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domingo, 8 de março de 2009

Um Aluno Dormindo na Jaula de Aula - por Bruno D’Almeida

Eu não consigo prestar atenção às aulas de gramática e durmo o tempo todo. Meu professor é muito esforçado, usa letras de música, faz milhares de dramatizações camonianas, o problema é que não vejo utilidade alguma no que ele ensina. Não, eu não sou nenhum terrorista da língua ou contra as regras e convenções da linguagem. Não quero colocar meus professores em um pelotão de fuzilamento. Apenas acho meu sono muito mais importante do que a diferença entre um adjunto adnominal e um complemento nominal.

Meu querido professor pensa que me ridiculariza quando me acorda durante suas aulas e me passa um sermão da montanha. Diz que eu nunca vou ser alguém na vida. Blá. Que estou desafiando sua autoridade. Bla-blá. Que estou perdido na matéria dele. Bla-bla-blá. Faço uma cara de “e daí” e todos dão gargalhadas. Todos estão rindo do professor e não de mim. É uma pena colocar uma pessoa no meio da roda e rir. Mas se ele quer ser o bastião de uma língua que só existe nos manuais do bem falar, problema dele. A minha língua é muito mais rica e fascinante. Muito mais.

Por que eu devo estudar uma norma padrão culta se as próprias pessoas cultas não praticam essa norma? Por que eu devo falar de uma maneira tão sisuda ao ponto de fugir da realidade e me afastar das pessoas? Por isso eu durmo, durmo e sonho com palavras feitas com massinhas de modelar, se modificando de acordo com o meu desejo, dando forma aos meus pensamentos, minhas declarações de amor e de ódio, dialogando ideias distorcidas de convenções e embebidas de sentimentos. A minha língua é viva e beija o infinito das palavras, não se prende às mordaças de papel velho sujo de ácaro e de nostalgia.

Se eu pudesse ser um professor de gramática, incendiaria todos os manuais artificiais da língua. Queima! Eu daria livros e livros de histórias reais e imaginárias aos meus alunos. Aprendi a falar conversando com o mundo. Aprendi a ler de verdade com a cara nos livros. Queima! Nenhum manual de gramática me ensinou mais sobre pontuação do que os ensaios sobre a cegueira do escritor português Saramago. Qualquer aula de vocabulário é o chulé do povo brasileiro de João Ubaldo. Queimem todas as gramáticas! Aprendi mais sobre estrutura narrativa nas tragédias de Shakespeare. Eu não preciso fazer classificações sintáticas para ler ou dizer o que penso.

Sinto muito, meu professor perdeu todo respeito quando me mandou fechar um livro de Tolkien para tentar me ensinar uma voz passiva sintética. Respondi a ele com um palavrão seguido da partícula “se”. Por isso meu professor grita e cospe na minha frente e eu durmo. Eu sinto pena de alguém que não acredita no que ensina. Eu até que ficaria acordado se ele me mostrasse um mundo de palavras reais. Mas ele é um pobre coitado, amordaçado nas regras que a sociedade criou para nos afrontar com o poder e a tirania da linguagem. Ele me expulsou da sala e nem percebeu que tinha falado o que ele queria ouvir. Uma voz passiva sintética bem reflexiva. Por isso eu durmo. Que horas são?


Visitem Bruno D’AlmeidaWilliam Shakespeare, J. R. R. Tolkien, José Saramago.

Ressurreição - As Nossas Histórias III

Frio vento cortante naquela praia deserta, sem estrelas, onde o barulho das ondas violentas trazia o cheiro de maresia. O que mais desejava era um casaco para me esquentar. Procurei um abrigo onde seria possível aquecer meus ossos enregelados e descansar um pouco até que amanhecesse.
Tinha fugido de tudo, deixando para trás família, casa, emprego e amigos, na tentativa de buscar a mim mesmo. Porque eu achava que meu eu verdadeiro era nômade, sem compromissos, sem emprego, sem amarras, sem projetos possíveis ou irreais.
E agora, me protegendo do vento gelado atrás de uma caçamba de lixo fedida e imunda, com fome e sem roupas adequadas, percebo que esta história de eu verdadeiro solto de tudo define-se numa só palavra: mendicância.
Queria ser um artista e me tornei um pedinte; queria o palco e ganhei uma calçada; queria reconhecimento e me tornei uma estatística. Como plateia, os ratos e baratas do beco escuro; como aplausos, as batidas irritantes do anúncio pendurado na parede; como inspiração, as minhas decisões frustrantes.
“Ser ou não ser? Eis a questão.”
E minha questão agora era esta: realmente abandonar tudo ou voltar atrás e encarar a vergonha de minha atitude intempestiva diante de mim mesmo e de todos que abandonei sem uma palavra sequer? Decidi, naquele momento, que ia voltar para casa de meus pais.
Levantei e, vagarosa e pesarosamente, comecei a caminhar contra o vento... em direção à total desistência de meus sonhos rebeldes.
Ao chegar em casa, de cabeça baixa, recebi um abraço, ao invés de sermões; comida, ao invés de desprezo; mais do que isso, recebi apoio para fazer justamente o que desejava: costurar as nuvens de algodão dos meus sonhos numa caminhada concreta.
E foi unindo as inconformações do passado à crença no futuro que se deu a minha ressurreição.



William Shakespeare.

Terceira Idade - As Nossas Poesias II

Eu já escrevi bonito,
Hoje só faço versinhos.
Já trabalhei com afinco,
Saudade agora é o que sinto.

Escrevi tantas histórias
E hoje vivo de memórias,
Não tendo pra quem contar
Faço delas o meu lar.

Que é o lugar que conforta,
Que é o baú que comporta
Quem eu sou e o que vivi
Dia a dia, até aqui.
Até não mais existir.



Poesia criada por Ana, Alba Vieira,.........................................................
Luiza, Anônimo e Clarice A..........................................................
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Comida - por Alba Vieira

Feijão tropeiro, arroz de carreteiro,
Salada crua, berinjela refogada,
Carne ensopada, suflê, macarronada,
Camarão na moranga, frango à parmegiana,
Rosbife, mocotó, ensopado de jiló.
Tem pra todo gosto, pode ficar melhor.

Cozinha variada, mão cheia na receita,
Famosa, elaborada, é a dieta brasileira.
É simples, tradicional, carregada ou regional,
Se o povo é sensual, a comida não faz mal.
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Sobre a Finitude - por Mellon

Esse post não deve levar a lugar algum, uma vez que só consigo pensar em perguntas retóricas. Mas que ao menos sirva para fazer alguém pensar sobre a finitude. Um dia tudo isso acaba. A edição da sua revista fecha. Você muda de emprego. Toma o último gole do seu café de um copo de plástico. Uma música incrível acaba em menos de 4 minutos. Uma bituca de cigarro. Uma amizade que foi construída do nada, para lugar algum, e acabou porque faltaram palavras ou vontade de dizê-las.

O bom é ressuscitar. Segundas-chances. Imaginar que uma amizade que também foi construída do nada pode sim levar a algum lugar, se as palavras certas forem ditas a tempo. Você pode comprar outro café. Abrir o vidro e respirar o vento que bate a 60km por hora. Ouvir outro cd.

Só faça isso logo.
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Visitem Mellon
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Recado - por Yuri

Se for se suicidar, não se esqueça de antes tomar o remédio das duas.
E por mais que a noite se estenda ainda sinto coisas de você.
Por mais que o ponteiro quebre a parar a hora com você... esqueça! Pois não preciso mais de horas... prefiro comprar outro relógio.



Texto cujos título e início foram utilizados para Recado - As Nossas Histórias II.
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Desencanto - por Ana

Eu esperava encontrar
Hoje, quando acordei,
Alguém interessante na cama,
Mas me decepcionei...

Mais um barbudo, fedido,
De ressaca, metidão,
Esquisito, desempregado,
Idiota e grosseirão.

Tenho que mudar de vida,
Me esforçar muito e mais tanto,
Pois desde que me entendo por gente
Sou eu o meu desencanto.



Poesia cujos título e primeiro verso foram utilizados
para a versão conletiva Desencanto - As Nossas Poesias I.
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Fome - por Alba Vieira

Mas o que fazer
Se o que sobra do banquete
Daria pra conter
A fome desta gente
Que remexe o lixão
Em busca de alimento
Enquanto tantos desperdiçam?
Nem ouvem seu lamento...
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Alianças - por Passa-Tempo

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Nem sempre as maiores alianças possuem o verdadeiro compromisso; mas sim, a mais simples das alianças possui o verdadeiro amor.
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Brasil Nunca Mais - por Ana

Brasil Nunca Mais - Dom Paulo Evaristo Arns (Organizador)


“Fortíssimo!”



Resposta a “Nem Todos Estão Aqui...”, de Raquel Aiuendi.
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E você? Que livro você achou fortíssimo?
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Era uma vez um Rio Catarino - por Raquel Aiuendi

Quando criança o rio já era muito escuro, lembro: tinha medo... nem tanto por sua cor, talvez cheiro, correnteza, estranheza bem lembrada em medo de por sua correnteza ser levada.
Sim, tinha esse medo em minha infância talvez uma sensibilidade futurista. Um rio que podia ser o quadro de fantasias felizes e já era uma projeção de fatos infelizes. Mortes, destruições de esforços e sonhos de uma população.
Fato: inúmeras vezes presenciei o que a falta de gerência do poder público, o descaso podem ocasionar; transbordamentos, perdas de vidas, de bens materiais (casas, carros, móveis etc.), danos à saúde já precária do povo, amputação da honra, resistência e auto-estima. O crime ambiental não afeta só o leito de um rio, desalenta o povo tirando-lhe possibilidades, destruindo vidas humanas.
Meu medo pueril era real, no entanto, o rio não tem culpa, claro!!! O rio, originalmente, fonte vital para seres vivos se vê transformado em ameaça, agressão!!!!
Até quando vão encharcar seus bolsos com a manutenção das dificuldades do povo?
Até quando vão se banhar na omissão?
Até quando seus tonéis vão ser cheios com lágrimas humanas?


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Distorção - por Alba Vieira

No campo da emoção,
O confuso sentimento é pura traição.
É tanto sofrimento nublando a razão,
Vai cedendo aos apelos...
A moda é imposição.

E assim conflitos com a mãe,
Tão frequentes hoje em dia
Podem acabar em anorexia e bulimia,
Pervertendo o simples pão de cada dia
Na amarga e cruel agonia da guria.
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Encanto e Desencanto - por Moita

Bandeira, em Desencanto,
faz verso como quem morre.
Mas morrer não é encanto;
é passatempo que corre.

De desalento, de desencanto
que a paciência me torre.
Não tens motivos pra pranto,
quem sabe, tomar um porre.

Morte é produto acabado.
Millôr já disse afobado;
nós somos matéria prima.

Encanto é admirado,
perseguido, almejado,
encantado em nossa rima.
.Manuel Bandeira, Millôr Fernandes

Resposta - (Anônimo)

Já sou fraca e acabada,
Com humor muito fraquin
Sinto é pavor das pessoas
Que desejam o meu fim

Porque tenho duas sombrinhas
Que trago ao meu redor
Preciso ser cada dia
Uma pessoa melhor

Por isso é cego quem vê
Coisa muito melhorada
E não que escondo em meu ser
A grande mãe abestada

Diferente de uns e outros
Que não têm esses degraus
Por serem pessoas maiores,
Vivem mais, não vêem os maus

Tiram as pessoas por si mesmas
Ingenuidade familiar
Nunca, jamais esquecerei
Minha irmã Ana a me mimar!


Resposta a “Parabéns, Minha Irmã!”, de Ana.
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Abismos - por Léo...

imemorável móbile
de moscas mortas
ariscas
que acariciam-me dispostas
sobre as carnes vivas
dos meus calcanhares cerzidos
entre - triscam suas faces
oferecem-se murchas
esfumaçam silêncio
através de zunidos
inexistentes
ruminam feito vacas - moscas
mortas
até que as feridas fechem ocas
até que os abismos se apaguem
se apeguem secretos
escondam
mal em mel
quietos
fixos
no pensamento - pau ereto
.

Parabéns às Mulheres! - por Alba Vieira

Só comemorar...
E nada de fogueira
Mulheres, viva(s)!
.

Sonho - por Poty

Sonho faz crescer/mudar a vida, o mundo, as pessoas...
Sem sonho não há realizações!
Sonhar é aqui e agora...
Sonhar não significa estar voando...
Pode até ser, mas é distribuir, retribuir, contribuir...
Sonho faz bem para humanidade.
Povo sem sonho não é povo!
Sonhar é humanizar!
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Amor Demais - por vestivermelho

Plantei sementes de amizade,
elas germinaram,
algumas deram lindas flores,
lindas árvores
e outras morreram
mesmo eu regando...

Acho que reguei e cuidei muito...
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Viagem nos Livros - por Alba Vieira

Gosto por livros
Traz conhecimento e
Mais aventuras.
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Era uma vez um Rio Catarino - por Raquel Aiuendi

Havia um rio
Que outrora
Bonito fora
Hoje sombrio
Esgotos
Em seu leito
Vive torto.

À população
Uma ameaça
Mas queria, não
O homem
Sim, ameaça
O próprio
Homem...

O rio hoje sofre
O que o homem
Tão de chofre
Mata e invade
Destruindo
A natureza
A beleza
E as vidas
De animais
E pessoas
Queridas
Falta
Gerência
Inteligência...

Era uma vez um rio
Eram muitas vidas
Até interrompidas
Era por um tênue fio
O respeito à população
Que governantes
Não respeitam, não.
Até quando?

Era uma vez um Rio Catarino.



.

Reflexão - por Yuri

Gripe forte mata crianças no sul.
Humanos intactos de saudação,
movidos por precaução.
E essa dúvida inacabável...
Ou vai me dizer que nunca se sentiu fora de si mesmo?
.