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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
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quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Entre Hífens e Tremas - por Gio

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A reforma está aí. Sim, obviamente estou falando da reforma ortográfica. E ela chegou de vez: não mais como uma novidade distante, mas uma alteração que está gradativamente fazendo parte da vida de todos. E, por mais que se crie resistência, não há como evitar: a moda vai pegar!

Não diga que isso não o afeta: a mudança já começou no dia-a-dia. Você passou a usar o forno de micro-ondas e a andar de micro-ônibus. Por causa dos micro-organismos à sua volta, terá algumas doenças, e ocasionalmente tomará anti-inflamatórios. Mas não se preocupe: se isso o consola, tudo isso está acontecendo com seu arqui-inimigo também.

Não adianta resistir e se achar o mandachuva do pedaço. Seu carro vai passar a ter parachoques, parabrisa e paralamas. Quem cair de paraquedas nesse meio, vai ficar confuso. Mas, pelo menos, ainda temos anos-luz para nos acostumarmos com isso. Ainda usamos guarda-chuva; ainda odiamos as segundas-feiras; ainda teremos algum beija-flor ou bem-te-vi no nosso quintal, couve-flor na mesa e erva-doce para o chá; e para a sorte das mulheres, elas continuarão enxergando azul-claro, azul-ciano e azul-bebê, bem como a diferença entre eles.

Uma hora ou outra, você vai tomar uma vacina antirrábica (talvez o “rr” seja para lembrar um cão rosnando). O teatro agora precisa de contrarregras, ironicamente sem contrariar a regra. Tiraremos autorretratos para os novos documentos, não sem antes passar um bom creme antirrugas. Temos um novo velho órgão no corpo, as glândulas suprarrenais. Novamente, seu arquirrival passará por tudo isso também. Se este for mulher, e ficar grávida, vai precisar fazer alguns ultrassons.

Não fique confuso e nem sequelado com essas mudanças, você vai se adaptar. Tudo bem que podemos ser sequestrados, e não temos mais nem o trema para negociação... Porém, a fauna agradece: ficou mais fácil se referir aos nossos amigos equinos e pinguins na escrita. Frequentemente, seremos perguntados sobre nosso tipo sanguineo, só para ter certeza de que não mudou. Aguente firme, pois as consequências da reforma são mais benéficas do que maléficas. (Falar do trema pode até parecer “enxer linguiça”, mas acho que é a principal mudança que sofre(re)mos.)

A ideia é boa: padronizar a escrita de todos os países da Língua Portuguesa. Por isso eu apoio, e assino embaixo. Não adianta ficar paranoico - se até as duas Coreias vão ter que se acostumar (um pouco) com a mudança, por que nós não? Vamos usar tipoias, encontrar mocreias, ser mordidos por jiboias, e picados por colmeias inteiras de abelhas! E não adianta tentar dar uma de herói para a plateia.

Alce voo (só tome cuidado para não sentir muito enjoo) na nova Reforma, que tudo começa a fazer sentido, tudo tem um porquê. Muitos creem que foi desnecessária, pois não veem que ela já facilitou, e muito, a nossa vida na hora de escrever. Mais fácil de se acostumar para aqueles que leem, então é bom começar.

Quando você para para pensar, a mudança mexe até nas raízes de nossa cultura. Coitado do Leoni, que agora se agarra pelos pelos...


P.S. - Proponho um desafio: peguem a primeira parte do conto que eu estou postando no outro blog e tentem encontrar todas as palavras alteradas para se adequar à nova regra. Uma dica: “pela pela” não foi erro de digitação.



Visitem Gio
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Aedo Cibernético: O Mestre-sala dos Mares - por Cacá

......Dentre as muitas formas de resistência às condições de vida e de trabalho da maioria da população brasileira, seja sob a monarquia, seja sob a república, uma revolta marcante foi a da vacina, em 1904, quando Oswaldo Cruz tentou imunizar a população do Rio contra a varíola e febre amarela. Sem aviso prévio, invasivamente e sem nenhuma campanha esclarecedora. Uma tentativa de erradicação e uma revolta contra a profilaxia.
.......A outra (1910) foi a dos marinheiros que ficou conhecida como a Revolta da Chibata, contra maus tratos aos tripulantes dos navios da marinha brasileira. O líder era o marinheiro João Cândido, também conhecido como Almirante Negro. Ameaçavam bombardear a cidade, se não fossem atendidos (a maioria era de negros).
.......Houve uma relativa vitória dos insurgentes, pois os castigos físicos foram abolidos um dia após a Proclamação da República mas foram restabelecidos no ano seguinte (1890):
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“Para as faltas leves, prisão a ferro na solitária, por um a cinco dias, a pão e água; faltas leves repetidas, idem, por seis dias, no mínimo; faltas graves, vinte e cinco chibatadas, no mínimo.”
(J. M. Carvalho, in Os Bestializados)
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.......Foram violentamente reprimidos e o governo não cumpriu a promessa de acabar com a situação, prendendo os líderes e enviando outros para a floresta amazônica. O Almirante Negro foi expulso da Marinha e internado como louco.

.......Vejam essa pérola de música para ilustrar esse momento histórico que o compositor João Bosco produziu.



O MESTRE-SALA DOS MARES
Há muito tempo nas águas da Guanabara
O dragão do mar reapareceu
Na figura de um bravo feiticeiro
A quem a história não esqueceu
Conhecido como o navegante negro
Tinha a dignidade de um mestre-sala
E ao acenar pelo mar na alegria das regatas
Foi saudado no porto pelas mocinhas francesas
Jovens polacas e por batalhões de mulatas

Rubras cascatas
Jorravam das costas dos santos entre cantos e chibatas
Inundando o coração do pessoal do porão
Que, a exemplo do feiticeiro, gritava então

Glória aos piratas
Às mulatas, às sereias

Glória à farofa
à cachaça, às baleias

Glória a todas as lutas inglórias
Que através da nossa história não esquecemos jamais

Salve o navegante negro
Que tem por monumento as pedras pisadas do cais

Mas salve
Salve o navegante negro
Que tem por monumento as pedras pisadas do cais

Mas faz muito tempo
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*Na Antiguidade, como a escrita era pouco desenvolvida, o AEDO cantava as histórias que iam passando de geração para geração através da música. Depois, veio o seu assemelhado na Idade Média, que era o trovador. Hoje, juntado tudo isso com a tecnologia, criei o AEDO CIBERNÉTICO.
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Achei que Tinha Me Esquecido - por Duanny

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Nos encontramos novamente, pouco tempo se passou, por onde devemos começar? Parece que foi eterno. No meu coração, há memória do amor perfeito que você me deu.

Sim, eu me lembro.

Quando você está comigo me sinto livre, despreocupada, eu creio que voaremos acima dos demais, e isso traz lágrimas aos meus olhos.

Pensei por um momento ter te esquecido mas, para desespero do meu coração, você continua aí, intacto, me olhando como se estivesse perto de dar o bote, a qualquer momento.

Temos vivido nossos momentos altos e baixos. É, como a vida pode dar voltas tão rapidamente... em um instante parece ser tão bom reunir a sua alma e a sua mente... vamos achar a paz lá.

Eu só queria dizer oi novamente, deixar para trás o que já passou, queria mesmo poder ter esquecido, mas você continua aí.

No meu coração ainda há a memória do amor perfeito que você me deu.
Queria mesmo ter esquecido, mas, sim, ainda me lembro.



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