Bem-vindo ao Duelos!
Valeu a visita!
Deixe seu comentário!
Um grande abraço a todos!
(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




domingo, 30 de setembro de 2012

Hermógenes - Citado por Alba Vieira

Quando desce a nevada, os galhos mais lenhosos, mais fortes, chegam a quebrar sob a carga branca da neve que neles se acumula.
Os mais frágeis e flexíveis se defendem, vergando sabiamente, quando há o mínimo excesso de peso.
Depois que a neve os deixa, reerguem-se e, assim, nunca arrebentam.
.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Canecas... - por Adir Vieira

 
 
Canecas são canecas. É assim que dizem. Mas aquela, a minha caneca, não. Era especialíssima. Seu amarelo ouro reluzia ao toque das minhas mãos.
A estampa suave de flores miúdas lhe conferia a aparência de uma peça de porcelana chinesa, escolhida a dedo.
Tinha-a comigo por décadas e foi presente de uma amiga do ensino fundamental. Quando a tinha nas mãos, ocasionalmente lembrava-me do dia em que a recebi. Era dia de Natal e minha amiga fez suspense ao entregá-la a mim, pedindo que tivesse todo o cuidado ao abrir a caixa, pois corria o risco de quebrá-la. Essa recomendação me acompanhou vida afora e nas minhas mudanças de casa.
Tinha-a como algo precioso, quase como um talismã e eu mesma, após o café da manhã, fosse quem fosse o responsável por lavar a louça, fazia questão de cuidar dela e colocá-la no armário em posição que só eu a poderia pegar.
O café da manhã tomava ares de um café num jardim encantado e os sabores vindos dela eram sublimes, com o ar da infância. Até hoje, quando um ato desajeitado de minha parte a colocou no chão em pedaços.

Visitem Adir Vieira
 
 

Ainda Existe Crise no Brasil? - por Davi Rodrigues



Aranha Brasileiro - Correndo da Crise (que não existe!...)




Tudo fica meio absurdo às vezes, coisas que tentamos esconder, expomos. O que deveríamos expor, fica escondido. Fica vazio por ambos os lados, entre as frustrações. Não é o que se tem ouvido, ou feito. Às vezes parece ser apenas um reflexo sensorial. Uma “brisinha” que se sente em meados de outono. Que não derruba nem folha. Algo que parece mais um calafrio. Como lidar com o sensorial, em meio a tanto imediatismo e materialismo que se tem apresentado através dos tempos e que se tem aflorado nitidamente hoje em dia? Vemos um “mar” de pessoas sendo esmagadas com o constante reajustes de preços. Cada vez que vou ao mercado, “algo” aumentou um pouco... Não me sinto nada bem com meu sensorial. Fico me sentindo o Peter Parker sem o disfarce, disfarçando. Fica somente o “sentido-aranha”, por todos os lados do super mercado. Sinto que o perigo se aproxima. Minha identidade não pode ser exposta. Como derrotar esses aumentos? Dizem que os aumentos estão sob controle. Só vi isso, sobre o salário mínimo. Minha “teia” falha ao tentar pegar um produto com o preço bem acima do que posso pagar... O “sensor-aranha quase me deixa louco. A cabeça parece querer explodir... Nada demais, apenas o caixa que  se aproxima. A fila que parecia nunca diminuir, dessa vez foi rapidíssima. Deve ser meu instinto de super-herói brasileiro galgando um lugar na “Marvel”. Começa-se assim, escolhendo a fila mais rápida, depois... Quem sabe um salário que não acabe tão rápido...


Meus sinceros agradecimentos à Marvel, que concebeu um super herói que paga suas contas...




 

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Alberto Caeiro, o Amor e os Campos - Citado por Ana

 
Uma vez amei, julguei que me amariam.
Mas não fui amado.
Não fui amado pela única grande razão
Porque não tinha que ser.
Consolei-me voltando ao sol e à chuva,
E sentando-me outra vez à porta de casa.
Os campos, afinal, não são tão verdes para os que são amados
Como para os que o não são.
Sentir é estar distraído.
.Fernando Pessoa

domingo, 16 de setembro de 2012

Morte Anunciada - por Poty



Primavera chegando
E vemos arvores cortadas
Sendo derrubadas
Pelas mãos assassina

Chamadas de proteção

Nem deu tempo
De florir
Murchas foram ao chão

No florescer
Foi um só baque
Amanheceu desnuda
Cortadas em vão

Nuas de suas folhas e galhos
Não deu tempo das flores responder
Nem broto
Tampouco beija-flor para colher o néctar
Não apareceram pássaros cantarolando
Só tronco
Como se ali fosse seu caixão

Sem broto sem flores
É prenuncio da morte
E a primavera se vai
Sem o tom da paixão.
.
.
Poty - 14/09/2012
.
.

Cama - por Poty

Vamos pra cama, vamos...
Tudo na cama
Vem pra cama
Faz na cama
Cama...
Deixa na cama

Ama na cama
Goza na cama
Molha a cama
Sua na cama
Treme na cama
Cama é a cama...
Roda na cama
Rola na cama
Deita
Acorda
Cama me ama...
Toca
Faço na cama
Deixo a cama
Cama mais que cama...
Ficou bom
Vamos pra cama, vamos!
Ufa... Terminei na cama
poty – 05/09/2012
 

Formato Feminino - por Poty


De seu formato curvilíneo vai se delineando altos e baixos...
Dele vem minha atenção,
Seja em pé
Ou deitado

É um corpo em formação.
Nós a admirar a sua formação!

Vai dando forma em sua singela
E magna impressão...
Não se espera
E logo/logo definha...
Passa por transformação!

Imagina-se que será sempre o mesmo,
Mas ele é mutação!

Enquanto menina é sensação!
São fases!
E mais adiante nem se quer mais mostrar!
Mas se torna uma composição de corpo e alma
Que chama mais atenção!

Transforma-se!

Não deixe cair em desilusão!

Como veio,
Também vai!

É assim a beleza da forma que não forma,
Mas é total mutação...

Poty_ 2009

Hoje Sou Ausência - por Poty


Não adianta nem me contar
Nem quero saber
E daí o problema é teu

Deixa-me no meu canto quieto
Não quero ouvir

Hoje sou vazio

Hoje sou silêncio...
Silêncio que acalma minha podridão
Acalma minha insatisfação
Não quero falar...
Falar pra quê?!

Hoje é meu dia de fúria

Desconverso
Dizendo
Nem sei por que,
Mas cá no meu oculto desejo
Quero ser rude

Hoje quero ser selvagem

Quero a solidão
Quero sofrer nem que seja por um dia

Seja hoje o dia de cão

Poty_ 2009

Algoz - por Poty

Não me importo com o dia de amanhã
Quero hoje e nada mais...
Se for hoje que seja!

Serei o teu algoz
Deixa-me viver este momento...
É só meu!

Se quiseres ir
Que vá!

Deixe-me!
Por favor, vá embora!

Hoje serei indiferente
Com a tua arrogância

Você se acha pobre mortal...
Os vermes hão de fazer por mim
O que não fiz -
Vão te estraçalhar feito carniça -
E eu hei de sorrir com a tua desgraça

Não quero saber de teu choro –
Mereceste –
Chora até a última gota

Não vou sentir nenhuma dó
Que sinta tua dor

Hoje quero ser teu carrasco
Eu vou ser a guilhotina

.
.
Poty 2009
.
.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Labirinto - por Marília Abduani

Sempre que fito meu rosto em teus erros
e teu perfume em minha dor se exala.
E na audição de minha voz em teus berros,
Minha voz se mistura à tua fala.

Na absoluta solidão da ausência tua
eu sinto as pernas da alma retidas.
Tenho a impressão de que chegaste à lua
tal a distância dessas nossas vidas.

Uma de mim te acompanha atenta,
a outra te perde ante os limites rasos
e a terceira nos une e nos separa.

As três pessoas que em meu corpo habitam
vão me deixando em angústia infinita,
nos labirintos dessa nossa tara.


.

Santo de Casa Não Dá Risada - por Ana

Eu sempre fui uma pessoa muito prática. Embora sempre criativa, manifestava, na família, minha exagerada imaginação apenas em alguns comentários divertidos; nos escritos, esta minha característica se desenvolvia em cartas para duas amigas, incluindo desenhos engraçados e questões de múltipla escolha hilariantes. Talvez pelo fato de eu ter sido mais reservada com os irmãos neste aspecto, por força do contexto sempre sério que nos cercava, hoje em dia eu recebo, atônita, os olhares de estranheza deles depois de entrarem em contato com algumas das coisas que escrevo para o Duelos. É como se eles não me entendessem, não me compreendessem como aquela que sempre fui, e como se, de repente, eles olhassem para outra pessoa.
Então eu me pergunto, bestificada: será que durante todo este tempo eles não perceberam que sou múltipla, que tenho uma riqueza maior do que ser uma nerd respeitada?
Eu me orgulho de ser divertida, imaginativa, multicolorida por dentro, e gosto de dividir isto com as outras pessoas, provocar risadas, plantar sorrisos, mesmo sendo, por vezes, infantil e, por consequência idiota, mal interpretada. Não me importo. Porque sou da turma do Arthur da Távola (no aspecto da leitura patrocinada por nossa amiga Adir): amo a minha criança. Ela é parte importante de mim. Ela é alegria, leveza, riso solto, liberdade... Minha criança é feliz e semeia felicidade, porque adora brincar e adornar os dias com sua satisfação.
Mas, neste momento, por meio de minha mão, debruçada sobre este papel, ela rabisca sua estranheza e, séria, infere que olhos estranhos a conhecem e aceitam mais do que os que há tantos anos fazem parte de sua vida e não a querem ver. E, suspirando aliviada, deixa um recado: ainda bem que existe você.
.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

A Corrupção e a Justiça - por Tércio Sthal

Não é justo, não!
Dizia um homem do povo,
que a corrupção
venha à tona de novo,
e que além de cega e sem jeito
a justiça desapareça.
Onde as premissas do direito?
Onde o corpo e a cabeça?



Visitem Tércio Sthal
.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

O Saxofonista da Av. Angélica - por Ninguém Envolvente

Por volta de meio dia, um saxofonista mudou a atmosfera de uma das avenidas mais movimentadas de São Paulo.
Poucos paravam para apreciar aquele senhor vestido de Papai Noel com um olhar de esperança e sua música que clamava para ser ouvida, e eram raras as pessoas que simbolicamente depositavam seus trocados em uma caixinha tão singela e pequenina.
O tempo custou a passar naquele cruzamento e as árvores estavam balançando-se vagamente, pareciam estar apreciando cada nota musical que saía daquela valsa tão linda e envolvente.
Nem as buzinas conseguiram estragar aquele momento tão mágico que aquele homem nos propiciou com uma música tão docemente ensaiada e tocada com tamanho zelo. Até o mais bruto dos seres humanos que por ali passasse ficaria emocionado com a cena.
Com certeza o Noel saxofonista estava feliz com a alegria contagiante passada às pessoas vendo-o tocar e nada que depositassem em sua caixinha teria mais valor que o sorriso daquela senhora tão adoentada em sua cadeira de rodas ou daquela criança chorona que ficara calma.
Estamos tão sensíveis, precisando de algo maior do que esta realidade nos permite ter e tão saturados de nossa vida insatisfatória, que o mais simples dos atos nos atormenta a ponto de merecer ser escrito e compartilhado para desconhecidos que também precisam se sentir assim... Acolhidos.

.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Humor em Queda-livre - por Gio

.
. .
.
.
Segunda-feira passada, pela manhã, eu vi uma notícia que me chocou muito. Estou falando do desaparecimento do avião do voo 447 da Air France, que fazia o trajeto Rio-Paris. Não há como não saber de que se trata: virou “a notícia do momento”, aquele assunto que passa em todos os meios de comunicação, todos os dias e em todos os horários.

Deixando o sensacionalismo de lado, é realmente preocupante um incidente desses, e mais preocupante notar que, de algum tempo pra cá, os acidentes aéreos têm ocorrido com mais frequência. Aviões se chocando em pleno ar, aterrissagens frustradas em pistas sem a mínima condição de pouso, e agora um avião sumido em plena rota, cujos corpos dos passageiros só foram encontrados uma semana depois do desaparecimento. Onde está toda a segurança aérea que pensávamos ter antes?

O fato é que, mesmo com o número de acidentes aéreos aumentando, eles ainda são raríssimos, se comparados a acidentes navais, ferroviários ou de trânsito. Os aviões continuam sendo alguns dos meios mais seguros de transporte do mundo, se não estiverem no primeiro lugar. Agora, quando o acidente acontece, a história é outra: se for de moto, carro ou trem, há boas chances de escapar, muitas vezes ileso; se o acidente for aéreo, pode reservar um alojamento no Céu (ou no Inferno, nunca se sabe...) - quando o assunto é acidente de avião, a morte é praticamente inevitável.

Finalmente está se conseguindo dar um pouco de luz a esse mistério: acharam-se os corpos, viu-se uma fogueira em alto-mar onde podem estar destroços do avião, e as famílias estão sendo amparadas na medida do possível. Nunca é fácil.


Porém, ao mesmo tempo em que me chocou, imediatamente me veio um comentário na cabeça naquela segunda-feira: na sexta temporada de Lost, conheceremos os passageiros do voo 447 da Air France.

Piada de mau gosto? Insensível? Não, foi apenas inevitável. E garanto que 90% das pessoas que possam me criticar pelo comentário estão rindo dele. E certamente eu não fui o único: esse foi o tipo de acidente que proporcionou abertura para diversos comentários de humor negro. Quando acharam os falsos restos do avião, que descobriu-se ser de um navio, já sobrou pro Roberto Justus ser chamado de o “Charles Widmore da vez”.

O ser humano tem diversas maneiras para lidar com a dor, e uma delas é o humor. Sim, não é comum ver pessoas que, em vez de chorar ou discutir sobre o assunto, preferem fazer piadas. E nessas horas o humor negro tem sua maior fonte de criatividade:

Por que o parente pão-duro morreu afogado? Ele não abriu a mão nem pra nadar. Onde foi parar o padre voador (e seus balões)? Ele literalmente subiu aos Céus. Por que o PC da Isabella Nardoni é um Mac? Porque ela tem medo de Windows. Onde foi parar o avião da Air France? Descubra na próxima temporada de Lost.

Sentimentos fortes estimulam mais a criatividade. Eu, por exemplo, escrevo muito mais em períodos difíceis do que em tempos mais amenos. É uma forma de extravasar, de mostrar o que se está sentindo. E com episódios trágicos é a mesma coisa: para muitos, é mais fácil fazer uma piada do que lidar com isso.

Só o fato de a pessoa fazer uma piada mostra que, para ela, o fato não é comum, e mereceu alguma atenção. Não fazemos piadas sobre dias comuns, a menos que cruzemos com um português, um papagaio ou um gênio que sai de uma lâmpada que acabamos de tropeçar. É uma maneira disfarçada de protesto, que agride mais alguns por tentar ser menos agressiva para outros.

Por isso, da próxima vez que vir alguém fazendo uma piada de humor negro sobre algo, não pense que é algo triste: é sinal que ele se importa.
.
.
.Postado, originalmente, em 07/06/2009.
.
.
.
Visitem Gio
.

Setembro - por Adir Vieira


Começa o mês de setembro e vejo que, para mim, a conotação de um mês onde eu jogava todas as cartadas simplesmente acabou.
Lembro de que, quando criança, esperava o mês de setembro, suas cores vibrantes, as flores e via e sentia o mundo melhor. Atribuía isso ao mês de aniversário da minha mãe que, embora com ou sem grandes festejos, talvez lá no meu inconsciente fizesse reverência à grande rainha.
Fui seguindo pela vida e, já no emprego, ele também tinha uma conotação feliz. Afinal, era o mês dos aumentos polpudos de salários, visto que a avaliação funcional se dava nessa época, para mim. Fazia então grandes planos financeiros e isso tornava o início da primavera mais belo, porque trazia consigo a realização de alguns pequenos sonhos de consumo.
Por tremenda coincidência, meu amor maior surgiu na minha vida próximo a esse grato mês e tornou a vida ainda mais maravilhosa. Lembro sempre de sua frase costumeira – quando setembro vier, completaremos tantos anos de união.
E foi assim por toda a vida: o mês de setembro trazendo com ele belas e boas surpresas.
Mas, há três anos, a vida mudou de rumo e o mês de setembro também.
Nessa época, próximo ao seu aniversário de oitenta e dois anos, perdi minha mãe. Uma semana depois sofri a expectativa febril da recuperação do marido que, angustiado com a morte da velhinha, sofreu um infarto grave. Por Deus, teve uma ótima recuperação e está perfeitamente bem, mas as marcas sobre o mês de setembro ficaram.
Hoje, com certeza, por mais que eu me esforce, ele, o mês de setembro, perdeu o brilho original, aquele que me seguiu por toda a vida.
É assim mesmo, coisas que não se explicam, mesmo deixando lucros.




Visitem Adir Vieira

.

domingo, 9 de setembro de 2012

Milton Nascimento em “Bola de Meia Bola de Gude” - por Alba Vieira

Há um menino, há um moleque
Morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto balança
Ele vem pra me dar a mão

Há um passado no meu presente
Um sol bem quente lá no meu quintal
Toda vez que a bruxa me assombra
O menino me dá a mão

E me fala de coisas bonitas
Que eu acredito, que não deixarão de existir
Amizade, palavra, respeito
Caráter, bondade alegria e amor

Pois não posso, não devo, não quero
Viver como toda essa gente insiste em viver
E não posso aceitar sossegado
Qualquer sacanagem ser coisa normal

Bola de meia, bola de gude
O solidário não quer solidão
Toda vez que a tristeza me alcança
O menino me dá a mão

Há um menino, há um moleque
Morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto fraqueja
Ele vem pra me dar a mão
.
.

.
.
.

sábado, 8 de setembro de 2012

José Régio em “Fado Português” - Citado por Penélope Charmosa

O Fado nasceu um dia,
quando o vento mal bulia
e o céu o mar prolongava,
na amurada dum veleiro,
no peito dum marinheiro
que, estando triste, cantava,
que, estando triste, cantava.

Ai, que lindeza tamanha,
meu chão, meu monte, meu vale,
de folhas, flores, frutas de oiro,
vê se vês terras de Espanha,
areias de Portugal,
olhar ceguinho de choro.

Na boca dum marinheiro
do frágil barco veleiro,
morrendo a canção magoada,
diz o pungir dos desejos
do lábio a queimar de beijos
que beija o ar, e mais nada,
que beija o ar, e mais nada.

Mãe, adeus. Adeus, Maria.
Guarda bem no teu sentido
que aqui te faço uma jura:
que ou te levo à sacristia,
ou foi Deus que foi servido
dar-me no mar sepultura.

Ora eis que embora outro dia,
quando o vento nem bulia
e o céu o mar prolongava,
à proa de outro veleiro
velava outro marinheiro
que, estando triste, cantava,
que, estando triste, cantava.
.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Alberto Caeiro e o Engano - Citado por Ana


À noite quando me separo das coisas,
E me aproximo das estrelas ou constelações distantes 
Erro: porque o distante não é o próximo,
E aproximá-lo é enganar-me.

.Fernando Pessoa

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Hermógenes - Citado por Alba Vieira


Guarda teu violino. Não insistas. Ninguém te quer escutar Não agridas com a maviosidade de teu instrumento, com a beleza de tua melodia, a batucada dos que desejam apenas divertir-se, atordoar-se. Espera. Depois, toca.
.

domingo, 2 de setembro de 2012

Hermógenes - Citado por Alba Vieira

O mundo que nos rodeia só é realidade na medida em que nos identificamos com ele, pois é ele que nos impinge dor ou prazer, alegria ou pesar, doçura ou amargor, segurança ou medo, euforia ou tédio.
Desde que vamos podendo desmascarar as ilusões, vamos chegando à equanimidade do espectador amadurecido, que vê a fita, mas não se deixa por ela emocionar.
.

sábado, 1 de setembro de 2012

Alberto Caeiro e a Metafísica - Citado por Ana


Metafísica? Que metafísica têm aquelas árvores?
A de serem verdes e copadas e de terem ramos
E a de dar fruto na sua hora, o que não nos faz pensar,
A nós, que não sabemos dar por elas.
Mas que melhor metafísica que a delas,
Que é a de não saber para que vivem
Nem saber que o não sabem?

.Fernando Pessoa