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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
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sábado, 25 de julho de 2009

As Nossas Palavras XVIII - por Alba Vieira

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Os dentes cedem apesar de duros, porque nada resiste à passagem do tempo. E a língua, mesmo se ferina, também acaba ficando mole.



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Saudade do que Não Volta - por Adir Vieira

Saudade! Saudade do que se teve e se perdeu momentaneamente...
Saudade do que não se tem mais...

Hoje senti essas duas saudades. Lembrei-me do meu bonequinho feito do travesseiro. Aquele que, quando eu era uma criança, foi forçado a se transformar de travesseiro em boneco, por falta de dinheiro para a compra do boneco real, aquele do tipo dos que enfeitavam as vitrines das lojas de brinquedos.
Lembro aqui da alegria que senti quando o travesseiro grande e gordo tornou-se o Diego. Apenas uma fita elástica grossa e preta na barriga definia a parte superior, onde os olhos, boca e nariz foram desenhados com a caneta preta pelas mãos hábeis de minha mãe que fazia questão de não nos deixar carentes do artefato que qualquer diversão exigia. Lembro dela com a segunda saudade e revivo aqui as artimanhas que inventava para nos fazer felizes.

A parte inferior do travesseiro representava a barriga e os membros inferiores. Não precisavam estar ali presentes, bastava que aquela massa uniforme fosse designada como tal. Ao meu toque, adquiria temperatura ideal, flexibilidade ideal, tudo para povoar meus sonhos de menina. Falava com ele, brincava com ele por horas. Ouvia suas respostas às minhas indagações e só minha criatividade bastava para dar forma à brincadeira. Várias, diversas, de acordo com o meu estado de espírito e minhas viagens mentais.

Constato, hoje, que apesar de toda a nova tecnologia, são raras as crianças que, sem ter o que buscar nas próprias mentes, conseguem viajar como eu, naquele doce tempo...



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Só Restarão as Sacolas Plásticas Pelo Ar - por Alba Vieira

Dia ensolarado e sopra suave brisa...
Ando pela planície com árvores esparsas.
Piso a relva macia e verdinha que brilha
Com plumagens de pássaros nela salpicadas.

Aqui e ali encontro penas coloridas
De aves maiores que por ali passaram.
E me surpreendo de como a natureza é bonita
Com equilíbrio reinando em toda parte.

Paro por um instante e tento imaginar
Como será o nosso mundo no futuro.
Será que alguém ainda poderá controlar
O tremendo estrago causado por seres tão burros?
Gente insana que só pensa em mais lucrar,
Nem se importa de afetar o equilíbrio vigente
E da Terra só sabe mesmo é retirar.
Têm maus hábitos e gera costumes tão doentes...

Nosso planeta não tem como resistir
Aos crescentes massacres à natureza.
Por mais que ela resista em sucumbir,
Muito poucos suportarão tanta dureza.
Alterações climáticas irreversíveis, poluição...
Extinção de animais, destruição e aridez...
Depressão, melancolia, tempo cada vez mais exíguo,
Facies triste... O que será do homem dessa vez?

Então uma imagem me vem à mente...
Ao invés das plumas brancas bailando no ar
O que eu vejo pasma e não consigo acreditar
São sacolas que esvoaçam feias, destruídas como a gente.



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Se Deu Mal... - por Ana

Ha! Ha! Ha! Se deu foi mal!
Quem mandou chamar reforço?
Não contou, sua covardia,
Com a sensatez desse moço!

Que deu resposta bonita,
Perfeita, bem desenhada,
Elegante, definitiva.
E tu ficou mal na parada!

E continua sozinho!
Mas, sabe... bem que merece!
É adepto do morde-assopra,
Morcego à espreita na sebe.

E antes que tu me condene,
Me rebatendo o covarde,
Assumo: chamei a Escrevinha
Fazendo o maior alarde!

Era caso de agressão física
Que, no Código Penal,
É tipificada e abrange
O território nacional

E o virtual, com certeza:
A Justiça é cega, mas digita
(O Braille existe pra quê?)
Pra minorar as desditas.

Portanto, depois que A Flor
Roeu a corda, restou a caçamba.
Agora se vira, Gio,
Seu homem-morcego dos pampas!



Referência a Posicionamento, de A Flor do Sul.
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Deixe-me Nascer - por Esther Rogessi

Sonhos de juventude, tudo parecia fácil...
Vida sem compromisso, só farra e vadiagem.
Entre tantas vadias, vadiei com Maria. De noite, e de dia.
Sem profissão, sem carteira assinada. - Tal qual bombeiro, apaguei muito fogo... E, jamais, fogo neguei!
Um bico aqui, outro ali... Foi assim que eu vivi.
Nunca quis estudar... Jamais me interessei. Pra quê perder anos da vida debruçado em cima dos livros?
Quero ganhá-la vivendo! - Pensava...
Mas, um dia, conheci Biatrix. A Trix, a Bia, a Biá, a mulher da minha vida... E a vadiagem acabou!
Gente de bem! Moça estudada, enfermeira formada, e ainda cursando a Faculdade de Medicina, enquanto que eu... vivendo com a merda em cima!
Corri para os estudos, não queria envergonhá-la. De supletivo em supletivo, terminei o 2º grau. - Só o amor transforma!
Não conhecia meu pai. Poderia ter sido qualquer um, acho que foi... de qualquer idade, sei lá...
Mal gerado, mal nascido e mal vivido...
Um feto que nadou no álcool, ao invés do líquido amniótico! Que espirrou na cadeira de uma mesa de bar e quase foi ao chão! (foi assim que eu nasci). Quando a parteira me pegou pelos pés e deu-me uma palmada... Junto com o coé, saiu da minha boca uma baforada de maconha, e ao aspirá-la a “parteira” bambeou nas pernas e tropeçou. - A minha mãe, era um poço de virtudes!
Não queria que eu nascesse. Acertou com uma “enfermeira,” para fazer o aborto, e na noite que antecedeu o dia do meu planejado assassinato... Ela, minha mãe, sonhou: e, não sabia se tinha sido sonho ou realidade... Ouviu-me chorar dentro do seu ventre e dizer: “Deixe-me nascer.”
Não sei como nasci tão lindo... E, sem sequela alguma...
É que Deus, é o dono da vida e da morte.
Não entendo como esta beleza externa permaneceu. Foi a bondade de Deus! Ele tinha reservado para mim, um jumbo chamado Beatrix!
A Trix! Culta e perfumada, linda... Morenaça! Massa! Avião!...
Minha mulher! E mãe do meu filho João.



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Guerra Santa - por Gio

Às vezes, tenho medo de mim mesmo
Mais medo ainda de me expressar mal
Faço um comentário, assim, a esmo
E é visto como golpe visceral

Quando o jegue, aqui, falava em hipocrisia
Apenas relinchava sobre si
Talvez, tenha falado em demasia
Mas, calma, nunca era sobre ti!

(“Sobre ti” soou gozado
Mas creio não estar errado
Pois, se algum exaltado
Quiser corrigir de bom grado
Melhor não ficar calado!)

E, quanto à duelagem, companheira
Não esquente, pode ficar sossegada
Eu sei que as disputas são besteira
Brincadeira, pra coisa ficar animada

É que esse é meu jeito de Duelar
Sempre tentando apaziguar
Mantendo a ordem do lugar
Pois sempre começo a pensar
Que, se a violência do lugar
Crescer, por demais aumentar
Não mais suportarei o ar

A solução desse grande mistério
É mostrar que esse tolo liga
Se eu me empolgo, levo a sério
E perco, então, a minha amiga

Perdoa esse Ghandi paraguaio
Se ele não sabe representar
Pra próxima briga, eu ensaio
O embate vai melhorar!

(Mas, se a coisa pegar fogo
E deixar de ser puro jogo
Não ataco de demagogo
Deixo de lado o estilingue
E saio, logo, do ringue)

O combate começa injusto, como nenhum
Eu sozinho, e você com a Escrevinhadora
Emboscada, assalto, esse dois-contra-um
Convoco aqui uma comissão julgadora

(Se assim eles quiserem
As duas que, então, me esperem)

Talvez eu não seja um exímio Samurai
Mas, pra pateta, eu garanto não servir
Se está disposta a sair gritando “Ai!”
Prepara as armas do Duelo e pode vir!



Resposta a Pra Terra do Nunca, de Ana.
Referências: Da Terra do Vinho, de Gio;
Quem Avisa Amigo É (No Dia do Amigo), de Escrevinhadora.
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Estrada - por Kbçapoeta

Andarei leve, qual pensamento.
Solto como perdão,
Veloz como injúria presa.
Palavra suplicando desabafar.
Verbo preso, nunca mais!
Quero ouvir das línguas
A fala pulsante, viva se metamorfosear.
Ser andante na procura, no esmo reinante,
No pavonear dos estradeiros.
Do artesanato único e exclusivo,
Serei o observador
Perene, errante, anônimo.




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Aristóteles, Decisão, Desejo e Ação - por Penélope Charmosa

A decisão é, na verdade, o que de mais próprio concerne à excelência e é melhor do que as próprias ações no que respeita à avaliação do caráter humano. A decisão parece, pois, ser voluntária. Decidir e agir voluntariamente não é, contudo, a mesma coisa, pois a ação voluntária é um fenômeno mais abrangente. É por essa razão que ainda que tanto as crianças como os outros seres vivos possam participar na ação voluntária, não podem, contudo, participar na decisão. Também dizemos que as ações voluntárias dão-se subitamente, mas não assim de acordo com uma decisão.
Os que dizem que a decisão é um desejo, ou uma afecção, ou anseio, ou uma certa opinião, não parecem dizê-lo corretamente, porque os animais irracionais não tomam parte nela. Por outro lado, quem não tem autodomínio age cedendo ao desejo e, desse modo, não age de acordo com uma decisão. Finalmente, quem tem autodomínio age, ao tomar uma decisão, mas não age, ao sentir um desejo.
Um desejo pode opor-se a uma decisão, mas já não poderá opor-se a um outro desejo. O desejo tem em vista o que é agradável e o que é desagradável. A decisão, contudo, não é feita em vista do desagradável nem do agradável.



In “Ética a Nicômaco”.
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Desafio - por Soraya Rocha

Eu percebi que contigo aqui ninguém quer duelar,
Então aqui está uma paulista pronta pra te enfrentar.
Por isso te chamo, carioca, pra contenda iniciar.
Gosto do bate-rebate das palavras a brincar
Mas aviso: sou curta e grossa. Nada de se melindrar.
Basta definir o tema que eu começo a revidar.
Afinal, não é Duelos o blog em que estamos a postar?
Pode vir com tudo, Samurai, há uma Espadachim a te esperar.



Resposta a “Pra Terra do Nunca...”, de Ana.
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