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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Ate Mais - por Kbçapoeta

Queria percorrer o seu caminho,
Mas só você pode fazer.
Quisera acreditar nas mentiras,
Só eu sei que são verdades
Que esqueceram de acontecer.
A doce primeira vez.
A última oportunidade
De recordar momentos bons.
O vento nunca trouxe a resposta,
A lua riu do meu penar,
Cego, tenso e errante.
Tornei-me andarilho
Da covardia.
Rosto oculto entre nomes e renomes
Que eles lutam para perlavar
sob um valor que não existe.
Hoje ao acordar
Andei pelo vale das sombras,
E tudo pude,
Mas ele não me fortaleceu.
Ao contrário,
Fui enfraquecido
E fraco vi o quanto
Um desgraçado pode suportar.
Não queria estar na minha pele.
Queria você
Junto de meus iguais.
Foi profundo o momento,
Perene a lembrança
Como beijos de nunca mais.




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Nosocômio, Hospício ou Será um Circo? - por Alba Vieira

Chegando cedo para trabalhar, num tradicional hospital militar que, há alguns anos, mais parece um quartel, surpreendo-me a observar algo que é muito evidente para quem se dispuser a enxergar.
Passo pela portaria pequena, onde há pelo menos cinco militares de prontidão, dois deles apenas para tomar conta dos funcionários que chegam para trabalhar. A julgar pelas suas aparências, estão sempre de mau-humor e com um jeito ameaçador (também, o que poderíamos esperar de quem já acorda para fazer um trabalho tão relevante e criativo desses?). Mais adiante, vejo perfilada outra legião de militares, homens e mulheres que dispensam pelo menos trinta minutos preciosos dos seus dias para saudar de forma histérica o diretor quando chega, faça sol ou chuva. Todos eles igualmente tensos, com caras de poucos amigos e vejo que um deles, de patente mais alta, fica destacado, próximo ao ponto onde irá estacionar o carro que traz a ilustre figura do militar comandante. Este então, traz na fisionomia todo o peso e humilhação da tarefa diária a que deve se submeter por imposição da hierarquia.
Sigo estupefata, rindo por dentro de pensar que quanto menor a substância, maior a empáfia, quando percebo que existe ainda um outro militar ao lado de um cone, que permanece por horas a fio, de pé, apenas para impedir que carros que não pertençam à cúpula da direção atravessem. Este mostra sinais evidentes de cansaço e desalento, já a esta hora da manhã.
E enquanto os dirigentes dessa casa se importam somente com detalhes de limpeza e apresentação das fachadas e tratam como cachorros ou bandidos os seus funcionários, para encobrir as falhas de administração gritantes, calamitosas, que trazem um risco cada vez maior para os seus usuários que imaginam ter um bom plano de saúde, nada melhora para aqueles que são lúcidos, bons profissionais, têm responsabilidade e ética. E, por incrível que possa parecer, é sempre capaz de piorar com a evasão crescente de profissionais, sucateamento de equipamentos e deficiência de materiais de consumo básicos.
E cresce o número de óbitos a cada dia, enquanto nas reuniões a cúpula alardeia falsamente, que este hospital só tem qualidades e padrão classe A no atendimento.
Finalmente, encontro com uma figura sorridente, cheia de disposição, carregando mangueiras, pás, ancinhos e uma foice apoiada com o pescoço, que me cumprimenta efusivamente e segue com entusiasmo para trabalhar de verdade, já que os jardins desse lugar constituem a única beleza e espelham a ordem da natureza. Os demais funcionários continuam, tristemente, encenando as suas farsas cotidianas, uma vez que é difícil coadunar compaixão, espírito científico e ética com hierarquia.



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Carnaval Imaginário - por Leandro M. de Oliveira

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Sou uma vergonha. Minha inércia, meu excesso de teoria,
Minha preguiça em fazer a barba. Estou longe, muito longe.
Quantas rosas se abrem e não consigo sentir o perfume,
Nas noites mais longas Belchior me dava razão. Assim era.
Diga-me o que não posso. Hei de ser um cismador eter(no).
Se há acaso lugar seguro para ambições hipotéticas,
Não sei dizer com muita convicção, nisso tenho vacilado.

Já é outro dia, fiz a barba, dancei como um bêbado desesperado.
Superar a auto-abominação necessita um pouco mais daquilo...
Será ópio? Será coragem? Sei que posso rir enquanto escrevo.
Tão alheio ao nada, muito estranho ao tudo, fui ao largo campo
Em trote marcial, não reconheci meus inimigos. Donde foram?
A guerra tem seus próprios desígnios. É antes empresa íntima.
Nesse caso, estou em petição de miséria, por algum sacerdote
Ou um punhado de alcalóide. Nada sei das longas campanhas.

Desaprendi das mulheres, reaprendi da selvageria; é o mundo.
Se isso não fosse ato de terrorismo, teria te convidado a dançar.
Bá carneiro ovelha, se eu sentisse menos pena de mim mesmo
Poderíamos estar todos embriagados. Já é o terceiro dia...
Ele não ressuscitou. Confetes desbotados, apneia do sono.
Lama nas ruas, lama nos pés. Gatos e homens desvalidos.
Mas eu estava lá, sempre existirei nalgum lugar distante.
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Musa - por madruga

tenho-te no pensamento
como que cá morasses
não neste preciso momento
mas adorava que viesses

em todos momentos que pudesses
mesmo sabendo que não podes
posso acreditar um dia desses
deixarei escrito saudades

saudades da minha musa
essa de elevada inspiração
entrando em mim ela abusa
e se refugia em meu coração



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O Negro - por Ninguém Envolvente

Por três séculos o Brasil fez uso da mão de obra de escravos negros.
Três séculos de humilhação, castigo, indiferença e dor.

2008 e os negros ainda convivem com preconceito, ganham menos, não têm as mesmas chances que uma pessoa caucasiana tem e são muito mais marginalizados que qualquer outra pessoa não negra.
Com a modernização dos tempos nota-se a diminuição deste preconceito, que está longe de ser o ideal.
A lavagem cerebral feita na cabeça do negro foi tão absurda que logo quando alguns negros tiveram sua liberdade, eles passavam a se vestir igual aos seus ex-senhores e ter também seus próprios escravos. O negro não sabia o que fazer e como agir após ter sua liberdade, porque na época ele não tinha em quem se espelhar para recomeçar sua nova vida.
O complexo de “TRABALHO DE NEGRO” existe ainda hoje no Brasil, com um péssimo efeito sobre a produtividade do trabalho. Serviços mais humildes que requerem menos tempo de estudo ainda são vistos como algo embaraçoso para um branco fazer.
O que é uma vergonha, pois segundo a nossa Constituição: somos e temos direitos iguais.


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Despedida e Inscrição - por Tércio Sthal

Mensagem pré laje tumular:
Dos amigos de fulano de tal,
Saudades; descanse em paz.

Terra fria, lápide, epitáfio:
Só saudades de fulano de tal,
Dia, mês e ano; aqui jaz.



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Certeza - por Vicenzo Raphaello

Em frente ao espelho o olho esquerdo conversa com o direito
Não tenho certeza
Do que?
De nada
De nada?
Sim, de nada
Como?
Pois é de nada
E agora?
Agora?
Sim agora
Agora reza pra Deus
Deus?
Sim, sabe o que é?
Acho que sei, mas não tenho certeza, o que é?
Bem também não tenho certeza, pode ser... olha não sei explicar é complicado
Como complicado ? Todos falam Dele...
Veja, acho... hummm é mais ou menos assim, já pensou porque você está aqui?
Como é?
Pois é pensa um pouco, e depois pra onde você vai?
Hã?
Hã nada, tá confuso?

É pra estar, é melhor rezar pra Deus.
Mas resolve?
Sim quem acredita diz que resolve
Então é assim?
É mais ou menos, mas não pensa muito não, senão você não vai ter certeza, disso tenho certeza.
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