de junho de 2014

Post Inesquecível do Duelos - Indicado por Ana

Absolutamente original, inspiradíssimo! Totalmente inesquecível! Aline conseguiu transmitir, neste texto, a dor inesperada que tomou conta da tarde familiar após a descoberta deste doloroso falecimento.



RÉQUIEM
(ALINE)

Um corpo escuro dentro do tanque branco. Os olhares vertidos sobre ele. Os membros rígidos, unidos, dorsalmente alaranjados e esticados para fora do casco mundo. A cabeça reclusa, as patas dianteiras como guardiãs, permitindo que apenas as narinas fossem entrevistas. Uma proteção no seio daquela posição. Um sinal, no diagnóstico.
E os olhos, como estariam? Cerrados e mudos ou abertos na escuridão? A fuga visual de sua própria morte.
O alvoroço dos parentes anunciando o incomunicável.
O aviso, o sol incidindo, a água ilimitada ao seu redor e a sua insustentável e lenta existência de quelônio.
Nos dias floridos dos outros, a tartaruga e sua bacia azul; os passeios matutinos e vespertinos; a invasão da noite e seu recolhimento; o seu ventre esverdeado em contato diário com as lascas vermelhas do quintal; seu íntimo de goiaba e a preferência pelos pés dos vasos, com suas plantas igualmente prisioneiras.
A vítima, o algoz e o silêncio.
A sua cama de jornais e de letras pretas, insignificantes para o seu universo iletrado, sub-racional e de desejos de subsolo.
Inúmeras arremetidas quanto ao passado do invólucro desabitado: seus motivos, sua função, sua passagem, a transubstanciação e a viagem derradeira para o nada.
O que ela teria feito com as décadas de cárcere que lhe restavam?
Qual destinação terá a cela acolchoada, moldada para aquela especial forma de vida (e de morte)?
A tartaruga e sua mãe: virgens, brandas, acorrentáveis e monocromaticamente verdes; criaturas embalsamadas, limpas e impecáveis em seus trajetos, trejeitos e expressões faciais.
Mas, no instante da transição, ela percebe um espelho à sua frente. Um juiz que lhe expõe sua movimentação passiva, a agilidade de seu medo e a aquiescência perante as vozes. O reflexo do seu espírito, de sua compleição física, do fim iminente e da rota que desemboca no cais e no Adeus.
E quando ela parece aceitar a História de morte que criaram para ela, eis que a sua visão escapa da nudez do vidro e vai morrer dentro de seu tamanho reduzido, do pequeno espaço, da dimensão de si.
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sexta-feira, 9 de maio de 2014

Post Inesquecível do Duelos - Indicado por Ana

Indico este haikai porque é perfeito, a mensagem é linda e contundente. Lembro de quando o li pela primeira vez, de como ficou marcado em mim. vesti conseguiu transmitir, em poucas palavras perfeitamente dispostas, a verdade de amar demais. Então eu digo: parabéns, vesti! Amei demais este haikai! Beijos.



DOR DE AMOR
(VESTIVERMELHO)


Amor enorme
Coração pequeno
Sofre sem espaço
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Visitem vestivermelho
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quinta-feira, 10 de abril de 2014

Post Inesquecível do Duelos - Indicado por Ana

Luiz de Almeida Neto sempre foi um assíduo frequentador do Duelos, desde os tempos do Terra (antes e depois da cólera rsrsrs). Ativo participante também, brindava os leitores com seus posts que nos faziam pensar, admirá-lo e elogiá-lo pela originalidade e pela forma direta de abordar as atitudes humanas e as reações a elas. Infelizmente, nunca mais aportou por aqui o autor de “Silêncio Solitário na Casa Enorme”, um dos seus primeiros poemas (se não o primeiro) a ser publicado no blog. De língua ferina, afiadíssima e a consciência ainda mais, ele é um autor que faz muita falta.
Escolhi este post porque é ótimo representante das características citadas anteriormente e da sua agressividade poética, que é algo que adoro ler e exercitar de vez em quando (não é mesmo, Ninjíndia? rsrsrs)!



PENITÊNCIA NÃO RESOLVE NADA
(LUIZ DE ALMEIDA NETO)

E sabe do que mais?
Não acredito na tua consciência
Nem na minha

Como posso crer
que és capaz de avaliar
os estragos que fazes
e que te penintencias
com o sofrimento alheio?

E se não fizeres nada disso?
Ainda sim terei minha própria consciência?
Ou será que esta existe
tanto quanto a mula-sem-cabeça?

Ou será que ela existe
e a guardas tão bem
que não vemos seus reflexos
em nossos dias?
Será que vale a pena?

Sabes do que mais ainda?
Se é para ficares sofrendo
se lamuriando e penintenciando
por força de tua consciência
e incapaz de tomar uma atitude
digo que sou caridoso
e te liberto das aparências
Prefiro que esqueças
afinal de contas
tudo que se passou

De que me vale uma pessoa a mais sofrendo
Só uma lamúria a mais
sem resolvermos nada
Não

Esquece-te de mim
e caminha teu caminho
como quem segue a cavalo
mais vale um fodido
que dois remediados
e um dia inda me vingo
pra sofrer eu também com meus pecados
pois invejo a capacidade
de sofrer e não fazer nada.
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..............................Visitem Luiz de Almeida Neto
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quinta-feira, 20 de março de 2014

Post Inesquecível do Duelos - Indicado por Ana

Este é um dos posts de João Luis Amaral aqui no Duelos (infelizmente, ele publicou poucos...). Adorei este texto porque é de um humor fluido, bem desenvolvido, muito interessante. Acho que vale a pena ler de novo, como disse a Lélia. Espero que vocês gostem, como eu gosto.



ZIZI POSSI
(JOÃO LUIS AMARAL)

Zizi Possi já era.

Culpa minha. Dia ruim, cheguei sem avisar e vi o que ninguém aguentaria ver. Ela com outro.
Perdi a cabeça, disse coisas que não devia, chorei até. Ela, frágil, não suportou o destempero.
Acabou por dar cabo à própria vida.

Uma diva, não tenho dúvidas. Uma estrela que brilhou intensamente, iluminou com sua luz a minha vida.
Entre todas com as quais me relacionei - e foram muitas, ouso dizer - Zizi foi como uma brisa leve, pousando delicadamente sobre mim a alegria de viver em seus atos, seus gestos. Enamorado que estava, fazia promessas tolas, achando que teria todo o tempo do mundo para cumpri-las. Só que o tempo... Ah! O tempo não me deu tempo.

Zizi Possi virou história.

Uma relação complicada desde os primeiros momentos. Deliciosamente complicada.
Nossa história começou como um conto de fadas. Eu andava pela rua, sem destino ou futuro certo pela frente, chutando pedras à mercê. Chutava o vazio da minha vida.
Ela, numa loja qualquer, parecia aguardar o inesperado. Nossos olhares cruzaram-se e, apenas num segundo, sentimos a emoção por um amor iminente brotar maroto.

Paixão avassaladora. Daquelas que nos fazem perder o fôlego, a noção de tempo, espaço, que nos leva simplesmente a esquecer nomes, rostos, cheiros. Que nos faz criança.
Os sentidos nos deixaram, tudo o que fazíamos era pelo outro. Éramos cúmplices em sua mais pura tradução - se é que existe pureza em cumplicidade.

Zizi Possi passou dessa para melhor.

Da paixão, rapidamente fomos levados ao amor. O desejo nos tomava inteiros, sem pedir licença. Como numa invasão.
A distância parecia nos asfixiar lenta e perigosamente. Sua presença trazia-me de volta à realidade, era como oxigênio.
Perdíamos longas horas apenas nos olhando. Tímida, não apreciava conversar. Preferia curtir o momento em toda sua intensidade, sua extensão.
E quanto mais durasse, melhor. Foi o grande amor da minha vida. O único amor.

Zizi Possi bateu com as botas.

Ah, Zizi! Que falta você me fará. Não vejo meus dias sem sua doce presença, seu afeto, seu silêncio acalentador.
Não quero mais acordar, porque sei que você não estará mais ao meu lado.
Para quem direi “bom dia” cheio de malícia, de segundas intenções?
Onde errei? Quando te perdi? Por favor, preciso saber.
Não me deixe aqui com essa dúvida. Conte-me ao menos esse segredo.

Zizi Possi está morta.

Agora, de volta ao vazio da minha vida. Tudo o que me resta é voltar àquela loja e comprar um outro peixinho.
Mas, dessa vez, darei o nome de Jane Duboc.
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sábado, 22 de fevereiro de 2014

Post Inesquecível do Duelos - Indicado por Ana

Indico este post porque, exatamente como diz o título, ele fala de uma lucidez que raramente é encontrada nas mentes que perambulam por este planeta. Quando li esta reflexão, pensei nas pessoas que possuem problemas importantes, difíceis... e que são bloqueadas por si mesmas no caminho para encontrar as soluções necessárias. Muito lúcido, muito profundo, muito bonito. Parabéns, Tiago!



IN LUCIDEZ
(TIAGO CONRADO)

Num momento, in lucidez,
Descobri que os problemas são as nossas soluções
Dentro de cada problema encontramos uma grande corrente com falsos elos de fracasso que se quebram em mil pedaços formando uma cortina bloqueando qualquer reação de coragem para combatermos o que nos amedronta.
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sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Post Inesquecível do Duelos - Indicado por Ana

Este post faz parte da fase conceitual de Raquel Aiuendi, conforme pode ser verificado aqui no Duelos (rsrsrs). É deveras interessante por se constituir numa reflexão filosófico-matemática perfeita, com uma mensagem existencialmente instigante. Parabéns, Raquel, por esta pérola que não me canso de ler!



CONCEITOS
(RAQUEL AIUENDI)

A vida não passa
De mera matemática
Cujos dias somados
Diminuem o período
De existência
Absolutamente física
E em relação
Inversamente proporcional
Multiplica a existência
Ultradimensional
Que, diante
dos macro universos
não passam
de hipossignificâncias.
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sábado, 28 de dezembro de 2013

Post Inesquecível do Duelos - Indicado por Ana

Indico este post como inesquecível do Duelos, pois é mais uma obra-prima do Moita. Lindo, perfeito, tocante!... Você está fazendo falta por aqui, mestre! Um abraço.



AO FILHO QUE NÃO NASCEU
(MOITA)

Minha mulher esperando
por sete meses seguidos.
Muitos nomes sugeridos
e a espera aumentando.
Coração desfibrilando,
o cérebro no apogeu.
Até que aconteceu
a morte do prematuro.
Todo amor dedico, eu juro
ao filho que não nasceu.

Dois filhos eu adotei
para ver se reparava
aquela tremenda trava
que com amargura fiquei.
Nada melhor encontrei
dentre o que aconteceu.
A família esqueceu
daquilo completamente.
Dedico-os como um presente
ao filho que não nasceu.




Visitem Moita
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segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Post Inesquecível do Duelos - Indicado por Ana

Esta é mais uma poesia lindamente sensível da Aiuendi, que traz imagens e analogias muito interessantes e que me deixou muito emocionada pelo tema e pela forma de expressão. Parabéns, Raquel! É muito, muito linda!



IRRECUPERÁVEL
(RAQUEL AIUENDI)

Melancia... Melancia...
Abacate... Mamão...
Laranja, melão, tangerina...

Eu, criança, arregalando os meus olhos
diante de tanta diversidade,
apalpando, tentando alcançar
com o tato o paladar nunca sentido
por mim, e meus olhos refletem
uma imagem nunca vista em casa...
O suco dessas frutas escorrem
pelos cantos dos meus olhos,
como lágrimas de inconsolo
e terna tristeza...

Melancia... Melancia...
Abacate... Mamão...
Laranja... Melão... Tangerina...

perdidas de minha mão.
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terça-feira, 15 de outubro de 2013

Post Inesquecível do Duelos - Indicado por Ana

Mais uma poesia de Alba que é absolutamente delicada, bela e sensível! Amei demais esta poesia!
Parabéns, Alba!



TEUS OLHOS
(ALBA VIEIRA)

Teus olhos me veem
Teus olhos me vêm sempre à mente
Teus olhos me guardam
Teus olhos não mentem
Teus olhos faróis
Me guiam silentes



Visitem Alba Vieira
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sábado, 21 de setembro de 2013

Post Inesquecível do Duelos - Indicado por Ana

Este post eu indico por ser mais um dos poemas muito bonitos e imprevisíveis do Poeta. Realmente para mim foi inesquecível e muitas vezes eu o reli, no Duelos e no blog dele, pois achei extremamente interessante. Parabéns, Poeta! Tô sentido sua falta por aqui...



VISÃO PRIVILEGIADA
(KBÇAPOETA)

A visão aqui de cima é linda
Casas alinhadas
Dá para imaginar sua limpeza
Sua organização burguesa
O verde que já não é tanto ainda sobrevive
Aqueles pequenos focos verdes
Devem ter mais de dois séculos
Sinto a brisa
Agora sinto um vento forte
De repente não sinto mais nada
Meu corpo atingiu o chão
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Visitem Kbçapoeta
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segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Post Inesquecível do Duelos - Indicado por Ana

Eros Ramirez, infelizmente, pouco participou do Duelos, mas esta sua postagem ficou marcada em minha memória. Pelas frases curtas com mensagens muito bem definidas remetendo a percepções e sensações que nos levam, indubitavelmente, à situação descrita; pela analogia original e terna; e pelo duplo sentido final que, em ambos os casos, de forma magistral, nos devolve ao título. Achei espetacular, realmente inesquecível. Parabéns, Eros!



ALUCINAÇÃO
(EROS.RAMIREZ)

Por um instante achei que estava tudo bem. O barulho da chuva contra a janela. O cheiro de terra molhada. A alta umidade como um abraço. Gravidade zero.
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Visitem eros.ramirez
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segunda-feira, 22 de julho de 2013

Post Inesquecível do Duelos - Indicado por Ana

Considero este post inesquecível, pois, como tudo que Alba escreve, traz reflexões profundas a respeito do comportamento humano e das escolhas que fazemos. Mas este é especial porque trata deste tema com muita sensibilidade. Adorei.



AO FILHO QUE NÃO NASCEU
(ALBA VIEIRA)
Você veio.
Eu não te pensei.
Portanto, não te espero.
Nem mesmo sei se te quero.
Te sinto? Será?
Não há tempo.
Você cresce rápido.
E os outros? E a minha vida?
Eu, sempre eu.
E meus medos e inseguranças.
Penso logo, ajo ainda mais rápido.
Encontro cúmplices tão cegos quanto eu.
Que pensam e só pensam.
E não sentem como tu sentes.
Não se responsabilizam.
Apenas anuem e colaboram.
Um dia também eles se darão conta.
Desenho um plano perfeito,
penso que não deixarei marcas.
Ledo engano:
desde o primeiro momento em que te rejeito
sulco em mim gretas profundas.
E quanto mais se avoluma teu desamparo e cresce tua dor,
piores e mais profundas as cicatrizes em mim.
Porque pensando sobre o que não posso,
sobre o que com certeza não terei forças para enfrentar,
não sinto a força que já tu me dás sem nada pedir em troca,
posto que teu sustento já vem contigo.
Teu destino antes combinado será traído por mim.
As marcas em mim pelo desatino
irão além do corpo, certamente.
Porque sentindo, mesmo anestesiada, a dor do teu agonizar,
minha essência será sacudida pelo vendaval da culpa
que deixará marcas profundas no meu corpo, sim,
mas muito menores que aquelas que estarão
no curso de minha existência empobrecida pela tua falta.
Hoje, minha consciência tardia te pede perdão por haver te abortado.


Visitem Alba Vieira ..............
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sábado, 22 de junho de 2013

Post Inesquecível do Duelos - Indicado por Ana

Considero este post inesquecível porque ele narra um delírio TOTAL! É tão delirante que se torna hilário, absolutamente “viajante”, com um final que acho demais! Fiquei realmente atônita com este texto. Adorei!



DELÍRIOS
(ALBA VIEIRA)

Chove. É madrugada. Todos na casa dormem. Acordo de um período breve de sono vencida pelo calor excessivo. Ainda sonolenta abro a janela. É abafado dentro de casa. Através da grade observo, do outro lado da rua, a casa de jardim amplo e de repente sou jogada de encontro à minha alma. Olhamo-nos, separadas pelos triângulos de ferro que “protegem” minha casa. Surpreendo-me e me percorre o corpo uma corrente elétrica concomitante ao ruído supersônico que, neste estado ampliado, percebo no mesmo instante em que vislumbro morcegos cruzando o ar entre as árvores copadas. As frestas da grade, com a janela semi-aberta, teriam deixado penetrar um morcego, assim como olhar a noite quieta com a chuva fina caindo e refrescando os corpos do intenso calor não me salvou do contato terrível comigo mesma.
Pensei em como me excitou supor que, entrando no quarto naquela noite, o morcego viria direto ao meu pescoço e sugaria meu sangue, me aliviando do excesso talvez de uma vida, equilibrando meus humores tal qual a chuva que cai agora mais suave e fria e arrefece o calor de tantos que, vermelhos de raiva, destilam seu ódio há tantos dias, numa logorréia também supersônica que agride meus ouvidos, que consegue sujar minha aura.
Terrível encontro porque, na madrugada quieta, sem gente na rua, o vazio das pessoas, a supremacia das forças da natureza com a chuva agora novamente pesada despencando do céu, me faz ansiar por uma catástrofe que, dizimando muitos milhares de humanos, talvez consiga aliviar o sofrimento do mundo.
E o ruído dos morcegos nesta noite também guiará meu caminho quando novamente tentar voltar a dormir. Porque, excitada pelo pensamento de que a tragédia, a morte, é a única solução para o impasse deste atual aprisionamento da minha alma, é provável me chocar com a culpa e acabar num sonho erótico com vampiros em noite de temporal.
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Visitem Alba Vieira
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quarta-feira, 22 de maio de 2013

Post Inesquecível do Duelos - Indicado por Ana

Este é mais um post que achei interessante. Esta poesia se tornou inesquecível para mim, pois foi a primeira postagem com traço de humor enviada por Luiz de Almeida Neto. Além disso, traz a característica adorável de ser absolutamente malcriada. Espero que vocês a apreciem.



E TENHO DITO
(LUIZ DE ALMEIDA NETO)

Se me perguntares
Quanto tempo eu estudo
Quantas horas eu durmo
E se eu consigo relaxar

Vou te responder
Que te acho um intruso
Que é coisa de maluco
Querer xeretar

Se ainda por cima vieres tentar
Se fazer de amigo
Pra saber se eu digo
Pra vir dialogar
Vou dizer que é sem jeito
Que eu exijo respeito
Que sei me cuidar

E se vieres de banda
Como quem não tem trama
Como se tivesse ali por estar
Só pra saber se sou safado
Se não tenho costume errado
Que não vá te prejudicar

Confesso que até tenho
mas que também me empenho
na arte de disfarçar
E que não é da sua conta
se alguém nesse mundo apronta
ou se alguém sabe relevar

Porque eu pago minhas contas
E ainda se não pudesse pagar
Ia dar o meu jeito
Como sempre tenho feito
Sem lhe pedir pra me emprestar
cartão, cheque ou dinheiro
que não valem meu respeito
nem muito menos tenho pra lhe dar

Tenho dito.
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sábado, 13 de abril de 2013

Post Inesquecível do Duelos - Indicado por Ana

Estou indicando este post porque achei muito emocionante a forma como Raquel redigiu o desfecho, mudando o sentido que parecia tão óbvio, e então, após ler o final, reli a poesia e senti o que ela descreveu, de forma bastante clara. É assim mesmo, é sutil assim, é confortador assim, é lindo assim quando se pode ter uma chuva tão necessária. Só quem já esteve no mundo da absoluta aridez emocional pode compreender o que significam as imperceptíveis gotas de chuva. É linda a ideia, linda a poesia. Emocionante demais! Inclusive porque não restringe o amor. Mil vezes parabéns, Raquel!



CHOVE FINO
(RAQUEL AIUENDI)

Chove, fino?
talvez imperceptível
chuva que se deixa
cair
cair
sobre um sentimento
angústia, abandono,
desilusão, desesperança…
chuva subliminar
tece lentamente
a superação
planta
uma calma sensação…
É sempre assim
depois de uma longa
chuva de amor.
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Para você, minha irmã.
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sábado, 30 de março de 2013

Post Inesquecível do Duelos - Indicado por Ana

Bem, este haikai fala por si mesmo. Raquel, com sua enorme sensibilidade, nos brindou com esta maravilha. Ela conseguiu captar e apresentar, magistralmente, em palavras, a luz que vislumbrou naquele momento. Perfeito! Lindo! Quantas vezes estive diante de uma cena assim e nunca me ocorreu estas duas ações da luz. Magnífico! Parabéns mil vezes!



LUZ
(RAQUEL AIUENDI)


Luz que só paira
sobre a pitangueira
e cai no solo.
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sábado, 23 de março de 2013

Post Inesquecível do Duelos - Indicado por Ana

Indico este post por ser muito simples e poder assumir diversos significados, todos passíveis de levar a reflexões importantes. Parabéns, Eros! Você está fazendo falta no Duelos!



EPITÁFIO
(EROS.RAMIREZ)


Ontem nas nuvens
Hoje a sete palmos do chão



Visitem eros.ramirez
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quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Post Inesquecível do Duelos - Indicado por Ana

Indico este post não só pela forma como foi escrito (já que admiro muito a fluidez e as descrições de Adir em suas narrativas), mas principalmente pela mensagem que nos traz. A autora nos mostra a enorme diferença que existe entre o que vemos de longe (e recheamos com nossa imaginação) e aquilo que realmente é (em sua crueza e verdade inquestionáveis). Muito boa sua crônica, parabéns! Beijos!



GUARDIÃO DE PISCINA
(ADIR VIEIRA)


Triste a vida do guardião de piscina!
Lá de cima, do meu apartamento, imagino-o feliz com a profissão. Afinal, diariamente, goza dos prazeres do sol, tem o corpo sarado, tem ao seu dispor a água límpida e azul para se banhar, tem crianças e belas mulheres a sua volta.
Enfim, a energia do sol e a força da alegria daqueles que ali se divertem, transmitem tudo de favorável a um trabalho agradável.
No entanto, aqui de baixo, de frente para a piscina, não é isso que observo.
Ao chegar, não abre e prepara o local para os moradores, o que já denota uma insatisfação.
Percebo em seu olhar enfadonho o ir e vir ao relógio de pulso, procurando descobrir quantas horas ainda faltam para o intervalo de almoço e quantas ainda terá que viver no expediente da tarde.
A aglomeração das crianças e os ruídos dali emanados fazem com que a vontade de afogá-las todas se deixe aparecer.
Os corpos sarados das mulheres, em seus mínimos biquínis, não mais o atraem. Olha-as como se fossem bichinhos nojentos passando por ele e seus cumprimentos se veem em inaudível resposta.Levanta, senta, levanta novamente, repreende uma criança e olha o relógio mil vezes, enquanto ali está.
De repente, faltando quase vinte minutos para o encerramento, olha para mim, como que pedindo ajuda e diz:
- Se essas duas crianças quisessem sair, eu poderia ir embora…
Num misto de pena com sei-lá-o-quê, respondo:
- Pois é, mas querem aproveitar até o último minuto!
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Visitem Adir Vieira
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sexta-feira, 20 de julho de 2012

Post Inesquecível do Duelos - Indicado por Ana

Neste Dia do Amigo indico esta poesia de Dalberto Gomes que, durante algum tempo, nos brindou com suas obras aqui no Duelos. Este é um de seus bons poemas.



ENCONTRO (VELHAS AMIZADES)
DALBERTO GOMES

A grata satisfação
Encontrar amigos
Amigos queridos
Amigos perdidos
Perdidos no tempo, na memória.
Ver no encontro
A dúvida, o olhar, a luz.
Sentir-se entre abraços e sorrisos
Deixar a emoção emancipar-se do peito
Restos de saudade
Pingos de lembranças
Com os olhos rasos d’água
O prazer de ouvir comovido
Uma voz rememorando seu nome
E perguntar: como é que vai?

Amansá-lo com olhar
Sentir em sua aparência
Se a safada da vida
Na inexorabilidade do tempo
Passou-lhe uma rasteira
Mantendo seu jugo (pesado fardo) sobre seus ombros
No arrastar da idade
Repercutindo em espaçados fios de cabelos.

Amigo…
Não tenho palavras,
Ponha o braço sobre meu ombro
E vamos ali…
No bar da esquina
Tomar uma cerveja
E viver as reminiscências de nossas sinas.
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