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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




sábado, 31 de outubro de 2009

Tema do Mês de Outubro: Sorte

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Caríssimos amigos:
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Hoje foram publicados apenas os textos referentes ao Tema do Mês: “Sorte”.
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Participantes
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Aaron Caronte Badiz
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Ana (2)
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Anita Bastos (2)
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Clarice A.
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Dália Negra
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Lélia
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Passa-Tempo
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Penélope Charmosa
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Soraya Rocha
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Vicenzo Raphaello
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ZzipperR
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Muito obrigado a todos que colaboraram com esta “blogagem coletiva”!
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Um grande abraço!
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Com Sorte - por Aaron Caronte Badiz

Poderia dizer que foi sorte ter-te encontrado
Nesta vida de duras penas da gente.
Poderia dizer que foi sorte ter esbarrado
Com você neste meu caminhar tão descontente.
Poderia dizer que foi sorte, mas estaria errado:
Porque, na realidade, foi dádiva infinita, milagroso presente.
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Maya - por Alba Vieira

Sorriso gratuito de todos
Olhares voltados em sua direção
Reino encantado, paraíso. Será logro?
Tudo acontece com perfeição...
Engana-se o bobo. Não vê que tudo é pura ilusão.



Visitem Alba Vieira
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Agonia e Insight - por Ana

Entre os cínicos impropérios do destino
Sigo buscando, agoniada, meu norte.
É difícil, com a bússola viciada
Que me deu de presente a vida, sua consorte.

Tramo formas de encontrar meu rumo...
Desbravo matas densas, escalo infindáveis sendas,
Rogo aos deuses, em choro, aos brados,
Faço promessas, deito oferendas.

Qual o sentido d’eu estar aqui?
Eu pergunto, inquieta, a toda hora,
Estudo estrelas, aprendo as ciências,
Mas é ela, a dúvida, minha eterna senhora.

Então desisto, não hei-de compreender:
Este véu espesso não há pensar que corte.
E assim, quieta, eis que me ocorre:
Caberá a mim definir a minha sorte.
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Sorte - por Ana Maria Guimarães Ferreira

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Ao falar da sorte, vem-me a mente todas as vezes que tive a sorte batendo a minha porta.
Assim quando meus filhos nasceram: sadios, lindos e amigos.
Depois quando o tempo foi passando em alguns momentos achei que ela me abandonara. Meu casamento se desfez, não ganhei na loteria...
Refletindo sobre isso vi que mais uma vez eu tive sorte. Se não tivesse me separado teria me mantido num casamento onde as ondas já tinham alcançado o tamanho de um tsunami e só eu não via... não queria acreditar e ao sair dele sai também do tsunami que eu ia entrar e com certeza a estas horas nem aqui estaria escrevendo sobre isso. Foi uma sorte eu ter avistado a onda e acreditado que ela ia crescer e que eu tinha que me afastar dela.
Se eu tivesse ganhado na loteria talvez não tivesse os amigos que tenho hoje: desinteressados, leais e sempre prontos a fornecer o ombro, a mão e o lenço...
Depois, mas depois mesmo, quando meus filhos casaram, eu queria tanto um neto para dar todo o amor que estava dentro do meu peito me sufocando e nada. Ninguém me dava um neto.
Meu filho estava casado há 7 anos e nada... Se tivesse tido um neto hoje ele teria pais separados e eu teria um neto longe e com certeza a nora nem ia deixar ele me visitar com tanta frequência...
Minha sorte veio depois: os dois filhos quase que ao mesmo tempo estavam esperando seus filhos... e um deles nasceu prematuro... Sorte? Sim, porque se ele nascesse no tempo certo eu teria que me desdobrar em duas: uma em Brasília e outra em Porto Alegre.
Assim tive Pedro, o afobadinho, que não quis esperar o tempo e terei Vinicius que esperará Pedro sair da UTI, esperará a avó ir lá e voltar para vê-lo nascer.
Quanta sorte eu tenho dois filhos maravilhosos, dois netos que certamente me darão muita alegria, uma mãe com 88 anos lúcida, amorosa e ativa, irmãos e irmãs que dão apoio e amigos que sempre têm braços me esperando quando preciso.
Realmente isso é ter sorte! Isso é ganhar na loteria...

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Sorte e Morte - por Anita Bastos

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Sempre almejada, ao contrário de sua amiga preterida.

Com todos os olhos voltados para si, não deixa que a outra seja percebida.

Apesar disso, ambas caminham de mãos dadas
e pela sorte ou pela morte todo mundo passará um dia.
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Sorte - por Cacá

Se me perguntarem como tudo começou eu não saberia explicar. Mas a gente costuma associar esse negócio de sorte, num primeiro estalo a dinheiro. Pode ser por causa da etimologia que a explica como sinônimo de fortuna; a associação ficou sendo direta. Mas a fortuna que é aquela contrária do infortúnio, que seria o azar. Se fico afirmando isso é porque não sei e desconfio de muita coisa tentando aprender. Vou questionando para ver se tenho a sorte de descobrir as coisas. Na ciência não é um pouco assim. De tanto a curiosidade ser posta à prova, o cara acaba encontrando algo. Pode ser até mesmo algo que ele não procurava. Mas se a coisa se transforma num achado, olha ele ficando famoso e ganhando um prêmio. E isso é sorte premiando pesquisa e determinação. O que eu não acredito é naquela história do cavalo arreado passar na porta da gente. Não para quem está lá dentro sentado. Aí, o cara nem vê e perde a garupa.

Quer ver? Eu conheci o Jean, ele tinha pouco mais de vinte e dois anos. Já tinha vivido, segundo ele mesmo, o equivalente a uns quarenta. Coisas que só muito dinheiro consegue fazer: multiplicar o tempo. Acelerar e desacelerar de acordo com a vontade do possuidor. Ir até onde quiser; voltar, parar, fazer andar novamente e nisso tudo não se passarem sequer dois anos de uma existência. Jean era garimpeiro lá pelas bandas do Norte de Minas, onde se bamburra* ou se vive da sieba**. O meio-termo é ir tentar outra sina em São Paulo. Umas minas pequenas, que mais parecem tocas de refúgio animal. Ele detonou uns quilos de explosivos e descobriu um veio de turmalinas azuis. Das que vi nas fotografias, tinha uma do tamanho de um gato grande e gordo. Da noite para o dia, virou uma espécie de imperador da região, reverenciado com uma veneração quase sagrada. Transformou-se num mito vivo, numa lenda materializada em riqueza de pedra. Se tivesse mais juízo financeiro teria construído um império particular. Súditos já tinha aos montes. Um séquito também. O poder que o dinheiro traz é o seu exercício, não o seu estado permanente. Eu quero dizer que quem o possui em muita quantidade o exerce automaticamente se quiser, mas não o detém eternamente. Vale enquanto durar. Portanto isso pode ser considerado como sorte. Já o saber proporciona um poder mais duradouro, pois só onde não há saberes, é que o saber é uma forma de poder. A tal da capilaridade social, política e cultural. Jean comprou carros, viajou pelo Brasil afora e foi até na Europa, fazendo-se senhor do tempo provisoriamente. Só não ouvi contar que conseguisse fazer chover no norte, sendo que o que mais quis, fez. E como em muitas histórias de garimpeiros, ele terminou com uma lojinha de pequenas jóias (o pouquinho que guardou) e andando de carona levando gente que precisava fazer trabalhos acadêmicos com garimpeiros. Para quem não sabe, não se entra em garimpos clandestinos impunemente, nem desacompanhado. E contando histórias num saudosismo que servia de ânimo aos que lá tentavam alguma sorte e aos siebanos lá de fora da mina.
Ele que buscou a glória eterna esquecendo a efemeridade que a acompanha na falta de juízo e saber, pode se dar por sortudo se essa crônica ficar muito conhecida. Estará eternizado.


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*Bamburrar: encontrar enorme quantidade de pedras preciosas numa garimpada.
**Sieba: restos de terra e minérios que são retirados e colocados de fora de uma mina (rejeito). Normalmente possuem pequenas quantidades de pedras preciosas desprezadas pelos garimpeiros que buscam a sorte grande.



Visitem Cacá
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O Sobrevivente - por Clarice A.

Ano de 1945. O nazismo derrotado pelos aliados. Milhões de mortos. Cidades destruídas, fome, dor, a insanidade da guerra. Impossível descrever com palavras todo sofrimento, horror e crueldade que o homem impôs ao seu semelhante.
O Presidente dos Estados Unidos ordenou que o Japão fosse bombardeado com uma bomba que até então não havia sido utilizada em alvos civis ou militares, apenas em testes. Era a bomba atômica.
Dia 6 de agosto de 1945, Tsutomo Yamaguchi, um engenheiro de 29 anos, estava em Hiroshima numa viagem de negócios.
De uma base no Pacífico decolou em missão, um bombardeiro B-29 pilotado pelo coronel Paul Tibbets.
O coronel batizou o B-29 com o nome de Enola Gay em homenagem à sua mãe. Dois aviões o acompanhavam: The Great Artist e Necessary Evil como foram batizados por seus tripulantes. O primeiro transportava a bomba atômica, o segundo foi para gravar e vigiar a missão e o terceiro para fotografar e filmar a explosão. Às 8:45, Enola Gay abriu seu sinistro ventre metálico e deixou cair sobre Hiroshima Little Boy (apelido dado à bomba). Em segundos, milhares de pessoas morreram calcinadas, a área atingida pela bomba reduzida a pó. Destruição total num raio de 2,5km, construções, vegetação, tudo. O inferno na Terra. O calor da explosão com alcance bem maior, um calor intenso, provocou queimaduras horríveis nos que sobreviveram à explosão. Chuvas ácidas provocadas pela radioatividade, contaminação do solo e das águas, mulheres férteis gerando filhos afetados pela radiação por muitos anos. Efeito devastador, destruidor por muitos anos.
Tsutomo Yamaguchi contou que viu um brilho muito forte e a explosão subindo pelos ares, ficou cego por instantes e surdo de um dos ouvidos. Ferido e com queimaduras na parte superior do corpo medicou-se em Hiroshima, no que restou da cidade, e voltou para Nagasaki onde ouviam incrédulos os seus relatos.
Mas o horror ainda não havia acabado.
No dia 9 de agosto de 1945,o B-29 , batizado de Bockscar e pilotado pelo major Charles Sweeny, acompanhado por Great Artist dirige-se a outra cidade japonesa com a missão de levar mais morte e destruição, carrega a segunda bomba, mais potente. O alvo inicial era Kokura que estava coberta por nuvens. O major a sobrevoou algumas vezes mas como não melhoraram as condições de visibilidade rumou para o alvo secundário: Nagasaki. A cidade para onde retornara Yamaguchi. Às 11:02 o artilheiro do Bockstar fez contato visual com o alvo e Fat Man (apelido da segunda bomba) caiu sobre Nagasaki.
O holocausto japonês. Centenas de milhares de mortos, imolados nas duas explosões atômicas.
E Tsutomo Yamaguchi? Ele curou-se dos ferimentos, é um “hibakusha”, como são chamados os que sobrevivem à radiação. Foi reconhecido pelo governo de seu país como sobrevivente das duas bombas, estava dentro de um raio de 3 km dos locais onde elas caíram.
Tsutomo Yamaguchi, 93 anos em 2009. Sorte inacreditável? Foi uma obra de Deus, nas palavras do Sr. Yamaguchi. Para ele a causa de continuar vivo é para transmitir uma mensagem de paz. Bomba atômica nunca mais.
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Tsutomo Yamaguchi, o homem que sobreviveu a duas explosões atômicas.
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Reverso - por Dália Negra

Retiro do meu flanco pedaços
Para alimentar a flor da morte.
Postas vivas de uma agonia infinda
Porque, em meu cais, não há ilusão que aporte.
Dispo-me da vida, pouco a pouco,
Como um chamado desesperado à sorte.
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Crianças Infelizes/Felizes - por Dan

“A melhor maneira de tornar as crianças boas, é torná-las felizes.”
(Oscar Wilde)

“As lágrimas dos velhos são tão terríveis como as das crianças são naturais.”
(Honoré de Balzac)
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Caminhando pelas ruas da cidade de São Paulo, Pedro observa os grandes prédios, os monumentos, os cartazes, as propagandas nas lojas e sozinho sente a falta de amor. Carrega nas costas o peso do abandono. Sempre esteve sozinho e continua sozinho. Esmola, rouba, vê nas vitrines o doce que nunca comeu...
- Papai, me dá um nó na garganta ver essas crianças pedindo esmolas e fazendo malabarismo nos faróis.
- Ah, Dudu, não liga! Nós estamos bem e temos uma família.
- Para Matheus! Até pouco tempo eu estava que nem eles; sem ninguém, sem família.
- Matheus, quem é o seu melhor amigo?
- O Dudu, tia Selma.
- Você já imaginou que o Dudu podia estar neste farol, pedindo esmola?
- O quê?
- É, Matheus, você se esqueceu que eu sou adotado? Tive sorte de ir para o abrigo. Lá é um lugar triste, mas cuidaram de mim. Depois tive mais sorte de ser adotado pelos meus pais. E se não tivesse acontecido nada disso eu estaria na rua e, pior ainda, apanhando do homem enrugado.
- Dudu, nunca pensei nisso! Às vezes esqueço que você é adotado!
- Sabe, Matheus, o Pato, meu amigo, foi menino de rua. Ele ficava mendigando nos faróis e até roubou. No abrigo era o protetor das crianças menores. É uma alma boa, que não teve a mesma sorte que você.
- Puxa! Desculpe mesmo, Dudu! Sou um estabanado. Falo as coisas sem pensar!
- Está bom, Matheus, também não precisa se matar por causa disso. Só pense melhor nas coisas antes de dizê-las. Combinado?
- Combinado, tio Pedro. Posso ajudar essas crianças em alguma coisa?
- É, papai, como um ex-menor abandonado, também gostaria! Será que podíamos ajudá-los, mendigando junto com eles?
- Mendigar, Dudu, isso não é ajudar! É necessário estudar e achar alguma coisa para fazer.
- Ih, pai, é tão difícil!!!!!
- Nada na vida é fácil, meu filho.
- Dudu, vamos formar um esquadrão “Antimenor Abandonado”.
- Boa, Matheus, grande idéia!!!
- Calma lá, vocês dois. Primeiro estudem o problema e vejam como podem ajudar. Não façam nada sem pensar bem e sem falar comigo com a mamãe e com os pais do Matheus.
- Tá bom, papai!
(...)
- E seu irmão diz que você precisa estudar mais!
- Não é estudo, papai! Estou pesquisando sobre os menores de rua.
- Ora filho, não deixa de ser um estudo! Você ficou muito interessado.
- É, pai, aprendi muitas coisas. Só não achei uma forma de ajudar.
- Dudu, é assim mesmo! Primeiro a gente aprende. Depois descobre formas de ajudar.
- Mas me diga, o que você aprendeu?
- Pai, você não ia ver o jogo?
- O filho da gente é mais importante que o jogo! Vim te buscar para você assistir comigo. Mas já que está tão compenetrado no seu trabalho, vamos conversar sobre ele.
- Você é meu papai do coração. Nunca me deixa só!
- Me diz o que você aprendeu?
- Bom, primeiro as crianças de rua estão em situação de risco social e psicológico, quase todos foram vítimas de maus tratos ou de abandono. Por trás de um menor de rua sempre tem um adulto. Li sobre alguns casos de crianças que foram encontradas em companhias de homens ou mulheres que estavam bêbedos, diziam serem seus pais e os espancavam. Pensei no homem enrugado. Li também que em épocas de festas, como no Natal, as crianças que pedem em farol, apanham mais, pois seus pais ou responsáveis acham que devem ganhar mais dinheiro.
- É um absurdo, não?
- Todas as crianças querem a mesma coisa, uma família. Assim como eu queria.
- Essas coisas são muito tristes!
- Li também sobre a Chacina da Candelária, eu e o Matheus não acreditamos, achamos um falta de amor às crianças.
- É, Dudu, essas injustiças acontecem no mundo todo, mas existem pessoas que se propõe a ajudar, no Rio de Janeiro mesmo foi formado o Projeto URUÊ e existem outros projetos nas favelas, em São Paulo também e nós vamos achar uma forma de você e o Matheus ajudarem.
- Legal, pai, liguei para a Celinha e para a Elisa e elas também vão ajudar...
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(Extraído do novo livro do DUDU, ainda inacabado e sem nome... eu vou com calma.)
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“As crianças têm mais necessidade de modelos do que de críticas.”
(Joseph Joubert)

“Nenhum livro para crianças deve ser escrito para crianças.”
(Fernando Pessoa)
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Visitem Dan
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O Que é Sorte? - por Ignoto Jardim

Muitos dizem que sorte é destino. Outros dizem que sorte é estar no lugar certo, no momento certo, com a pessoa certa. Outros ainda afirmam que sorte é um conjunto de coincidências felizes.
Eu fico com a primeira hipótese: sorte é destino.
Sorte não é para quem quer, mas para quem tem. Não adianta espernear. Uns têm, outros não.
Às vezes, muda tudo, e o que parecia ser a maior sorte do mundo acaba se mostrando uma grande fatalidade. Mas isso faz parte desse mundo cheio de mistérios insondáveis que habitamos.
Posso dar alguns exemplos que me vêm à lembrança. Mas vou citar apenas um caso.

Existia um homem chamado Sena. Não era apelido, era sobrenome de família. Esse homem ganhava a vida vendendo frutas, em saquinhos plásticos, na beira da estrada.
Devido a um diabete mal cuidado, ele acabou tendo as duas pernas amputadas... Ficava ali, na beira da estrada, vendendo suas frutinhas. Talvez por piedade, as pessoas compravam. Paravam seus automóveis e pagavam por algumas laranjas, algumas mangas... E ele ia vivendo.
Esse homem amava uma morena de belo corpo. Todo mundo sabia daquela paixão. Mas ela não lhe dava bola, pois quem ia olhar para um pobretão feio, sem as duas pernas, vendedor de limões à beira da estrada?
Então esse homem chamado Sena, fez um joguinho na Mega Sena e aquele era seu dia de “sorte”. Ele ganha tudo, sozinho, algo em torno de cinquenta e tantos milhões de reais. Ou seja, vinte e cinco milhões de dólares.
Ele se declara para a bela morena, casa-se com ela e muda-se para um prédio luxuoso. É maltratado pelos vizinhos milionários, então ele volta a morar na sua cidadezinha de origem. Lá, ele passa a residir em uma grande casa, que fica na fazenda que comprou. Mas também não é feliz preso na grande casa da fazenda. Volta a frequentar o barzinho de sempre, junto aos seus amigos do passado. E foi assim, em frente ao barzinho de um amigo dos velhos tempos, que ele foi assassinado: morreu cravejado de balas, e a polícia, mais tarde, descobriu que o senhor Sena havia sido morto pelos próprios seguranças que ele pagava, e que a morte havia sido encomendada pela esposa.
Neste triste caso, a sorte virou fatalidade. Pior do que ser pobre é ser traído, enganado, atraiçoado e morto pela pessoa que você mais amou na vida. Teria sido melhor para o “seu” Sena ele ter continuado pobre, vendendo limão na beira da estrada.

Eu não me acho sortuda. Jamais ganhei um concurso literário, e olha que eu participei de todos eles. Nunca cruzei na internet com um editor de livros, ninguém jamais gostou dos meus blogs, e o último concurso que prestei, eu estudei durante oito meses, todos os dias. Li uma média de quinze livros técnicos, e tirei uma nota bem alta na prova de múltipla escolha, justamente onde a maioria foi mal. No entanto, na hora da correção da prova dissertativa, eu tirei uma nota baixa. Tive a pouca sorte de cair nas mãos de alguém que provavelmente não estava preparada para corrigir uma prova dissertativa daquela envergadura.
No entanto, apesar de não ter sorte, eu sou muito abençoada. A minha vida é pautada por inúmeras bênçãos. São bênçãos que têm vindo ao encontro de minhas necessidades.
Entre a sorte e a bênção, fico com a bênção.
Uma coisa eu aprendi na vida: a sorte é puro destino, que às vezes, torna-se fatalidade. A sorte é algo que não se busca, ela vem até a pessoa. Quem tem sorte tem, quem não tem, não tem. Mas a bênção, essa sim, pode ser buscada, suplicada, pedida. Eu peço a Deus todos os dias que me cubra de bênçãos. E Ele sempre me ouve!


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Há Caso - por Kamala Aymara

Fruto da sorte ou cria do acaso…
Jogo de amor?
............Tesão!

Aposta todas as fichas?
Eu não!
Quem dá as cartas agora?

Há hora?

Brinca com a sorte,
roleta russa de probabilidades,
viciada!

Sinuca de bico,
tacada de mestre,
sai pela culatra.

Xeque-mate!

Uma mão boa e o jogo tá ganho.
Uma mão boba.
Sorte?

Quando os dois chegam juntos.


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Palavra da Sorte - por Kbçapoeta

Na porta do labirinto da sorte
Um pescador sem mar
Conheceu os magos do Universo
Que mostraram-lhe
A ânfora da vida.
Era uma linda harmonia
De escola de samba.
Perfeito equilíbrio
Como representado pelo signo da balança,
Refletia de seu líquido.
Um frisson cósmico corria
Artérias, tecidos, células e aura.
Ao adentrar o labirinto.
Um cifrão lhe pergunta:
Qual o seu caminho, pescador?
O labirinto.
Responde o pescador.
Depois de dar sete passos,
Ouve-se a voz do amor ao longe:
Aonde o labirinto vai levar-te?
Ao caminho dos poetas!
Errando por filosofias, filologias,
Antropofagias e vidas vazias.
À procura de meu mar ainda não navegado,
Muitos sacrifícios para justificar o prazer,
Muitas palavras e pouco saber.
Isso é o caminho dos poetas.
Sorte da arte.
Sorte da vida.
Palavra dada pela sorte no fio do bigode.



Visitem Kbçapoeta
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Sorte? - por Lélia

A minha sorte na vida foi não ter tido sorte. Não ser linda, não ser rica, não ter príncipe encantado, não ganhar na loteria, não ser escandalosamente feliz.
O porquê?
Porque prefiro viver medianamente a ter que ficar driblando olho gordo.
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Sorte - por madruga

quando penso na vida
agarrada está a morte
muitas vezes é sofrida
outras cheias de sorte

sorte que por vezes agrada
nos momentos de aventura
ver-te assim apaixonada
meu amor assim perdura

mas nem tudo é frescura
pois tambem sinto dores
mas em ti procuro a cura
nos momentos sofredores

de sofrer quero deixar
e alegrias quero eu ter
prefiro mil vezes amar
e ter a sorte de te ver



Visitem madruga
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Sorte - por Mellon

Não existe sorte. A vida é um lugar cheio de frustrações, erros e desencontros. E você não pode se livrar disso, assim como eu também não. Pessoas quebradas acreditam na sorte, pessoas que no fundo sabem que o destino não está nas nossas mãos e chamam isso de “sorte”. Eu costumava sugerir a essas pessoas que tentassem fazer as coisas certas, para que as coisas certas dessem certo para elas, até eu descobrir que isso não dá certo, não está nas nossas mãos. O errado da vida é que a sua vida depende de outra pessoa, independente do motivo e vai ser sempre assim e você não pode destruir o que você sente. E você não pode se livrar de si mesmo, você não pode ser quem alguém quer que você seja, e isso não depende de sorte, depende do que é real.



Visitem Mellon
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Francis Bacon e a Boa Sorte - Citado por Penélope Charmosa

Os homens sábios, para declinarem a inveja que possa incidir sobre os seus méritos, usam atribuí-los à providência e à fortuna (sorte); porque assim podem falar deles, e, além disso, é honroso para o homem ser benquisto dos poderes superiores. Foi por isso que na tempestade César disse ao piloto: Caesarem portas et fortunam ejus (Transportas César e a sua fortuna). Assim Sylla escolheu o cognome de Feliz e não o de Magno. E tem sido notado, que aqueles que demasiadamente atribuem a sua felicidade à ciência e habilidade acabam infortunadamente.
Está escrito que Timóteo, o ateniense, quando apresentara à assembleia o relatório da sua ação como governante, frequentemente intercalou a seguinte frase “e nisto não teve parte a fortuna”; nunca mais prosperou em coisa que empreendesse.



In “Da Fortuna”.
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Sorte - por Poty

Fico a me perguntar,
Precisamos de sorte ou de oportunidade?
Será que sorte é ter direito de viver?!
Onde se ganha sorte?!
Nasce com ela
Ou ela vem?!
Será que é para todos
Ou para alguns?!
Onde se materializa,
No caça-níqueis,
No carteado,
Na noitada...
Em Deus,
Para alguns há sorte,
E para outros azar.
Como se materializa?
Se não vem para todos...
Então há os fortes
E fracos.
Deixemos a sorte de lado
E faremos acontecer
Oportunidades para todos.



Visitem Poty
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Sorte - por S. Ribeiro

sorte só existe do outro lado da má sorte
e da má sorte queremos tudo menos que tenha sorte
prefiro bênção
destinada solta morna
a sorte
incontrolável sorte somente pelo acaso inexplicável
bênção é conforto silencioso
que a alegria exagera
sorte longe da morte
não é como bênção no leito da sorte



Visitem S. Ribeiro
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Dualidade - por Soraya Rocha

Sorte, seu moço, é coisa dúbia, um vintém...
Traz coisas boas e surpresas más também.
Pode esconder o mal, embora a imaginemos sempre de mãos dadas com o bem.
Mostra seus dois lados a qualquer pessoa, é igualitária, não livra ninguém:
O milionário, o classe média e o Zé-Ninguém.
Por isto devemos estar bem atentos quando a sorte vem:
Cabeça fria, olhos abertos... Sorte de quem assim os mantém!
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Acaso (Sorte) - por Vicenzo Raphaello

Estamos aqui pelo acaso
Do acaso cósmico
Ao acaso do espermatozóide mais competente

Pertencemos sem opção
A um lugar na vida que não escolhemos
Criamos teias afetivas neste acaso
Criamos sentimentos
Amamos

Nossos caminhos em acasos caminham
Em acaso de encontros, seres fazemos
Que por acaso de outros
Vão encontrar

Como ocorrem?
Simplesmente ocorrem

Nossa existência se determina
Pelo acaso de outras existências

Não existe lógica para ordenamento deste caos
Simplesmente nos deixamos levar.
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Caminho Encravado! - por Yuri

Talvez a página do livro a que você se apegue mais...
Ou talvez aquelas que você vai menos com a cara...
Antes de tudo memorize que nem todas as páginas são perfeitas...
Mas pelo menos de algumas delas você vai gostar e se apegar mais...
Mesmo que não a entenda por completo, sempre haverá um conflito.
Espero que você saiba como lidar com ele, ou ajuda psicoterapêutica é sempre bem-vinda!
Não atire em você mesmo, espere a vida fazer isso por você!
Talvez ela saiba em que cena entrar :X
Ou sempre pensamos que não... mas os atores reais somos nós e ela é o roteiro inteiro.

Único som que cheguei a ouvir pelas noites de novembro foi o som de minhas lágrimas caindo e se queixando sobre o chão frio.
Sua sorte talvez meu pesadelo presente.
Suas críticas não passam de desculpas pra não se sentir por baixo!
Assuma que não tem justificativas(?)!
Abaixe a cabeça enquanto ouve... Levante-a e me diga que irá melhorar de verdade(?)! Mas de coração. Promete?
Seu coração na maioria das vezes é algo que vai sem freio nenhum.. .
Tenho medo de um dia ele me atropelar, assassinando-me a única flor de esperança entre nós dois.
Pensei por um tempo estar bastante frio, com tudo. E aí está a questão confusa!
Passei tanto tempo em sessões psicoterapêuticas... É... ajuda é sempre bem-vinda!
Você pensa que irá se ver livre daquilo numa hora, e noutra pensa que é normal. Pensa que é seu crescimento.
Mas logo percebe que não há ninguém assim ao seu redor da mesma faixa etária.
Logo você se transforma em um louco! Rs
Por que sou tão diferente? Pergunto-me!
Vejo uma imagem tão oculta e obscura, algo tão objetivo a seus únicos sonhos e grandes objetivos a cumprir, imagina-se como os tais e já se acha nojento por estar igual, talvez...
Às vezes acha que viaja tanto em sua mente e seu mundinho, que às vezes pensa que não sairá dele. Será mais um deles, com sonhos encravados.
Mas você tem metas, sonhos e objetivos diretos a cumprir e sente que não morrerá se eles não forem cumpridos...
Como cada ser humano vem com seu objetivo, mas às vezes abaixamos nossas cabecinhas e falamos: AFF! Quem pensamos que somos? não iremos sair de nossas casas!
Mas é aí que nos enganamos... Pois se acreditarmos e lutarmos tudo é possível.
Nesta merda maravilhosa de mundo iremos nós mais um passo pra frente...
E se nos tirarem o céu? Pra onde olharemos e lembraremos de nossos amores encravados ou amores realistas e cultivantes?
Para o chão? Aprendam a cuidar mais de onde pisamos... pois daqui a pouco pisaremos em nossas próprias faces.



Visitem Yuri
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Um Jogo de Amor Entre a Sorte e o Azar - por ZzipperR e vestivermelho

Um dia me apaixonei pelo amor que, com desprezo, me deixou a saudade, numa contradição entre o bem amar e o mal amar na esperança de ser amado.
Num momento de sorte, ela surgiu na minha vida com seus olhos castanhos, me encurralando num romance entre a sorte e o azar. Foi aí que propus a ela um duelo no amor.
Peguei uma moeda e falei:
- Cara é sorte e coroa é azar. Vamos ver o que você pega?
Joguei a moeda para o alto rodando, rodando, rodando e quando caiu ela a pegou no alto. Conferiu o resultado na palma da sua mão e não me mostrou falando:
- Vamos jogar! Você quer cara ou coroa?
- Cara.
Ela jogou a moeda para o alto e a moeda girou, girou, girou caindo em sua mão. Ela conferiu o resultado e falou:
- Você perdeu.
- Me dê essa moeda. Eu vou jogar para o alto e pegar.
Joguei a moeda para o alto, a moeda virou, virou, virou e quando caiu na minha mão, conferi o resultado. Perdi! Deu coroa.
- Vamos fazer um jogo de amor entre a sorte e o azar?
- Vamos.
- Se você acertar ganha um beijo.
- Cara.
Ela jogou a moeda para o alto girando e quando caiu em sua mão, ela falou:
- Você perdeu! Vamos jogar outra vez, se você acertar ganha um abraço gostoso.
Ela jogou a moeda girando para o alto novamente, quando caiu pegou-a no ar.
- Deu coroa! Você perdeu de novo.
- Então quero jogar tudo, se eu perder, perco você para sempre.
- Você tem certeza desse duelo? Pois pode perder...
- Nesse namoro entre a sorte e o azar, eu tenho certeza que a sorte está do meu lado.
- Mas se perder não terá outra chance!
- Então faremos o seguinte: vamos mudar as regras do jogo. Se eu acertar perco e se eu errar ganho.
- Então vamos jogar.
- Eu quero cara.
Ela jogou a moeda para o alto e quando pegou falou:
- Deu cara! Você ganhou e me perdeu.
O jogo acabou. A sorte foi embora deixando o azar sozinho e abandonado, pois ninguém queria ficar com ele.

Zip...Zip...Zip...ZzipperR e vestivermelho

VruummmmmmmmmZummmmmmmmm


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Falência - por Alba Vieira

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Quem espera só
Pela sorte na vida
Fica falido.


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Sorte Sua... - por Ana

Sorte minha ter nascido.
Sorte sua ter-me encontrado.
Sorte minha arranjar marido.
Sorte sua eu não ter namorado.
Sorte minha ganhar o vestido.
Sorte sua eu ter casado.
Sorte minha te dar ouvido?
Sorte sua eu ter concordado.
Sorte minha, seguros assinados?
Sorte sua eu ter morrido.
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Sorte e Morte - por Anita Bastos

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Que sorte nos leva à morte?

Que morte nos tira a sorte?

A sorte diz a hora da morte,
e a morte de quem tira a sorte.
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Sorte - por Kbçapoeta

Joguei no baralho
Minha fama,
Minha escama,
Minha vida de poliana,
Achando que nunca iria perder.
Ela me desejou.
Queria-me inteiro em sua cama,
Por um fim de semana.
Na segunda a ressaca
De um amor que se perdeu.



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Sorte - por Alba Vieira

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Sorte é corte
Um pinote se contar
Só com a sorte


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O Que é Sorte - por Alba Vieira

A maioria de nós entende a sorte como facilidade. É quando parece que as portas se abrem imediatamente e ainda estendem um tapete vermelho à nossa passagem. É quando tudo flui sem contratempos e recebemos algo que vai bem além das nossas expectativas. Sorte é ser agraciado com berço de ouro, é ganhar um prêmio polpudo na loteria, é encontrar um grande amor e permanecer com ele pelo resto da vida sendo feliz. Ser sortudo é sempre encontrar uma vaga quando quer estacionar; ver a fila no banco, de repente, correr rápido só porque você chegou; trocar de fila no supermercado e não acontecer nenhum problema na caixa e, ainda por cima, algumas pessoas desistirem de esperar e você se adiantar. Ter sorte é arriscar nos negócios e sempre lucrar; é ter palpites certeiros para os jogos de azar; é caminhar pela rua e, ocasionalmente, encontrar uma nota graúda. É comprar uma rifa já sabendo que irá buscar o prêmio. É só receber cheques que têm fundo e encontrar pela frente pessoas honestas que trabalhem muito bem pra você e ainda entreguem os trabalhos antes do prazo previsto. E eu poderia ficar descrevendo o que é ter sorte de uma maneira superficial o dia inteiro. Mas, será que isto existe mesmo? Já que tudo é relativo, o que pode ser considerado benesse para alguns, é desprezado por outros. E acredito que haja um equilíbrio inerente aos fatos que se desenrolam em nossa vida, desde que tenhamos a visão do todo e acesso às ocorrências de vidas passadas. Além disso, não podemos ficar presos a um só ponto de vista. Assim vejamos que se facilidade fosse sorte realmente, o que dizer daqueles que fazem das dificuldades o estímulo para crescerem e se aperfeiçoarem na vida? Se a vida é experiência, aprendizado, a evolução será mais encontrada naqueles que ganham da vida questões para serem trabalhadas e ultrapassadas.
Acho que na verdade, sorte é ter consciência plena de si e dos outros para aproveitar bem as oportunidades de desenvolvimento que receber ao longo da vida.



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Não Mais Sob os Auspícios de Saturno - por Alba Vieira

Cresci ouvindo minha mãe dizer ao meu pai que não deveria fazer apostas em jogos nunca, já que ele já havia ganho na loteria no dia em que a conheceu.
Ele era mineiro e sonhava com um grande prêmio para poder dar à família de oito filhos, melhores condições de vida, com o conforto que minha mãe, uma pessoa ambiciosa, almejava.
E entre essas duas polaridades, o sonhador romântico e a empreendedora ambiciosa, eu formei a minha personalidade que congrega esses dois aspectos.
Nunca esperei pela sorte, por facilidades, tinha por certo que era preciso lutar muito para conseguir o que queria, que nada viria de mão beijada. E achava mesmo que tudo que era conquistado com esforço tinha mais valor. O sacrifício então, era o ápice e eu me dilacerava pela vida buscando desafios, aceitando pesos que não eram meus, incapaz de dizer não.
Com o tempo, aprendi a exercitar a outra polaridade. Hoje, a vida tornou-se mais leve porque passei a esperar dela mais facilidade. Eu creio firmemente no poder do pensamento, no desejo, na lei da atração, em que a vida que levamos é plasmada pelos pensamentos bem direcionados.
Ainda me empenho, mas sem sofreguidão. Ainda aceito demandas que não são minhas pela compaixão, mas aprendi a dizer não e nos tempos atuais, esse aprendizado é elementar.
Cresci e já não me defendo tanto. Aspiro à inocência da infância para me largar na vida amparada pela lucidez e pela fé.



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Duelo: Quem com Quem? - por Passa-Tempo e Anônimo (Erótico)

Sorte...
Sorte é ter a família junta,
aquele fuzuê,
a gritaria rolando solta,
doideira? talvez.
mas a sorte de ter todo mundo junto,
zoando da cara um do outro,
é a felicidade.

E quando a caçula arruma um namorado nerd,
encarnação é total,
e se estiver grávida a porrada é geral.
êita sorte danada,
e eu no meio dessa loucura,
assistindo de camarote, essa doida tortura.

E nada condiz com o que falo,
quando a família está junta,
todos falam ao mesmo tempo,
todos ganham a mesma luta.

Pra cumprir o tema sorte
Vou prestar muita atenção,
No duelo que é de morte,
Pra pirar o cabeção.

Com dor e intensa tristeza
É que explico a verdade,
Viver só na leveza
É se entregar à vaidade

Vaidade de quem não sabe
Com a vida se estragar
comer aquela fruta bem madura quase podre,
e no final, aquela vontade de cagar.
Sentir o vento do litoral bater no peito,
e aquele arrepio, que vem da nuca e vai descendo até chegar no... pé?
essa vida é que nos abre os olhos para o que devemos seguir,
as vontades fisiológicas, aquela coisa que te prende,
às vezes é como a prisão de ventre,
você não vê, mas você sente.

E a vida é bela, o romantismo em questão,
formam o casal perfeito:
O nerd e a masturbação!
São coisas da sorte humana,
como a mulher estudiosa e sua face profana
a vida leva consigo enquanto seu calor ela abana.

Voltando para aquela sorte...
Em meio a tudo reflito
O revés que isso pode
Causar a alguém aflito

Acreditando que não se tem
Se leva os dias querendo mais
De insatisfação fica também
Repleto o vazio que isso faz.

Percurso tonto eu faço
com meu cavalo e o cabaço, do cavalo.
Aquela linda união, o cabaço na boca do cavalo,
e o cabaço do cavalo na minha mão,
é um longo percurso, como a vida cotidiana do dia a dia,
como em cada bordel todas as noites,
os espermatozóides perseguindo o óvulo,
e o óvulo espera o zóide.

A vida dos pequenos é difícil como a nossa,
difícil a cada dia como a visão do cego perneta,
que consegue andar sem muleta,
nas ruas de Minas sentado numa trombeta.

E se não mais nem menos me recordo,
“na minha terra tem palmeiras como canta o sabiá”.
Isso tudo é muito louco,
não se altere, eu explico.
Duas pessoas com pouco
Tempo juntas vivido...

Se unem assim em um duelo
Covarde pra que quer entender
Mas vai tentando, eu espero
Que faça sentido pra você.

Por aqui termino tudo
O minuto tá passando
O tempo corre num pulo
Estamos só começando.

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sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Querer - por Kbçapoeta

Olha no espelho, o que vês?
O fundo dos teus olhos, não?
Sim, lá no fundo de sua retina
Está enclausurado o mago
Das predestinações.
O ser que lhe conta o futuro
Que não existe por que não aconteceu.
Ele fala claramente sobre as trevas do medo.
Explica que o mundo é o verbo
Por que a linguagem é a luz da vida.
A luz do mundo é feita de palavras
Que tornam sedutora
As penumbras da solidão
Onde as palavras
Calam-se.
Você com seu silêncio diz tudo:
No início era o silêncio.
Depois se fez o verbo
Desmanchando-me de prazer.
Euforicamente, quero fazer-me caber em mim,
Por um instante conseguir marcar presença,
Para saber que não estou em vão,
Ter o infinito como morada,
Estender-te as estrelas
Lhe mostrar um segundo sol,
Quando olhar no céu
Uma torrente de palavras
Surgirá do meu olhar
Para você descobrir o que realmente quero.



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A 5000 Pés - por Violeta

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A intenção de postar imagens neste blog
é propiciar inspiração para textos referentes a elas.
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Visitem Violeta
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O Viver - por Cacá

Eu fico com o final da sua reflexão. Uma vida sem sal é uma passagem apenas. Viver é arriscado e, talvez, o mais gostoso esteja nos riscos. O cuidado que vou tomando à medida em que vou adquirindo experiências é o de cometer apenas erros novos. Repetir os antigos acho que nos torna um tanto imaturos. Brilhante o seu pensamento.



Comentário em Caminhos, de Gio.
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quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Bate-papo no Chat

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Hoje, de 20 às 23:38 horas,
tivemos bate-papo no chat do Duelos, por sugestão de Fatinha.
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Compareceram:
Paulo Chinelate, Cacá, ., Clarice A., Ana, Escrevinhadora e Fatinha.
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Valeu pela iniciativa e pela presença!!!!
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Caminhos - por Gio

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Até agora, meu blog tinha passado intacto, sem nenhuma comparação nerd. Eu, como bom defensor da causa, tenho que fazer isso mudar, e chegou a hora. Um momento nerd vai dar início ao texto:


Comentando o texto de uma amiga que falava sobre como refazer nossas escolhas facilitaria a nossa vida, e - logicamente - filosofando em cima, comecei a refletir um pouco mais sobre isso, a partir de um exemplo banal: um jogo. O que me faz gastar metade da bateria do celular, pode renovar a minha bateria de ideias, de uma maneira (bem) estranha.

Quem dera a vida pudesse ser assim: um labirinto de um jogo, um tabuleiro que pudesse ser visto de cima. Dessa forma, não saberíamos só os nossos movimentos, mas também o dos outros. Mesmo que isso não garanta nossa sobrevivência em 100% das vezes, nos ajudaria a estarmos mais preparados, a nos prepararmos mais. Quem controla a vida dos outros - seja investigando seu filho, seja colocando um “olheiro” em seus subordinados -, errado ou não, quer apenas isso: segurança! Saber os passos dos outros nos ajuda a calcular melhor os nossos, saber como podem nos atingir nos faz protegermos nossos pontos fracos.

Mais que isso, olhar o jogo da vida de cima, desse jeito, nos permitiria saber que caminhos podem ser tomados. Temos todo o espaço debaixo de nossas vistas, temos controle sobre ele. Quando nos isolamos, fechados em labirintos, de concreto ou intelecto, nossos cálculos se restringem (é, talvez eu esteja analisando uma mente calculista hoje). Com um universo menor para se preocupar, e totalmente conhecido, podemos pensar melhor em tudo que pode acontecer. Quem se isola, se tranca, o faz para poder reduzir seus riscos, e não perder nada para o acaso. Há quem troque o mundo das possibilidades pela garantia de não ser surpreendido.

Quem dera nossas escolhas pudessem ser assim: dentro de um mundo pré-programado, e retomadas com o aperto de um botão. Desta forma, poderíamos testar todos os caminhos, saber tudo que podemos fazer, e escolher a melhor jogada. Na vida real, geralmente temos apenas uma chance, e dificilmente saberemos com certeza como as coisas aconteceriam se a escolha fosse diferente. Além do mais, poderíamos voltar atrás simplesmente porque as conclusões não nos agradaram, em vez de ter que (respirem fundo) arcar com as consequências. Isso nos assusta tanto por quê?

A dádiva do reset nos faria poder traçar um caminho ideal. De tanto voltar e refazer, conseguimos decidir qual a sequência de melhores escolhas. Não só do que fazer, mas do que não fazer: tem horas que a melhor decisão é simplesmente esperar. Desta forma, evitaríamos ao máximo arrependimentos. Ah, se eu tivesse escolhido o outro curso, minha carreira seria diferente... Ah, se eu tivesse esperado mais 2 anos, as coisas não teriam sido tão difíceis... Ah, se eu mudasse as prioridades só naquele dia, estaria com ela, e teria tudo o que tenho hoje.

Bom, talvez não possamos saber tudo que acontece o tempo todo. Talvez não possamos mesmo achar o caminho perfeito. Não teremos um rewind no vídeo da nossa existência. Mas uma coisa que ajuda no mundo imaginário pode ser aplicada às nossas vidas: o reconhecimento de padrões. Experiência não é uma palavra para valorizar os idosos, ela é válida e nos livra do pior dos erros - o que acontece de novo. E é só com ela que podemos ter alguma previsibilidade, ainda que não total. Não chegamos ao caminho perfeito, mas podemos otimizar nossas escolhas com base no resultado das escolhas passadas. Não podemos ver as pessoas como bonecos programáveis, mas podemos saber suas reações por nossa convivência anterior. E é aí que nós levamos vantagem: a nossa memória é muito maior. Não vemos os jogos da vida como separados: podemos aproveitar o que aprendemos de um, para nos sairmos melhor no outro.

Passamos a vida tentando prever o futuro, pelas surpresas desagradáveis que tivemos no passado. Queremos ter todos sob controle, porque uma reação inesperada, de quem menos esperávamos, nos tirou o chão. Só que isso tira o brilho das situações, impede que as pessoas nos surpreendam com quem são. Há quem prefira viver na segurança sem sal; eu ainda acredito no tempero do acaso...



Visitem Gio
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Proposta - por Ana

Há uns dias atrás foi feita uma arrumação geral nas estantes daqui de casa. Por isto, alguns livros que já tinham sido lidos e não o seriam mais por nós, foram separados para doação.
Então lembrei de uma reportagem que vi, há algum tempo, sobre a Campanha Livro Amigo, que consiste no seguinte: um livro que não vai mais ser lido por uma pessoa é deixado por ela num local público para que outras pessoas se beneficiem da leitura. Esta é uma iniciativa que existe em várias cidades do Brasil e do mundo.
Daí, tive a ideia de hoje, no Dia Nacional do Livro, iniciar e propor aos amigos do blog a Campanha Livro Amigo do Duelos. Escrevi assim na contracapa dos livros:


Eu participo de um blog, o Duelos Literários,
Lá eles publicam seus textos, é só deixar nos “comentários”.
Lá também iniciaram a “Campanha Livro Amigo”:
Ele fica um tempo comigo e, depois, um tempo contigo.

Se você levá-lo pra casa, leia e passe adiante.
Antes, escreva seu nome nele, cidade e data, em letra elegante.
E se quiser falar com a gente, digite o endereço e não erre:
É duelosliterarios.blogspot.com.br.

1. Ana - Rio de Janeiro - 29/10/09
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E fui deixando-os por aí (pontos de ônibus, praças, parapeitos de muros...), para serem lidos por aqueles que se interessassem por eles.

Então proponho a shintoni que deixe sempre um post fixo divulgando esta campanha; e a quem quiser participar da campanha, que faça a mesma coisa que eu fiz com seus livros e deixe nos “comentários” do post de divulgação o livro que deixou, em que cidade e a data.



E aí fiquei pensando... Um dia saio, vejo um livro interessante na rua e, ao abri-lo, leio que era de alguém do Duelos, de uma outra cidade (outro país... será?!), e que já viajou muitos lugares e pessoas até chegar a mim. Bonito, né? Eu achei...
Beijos a todos.
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Paixão do Sol Pela Lua... - por vestivermelho e ZzipperR

Hoje eu estava caminhando e reparando nos casais abraçados e confesso que fiquei com vontade de ter alguém para abraçar, mas a solidão não deixava e eu continuava caminhando sozinho.

Comecei a pensar no amor, como é bom ter alguém para amar, entregar o carinho, beijar, abraçar e olhar.

Existem coisas em que o mundo virtual nunca conseguirá superar o mundo real, pois só no mundo real está sua maneira de pegar, abraçar, a força do seu toque, o calor e o sabor do seu beijo, além do seu jeito particular de ser, sua maneira de agir, suas atitudes, seus hábitos e o tom real da sua voz, com palavras do mundo real.

Com tudo isso, eu não quero dizer que o mundo virtual não seja real, tem que ser real, as pessoas que estão navegando são reais, o amor é real e o carinho dedicado também é real.

Amar no mundo virtual tem suas vantagens, é só aprender a aproveitar os momentos de prazer e depois deixar livre. Você entrega o seu carinho como quiser, é tudo virtual, um outro mundo, que não interfere no seu mundo real e mesmo no virtual o amor é verdadeiro, doce, gostoso, tão bom que queremos de qualquer jeito.

Aproveite os seus momentos e ame, dê o seu carinho e saboreie com prazer o carinho que recebe, pois ali as pessoas vivem muito distantes, dificilmente cruzarão os nossos caminhos.

Digo, com toda certeza, que o mundo virtual é um presente de Deus, mais uma maneira de dar e receber amor. Aproveite esse presente, ele também é para você.

Só não vale se apaixonar. Ai, meu Deus, eu já me apaixonei. Que bom... hummm! Que bom. E agora?


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sol ama lua
lua ama sol

sol morre de paixão pela lua
lua morre de paixão pelo sol

***

solelua



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quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Múmia - por Leo Santos

Sem a vara de Moisés, sangue nas águas,
corre o rio, ou correm mágoas?
Suporta ácidos, e tantas máculas,
Ainda a mordida, de tantos Dráculas.

Segue sereno, só por seguir,
se fezes navegam, não vai resistir;
quando o homem tem sede, está bem ali,
mas se é muita sede, não está nem aí…

Doa cascatas, empresta espelhos,
pra Narcisos, ou monstros quaisquer;
sentenciado, estoico, bebe a cicuta,
e não chama ganância de bela mulher.

Executado, seu fantasma assombra.
então os peixes, morrem de medo;
sepulto no próprio leito, cova rasa,
múmia exposta, tétrico brinquedo…



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A Banalidade da Morte - por Duanny

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Um dia ensolarado, com um calor tremendo e o ar abafado, não era um bom cenário para um velório, as ruas estavam mais desertas, as pessoas mais caladas, nada se via, nada se dizia, mas o que pensar quando a morte se aproxima tanto de você?!

Eloiza nunca tinha ido a um velório antes, mesmo quando seu pai morreu, não porque ela só tinha 8 anos, mas sim porque não era uma boa hora para ver seu pai dentro de um caixão.

Chegando à porta do velório teve a impressão de todos estarem olhando para ela, corroendo-a, explorando com os olhos seu interior, investigando seus segredos, mastigando abusadamente seus desejos mais obscuros, mas ela só conseguia ver olhos marejados, cheios de ódio e com um brilho de saudade, não um brilho qualquer, um brilho que deixava rastros, poderia cegá-la se ela tivesse coragem de encará-los, mas para Eloiza ter suas lembranças mais pavorosas sendo arrancadas por um olhar era demais para ela. Preferiu simplesmente entrar, o mais silenciosamente que pôde, mas isto parecia inútil, todos a ouviam, todos a viam, seus pensamentos estavam gritando para todos aqueles ouvintes melancólicos que ela estava ali por pura consideração a uma amiga, não conhecia a Falecida, só estava ali por consideração; mas porque todos a olhavam, todos a invadiam, entravam e saíam de sua mente descaradamente, sem nenhuma cerimônia, porque?

Eloiza procurava sua amiga como uma desculpa para se livrar de todos aqueles invasores, era o único velório do dia e ela estava lá paralisada, estática, ao lado de um caixão aberto. Havia algumas pessoas sentadas ao seu redor, mas a única que tocava no cadáver era ela, a filha, cercada por uma tristeza... Seus olhos não tinham o mesmo brilho dos outros, pelo contrário, estavam opacos, opacos pela solidão que agora tinha se apoderado de todos os cantos daquele coração, Eloiza se aproximou da amiga, ela a fitou com alívio, mas o que dizer agora? Perguntar “tudo bem?”, não, não tá tudo bem, dizer o quê quando a mãe de uma amiga falece? Ela preferiu o mais óbvio “meus sentimentos”, foi a única frase que se ouviu pronunciar dos lábios de Eloiza, a amiga retribuiu com um abraço, frívolo, em respeito.

Pela primeira vez Eloiza olhou para o caixão, era uma mulher já idosa, mas dava para se notar que era vaidosa o suficiente para pintar os cabelos e esquecer que o tempo a invadia. Ela poderia estar dormindo, sim, poderia, mas aquele caixão era demasiadamente desconfortável, tinha em volta muitas flores, ela não poderia se mexer, não daquele jeito, nas mãos havia rosas e uma bíblia, mas ela continuava ali, dormindo.

Não a conhecia, nunca tinha visto aquela mulher antes, mas um sentimento pavoroso tomou posse do coração de Eloiza, ela estava ali dormindo, sim, dormindo, não podia se mexer, mas não era isso que a assustava, ela não respirava, os pulmões não tinham mais ar, nas veias o sangue não corria mais, mas ela estava ali dormindo. Eloiza queria gritar, “ela não tá respirando”, queria acordá-la e falar com ela, queria ouvir a voz daquela desconhecida, mas ela não exalava vida, não havia presença, somente o corpo, a coisa mais mórbida que ela já tinha visto.

Eloiza ficou um tempo paralisada observando o cadáver, nunca tinha visto nenhum, por um momento começou a imaginar todos os entes queridos que já partiram dentro daquele caixão desconfortável e os imaginou também sendo enterrados. Como poderiam enterrar aquela mulher que, mesmo não respirando, continuava dormindo, continuava, ali presente?

Eloiza virou as costas e saiu do velório, agora ela tinha o mesmo brilho nos olhos, conseguia ver aquela mulher idosa dormindo em meio a flores, que ainda iriam apodrecer embaixo do solo, junto com os vermes mais nojentos, que iriam se alimentar de uma carne que não sangrava mais, que não sentia mais, uma carne em decomposição, esquecida, deixada em um lugar em que somente a memória poderia visitar. Naquele mesmo dia Eloiza decidiu ser cremada e depois ter sua cinzas jogadas em uma roseira, não queria dormir em um caixão desconfortável, queria fazer parte do perfume, queria exalar e participar da felicidade dos corações apaixonados, mesmo que ela se encontrasse decomposta, sozinha, derrubada e morta.



“A verdade é que todo mundo vai te machucar, você só tem que decidir que lado vale a pena sofrer.”
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Duas Coisas Tão Distintas Como “Meu Amor” e “Meu Amor” - por Violeta

Meu amor, basta ouvir a entoação. Repara, quando digo “meu amor” digo-o de forma diferente de “meu amor”. É bem claro, se digo “meu amor” não digo “meu amor”. Entendes, meu amor? “Meu amor” chamo a quem gosto e por quem tenho estima. Já “ meu amor”… não. Não chamo a ninguém. Devo ter chamado “meu amor” a duas pessoas na minha breve vida, mas não volto a dizer. Não. Fechei quem de direito à chave e não volto a abrir. Acabou. Acabou e não há mais “meu amor” para ninguém. Fico com os “meus amores”. Pessoas de quem gosto e pelos quais tenho uma leal estima e que vão deixando marcas… marcas bonitas de serem sentidas.
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Desenho de Violeta
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terça-feira, 27 de outubro de 2009

O Cavalo Branco de Napoleão - por Fatinha

Querido Brógui:

Sou pretensiosa. Muito. Um poço de pretensão. Trabalho na rede pública de ensino e ainda tenho a pretensão de querer que os alunos libertem-se de parte sua ignorância.
Pois bem, vamos então aprender umas coisinhas acerca da Crise de 1929. É, “acerca” junto, não é “a cerca”, não estou cercando nada. É, crack da Bolsa de Valores, quebra. Não, não é aquela droga que se fuma por aí. Posso começar? Vou explicar o básico do básico. Nada muito profundo, que demande o uso de mais de um neurônio. Demandar? Demandar é exigir. Quer dizer que seu cérebro não vai ficar muito cansado. Deixa o Tico dormir e acorda só o Teco. Posso continuar? Então, presta atenção.
Blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá Alguma dúvida? É facinho, não é?
Agora, vamos fazer um exercício para fixar o conteúdo. Tudo bem? Primeira pergunta: quando aconteceu a Crise de 1929?
Professora, isso tá no caderno?
Se o Querido Brógui fosse audiovisual, eu dramatizaria, mas como vocês me conhecem, então podem imaginar as caretas.
Iniciei os procedimentos de ressuscitação daquela alma.
Coloquei as mãos no peito simulando um enfarte e gritei, em voz dramática: “PÁRA TUDO!!!!”
A turma inteira deu um pulo da cadeira.
Baixei o tom de voz e disse, meigamente, para a criatura: “Meu amor, acho que você não leu a pergunta direito. Em que ano aconteceu a Crise de 1929?”
A turma, tão incrédula quanto eu, olhou para a menina. Alguns também colocaram as mãos no peito, outros na cabeça, um deles teve uma crise de apneia, outra escorregou da cadeira. Isso eles aprenderam direitinho comigo: como fazer palhaçada.
A menina olhou pra mim, com cara de ponto de interrogação.
1910?
Dei outro grito, me contorci como se tivesse tendo uma convulsão.
Repeti num tom de voz choroso: “Minha flor de formosura, vou perguntar de novo, bem devagar: em que ano aconteceu a Crise de 1929?”
1930?
A comoção foi geral. Parecia final de campeonato, quando todo mundo fica estressado querendo entrar em campo para fazer o gol da vitória.
Perdi a linha, peguei o meu chaveiro de cachorrinho, parti pra ignorância e o arremessei na menina. Errei. A aluna que estava sentada ao seu lado começou a socar a mesa enquanto os outros urravam desesperados: “CRISE DE 1929! 1929! 1929!”
Num último sopro de resistência, perguntei, desesperada: “EM QUE ANO ACONTECEU A CRISE DE 1929?”
1929?
A turma explodiu em aplausos (tá pensando que só eu sou debochada?). Abracei e beijei a menina, comovida. Puxei até um corinho com o nome dela.
E neguinho ainda acha que a piada do cavalo branco de Napoleão é apenas uma piada…



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Cegueira - por Alba Vieira

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Um olho cego
É o que só enxerga
Coisas que quer ver



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Parabéns, Minha Sobrinha! - por Ana

Hoje faz aniversário
Minha adorável sobrinha
Que assim, desde pequena,
Eu chamo de Minhoquinha.

Nasceu tão séria, sisuda,
Tímida, bicho do mato,
Vivia agarrada na mãe,
Não largava nem por mandato.

Cresceu, mudou uma vez,
Mostrou sua alma milenar,
Sempre sensata, cordata,
Tão sábia! De assustar!

Transbordou maturidade,
Chegava a impressionar.
Os adultos se espantavam
Com sua postura sem par.

Cresceu, mudou outra vez,
Hoje é alguém tão sociável!
Nem lembra a pequenininha:
Totalmente incomparável!

É amiga justa, leal,
Seletiva, agradável,
Em seus assuntos reservada,
Mas é um ser adorável!

Eu amo esta menina,
Esta alma veterana.
Aqui te deixo mil beijos
E os parabéns, Juliana!
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Livre! - por Leandro M. de Oliveira

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E se Deus for só um fetiche? Uma coisa que os homens inventaram para se sentirem menos impotentes frente ao pasmo da vida e mais tarde o mercado (única divindade realmente sensível) apropriou-se dele como um produto que se autopromove, um negócio de poucos investimentos e lucros exorbitantes. As pessoas morrem de fome, ignorância, aids... e os bispos alegres e remotos ainda a viver em seus palacetes, e os pastores abstraídos e dissimulados em suas lanças ou iates. Tudo é uma farsa. A utopia cristã do altruísmo serve só a quem se beneficia da indulgência dos humildes. O que resta disso é um contínuo engodo, uma coisa construída e reinventada ao longo dos séculos, pra que a sua anestesia dure mais. As religiões foram, sem exceção, erguidas através de dogmas forjados. Seria talvez um ato de lucidez inconveniente pensar que no decorrer desse culto à mentira o homem esteja ajoelhando-se perante Satanás chamando-o de Senhor. É possível. Todavia não creio nisso como algo sujo em relação à pessoa, toda servidão é em essência blasfema à vida em si. Os homens deveriam viver como leões, isso seria respeitoso para com a natureza, mas alguém disse sobre ser como ovelhas. Um tedioso e monocromático rebanho ao bel-prazer de um leão travestido de carneiro chefe. Todos acharam isso fantástico. Pelo menos é o que minha avó tentava me dizer na infância, claro, com outras palavras. Bem-aventurados os simplórios, pois deles será o reino das noites bem dormidas. Enquanto andava pelas ruas vazias da cidade dava incessantemente graças à força invisível (que nem sei se existe) pelo nascimento de todos os transgressores da história. A mim, morrer com ideias frustradas parece ainda mais atrativo que viver como uma prostituta, talvez seja coisa da idade. O que há de divino no homem ainda não foi vislumbrado, as pessoas admiram demais as ornamentações nos jardins do templo, mas esquecem-se de examinar o que há sobre o altar. De qualquer forma, entre outdoors e reflexões os primeiros sempre foram considerados menos cansativos. O que foi feito da raça humana? A revolução científica, o renascentismo, o iluminismo, todos os ismos produzidos na minúscula história humana à qual alguns reivindicam uma grandeza infinda. Todos eles e toda ela são testemunhas cabais da miséria coletiva. A ânsia pelo inatingível, pela felicidade que não perece.
E a cada dia um novo messias propõe as fantasias mais obscenas ao povo, venha ele em forma de pessoa, ideologia ou sistema político. A observação empírica mostra: durante o amanhecer até mesmo um anão projeta grandes sombras. Vivemos em uma era ainda muito primitiva, a fantasia domina, o avaro é seguido como tendência de moda. Por que se preocupar? Mais algum dinheiro no cesto e alguns minutos de joelho são suficientes, amanhã estaremos todos no paraíso. A redenção tornou-se tão prática quanto macarrão instantâneo. Enquanto a maioria faz apoteose aos mistérios desvelados, sinto náuseas toda a vez que se mos oferecem. Pode ser que o preço da liberdade seja o vômito involuntário.
Enquanto isso nas escolas, nos quartéis, nas igrejas e nas casas as pessoas vão mentindo a si mesmas. Tudo pela prosperidade do pacto social, aquele mítico documento do qual ninguém nunca me apresentou uma linha do conteúdo. Agostinho de Hipona foi um homem, foi uma pessoa difícil; ao se acovardar do próprio intelecto disse a célebre frase: “Credo quia absurdum” isso ecoa com gravidade em nossos tempos. De qualquer forma há um mistério insondável, o fato do ente humano preferir acreditar no absurdo e no improvável em prejuízo à análise do óbvio. Será a transição do macaco para o homo sapiens uma feita inconclusa? Talvez eu seja um pássaro que perdeu as asas, talvez uma estrela decaída. Tente não pensar nisso, tente não comer tanta coisa industrializada. A vida é mais que isso e menos que qualquer outra coisa. Ouso por ser efêmero, sou imortal por acreditar no agora. Ninguém vai te salvar por piedade, procure oferecer algo em troca. Não quero a onipotência de um velho sentado em um trono, não preciso do estático do sempre. Quero a vida, quero o rastro do que se esvai à medida que os instantes vão passando. Pra mais tarde, quem sabe se reinventar ou ainda, se perder no oco do tempo de uma vez por todas. E disso sou feito, de delírio e sonho. De delírio crença na diferença, de sonho espera no agora. Enquanto os outros riem pelas planícies eu grito no alto dos montes. A esquizofrenia é meu veneno tanto quanto meu antídoto. Sou normal? Não, não quero ser. Prefiro estar apenas liberto. Prefiro acordar de noite e dormir de dia.


Santo Agostinho.

Pensando Bem... - por ZzipperR

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Fique tranquila, amiga Ana, pois pensar é para poucos. Vivemos em uma sociedade sem cabeça, por isso pode pensar à vontade...



Comentário em O Estratosférico Preço do Pensar, de Ana.
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Visitem ZzipperR
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segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Saudade - por Marília Abduani

Ave que voa rasteiro
dispersa,
sombria,
irisada pelo sol da manhã.
Provoca calafrios,
goza profundamente
ante a nossa fragilidade.
Dor fria e imóvel,
ata o nosso destino:
consolo áspero.
Compacta como a noite,
a saudade,
constelação de sonhos,
insaciável, deixa oca a nossa cabeça.
Masturba a nossa inocência
e o nosso coração, oceano humano.
Azinhavra a nossa pureza
e atropela o nosso orgulho.
Faca de dois gumes.
É morna e é quente.
É dura e é terna.
Eternamente saudade.



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Solidão - por Alba Vieira

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Solidão cessa
Quando compartilhamos
Um pensamento



..........................................Visitem Alba Vieira
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O Estratosférico Preço do Pensar - por Ana

Para mim, o preço a pagar por se ter opinião própria é andar com a etiqueta da esquisitice pregada na testa. Expressões atônitas e comportamentos posteriores de evitação são muito comuns no meu cotidiano...
Mas vendar os olhos?... Bem que, de vez em quando, eu preciso muito disso... Mas quem disse que consigo? Já pensei, algumas vezes, se é o mundo que me choca ou se é o meu olhar para o mundo que me fere...



Comentário em O Preço do Pensar, de Gio.
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Teoria Literária e Questionamentos sobre o Indriso - por Esther Rogessi

Essa variante surgiu devido ao apreço e requinte existente no soneto. Surgiu no século XX, na Espanha, criado por Isidro Iturat, espanhol de Villanueva i la Geltrú, nascido em 1973. Isidro pensou em uma nova forma de soneto e este novo formato caiu ao gosto de vários autores, espalhando-se na Europa.
Em verdade diz o seu criador: “O indriso é uma imagem que a minha cabeça criou de forma espontânea. Às vezes, faço o exercício de visualizar a estrutura dos poemas mentalmente. O indriso surgiu em um momento em que meditava sobre o soneto e em um determinado instante, vi as estrofes da figura clássica se condensando desde o padrão (4-4-3-3) para o (3-3-1-1)”.
Hoje, radicado em São Paulo /Brasil, desde 2005, Isidro leciona literatura espanhola e se dedica à arte da escrita.


Curiosidade
A origem da nomenclatura: sendo o indriso uma variante do soneto, o qual, alguns atribuem a criação a Jacopo Lentini, aconteceu um fato curioso na vida de Isidro: uma garota, contando os seus três anos de idade, esforçando-se em chamá-lo pelo nome, sem conseguir, insistia em dar-lhe o nome de Indriso. Isto chamou a atenção daquele que viria ser o criador da variante do soneto: “o indriso”.

Podemos encontrar no site Indrisos.com a primeira coletânea do autor, “El Manantial”, inteiramente disponível online. Há exemplares em outros idiomas além do espanhol. Inclusive tupiniquês.
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Exemplos (3-3-1-1)

Luna Menguante
................(Isidro Iturat)

El sentauro se asoma por la ventana
Y La mujer dormida está hablando em suemos
Llora y rie porque um centauro la rapta

Cabalga em su sueño la mujer dormida,
Cabalga em su sueño y es cabalgada
Em La selva, nadie la oye cuando chilla

Llora y ríe como nunca em vigília

El centauro la mira por la ventana



Quem Me Dera... Poder Ser Eu!................................(Esther Rogessi)

A lágrima que não chorei,
e o grito que não fiz ouvir,
em mim tranca se fez...

Verdades que não falei,
E, o amor que não vivi...
Assim, minh’alma mutilei.

Quereres que só eu quis...

Eu poderia ter sido feliz!


Indriso publicado como destaque no livro “Versos Inéditos”, jul./09.
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Isidro usa de transparência ao afirmar e defender a tese de que a sua criação inovadora é definida pela estruturação, à qual ele impõe os limites que se seguem, segundo as suas palavras: “O único limite no indriso está na associação dos dois tercetos e das duas estrofes de verso único duplicados, pois é isso o que o define. Em relação a outras particularidades textuais (medida nos versos, rima, temática, estilo, associações de vários indrisos etc.) o autor tem total liberdade criativa.” Palavras de Isidro Iturat quando em entrevista à Revista SAMIZDAT.
Em outra entrevista à Revista Los Argonautas.net, Espanha, mar./09, o escritor e poeta nos esclarece as limitações de tal estruturação e diz: “O indriso é um poema estruturado em (3-3-1-1), que admite qualquer tipo de rima e medida (métrica), nos seus versos.”
Ou seja: sua estrutura é livre quanto a rima e métrica, porém, se não estiver estruturado dentro da forma (3-3-1-1), não será o indriso criado por Isidro Iturat.

As inúmeras variações que se nos apresentam são de outros autores. Os estudos por eles feitos ao longo dos anos deram origens a novas formas de estruturações, geradas do indriso original.
O escritor diz ter conhecido formas e esquemas, tais quais podemos ver a seguir: 3-3-2, 3-3-3-1-1, 4-4-1-1 etc. Autores diversos têm chamado a essas novas formas de indrisos. No entanto, diz Isidro não achar pertinente assumi-los como tais, pois mesmo que sejam oriundos do esquema 3-3-1-1, ficam longe do original. Isto, no tocante ao ritmo, visual e arquétipo. Exorta a todos quantos estiverem usando as novas estruturações a procurarem “outras denominações e/ou nomenclaturas, para se referirem a elas...”
“Devemos considerar o fato de que, assumindo-os, poderíamos cair em uma ILIMITAÇÃO, o que tornaria a sua definição sem sentido” - afirma o escritor. Por outro lado, a escritora uruguaia Teresa Marcialetti apresentou a Isidro uma proposta, a qual o escritor viu de forma diferente, achando coerência em seus estudos. Ela investigou as possibilidades de combinações do 3 e do 1 duplicados. Por sua vez, Isidro, com a devida permissão, também estudou o assunto. Contrariamente a todos os outros esquemas por ele vistos, achou grande afinidade entre o 3-3-1-1 e outras variantes mostradas a seguir, considerando as formas em que os dois tercetos e as estrofes de verso único podem se relacionar.

Isidro acha adequado considerar uma nova terminologia baseada nos conceitos de sístole e diástole, entendendo a transição de 3 para 1 como um movimento de contração do discurso e a transição de 1 para 3 como um movimento de expansão:
3-3-1-1: indriso ou indriso em sístole
1-1-3-3: indriso em diástole
3-1-3-1: indriso de duas sístoles
1-3-1-3: indriso de duas diástoles
3-1-1-3: indriso em sístole interna
1-3-3-1: indriso em diástole interna

Como vemos a seguir existem inúmeras possibilidades de estruturação: 3-3-2-2; 2-2-1-1; 3-3-1-1... Podemos denominá-las indrisos?



O Laço (3-3-2-2)..................(Esther Rogessi)

O amor é um grande laço...
Lindo como o jasmim...
Em minha volta o teu braço,

Não te separas de mim...
O caminho contigo faço,
Apegamo-nos enfim...

Não é de fita esse laço...
Estás contido em mim!

Dele não se desvencilha,
Não se tem como fugir...
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Publicado como destaque no livro “Versos Inéditos”, jul./09.
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Retalhos (3-3-1-1)
Trago em minh’alma múltiplo sofrer,
Chegando assim, a ser, tornei-me nulo ser.
Exausto viver, quero não mais querer!...

Nulo existir, enfim: Quem vive em mim?
Quero sem ter, tenho o que não quero.
Quereres adquiridos sou um ser induzido!

Tecido de carne e sangue, robô sensitivo!

Sentindo e sofrendo, por não agir, morrendo!
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.Fontes de pesquisa: Google; Revista SAMIZDAT e
Revista Los Argonautas.net, Espanha, mar./09.
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Precipitação Funérea - por Kbçapoeta

Não há nada igual!
O fim pode trazer
Surpresa, com efeito, colateral.
Intransigente, diferente,
Muito aquém do casual.
Nada de mal!
Nada demais.
O sortilégio do mistério,
Lapidar a pedra bruta
Na ourivesaria das virtudes
E ao menor descuido,
Quedar-se na homeopatia da ilusão.
Eu, Você.
Diferença abissal
Faz-se quando corpos
Abraçam-se em um velório.
Sob o mesmo temporal.



Visitem Kbçapoeta
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domingo, 25 de outubro de 2009

Rio de Janeiro em Guerra! - por Adir Vieira


O Rio de Janeiro está em guerra. Lamentável!
Quando, em minha adolescência (época em que os pais de crianças com dez anos jamais se preocupavam em deixá-las ir sozinhas à padaria), eu imaginaria que hoje, em minha “velhescência”, estaria vivendo esse horror?
Já há alguns meses, creio que a maior parte dos brasileiros, principalmente os cariocas, já sabem, por “a mais b” que não têm ninguém em quem confiar para tirá-los desse pesadelo.
Desde o tempo em que os melhores imóveis da Tijuca tiveram que ser quase vendidos a preço de bananas, o Rio de Janeiro vive esse terror, mas confesso que como ocorreu no sábado, nunca imaginei que pudesse acontecer.
A forma como esse tipo de coisa interfere na nossa saúde é direta, sem condescendência. Mesmo morando distante do local onde o helicóptero foi alvejado, a dor na nuca indicou meu desalento. Sofri com as pessoas correndo por entre carros, fugindo de possíveis balas perdidas, quando os policiais revidaram ao tiroteio.
Imaginei pessoas em casa paralisadas, deitadas no chão, enquanto durava o confronto. Ouvi o choro de crianças que com tanto barulho, não entendiam o que estava acontecendo. Senti o desespero dos idosos e daqueles que já não podem mais correr e se refugiar não se sabe onde para escapar da morte.
Que lamentável está a vida, meu Deus!



Visitem Adir Vieira
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Sobre a Ofensiva da Polícia nas Comunidades do Rio de Janeiro - por Alba Vieira

É insustentável para a população que mora em comunidades do Rio de Janeiro, a situação que agora se apresenta: um clima de terror inviabilizando o cotidiano de quem lá reside, diuturnamente.
É óbvio que nenhuma outra administração enfrentou o problema da criminalidade com tamanha coragem e persistência quase obsessiva.
É evidente que quem mora em comunidades gostaria de se ver livre dos traficantes que lá infernizam as suas vidas.
É notório que não se resolve o problema das drogas e da criminalidade ligada ao tráfico apenas com a repressão e prisão dos bandidos sem as medidas que resolvam os problemas sociais gravíssimos por trás disso.
Ninguém ignora que o trabalho da polícia, deixando-se de lado a corrupção de alguns profissionais, é importantíssimo, desgastante, altamente estressante e exige um desprendimento e vocação enormes.
Claro que os bons profissionais merecem todo o nosso apoio e louvor pela proteção que nos concedem.
Mas o que assistimos na última semana foi um descaso total com a vida, transformando o bairro da Penha numa praça de guerra, com um tiroteio próximo a uma unidade de saúde, ignorando completamente a presença de pessoas comuns nas ruas, incluindo idosos, crianças e doentes.
É triste saber que situação parecida vem afetando tantas outras comunidades desde o ocorrido na invasão do Morro dos Macacos e a derrubada do helicóptero, matando os policiais.
O que é isso? É a banalização completa da morte? É a ode ao ódio?

O corpo da polícia quer encontrar os bandidos audaciosos que mataram seus companheiros.
Policial não é pago pra morrer.
Os bandidos devem ser presos.

Mas isso que vem ocorrendo me parece mais brincadeira de bandido e mocinho das crianças: uma vergonha para o Rio de Janeiro.

Isso tem que parar!!!!!!!!!!!!
O enfrentamento da criminalidade pela polícia, feito desta forma mambembe, só está ceifando vidas inocentes.
Onde estão as entidades que cuidam dos direitos humanos???????????????



Visitem Alba Vieira
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Paixão - por Esther Rogessi

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Frente a frente de ti
Perco do mundo a noção
O meu coração pulsa forte
Ouço o badalar de sinos
Murmúrios e desatinos
Sou vulcão em erupção
Frente a frente de ti
Perco do mundo a noção
Tua boca tal qual ímã
Suga o meu olhar...
Sedento pelos teus lábios...
Que aos meus vem procurar
Minha boca assim, fremente
Colada unida à tua
Dentro delas bailarinas nuas
Contorcem-se, enroscam-se...
Prazer há no paladar
Minha língua toca a tua
Abraçam-se... Tremulo nua.
Bailando tocam o céu
Da minha e da tua boca
– O amor me faz audaz –
De outra... Louca... Rio se faz!



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sábado, 24 de outubro de 2009

O Grande Mico que Paguei e Depois Chorei... - por Adir Vieira


Hoje já se passaram dois dias do ocorrido, mas ainda sinto lá no fundo uma ponta de mágoa pelo que fiz. Para que vocês entendam, vou relatar aqui e dividir com vocês.
Temos um profissional eletricista que já há uns dez anos nos atende. Há uns dias atrás, esteve ele aqui em casa para desinstalar um ventilador e instalar um outro. Calmo e eficiente, além de muito educado, o deixamos à vontade no seu trabalho, haja vista a grande confiança que sempre depositamos nele.
Dessa vez, no entanto, estranhamos o fato de estar demorando tanto e fomos ao local ver o que acontecia, quando o vimos andando de um lado para o outro com o manual de instruções nas mãos. Ele é um sujeito de pele clara que, naquela altura, estava vermelha como um pimentão.
Perguntamos o que estava havendo e ele, muito sem graça, explicou que não conhecia aquele modelo de ventilador de teto, novidade no mercado, e que tinha esquecido os óculos e não conseguia ler as instruções. Meu marido prontificou-se a ler para ele, mostrando os gráficos.
Lia, mostrava, lia, mostrava, mas ele não entendia e repetidamente perguntava:
- Onde ligo o fio cinza? Só preciso saber do fio cinza! - cada vez mais demonstrando estar nervoso.
Da cozinha, eu ouvia e estranhava o que estava ouvindo, quando pedi ao meu marido que emprestasse a ele os seus óculos para uma tentativa de, quem sabe, se os céus ajudassem, eles pudessem servir, por eles terem o mesmo problema ocular! Mais eu estranhei a negativa do meu marido que, firme, me olhava e dizia:
- Não precisa, deixa que eu vou ler para ele.
Dois medos tomaram conta de mim - uma instrução interpretada erroneamente pelo meu marido e a falta de confiança naquele profissional de ouro que, por ter esquecido os óculos, tinha se tornado profissional de lata. Daí, apressei-me a pegar meus próprios óculos e forçá-lo a colocar no rosto, para tentar enxergar. Muito sem graça, ele repetia:
- Com esse aí mesmo é que eu não vejo nada.
Fiquei nessa tentativa pelo menos uns dez minutos, fazendo com que ele experimentasse cinco pares de óculos.
De repente, eu mesma descobri etiquetas nos fios indicando os locais onde deveriam ser ligados.
Quando acabei de ler, o eletricista suspirou de alívio. E nós também!
Por fim, meia hora depois, o trabalho foi concluído com pleno sucesso.
O mico veio por conta do que meu marido contou após sua saída. Ele na realidade não tinha “esquecido” os óculos. Não lia porque era analfabeto.
Naquele momento me dei conta do meu “mico” e senti na pele a dor que ele deve ter sentido com minha insistência boba.



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