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sábado, 2 de agosto de 2014

Café de todos os dias - por Thiago de Sá

O cheiro do café me pôs de pé,
o sol raiava tímido.
O vento era frio e aconcheguei-me,
a cama era quente,
meus olhos estavam dormidos.
Mas o cheiro do café me pôs de pé,
ao longe ouvia sons de realidade,
bem longe meus sonhos se iam
E o cheiro do café...
Esse cheiro de café...
Vence qualquer preguiça.

Mãe, meu café, por favor!

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domingo, 7 de julho de 2013

Agora Não, Skype! - por Adir Vieira




 
Ligo o computador e imediatamente e automaticamente entra o Skype e o MSN.Às vezes isso é tão bom!
Mas hoje, especialmente hoje, não foi.
Vejam bem! Eu já estava atrasada para o Banco e ainda tinha que imprimir dois boletos de pagamento. Os sites procurados não facilitavam a entrada talvez por ser início de mês, o que retardava minha saída ainda mais.
E nesse pequeno tempo que me parecia uma eternidade, a campainha sonora do skype me chamando não dava trégua, desligando e ligando a cada três minutos.
Como se não bastasse esse chamado, minha amiga começou a escrever mensagens no MSN abrindo e fechando a tela do site do meu interesse naquele momento.
Eu já estava a beira de um ataque de nervos, quando deseducadamente, mudei meu status nos dois programas para offline, quando para meu castigo, caiu a conexão com a Internet, fazendo com que eu me dirigisse aos Bancos para realizar os pagamentos.
 
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sábado, 14 de julho de 2012

Como? - por Ana


Como viver a paixão em meio a toques telefônicos ininterruptos? Como beijar, aprofundar, mergulhar se vivemos na poça rasa da necessidade de atenção alheia a incessantes frivolidades?
Como olhar profundamente os olhos de seu amor, convidando-o àquele lugar só seu, se a qualquer momento vocês serão arrancados para o insípido mundo compartilhado por tantos?
Como ser profunda, abissal, plutoniana, fervente, arrebatadora, quando você é constantemente arrancada de si mesma por outros?
Como amar as diferenças cotidianas? Como manter os cômodos enluarados, as românticas velas acesas e a sensação de brisa leve nos cabelos ao se olhar o nascer do sol?
Vou esperar a noite, fechar as cortinas, apagar as velas e ver se encontro uma solução.
 
 

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Ai, Meus Ouvidos! - por Adir Vieira


Hoje meus ouvidos estão sensíveis. E, logo hoje, terei que acionar o telemarketing do meu cartão de crédito para pagamento de contas.
Valorizo e muito os sotaques e as maneiras de falar do povo brasileiro. Chego a desejar ter nascido em Minas Gerais para poder falar daquela maneira mansa, puxada nos “esses” com graciosidade. No entanto, acho que todo o serviço de telemarketing do país está centrado em São Paulo e nada me irrita mais do que ouvir aqueles “meeeeeeeennnnnnnnnnnnttttttttttoooooooo” todos e nunca vi arranjarem tantas palavras como momento, agradecimento, para povoar nossa conversa. Parece que o treinamento desses profissionais gira em torno daquela calma aparente que nos faz aguçar a cada sílaba mais e mais nossos ouvidos e fazê-los repetir cada palavra mais vezes. E ainda por cima incluem no discurso aqueles chavões “vou estar transferindo...”, “a senhora vai estar confirmando” etc.
Nada contra os paulistas, igualmente aprecio o sotaque daquela terra, mas o treinamento dos profissionais, pelo menos para mim, é desaconselhável em qualquer equipe de Recursos Humanos.
Parece que para nos irritar ainda mais a demora oriunda desse atendimento nos faz ficar mais de quinze minutos na espera, tentando adivinhar o que ocorreu na transferência da ligação da telefonista para o setor responsável. Por repetidas vezes, temos que desligar e ligar novamente e explicar tudo mais uma vez, até, enfim, sermos atendidos por aquelas menininhas chatinhas, com aquela voz igualmente chata que nos faz informar até a cor da nossa peça íntima. Sei que vou levar pelo menos uns quinze minutos e vou gastar mais de três ligações para concretizar o que preciso - apenas pagar uma fatura.
E, logo hoje, que meus ouvidos estão tão sensíveis...


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domingo, 20 de março de 2011

O Bolinho de Batatas que me Deixou Embatatada! - por Adir Vieira



Ontem me aventurei a fazer frituras. Confesso que não é hábito meu. Não sei porque acordei sonhando com um bolinho de batatas recheado com salsicha. Talvez se eu não tivesse em casa os ingredientes, até mudasse de ideia, mas a vontade era tanta que, logo após o café da manhã, coloquei mãos à obra nessa atividade.
Como de praxe, descasquei as batatas e as cozinhei até o ponto de purê. Fiz como sempre faço. Esperei a massa esfriar, para a ela juntar os ovos e a farinha de trigo. A qualidade da batata talvez não fosse propícia para aquela preparação, coisa que notei ao moldar os bolinhos, mas acreditei que envolvendo-os numa fina película de farinha de trigo, o óleo quente segurasse a massa, não causando o desastre não esperado.
Um minuto na frigideira e os bolinhos derretiam-se dentro do óleo, desagregando as salsichas que boiavam isoladas, para o meu desespero. Já tinha preparado uns seis bolinhos, junto aos quatro da frigideira, quando decidi desligar o fogo e jogá-los fora, literalmente.
Tencionei, com a massa restante, experimentar o forno. Novo trabalho. Untar tabuleiro, moldar novos bolinhos e besuntá-los com ovo no azeite. Programei o forno para vinte minutos e, ao soar do timer, minha surpresa foi ainda maior. Como na frigideira, se formou no tabuleiro uma massa única, tal qual uma torta malfeita, com a sombra das salsichas por baixo.
Enfim, lá se foram umas duas horas da minha manhã e não consegui saciar meu desejo, tendo ainda perdido dois quilos de batata, dois ovos, farinha de trigo, gás, meio quilo de salsichas, meia lata de óleo etc. etc. etc.
À noite, vendo o jornal da TV, tomei conhecimento de que, devido às chuvas, a qualidade das batatas estava inapropriada para consumo.
Antes tarde do que nunca!
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sábado, 12 de março de 2011

Ainda Sorumbática! - por Adir Vieira


Creio que essa virose é sinal dos tempos.
Tempos de desarranjos, de desencontros, de muitos “des” que andam por aí.
A gripe parece ter passado, embora com a voz ainda um pouco “fanha”. No entanto, minha boca apresenta sinais de vermelhidão e muitos cortes invisíveis me fazem quase chorar ao tentar comer algum alimento.
O corpo parece, ao acordar, ter sido pisoteado a noite toda. A aparência desmente qualquer desses sintomas e por mais que a gente explique os males, não acreditam de fato.
O pior é que as pessoas todas reclamam de já ter sentido essa “virose”, um único nome para tantas formas diversas de uma doença.
Sinto-me como uma cobaia dos tempos, sem saber até quanto ela vai caminhar dia e noite comigo, me deixando assim tão desanimada e sem vontade de levantar da cama...
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domingo, 6 de fevereiro de 2011

(Sem Título) - por Adir Vieira


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Parece que estou vivendo uma olimpíada doméstica. Com sono ou sem sono, todos os dias, às seis da manhã, o relógio falante do meu celular me avisa que eu tenho que levantar para medicar meu marido ainda convalescente. Levanto-me feito autômata e, ao abrir a porta do quarto, o ar abafado dos outros cômodos sem ar-condicionado parece me esbofetear, tamanha a força da diferença de clima.
Corro até a cozinha e, tateando, encontro a caixa de remédios, quando um sininho me alerta para ficar esperta e não medicar erradamente a criaturinha que ainda repousa nos braços de Morfeu.
Deito novamente, enfim, e tento conciliar o sono, mas como, se a tal pilulazinha age como uma bomba-relógio a acordar a mente do meu marido?
E ele fala, fala, fala ...
Decido então iniciar a primeira tarefa do dia, após minha higiene pessoal.
Ao mesmo tempo, ligo cafeteira, microondas e torradeira para propiciar um café quentinho e no ponto. Sinto que ainda estou sonolenta quando a faca corta o pão e meu dedo. Aí lá se vai o café quentinho, porque o sangue jorra e só estanca após o curativo feito analiticamente pelo meu marido.
Enfim, consigo requentar o café, mas ao levar a xícara à boca, o telefone insiste em tocar anunciando que algo importante vem a caminho.
E lá se vai meu café!
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terça-feira, 23 de novembro de 2010

A Falta da Internet em Nossas Vidas - por Adir Vieira

Ontem parei para pensar sobre a falta da Internet em nossas vidas. Vou cair no lugar comum, mas vou repetir o que a maioria das pessoas diz. Não sei como vivíamos antes da existência dessa mola que nos conecta, em segundos, com o mundo todo.
Ontem, ao ligar o computador, me vi desconectada e mesmo após realizar todos os testes necessários, por instrução da empresa telefônica, não consegui entrar no meu mundo diário através do PC.
Fui instruída de que teria que aguardar vinte e quatro horas pelo técnico da operadora. Nunca as horas foram tão longas num dia.
De repente, uma imensa lista de afazeres ligados à Internet povoou minha mente e confesso que me preocupei. Não temos ideia de como o computador faz parte da nossa rotina e com isso vai nos afastando do mundo físico, do contato com as pessoas, olho no olho, das descobertas que, sem ele, sem suas facilidades, poderíamos tentar descobrir por nós mesmos e com isso aprender cada vez mais.
A facilidade e a certeza de que o computador é nosso instrutor, nos coloca assim... totalmente dependente. Fiquei superpreocupada, mas ansiei para que a minha linha fosse logo restabelecida e eu pudesse voltar aos meus trabalhos junto ao computador.
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sexta-feira, 13 de novembro de 2009

O Motoboy - por Ninguém Envolvente



Mais uma quinta-feira normal e nublada, até que um estrondo entra pela sua janela, parecendo ser um atropelamento. Olhando para fora, você avista um motoboy e um destroço do que seria seu veículo de trabalho.
Um tumulto é então formado, todos querem saber e ver se está vivo ou morto entre outros pormenores. Mas a ambulância só é chamada quando uma pessoa NÃO SE ENVOLVE com a cena e tem a visão crítica de que o motoboy precisa de cuidados e não de curiosos.
Não se sabe porque e nem como ele caiu, mas já se escutam rumores de que o motoboy estava correndo, o motoboy estava errado, o motoboy isso e aquilo. Enquanto, decentemente, uma pessoa grita no burburinho “o motoboy escorregou no asfalto molhado pela chuva”, calam-se todos e aos poucos vão embora.
Trinta minutos depois, a ambulância aparece e o socorro é prestado. E a vida volta ao normal. Com o mesmo individualismo, egocentrismo e todos os ISMOS humanos. Até que outro motoboy caia e tudo recomece.


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sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Hábito - por Ninguém Envolvente

Que sono... Zzzzzzzzzzzzzzzz...! Quando eu vivia no interior escutava histórias de pessoas que moravam em São Paulo, escutava casos de pessoas que nunca tinham tempo para nada, casos sobre o trânsito carregado, casos sobre o ar ser péssimo e muitas outras coisas.
Mas sempre tive uma imagem boa da megacidade e hoje moro aqui. No começo foi estranho e ainda é! As pessoas sempre correndo, meus vizinhos quase não dormem e o trânsito realmente é um caos.
Morei em dois edifícios, mas em três apartamentos diferentes. E em todos eles pude constatar algo muito parecido: meus vizinhos nunca dormem.
Sempre à noite ouve-se um ruído de vassoura, salto alto, arrastar de móveis e vozes (para o leitor mais espiritual, garanto que as vozes eram do andar de cima e não um espírito de porco que veio me dar boa noite). É um hábito eterno e grotesco que acredito nunca terá um fim. Talvez a culpa de todo este transtorno seja a de que não fomos feitos para viver em colmeias iguais estes minúsculos apartamentos.
O hábito de chegar tarde em casa e fazer o que bem entender é bastante problemático para seu vizinho, talvez você não saiba, mas você incomoda MUITA GENTE... Reduza seu ruído.
A crença “os incomodados que se mudem” já saiu da moda, faça para seu próximo o que deseja para si mesmo, isto não é um ensinamento religioso, mas bom senso. Meu vizinho tem o hábito de levar uma vida noturna bem agitada e eu tenho o hábito de quase nunca reclamar, primeiro porque penso: ah ela já vai dormir e segundo: mesmo que eu reclame do barulho, ela não vai parar.
E assim vou vivendo... dependo do hábito e bom senso de minha vizinha, para que eu consiga dormir.
Antes de me mudar, prometo que deixo um DVD do filme “Mudança de Hábito” no andar de cima. Quem sabe ela se toca...


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sábado, 18 de julho de 2009

Cidade Maravilhosa - por Alba Vieira

A umidade relativa do ar está alta. Isto se reflete no humor das pessoas, há uma leve turvação da consciência. Geralmente, nestas ocasiões, o trânsito fica caótico. Quem observa, reconhece uma certa loucura pairando no ar e os motoristas têm uma direção mais perigosa. Durante a madrugada, a chuva caiu pesada. O dia amanhece trazendo os problemas comuns da cidade: falta de energia elétrica, ruas alagadas, escuridão completa aumentando o perigo de assaltos para quem sai pra trabalhar muito cedo. Nos pontos de ônibus, as pessoas esperam agoniadas sabendo que vão se atrasar para o trabalho e serem descontadas nos seus já magros salários. Os ônibus passam lotados e raramente param nos pontos, pois a pressa é maior, já que sabem que vão ter que enfrentar mais problemas no trânsito causados pela chuva. O estresse neste início de dia é maior para todos.

E acontece o já esperado. Em Benfica, logo cedo, há um grave acidente envolvendo três coletivos. Um deles atravessou o sinal vermelho. A confusão é geral. Há mais de trinta feridos, alguns com gravidade.
Quando passo pelo local posso ver o estrago nos ônibus com as partes dianteiras muito danificadas e intuo que, como provavelmente vinham muito cheios, isto justifica o grande número de pessoas feridas. Quatro ambulâncias estão paradas e, no gramado de uma praça, alguns feridos estão deitados, tendo o atendimento de primeiros socorros. O trânsito fica ainda mais caótico. Os carros estão retornando e isso embola ainda mais o que já é normalmente congestionado.
Penso que aquelas pessoas saíram de suas casas para o trabalho e hoje a sorte não esteve do lado delas, não as salvou da direção perigosa dos motoristas, das más condições de manutenção dos veículos e das pistas, da pressão das empresas aumentando o estresse dos seus condutores. Os anjos da guarda não deram conta. Pudera! Nem eles estão aguentando o aumento de trabalho e exigências.
Chego ao trabalho e começa o barulho de dois helicópteros sobrevoando o morro da Mangueira onde a polícia está fazendo mais uma das suas ações perigosas para os moradores, na busca de bandidos que, há poucos dias, mataram um policial que tentou impedir um assalto. Também há helicópteros de reportagem que tentam documentar e transmitir em primeira mão o acidente, mais um fato triste que faz parte da rotina desta cidade que funciona, na maioria dos setores, no limite da irresponsabilidade.
O que será dessas pessoas? Alguém as ajudará ou as compensará por terem sido sacrificadas nas suas vidas, para que os verdadeiros responsáveis por tudo isso ganhassem um pouco mais à custa do desespero dos seus funcionários? Pensando bem, talvez a sorte não as tenha abandonado de todo. Nesse turbilhão de tantas dificuldades cotidianas, muitos estão estagnados, entristecidos, deprimidos e um acidente assim é, ao menos, um acontecimento, tira as pessoas da situação de “morte” em que estão. De repente, tudo pode mudar, mesmo que seja para pior.
Logo, as notícias estão em todos os telejornais e nas rádios. Todos já estão habituados a esse burburinho e comentar sobre a desgraça alheia acaba dando um “colorido” aos dias iguais.

Mas há ainda outro sinal da “loucura” urbana bem perto dali. No viaduto Ana Néri, os bombeiros trabalham tentando convencer um suicida a desistir da solução que buscava naquele momento, para sua vida de desventuras. Mas consta que está difícil.

Assim está esta cidade. Dizem que acontece em todo lugar. Vejam como, ultimamente, andam caindo aviões por toda parte, sem explicações convincentes e aceitáveis. É tudo muito estranho! Entretanto, como em muitos fatos tristes e lamentáveis que vêm acontecendo aqui no Rio de Janeiro, os fatores incompetência, irresponsabilidade, negligência e impunidade ficam gritantes, como no ocorrido com o avião em que foi detectado um FURO de 30cm na fuselagem quando já tinha decolado e teve que fazer um pouso de emergência, felizmente bem sucedido.
Aqui, quando saímos de casa, estamos expostos a tantas coisas absurdas, que voltar para casa ileso no fim do dia passou a ser motivo de comemoração e de dar graças aos céus.
Assim, esbarrar em moradores de rua dormindo enrolados em plásticos escuros e quase cair, sofrer assalto desses mesmos esquecidos pela sociedade, cruzar com viciados em crack e ser vítima de suas atitudes imprevisíveis, sofrer um atropelamento na calçada, estar envolvido num acidente de trânsito no transporte que utilizar, ser agredido na estação por seguranças da ferrovia às vistas de policial pago pelo Estado para sua defesa ao tentar entrar num trem, ficar pendurado na porta de um ônibus ao subir ou cair no asfalto ao descer quando o motorista dá partida no veículo ou ser arrastado e morrer sob a roda do ônibus sem ser visto pelo motorista, ser atingido por bala perdida (ou não) em algum assalto da hora ou dentro de comunidade invadida pela polícia à procura de algum bandido, ter um traumatismo craniano ao ser atingido por algo que despenca de algum prédio como um vasinho de flores, uma ferramenta usada por algum trabalhador numa construção onde não se usa tela protetora, algum suicida que resolveu abreviar esse desespero em que se transformou viver ou mesmo pedaços de alguma marquise em mau estado de conservação são alguns dos exemplos de ocorrências frequentes. Há outras possibilidades como ser atingido em fogo cruzado nas ruas entre bandidos e policiais ou perto de comunidades, entre facções criminosas, ter um filho arrastado por bandidos que roubaram seu carro ou ter seu carro metralhado por policiais ao ser confundido com o de bandidos (depois de perceberem o engano poderão desaparecer com o seu corpo).
E se conseguir escapar de tudo isso no fim do dia, ainda terá que conviver com as contas a pagar, o mau humor e estresse dos que ficam em casa, as condições de sobrevivência piores a cada dia e os serviços mais deficientes onde mora e, caso seja idoso ou criança, ainda por cima sofrer os possíveis maus tratos evidentes ou velados da família ou cuidadores.

Refletindo sobre todas essas coisas eu me pergunto: o suicida não seria o mais coerente?
E duvido ainda mais uma vez que eu esteja vivendo na CIDADE MARAVILHOSA!



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sexta-feira, 10 de julho de 2009

Cotidiano - por Laila Braga

Sobre coisas que acontecem no dia-a-dia das pessoas e que elas nem ao menos notam.

Os pequenos pelos em movimentos circulares que circulam nas cerâmicas amareladas envoltas num alinhamento preto formado pelo tempo. Cima, baixo, lados e mais círculos.

Ver a mistura de tonalidades se misturando em globos de neves agitados pela mão que esfrega; ver a formação da espuma branca que se mistura em outras cores menos puras que a sua; amarelo, preto, branco... Todas elas. Todas juntas sem ao mesmo manter sintonia.

Desce o líquido transparente limpando as cores que unidas sem fazer questão se desfazem. Aí entra o dizer do pequeno grande Drummond “rolam num rio difícil e se transformam em desprezo”.



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Carlos Drummond de Andrade

quarta-feira, 24 de junho de 2009

A Fila - por Duanny

Já reparou como em todos os lugares tem uma fila? Fila para comprar pão, fila para pagar o pão, fila para pagar as contas, fila no hospital, fila para ver um show, fila para comer, fila até para morrer... enfim, o mundo atual é dominado por filas! Sim, ele é. E se não fosse, também, imagina só a zona!
Mas as filas não servem apenas para organizar. Você pode conhecer muito de uma pessoa em uma fila. Por exemplo, na fila de um mercado você praticamente conhece a vida e os hábitos das pessoas que estão na fila. Se no carrinho tem papinha, fraldas, verduras, margarina, bolachas e suco light, é sinal de uma família bem grande, provavelmente com a mãe preocupada com a saúde dos filhos e opta por verduras para um bebê que precisa da papinha e das fraldas, margarina para o irmão caçula que só come pão com margarina, e a filha mais velha, que se acha a maior gorda do mundo, precisa tomar suco light.
Também tem aquelas filas que denunciam, a fila do banco, por exemplo. Sabe quando você atrasa o pagamento de alguma conta? É lá que você tem que ir, e pior, você sabe que todos estão lá porque não pagaram suas contas no devido prazo, o que deixa tudo muito difícil para iniciar uma conversa agradável; o pior de tudo é que a fila demora, é uma das filas mais chatas de se frequentar, tem aqueles velhinhos que não seguram nenhum papel na mão e você acha que vai ser super rápido, mas é só chegar no balcão que o bendito tira uma pasta cheia de papel, aí vai uma meia hora só com o velhinho.
Às vezes fico pensando como seria o mundo sem essas filas, não ia ser uma coisa muito prática, nem organizada, claro que ia ser difícil de pagar suas contas ou comprar alguma coisa... dá para perceber: é impossível viver sem fila. Eu, por exemplo, não resisto a uma fila.



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