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segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Epitáfio - por Clarice A.

Estou indo mais uma vez
Não sei quantas terei que voltar
Só não posso esquecer a lição
Nas próximas, mais cuidar, louvar e amar
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domingo, 12 de agosto de 2012

Esquisitice - por Clarice A.

Ninguém sabia quando tinha começado aquela mania. Alguns achavam que foi quando casou com a Dona Valdice. Assim que perceberam, Seu Antenor (pela frente) virou Seu Ice (pelas costas).
O nome das filhas: Janice e Eunice. Era um homem de frases curtas talvez para facilitar a tarefa de terminar as palavras com ice. Devia ser seu mantra.
Apaixonara-se pela morenice e brejeirice de Valdice e agora mais velho não se importava com suas crendices e ranhetices.
Curtiu a meninice, peraltice, tagarelice, faceirice e meiguice das filhas.
Não o incomodavam a burrice, lerdice, cafonice ou gabolice dos outros mas detestava bisbilhotice, imundície, calhordice, gatunice, cretinice e invencionice.
Um dia, ao atender a campainha, um rapaz procurava pela Jan. Seu Ice disse-lhe que ali não morava ninguém com esse nome e o rapaz explicou-lhe que Jan havia dado aquele endereço. O rapaz já ia embora quando Janice chegou à porta e acenou para ele. Tentou explicar ao namorado que o pai não gostava que abreviassem seus nomes mas ele não gostou nada, e se ela não tivesse aparecido? Ele perderia a viagem e o encontro. Ficou a má impressão. O tempo passou, o namoro engrenou, casaram-se e o genro, segundo suas palavras, não tinha saco para as maluquices do sogro, os outros não ligavam, mas ele não ia bater palmas para maluco dançar.
Eunice casou logo depois e para felicidade do pai as duas engravidaram. Nasceram duas meninas e o avô deu suas sugestões de nome. As filhas gostavam de agradá-lo, era uma forma de retribuir todo amor dele à família. Eunice e o marido aceitaram de imediato a sugestão, gostaram do nome e a primeira neta recebeu o nome de Alice. Quando a menina de Janice nasceu, o genro achou de dar o troco ao sogro. Aceitava qualquer nome desde que não fosse o sugerido por ele. Dona Valdice, Eunice e Janice tentaram contornar, o avô estava tão feliz, já havia escolhido o nome de uma neta, vivia para a família, dedicação total, coisa raríssima, mas o genro estava irredutível. Janice não queria contrariar o marido mas não aceitava que ele nem sugerisse um nome. Pesou prós e contras e escolheu ficar do lado do pai, sabe que pode contar com ele, seu porto seguro é o pai. Usou com o marido argumento de peso. Não foi o pai quem deu o imóvel confortável onde moravam, a festa de casamento e ainda fazia o possível para facilitar as coisas para eles? Ele não aceitou? O marido rendeu-se ao argumento, pensando bem, tinham cobertura total dos pais dela e era melhor ceder. A condição era que gostassem do nome. A menina recebeu o nome de Berenice mas o pai só a chamava de Berê. Seu Ice achava idiotice do genro, um nome lindo como Berenice, chamar a criança de Berê, mas as coisas voltaram ao seu ritmo normal.
Seu Ice felicíssimo com Dona Valdice, Janice, Eunice, Alice e Berenice. Cuida-se bem, e faz questão que a mulher também se cuide. Evita aborrecimentos e raiva, inimigos da boa saúde. Vai regularmente ao médico, come com moderação, caminha diariamente uma hora e não tem vícios. Quando chegar a sua hora, certamente Deus olhará por ele e realizará seu último desejo: morrer de velhice.
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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

O Que o Duelos Significa para Mim - por Clarice A.

Um convite da amiga:
passa por lá. Escreva. Participe.
A dúvida:
escrever sobre o quê? O lugar já muito bem freqüentado, intimidava.
O reforço:
comece. As ideias virão. A proposta é democrática.
A leitura diária.
A primeira participação. A gozação da irmã: começar com um epitáfio?
O gosto pela coisa. E não é que é muito bom?
A admiração pelos demais participantes, como se escreve bem por lá!
Poesias, reflexões, embates e textos bem humorados, o cotidiano, opiniões, biografias, memórias, amores, perdas, saudades, composições coletivas, adoráveis bichinhos, música, literatura, pinturas, serigrafias e mais e mais.
E o que o Duelos significa para mim:
um canto. Um recanto. Um encanto. Virtual. Enriquecedor.
DUELOS LITERÁRIOS.
Parabéns ao seu criador Shintoni e a todos os colaboradores.
Agradecimento especial à Alba e Ana pelo convite e pelas palavras amigas e encorajadoras. E parabéns ao aniversariante.
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PARABÉNS PRA VOCÊ
NESTA DATA QUERIDA
MUITAS FELICIDADES
MUITOS ANOS DE VIDA
É PIQUE, É PIQUE, É PIQUE
É HORA, É HORA, É HORA
DUELOS! DUELOS! DUELOS!
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domingo, 19 de setembro de 2010

João de Aquino e Paulo Cesar Pinheiro em “Viagem” - por Clarice A.

 
Oh, tristeza, me desculpe
Estou de malas prontas
Hoje a poesia veio ao meu encontro
Já raiou o dia, vamos viajar

Vamos indo de carona
Na garupa leve do vento macio
Que vem caminhando
Desde muito longe, lá do fim do mar

Vamos visitar a estrela da manhã raiada
Que pensei perdida pela madrugada
Mas que vai escondida
Querendo brincar

Senta nesta nuvem clara
Minha poesia, anda, se prepara
Traz uma cantiga
Vamos espalhando música no ar

Olha quantas aves brancas
Minha poesia, dançam nossa valsa
Pelo céu que um dia
Fez todo bordado de raios de sol

Oh, poesia, me ajude
Vou colher avencas, lírios, rosas dálias
Pelos campos verdes
Que você batiza de jardins-do-céu

Mas pode ficar tranquila, minha poesia
Pois nós voltaremos numa estrela-guia
Num clarão de lua
Quando serenar

Ou, talvez, até, quem sabe
Nós só voltaremos no cavalo baio
O alazão da noite, cujo o nome é raio
Raio de luar
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quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

A Árvore de Natal - por Clarice A.

.....O mês de dezembro talvez seja o que traga mais recordações para eles. E lá estão os quatro de cinco irmãos (um deles já tinha compromisso com a família da mulher) reunidos na casa da irmã. São três irmãs e o mais novo dos homens e há muitos anos reúnem-se no Natal. Colocam a conversa em dia e invariavelmente comentam sobre o passado. Quando crianças, a parcimônia do Papai Noel. Aliás, naquela pequena rua de subúrbio onde moravam, salvo raríssimas exceções, Papai Noel era parcimonioso com todas as crianças, o que não estragava a noite nem a diversão. Eram muitas crianças e as brincadeiras garantidas.
.....A anfitriã mostra a árvore nova, de fibra ótica com led’s, enfeites novos, e o irmão, que sempre as surpreende, pergunta às três: lembram da nossa árvore de goiabeira? Excelente memória, chamado por elas de miolinho de ouro, ele parece ter suas lembranças numa prateleira ao alcance das mãos tal é a rapidez com que as traz de volta. A mais velha e a caçula lembram-se logo, a do meio vai buscar no fundo do baú, escondido em algum canto da memória. E encontra. A lembrança vem nítida e forte. Já eram crescidos, e queriam uma árvore de Natal, mas cadê a verba? Inexistente. O pai fazia questão de caprichar na mesa, gostava de fartura, não dava muita bola para essas coisas. Decidiram improvisar. Foram para o quintal, escolheram um galho bem ramificado da goiabeira, cortaram, pintaram de prateado, colaram algodão, penduraram bolinhas vermelhas, plantaram-no num vaso e lá estava a árvore de Natal pronta enfeitando a sala. Talvez para os que olhassem com olhos de mesmice, aquela árvore naquela casa simples fosse tosca, mas eles estavam satisfeitos com a sua arte e na verdade ela ficou bem jeitosa. Diferente. Para completar a noite de Natal, a ceia no capricho preparada pela incansável mãe. Assados, bolo, ameixas, nozes, avelãs, castanhas e as rabanadas: as fatias de pão molhadas no leite, passadas nos ovos batidos, fritas, secas em papel e envolvidas na mistura de açúcar e canela, inesquecíveis. Alguns vizinhos apareciam para dar um abraço nos seus pais, pessoas queridas. Gratas recordações de um tempo feliz vivido por eles, um tempo em que o apelo ao consumo, as grifes e as inovações tecnológicas não eram presentes como hoje. Mas a vida segue seu curso e daqui a alguns anos a árvore de hoje, assim como a de goiabeira, será mais uma lembrança. Outra modernidade a substituirá. Insubstituível é o amor fraterno que os une e reúne e os faz recordar a vida, neste Natal e em quantos o sucederem.
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quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

domingo, 13 de dezembro de 2009

Toco de Vela - por Clarice A.

Saíam de casa ainda não havia clareado totalmente o dia. Andavam cerca de trinta minutos até a estrada onde pegavam o ônibus, rodavam mais uma hora, mais uns quinze minutos de kombi e chegavam na obra em torno das sete horas.
Vieram juntos do Ceará atrás de melhores condições de vida. A miséria extrema de onde nasceram e cresceram fez com que decidissem sair de lá. Quando arrumaram trabalho e moradia providenciaram a vinda das famílias.
Na obra em que trabalhavam eram conhecidos como Cabeção e Toco de Vela. Lá todos tinham apelido. Jamanta, Maguila, Tatu, Xuxa (por causa do cabelo oxigenado), Gambiarra, Mineiro etc. Cabeção não se importava, acostumou-se logo com a irreverência dos colegas de trabalho, mas Toco de Vela não aceitava de jeito nenhum. O amigo o aconselhava a deixar para lá, todos tinham apelido. Ele discordava. O Mineiro nasceu em Minas é mineiro, tá tudo certo, mas eles nasceram no Ceará então porque são paraíbas? Mais a mais, não eram os únicos cabeçudos e baixinhos da obra. Na verdade, baixinho como ele (1,50m de altura) não tinha mais ninguém, mas o amigo concordava para não aborrecê-lo.
Ele era “pavio curto” e brigão e como os outros não quissessem briga, mas apenas zoação, quando dispersos na obra, afinavam ou engrossavam a voz para que ele não pudesse reconhecer e gritavam: Toco de Veeeeeela, Toco de Veeeeela. Ele furioso, mas sem saber quem era, tinha que aturar. Um dia, um novato desavisado o chamou pelo apelido e saiu uma briga daquelas. Homens com força física e resistência, foi um custo para apartar. Alguém comentou que ele parecia um pitbull, baixinho e muito forte. Passaram a gritar: Pitbull Toco de Veeeeela, Pitbull Toco de Veeeeeeela. De longe, é claro.
Naquela segunda-feira, durante o trajeto para o trabalho, o baixinho desabafou com o amigo: a patroa estava braba que só, queria um dinheiro que ele não tinha. Trabalhava de segunda à sexta na obra, fazia bico nos finais de semana, ainda fazia a casa em que moravam. Ele e o amigo haviam comprado o terreno e faziam suas casas na medida do possível. Não passavam fome e tinham um teto para morar, ela esquecera rápido da vida que levavam antes. O amigo ouvia calado, deixava-o falar, era melhor que desabafasse.
Trabalharam em silêncio a manhã toda. Na hora do almoço, esquentaram a comida e sentaram-se para comer. Quando o baixinho abriu a marmita levou um susto. A mulher fritara um pé de galinha até esturricar e colocou o feijão, o macarrão, o arroz branquinho e aquele pé de galinha crispado, horrível em cima do arroz. O amigo achou que a comadre tinha exagerado na vingança por não ter a vontade satisfeita, mas nada disse. O baixinho comeu porque aprendeu com a fome que não se rejeita comida, mas aquilo estragou seu dia.
Voltaram ao trabalho, carpinteiros de primeira, o baixinho excepcional, seus telhados eram perfeitos e ele, homem de pouca altura, a desafiava nos telhados, um equilíbrio, uma técnica e uma coragem fora do comum. Precisava também de muita atenção e concentração, mas sua cabeça estava longe. Quando chegasse em casa, ao invés de tomar banho e comer, teria que falar sério com a mulher. Era enfezado na rua, mas em casa não gostava de confusão, casa era para se ter paz. O amigo queria trabalhar na parte mais segura, não falou, mas achou que ele não estava bem. Ele insistiu e foi para a ponta do telhado. E aconteceu. Desconcentrado, um passo em falso, a falta de apoio para o pé, o corpo sem controle inclinando-se para trás, o braço estendido e a expressão incrédula do seu amigo-irmão, o azul do céu em suas retinas e o nada. O baque do corpo no chão fez tremer o amigo. A notícia correu na obra, vieram todos, expressões consternadas, um deles se fora. Cabeção chora e vinda do grupo ouve-se a voz do Mineiro em triste constatação: Toco de Vela se apagou.
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Inspirado na serigrafia Construção, de Anita Bastos.
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terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Pertinho do Céu - por Clarice A.

.....Sentada num grande galho da jaqueira a menina acenava para a mãe que a procurava da janela da cozinha. A mãe já não se preocupava mais com a mania da menina de subir nas árvores, acostumara-se com isso. Quem a ensinou foi o irmão mais velho e ela o acompanhava ágil, segura, ele ensinando-lhe onde pisar, a procurar os galhos mais fortes, os entroncamentos onde podia sentar-se e descansar da subida, a ter cuidados com as lagartas, distinguir entre elas as perigosas que queimavam, como pegar as frutas mais distantes sem cair. Era atrás das frutas que ele subia; ela, porque gostava de subir nas árvores, e quando chegava o mais alto que conseguia esticava o braço com a mão espalmada para o alto como se quisesse tocar em algo e gritava: mãe, estou pertinho do céu. A mãe mandava que ela descesse e viesse para a jaqueira que ficava bem perto dos fundos e podia avistá-la enquanto fazia o serviço da casa. Além disto, o galho em que a menina sentava-se era forte e não muito alto. Ela dizia para a mãe que as coisas diminuíam de tamanho quanto mais alto subisse e descrevia os ninhos que via, mas não tocava.
.....A menina gostava de brincar com os irmãos, colegas, os numerosos primos mas a correria e o barulho a cansavam rapidamente e preferia ficar sozinha observando os pássaros, as fileiras de formigas e os demais insetos que habitavam o seu quintal. Não tinha medo, não os pegava, apenas observava. Ajudava a mãe a cuidar do jardim, regava as plantas, sabia a época das flores e das frutas. Criança observadora e de natureza contemplativa.
.....Um domingo à tarde a tia apareceu com os primos para irem juntos ao parque de diversões. Tarde promissora de céu azul e temperatura agradável.
.....No parque as coisas num ritmo frenético. Primeiro os carrinhos, desviando, batendo uns nos outros, os risos, os gritos de susto e alegria. Dali vieram as voltas num carrossel e depois a montanha-russa com a lenta subida e a descida vertiginosa. Quando chegaram lá embaixo a menina apertando a mão da mãe pediu com voz chorosa que voltassem para casa. Tonta, enjoada, as pernas bambas, o coração acelerado, não entendia como aquele lugar podia se chamar parque de diversões. Queria estar em casa, na sua jaqueira.
.....As duas separaram-se do grupo, sentaram-se até que a menina se recuperasse e foram dar uma volta pelo parque enquanto os outros brincavam. Ao avistar a roda-gigante a menina observou o lento movimento para cima, seus olhos voltaram a brilhar e ela pediu à mãe para dar uma volta. Enquanto a roda subia lentamente, o sorriso e a alegria voltaram ao rosto da menina e, quando a cadeira em que estavam atingiu o ponto mais alto, ela esticou o braço com a mão espalmada e disse a frase que a mãe já esperava: mãe, a gente tá pertinho do céu. Enfim, naquela tarde, naquele mesmo parque, a menina encontrou o significado do lugar se chamar parque de diversões.


Inspirado na serigrafia Roda-gigante, de Anita Bastos.
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segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Tátil - por Clarice A.

Considera aquele livro o seu primeiro livro. Seu. Para ela os livros didáticos não contam. Aquele foi o seu primeiro livro.Presenteado por sua madrinha para a primeira comunhão, o pequeno livro de capa de madrepérola e letras douradas fascinou a menina que cursava o primário. Tê-lo nas mãos, folheá-lo, sua beleza e delicadeza, um prazer inesquecível.
Muitos outros livros vieram depois, emprestados por amigos ou pelas bibliotecas, presenteados por amigos ou comprados por ela. Através deles viveu muitas histórias, viajou no tempo e no espaço, conheceu personagens, participou de tramas, conquistas pessoais ou de territórios, emocionou-se, instruiu-se, riu, conheceu a fantasia, exercitou sua imaginação, viveu um mundo paralelo ao seu, fecundo, mágico, enriquecedor. Tornaram-se parte dela.
Ontem menina fascinada pela forma, ainda muito pequena para dar o real valor aos conteúdos. Hoje mulher mantém aquele prazer tátil despertado na infância pelo seu livro de catecismo. Pegar o livro, folheá-lo, ler páginas aleatoriamente. Acrescentou conteúdo, continua a ser conquistada sensorialmente, e é muito bom quando convidada à reflexão.
Livros: capa contracapa, prefácios orelhas, ideias, vivências, observações, pensamentos, memórias, imagens, histórias, lugares, mensagens, orações, receitas, humor, guias, fantasia, preciosa e fiel companhia, fonte inesgotável de conhecimento e prazer.
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segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Livros - por Clarice A.

Letras, números e imagens
Impressas numa folha de papel
Viagem sem volta ao interior
Riqueza do nosso ser
O que ninguém pode nos tirar
Saber sempre tem lugar.
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sábado, 31 de outubro de 2009

O Sobrevivente - por Clarice A.

Ano de 1945. O nazismo derrotado pelos aliados. Milhões de mortos. Cidades destruídas, fome, dor, a insanidade da guerra. Impossível descrever com palavras todo sofrimento, horror e crueldade que o homem impôs ao seu semelhante.
O Presidente dos Estados Unidos ordenou que o Japão fosse bombardeado com uma bomba que até então não havia sido utilizada em alvos civis ou militares, apenas em testes. Era a bomba atômica.
Dia 6 de agosto de 1945, Tsutomo Yamaguchi, um engenheiro de 29 anos, estava em Hiroshima numa viagem de negócios.
De uma base no Pacífico decolou em missão, um bombardeiro B-29 pilotado pelo coronel Paul Tibbets.
O coronel batizou o B-29 com o nome de Enola Gay em homenagem à sua mãe. Dois aviões o acompanhavam: The Great Artist e Necessary Evil como foram batizados por seus tripulantes. O primeiro transportava a bomba atômica, o segundo foi para gravar e vigiar a missão e o terceiro para fotografar e filmar a explosão. Às 8:45, Enola Gay abriu seu sinistro ventre metálico e deixou cair sobre Hiroshima Little Boy (apelido dado à bomba). Em segundos, milhares de pessoas morreram calcinadas, a área atingida pela bomba reduzida a pó. Destruição total num raio de 2,5km, construções, vegetação, tudo. O inferno na Terra. O calor da explosão com alcance bem maior, um calor intenso, provocou queimaduras horríveis nos que sobreviveram à explosão. Chuvas ácidas provocadas pela radioatividade, contaminação do solo e das águas, mulheres férteis gerando filhos afetados pela radiação por muitos anos. Efeito devastador, destruidor por muitos anos.
Tsutomo Yamaguchi contou que viu um brilho muito forte e a explosão subindo pelos ares, ficou cego por instantes e surdo de um dos ouvidos. Ferido e com queimaduras na parte superior do corpo medicou-se em Hiroshima, no que restou da cidade, e voltou para Nagasaki onde ouviam incrédulos os seus relatos.
Mas o horror ainda não havia acabado.
No dia 9 de agosto de 1945,o B-29 , batizado de Bockscar e pilotado pelo major Charles Sweeny, acompanhado por Great Artist dirige-se a outra cidade japonesa com a missão de levar mais morte e destruição, carrega a segunda bomba, mais potente. O alvo inicial era Kokura que estava coberta por nuvens. O major a sobrevoou algumas vezes mas como não melhoraram as condições de visibilidade rumou para o alvo secundário: Nagasaki. A cidade para onde retornara Yamaguchi. Às 11:02 o artilheiro do Bockstar fez contato visual com o alvo e Fat Man (apelido da segunda bomba) caiu sobre Nagasaki.
O holocausto japonês. Centenas de milhares de mortos, imolados nas duas explosões atômicas.
E Tsutomo Yamaguchi? Ele curou-se dos ferimentos, é um “hibakusha”, como são chamados os que sobrevivem à radiação. Foi reconhecido pelo governo de seu país como sobrevivente das duas bombas, estava dentro de um raio de 3 km dos locais onde elas caíram.
Tsutomo Yamaguchi, 93 anos em 2009. Sorte inacreditável? Foi uma obra de Deus, nas palavras do Sr. Yamaguchi. Para ele a causa de continuar vivo é para transmitir uma mensagem de paz. Bomba atômica nunca mais.
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Tsutomo Yamaguchi, o homem que sobreviveu a duas explosões atômicas.
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sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Singular e Plural - por Clarice A.

O que me faz feliz
O que desperta minha atenção
O que me faz rir ou chorar
O que o meu olhar segue
O sabor que a minha boca prefere
Os sons que mais gosto de ouvir
O cheiro que me inebria ou traz recordações
O toque que me arrepia a pele e aquece o meu corpo
O que desperta o meu desejo
O caminho do meu prazer
O meu jeito de amar
A quem entrego o meu coração
A alegria do meu viver
A maneira que faço algo
Ou de algo me desfaço
O que me deixa triste
O que me magoa
O que me dói na alma
O que me tira do sério
O que me aborrece
O que me causa inveja
E tudo mais que me diz respeito
Fazem de mim o que sou
E diferenças ou afinidades
Têm que ser respeitadas
Porque preciso ser único, singular
Para poder ser plural.
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segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Oferenda - por Clarice A.

Vivia perto do mar e ia com frequência, geralmente à tarde, não para banhar-se mas para sentar-se na areia e perder o olhar na linha do horizonte ouvindo as ondas que quebravam suavemente nos seus pés. Ficava afastada das outras pessoas porque tinha adquirido um hábito de conversar com o mar em voz alta, fizera dele seu confidente e contava-lhe as coisas de sua vida, coisas boas e principalmente coisas mais íntimas que não gostaria de contar a outras pessoas. Eram as melhores horas do seu dia e saía dali renovada.
Num desses dias de contemplação e confidências notou bem próxima a ela uma garrafa com algo dentro. Recolheu-a e viu que era um papel dentro da garrafa. Seria uma mensagem? Um pedido de socorro? Levou-a para casa, quebrou a garrafa e abriu o papel que estava um pouco amassado mas bem legível, a caligrafia parecia de homem embora seja difícil precisar isto. Era uma carta. Começou a ler:
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AO MEU AMOR
........Amo-te a cada dia mais e sinto imensamente a tua falta. O teu corpo já é parte do meu. A tua voz, o teu sorriso e o teu olhar me acompanharão por todo o tempo que eu viver. A tua lembrança faz as horas passarem mais rápido porque sei que em breve estaremos juntos vivendo o que de melhor temos em nossas vidas: o nosso amor. Pensar em ti é o meu alimento e o meu descanso, amar-te e ser amado por ti é a razão da minha vida. Sinto falta do teu aconchego, tuas mãos acariciando os meus cabelos enquanto contas como foi teu dia e ouves atenta como foi o meu.
........Breve nos reencontraremos. Beijo tuas mãos, teus olhos e tua boca com todo o amor que sou capaz de amar.
..........DO TEU AMOR
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Uma carta de amor! Mas uma carta sem nome de destinatário ou remetente? Era um amor real ou pretendido, apenas sonhado? Escrita talvez para espantar a solidão? E existirá um amor assim para toda a vida? Perguntas para as quais jamais terá respostas. Ela apaixonou-se várias vezes, casou, separou, e por uma vez achou que seria para sempre, mas acabou. Um amor assim é matéria para romances literários.
Quem sabe ele seria um homem do mar? As viagens e a distância, o combustível inesgotável deste amor. O cotidiano costuma minar o amor. Por outro lado, a distância também não afasta, propiciando novos encontros? O que faz um amor resistir a tudo? Mais perguntas, imprecisas respostas.
A carta a tirou do estado letárgico em que se encontrava. Estava entrando em terreno perigoso, da desilusão, desinteresse e melancolia com uma frequência já preocupante.
Precisa contar ao mar sobre a carta, espera ansiosa pelo entardecer e quando a tarde enfim chega dirige-se para a praia. Como se aguardasse uma boa notícia e tivesse se preparado para ela, o mar tem o tom de verde que ela mais gosta. Aproxima-se até que a água toque seus pés, conta-lhe da carta, começa a ler e, naquele instante, com a luminosidade natural que ainda resta, ouve sua própria voz falando docemente palavras de amor. As palavras parecem tomar seu corpo e sua mente e ela entende que vive um momento especial. Está em outra frequência, sintonizada no amor. Entrega-se àquele momento, não procura explicações metafísicas ou transcendentais, também não se limita às suas crenças. Apropria-se da carta, aquela carta de amor é para ela. Agradece a Netuno, rei dos mares, e à Iemanjá, rainha das águas, a oferenda que recebeu deles. Sim, fez a via inversa, recebeu uma oferenda. A oferenda pressupõe uma oferta por uma boa causa. Recebe dos deuses a mensagem de que para amar é preciso estar em sintonia com o amor, e o amor, isto ela sabe, é múltiplo, de vários tipos e várias intensidades. E embora tudo indique o contrário, confia que o amor será a nossa estrela guia, de preferência já, neste novo milênio.
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domingo, 16 de agosto de 2009

Monge x Samurai - por Clarice A.

Local e hora marcados
Duelandos convidados
Duelo século XXI
Palavras, dardos afiados
De um lado experiente Samurai
Do outro, jovem Monge
Com um pé na tecnologia
O outro nas letras na poesia
Esse embate promete ir longe
A torcida feminina compareceu
Sainhas e pompons na mão
Na masculina só o Luiz
Mas não fechou com o Monge não
A Fatinha e seu humor na veia
Tentou desequilibrar o rapaz
Chamou-o de perereco
E ele magoou
Mas logo se refez
Monge zen meditou
OOOOOOOMMMMMMMM
E o equilíbrio voltou
A Samurai à vontade
Torcida participando a mil
O Monge levando pancada
Espremido num funil

Agora faço uma pausa
Para poder explicar
Que sofri uma cisão
Meu coração dividido
Torcida é emoção
Eu virando casaca direto
Fiquei em cima do muro
Que a Samurai me perdoe
Por não ter fechado com ela
É que esse menino dos pampas
Me conquistou assim que chegou
E vou dizer para vocês
A mim não decepcionou
A tarefa era inglória
Porque a Samurai bate bem
Mas ele não arrega
Segura bem o tranco
E desce a lenha também

A Samurai trouxe com ela
Além do conhecimento milenar
A ginga carioca
O Monge trouxe com ele
Além de seus poderosos mantras
A força do minuano
A torcida impagável
Trouxe o humor necessário
E assim caros amigos
Estava pronto o cenário
Apesar do sono insistente
Eu me diverti a balde
Não ia perder a peleja
E ficar no ora veja
Ninguém arbitrou um resultado
Mas quero dar modesta opinião
Para mim deu empate
Porque esse Monge é tinhoso
É osso duro de roer
E agora volto para a retaguarda
E fico pelos dois a torcer
Da maneira mais imparcial possível
Que o coração permitir
Ora torcerei para um
Ora torcerei para outro
Para o que melhor se sair
E à SamurANA
E ao MonGIO
Meu beijo agradecido
Pelo duelo oferecido.



Referência ao Duelochat, que foi ao ar em 13/08/09, no chat do Duelos.
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sexta-feira, 31 de julho de 2009

O Menino e os Causos - por Clarice A.

Nas férias, a família, o pai, a mãe, os cinco filhos e uns amiguinhos das crianças iam para as chácaras que o pai comprara.
A primeira era longe, viagem de ônibus, trem e lotação, mais uns vinte minutos de caminhada até a casa, muito simples de telhas aparentes e chão de cimento. Água era de poço e energia elétrica ainda não tinha chegado por aquelas bandas.
A diversão era garantida e as crianças das casas próximas - e o próximo nem era tão próximo assim - vinham brincar com eles.
O dia passava rápido e à noite era a vez dos adultos aparecerem para uma prosa. O pai acendia uma fogueira na frente da casa e todos se sentavam em volta. As cadeiras eram para os adultos, as crianças sentavam-se nos degraus da varanda ou no chão (nas cadeiras só se sobrasse lugar). Conversa vai, conversa vem e o assunto invariavelmente enveredava pelos caminhos do assombro. Mulas sem cabeça, sacis, assovios e psius misteriosos no meio da noite, e ele, o mais assustador, com seus uivos horripilantes, pelos e dentes enormes, o lobisomem. Sim, alguns já o tinham visto, com esses olhos que a terra há de comer. Nas noites de lua cheia, ele andava à solta assustando e fazendo vítimas.
As crianças sentiam medo, juntavam-se umas às outras à procura de segurança - o medo compartilhado diminui um pouco. O menino, quarto filho do casal, era o mais medroso e os outros se aproveitavam disso para colocar mais medo nele. Quando as conversas iam por esse caminho ele protestava dizendo que não era hora de conversar essas coisas, mas ninguém lhe dava bola. Na verdade, essas coisas só se conversavam nessas horas. Que graça tem contá-las se não assustarão ninguém?
O menino era falante, inteligente, memória excelente e curioso. Alimentava muito bem seus medos, pois apesar de medroso não deixava de ler gibis de histórias de terror, zumbis, Frankstein e o temível Conde Drácula. Para dormir colocava o terço e o catecismo embaixo do travesseiro e rezava até o sono chegar, o que acontecia rapidamente.
Na roça, como eles chamavam a chácara, havia muitos morcegos e os irmãos sempre levantavam a dúvida de que algum deles fosse o Conde Drácula.
Quando iam deitar-se a mãe apagava as velas e os lampiões e o quarto ficava um breu. Durante um tempo os irmãos o assustavam, certamente para esquecer os próprios medos, mas cansados do dia de brincadeiras e muito próximos uns dos outros, alguns dividindo a mesma cama, adormeciam logo.

A segunda chácara era bem maior e, como a anterior, a água era de poço e também não havia luz elétrica. A casa simples bem no estilo da outra, um pouquinho melhor.
À noite, a fogueira, os vizinhos e os “causos”. A vizinha mais próxima era uma senhora de idade que vivia sozinha num casebre de estuque no sítio ao lado. Suas histórias tinham como protagonistas as cobras. A urutu cruzeiro - que, segundo ela, se chamava assim porque tinha desenhada uma cruz no alto da cabeça - era a preferida, embora também falasse nas jararacas. Uma vez entrou uma urutu das grandes em sua casa e foi para baixo da cama. O cachorro que a expulsou e perseguiu pelo mato nunca mais voltou.
O menino, quanto mais rezava, mais assombração lhe aparecia. Já não bastavam as noites de lua cheia e suas criaturas? Agora as cobras, que existiam de verdade - certeza absoluta - podiam aparecer até com o dia claro e ele se borrando de medo de dar de cara com uma urutu cruzeiro pelas trilhas que andava. Drácula não é conhecido por aqui mas, em compensação, cobras, escorpiões e os já conhecidos saci, mula sem cabeça e ele, o lobisomem que também era visto na lua cheia, a frase conhecida reforçando a visão: vi sim, com esses olhos que a terra há de comer.
O menino calçava a bota do pai para não ser surpreendido por um desses seres rastejantes e tentava em vão mudar de assunto com sua ladainha: não é hora de conversar essas coisas. Não dava para entrar porque ficaria sozinho lá dentro e na verdade queria estar ali, ouvir as histórias, nutrir seu medo.

O tempo passou, o menino cresceu, casou, tem filhas e o medo de assombrações ficou no passado. Espremido na classe média, as filhas cursando a faculdade, aposentado e trabalhando de segunda a segunda, o que agora é incrível, fantástico, extraordinário é viver com a grana curta, a violência, o desgoverno e as balas perdidas.
Saudades do lobisomem e do Conde Drácula.
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Asas - por Clarice A.

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A imaginação presa numa torre de imensa altura. Claustrofóbica, esmagada pela dura realidade que a aprisiona. Como fora parar ali?
Quer a liberdade. Nos contos de fada sempre tudo se resolve bem. Espera por um príncipe? Tivesse um sapo por ali, ela até o beijaria, quem sabe ele não se transformaria no tal príncipe tão esperado? Mas qual, nenhum sapo à vista. Olha para baixo e a altura é incompatível com o tempo de espera pelo crescimento dos cabelos tal qual Rapunzel e, sozinha, quem faria as quilométricas tranças?
Sabe da falta que faz, tem que achar um jeito de sair dali.
Viver sem imaginação? Inimaginável.
Está nas alturas, quem sabe um pássaro possa tirá-la dali? Eles têm asas e podem voar. ASAS? Sim, asas. Como não pensou nisso antes? Quantas vezes ouviu a frase: dê asas à sua imaginação? Como pôde esquecer-se disso? Ela tem asas.
Olha para baixo e a altura a intimida, o que vê a assusta demais. Olha para o horizonte, longínquo, cheio de promessas, o que vê a fascina demais.
Sobe no parapeito da única janela da torre de seu confinamento e uma dúvida a assalta: e se for apenas “força de expressão” que ela tem asas? O medo, um dos culpados do seu aprisionamento se fazendo presente. Teme porque sabe que sua morte seria o fim de tudo.
Espanta o medo, se não pular nunca saberá, de sua prisão só ela pode se libertar. Olha para cima - olhar para baixo a apavora - e lança-se ao espaço. Incrivelmente não sente sensação de queda nem por um segundo. Paira no ar e desloca-se para frente, para trás, para os lados, para cima ou para baixo, para onde quiser.
Enfim liberta!
Prisioneira por tanto tempo, agora se expandirá como nunca. As possibilidades? Infinitas.
Fantasias, quimeras, coisas fantásticas, incríveis e invulgares, utopias, criações absurdas, projetos extraordinários, tudo relacionado a ela, à imaginação.
Livre para voar. Benditas asas.
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segunda-feira, 20 de julho de 2009

Amigos - por Clarice A.

Há vários tipos de amigos
O mais precioso
Não precisa:
Ter o mesmo sangue
Ser da mesma idade
Ser do mesmo sexo
Ser da mesma cor
Ser da mesma classe social
É um encontro e escolha mútua
Fundamental o mútuo
Não implica em concordância sempre
Respeita e entende as diferenças
Dispensa juras e testemunhas
Simplesmente é
Alguém com quem se possa contar
Na alegria e na tristeza
Na saúde e na doença
Na riqueza e na pobreza
Nas dúvidas e certezas
Nos erros e acertos
Nas vitórias e nas derrotas
A distância não importa
Porque se necessário
A palavra há de chegar
Para alguns são numerosos
Para outros, tão poucos
Que se pode nos dedos da mão contar
São os presentes mais valiosos
Que a vida pode nos dar.
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sábado, 11 de julho de 2009

Fantasia - As Nossas Poesias XVII

Criei uma fantasia
Com retalhos coloridos
Triângulos recortados
Costurados com paetês
Em cores alternadas unidos

Usei minha fantasia
Noite, tarde e dia
E era só alegria
Até que me tornei personagem
Confundi-me com a imagem

Rasguei minha fantasia
Só queria voltar a ser eu
Mas o que eu não sabia
É que o personagem traria
Coisas que se somariam
Eu antes mais ele
Sendo agora um novo eu



Poesia criada por Ana, Clarice A. e Anônimo.
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sexta-feira, 3 de julho de 2009

Heitor Villa-Lobos: “Bachianas Brasileiras No 5” (Ária) - por Clarice A.

Tarde uma nuvem rósea lenta e transparente.
Sobre o espaço, sonhadora e bela!
Surge no infinito a lua docemente,
Enfeitando a tarde, qual meiga donzela
Que se apresta e a linda sonhadoramente,
Em anseios d’alma para ficar bela
Grita ao céu e a terra toda a Natureza!
Cala a passarada aos seus tristes queixumes
E reflete o mar toda a Sua riqueza...
Suave a luz da lua desperta agora
A cruel saudade que ri e chora!
Tarde uma nuvem rósea lenta e transparente
Sobre o espaço, sonhadora e bela!
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sexta-feira, 26 de junho de 2009

Trem Duelos Literários - por Clarice A.

Shintoni tem a concessão da linha
A Kalim mandou o trem
Colorido e florido
Bonito como convém
Ana, é coisa impossível
Despejá-la desse trem
Você é a maquinista mais antiga
E guia como ninguém
Nele somos passageiros
E já somos mais de cem
Contos, crônicas, biografias
Poesias, provérbios, haikais
Acrósticos, epitáfios, embates
E tudo na maior paz
Nosso trem não é um Orient Express
Mas feio também não faz
Tem música e Litercafé
Duélogos e charadas
Indicações de filmes e livros
Links, imagens postadas
Despertando ideias inspiradas
Nosso trem tem passageiros cativos
Alguns fazem baldeação
Vão para outros lugares
E retornam na próxima estação
E, traço comum a todos
Seu apreço às palavras
Através das quais expressam
Das mais variadas formas
O que querem partilhar
Observações, percepções, sentimentos
Alguns a alma a desnudar
E se quiser embarcar
Não faça cerimônia não
Trem Duelos Literários
Êta trem bão!



Referências: As Nossas Palavras VI, de Ana; Trem da Alegria, de Kalim Autuori.
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