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domingo, 17 de junho de 2012

Adaptações - por Gio

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Acabei de ver “Anjos e Demônios” no cinema, e a constatação que eu fiz foi: é outra história. Não, aquilo não é o Anjos e Demônios que eu li há uns dois anos. Digo, tem o mesmo storyline principal, o Langdon tá lá e tal, mas... Mudaram muita coisa. Não houve só adaptações para diminuir o tempo; houve alterações totalmente sem necessidade, por puro capricho ou vontade de inovar do diretor.
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.[Os parágrafos a seguir são um desabafo, e portanto contém spoilers. Quem não viu o filme ou leu o livro, pode pulá-los.]

O filme já começou mal: Leonardo Vetra ganhou um nome novo, e deixou de ser pai da Vittoria. O fax que mandaram ao Vaticano não tinha o corpo dele com a estampa a ferro escrita “Iluminatti”, somente o símbolo impresso. Ridículo.

O diretor do CERN... Cara, o diretor do CERN! O velhinho da cadeira de rodas! Ele nem aparece no filme! É ele que tem a conversa com o carmelengo, e obtém a confissão (e não o chefe da guarda suíça, que a essas alturas já tinha ido pro espaço!). E o que o Langdon consegue com ele é uma câmera, e não uma chave para um monitor high tec.

Falando da cena da confissão... O que fizeram com o Diamante Iluminatti? Transformaram o negócio em duas chaves cruzadas, que nem formam um ambigrama. O segundo ambigrama mais legal do livro (“Water” ainda ganha, pra mim) foi desprezado. Triste, triste, triste...

E esqueceram de mencionar que o Robert sobe no helicóptero também, e salta usando seu casaco para amenizar a queda. Pelo amor de deus, a cena em que o Langdon se estabaca no rio é prenunciada desde o início do livro. E me cortam ela do filme.

A Vittoria não foi sequestrada, isso até dá menos agonia. Mas o último dos preferiti não sobrevive - quem é eleito é o Eleitor do conclave, como quase aconteceu no filme. E o carmelengo não era pra pegar fogo no interior da igreja: deveria pegar fogo em cima do telhado, pra todo o povaréu ver.

E, que moleza, hein Tom Hanks? Receber a localização do covil pelo cardeal quase inconsciente. O Langdon do livro pena sozinho, desvendando mais e mais pistas, e quebrando a cabeça, para descobrir onde os preferiti estavam presos.

Só houve uma alteração que eu acredito ter algum motivo maior: a de omitirem o fato de o Papa antigo ser pai biológico do carmelengo, concebido por proveta com uma freira. Digamos que isso poderia (arranjar confusão com) ferir a Igreja.

[Fim do spoiler.]
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Toda vez que se adapta um livro para o cinema, é sempre a mesma coisa: felicidade de quem nunca viu, choradeira e decepção de quem leu o livro. Foi assim com Harry Potter, O Código da Vinci (do próprio Dan Brown) e, mais recentemente, O Caçador de Pipas. Diria até que o Código da Vinci desapontou os dois, pois eu vi antes de ler o livro e achei muito meia-boca.

Adaptações são feitas, na maioria das vezes, porque transcrever integralmente o conteúdo de um livro deixaria o filme com 8 horas de duração. Então, em vez de fazerem uma série de 8 capítulos fiel e com qualidade, os diretores preferem picotar o roteiro, e modificar cenas fundamentais, para poder caber em 3 horas.

Em outros casos, diretores adaptam o filme para dar a sua visão à estória, e para torná-la algo diferente, desprendido da estória original. Mudam os personagens, mudam partes do enredo, mudam o final. Muitas vezes, o resultado é muito bom - como esse -, só que...

Os fãs do livro não esperam isso. Eles não querem uma nova visão. Eles querem a encarnação do enredo e dos personagens que eles conhecem. A cada elemento mudado no filme, tem-se mais um protesto indignado, mais um comentário desapontado de um fã que não recebeu o que queria. E é assim que eu me senti, desapontado em certos aspectos, embora em outros eu tenha sido satisfeito.


Meu veredicto? O filme é bom, muito bom mesmo. Bem feito, o storyline manteve-se coerente mesmo com as adaptações, e não houve cortes ou “podas”. É um ótimo filme de ação e suspense pra quem não leu; agora, quem leu vai sofrer...
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.Postado, originalmente, em 09/06/2009.
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