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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Alberto Caeiro e o Mundo - Citado por Ana


Há metafísica bastante em não pensar em nada.
O que penso eu do mundo?
Sei lá o que penso do mundo!
Se eu adoecesse pensaria nisso.

.Fernando Pessoa

Hermógenes - Citado por Alba Vieira

Sentia-se seguro. Aprofundara-se no chão. Ali, sua fortaleza. Fortaleza insípida. Segurança-rotina. Imóvel. Sedentária. Rígida. Era segurança mineral. Sempre a mesma. Sem qualquer luta. Isenta dos estímulos da necessidade. Sem contar com a força criadora da angústia.
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terça-feira, 28 de agosto de 2012

João - por Marília Abduani

João sonha acordado.
Sonhos pintados,
alucinações.
João, que sonha ser piloto,
alegre, livre e maroto
no maior dos aviões.
João também quer ser do mar.
Quer, como quer, navegar
num navio cor do céu.
E também quer ser poeta,
o mais poderoso atleta,
o general do quartel.
João sonha acordado.
Sonhos jogados:
destruição.
E desperta toda hora
em que olha a vida lá fora,
Tão grande pra sua mão.
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sábado, 25 de agosto de 2012

Hermógenes - Citado por Alba Vieira


O cachorrinho saiu do mar. Estivera nadando. Saiu e sacudiu-se todo.
Seria bom que nós, os homens, aprendêssemos a lição, isto é, a sacudir ressentimentos, ódios, medos, tristezas e todas as formas de impregnação psíquica que andam por aí, por onde andamos.
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sábado, 18 de agosto de 2012

É Cansástico! Humor Selvagem? - por Ninguém Envolvente

Maldito domingo...

Foi-se o tempo em que valia a pena assistir ao programa Fantástico (exibido pela Rede Globo).
Não tem nada de fantástico, mas sim CANSÁSTICO, não passa de uma revista digital de 5ª categoria que explora a desgraça ocorrida durante a semana e edita da forma mais sensacionalista possível para ir ao ar em um domingo (dia que boa parte da população tira do dia de folga e liga a TV para se entreter).
Não é obrigatório assistir tal programação, mas tem outra opção?
Veja então Domingo Legal, com a temática baseada em “fofoca sobre celebridades”.
Quem sabe então o programa da Record (o qual nem RECORDO o nome), aquele que mostrou 723487234782342390482390 vezes o som do tiro do caso Eloá (o som que nem era um tiro).

Domingo é Cansástico...
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.Opções para seu próximo domingo:
1- Ir ao shopping e correr o risco de não achar uma vaga (por conta do Natal).
2- Ler um livro (pegar no sono, acordar 8 da noite e achar que é segunda-feira).
3- Caminhar no parque (e correr o risco de enfartar, porque afinal, você sabe que é sedentário).
4- Ver televisão (programas CANSÁSTICOS ou TV a cabo e rever pela 76347 vez a programação repetida).
5- Ir pra Santos (e pegar aquela delícia de coceirinha entre os dedos dos pés).
6- Tomar cerveja o dia todo (melhor opção até agora).
7- Fazer sexo (se tiver tomado a cerveja, não faça sexo, corre o risco de também fazer um filho).
8- Dar uma volta no quarteirão (e correr o risco de encontrar um ônibus cheio de nego gritando “O curingão vorto”... o curingão vorto... >>e você vestindo uma camiseta verde<<). 9- Ir pescar (aonde eu não sei... Abra uma lata de sardinha e fica lá vendo se “fisga” - pelo menos passa o tempo, e vai que “fisga”!!! Você aparece até nos Cansásticos!). Ps: se fisgar, fale do meu blog nos programas cansásticos, afinal a ideia foi minha! Estou precisando de mais visitas e cliques no meu ADS!! =)
10- Comer até passar mal........... (esse é o que tenho feito) **

Obs. - A palavra Cansástico não existe. Mas quer dizer cansativo.
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.Postado, originalmente, em 01/12/08.
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quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Frações - por Leo Santos

Como não acusar o golpe
e fingir que desconheço?
Se me mostrar fico nu,
se me esconder, apareço…

Ah alma, diáfano cristal,
incrustado na verdade!
Sob a capa do desleixo
eis o corpo da vaidade!

Quem pode ocultar a dor,
quando o amor veste mortalha?
Às vezes, se nega o ter sofrido,
porque o amor-próprio atrapalha…

Ah alma! Translúcida carência,
álgebra das frustrações;
A buscar números inteiros,
onde só vivem frações…

Não tem artifício que apresse,
o tempo d’um coração;
As onze-horas abrem às onze horas,
às favas o horário de verão!



Visitem Leo Santos
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Dicionário - por Cacá

Corria o ano de 1986 e a minha primeira filha estava esperando para vir ao mundo. E eu não podia me dar ao luxo de muitos gastos. A gravidez era de risco e o inesperado é sempre companhia da temeridade. Ainda que não seja nenhuma tragédia anunciada, inspira poupança. Juntando isso com os sobressaltos de conviver com um plano econômico a cada mês e reajuste salarial apenas uma vez por ano, temores havia sempre. Imagine comprar hoje um quilo de tomates a um real e amanhã ele ser dois, depois dois e cinquenta. Era assim que funcionava o tal do dragão da inflação, mesmo com o Sarney, na época presidente e sem atos secretos, convocando a população para agir como fiscal nas ruas para vigiar os preços. Quem trabalhava o dia inteiro mal tinha tempo de fiscalizar seu emprego ameaçado a todo momento.

Mesmo assim eu não resisti à tentação e comprei o meu primeiro AURÉLIO, oferecido em quatro prestações fixas (encontrar prestação fixa era como ganhar prêmio em sorteio). E ele solidariamente resistiu, talvez como o maior patrimônio que adquiri em minha vida - pelo menos em meu conceito de valor. Afora as minhas duas filhas, mas isso não se conta como patrimônio intelectual nem material. É muito mais que possam explicar nossas teorias de apego. Não entro no mercado com meus sentimentos postos a avaliações. De lá para cá ele me acompanhou em boletins sindicais escritos quase que diariamente, me acompanhou durante toda a minha graduação e mudou um sem número de vezes de casas e apartamentos. O cuidado quando de seu manuseio era como se estivesse transportando cristais. Sua encadernação é de linhas costuradas.

Agora está chegando ao seu esgotamento físico imposto pelo tempo, esse implacável e impassível senhor das razões e loucuras, das alegrias e das amarguras, assim como faz com gente feita de tutano e osso, neurônio e outros tecidos sem costura. Alguém pode dizer: mas com a wikipédia aí disponível, com um google de todo tamanho, que tolice! Para os muito leigos eles realmente satisfazem. Já para quem se relaciona quase ludicamente e lubricamente com as palavras sabe do que falo. Nele quando o significado traz algum sinônimo lírico, poético ou literário há citação de traços ou trechos de obras literárias exemplificando. Nele há etimologia, há pronúncia. Sem contar que na página em que se está pesquisando algum verbete, há sempre a tentação de namorar outro ali do lado, acima ou abaixo por pura curiosidade ou aquela quedinha inevitável para uma outra palavra. E para quem gosta de pesquisa, a wikipédia não é algo ainda totalmente confiável Enfim não dá para descrever o prazer das consultas quase terapêuticas, da mesma forma que dói a separação.

Ele se vai. Não há mais remendo possível, reencadernações. Não há quem o restaure mais originalmente sem cobrar um valor de uma peça tombada pelo patrimônio histórico, artístico e cultural como merece, aliás. Muito ao meu gosto, mas longe de minhas posses.

E minha filha, vendo o meu drama patético, resolveu me presentear com outro, já que carrega o simbolismo de seu ano de nascimento. Não gosto que se apiedem de mim, mas acho que ela ficou com um dó danado.
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.Visitem Cacá
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quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Alberto Caeiro e o Mundo - Citado por Ana


Aceito por personalidade.
Nasci sujeito como os outros a erros e a defeitos,
Mas nunca ao erro de querer compreender demais,
Nunca ao erro de querer compreender só com a inteligência,
Nunca ao defeito de exigir do Mundo
Que fosse qualquer cousa que não fosse o Mundo.

.Fernando Pessoa

Somos os Gigantes do Amanhã - por Esther Rogessi

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.......Do amanhã somos a esperança Das conchas... Somos as pérolas! Pepitas... encravadas nas rochas No mundo de dores, somos cores, aquarelas... Ó pátria amada, idolatrada... Salvem ela! Gigante que a natureza fez e que o submundo Dos que estão acima de nós desfez!... Pelada está a serra... O ouro, lá não mais brilha... Penso no amanhã... Brasileiros! O que será de nós? Vem a insônia... Estão de olho na Amazônia... Já não é nossa! Dizem ser o ‘pulmão do MUNDO’... Sabedoria do ‘submundo’, dos engravatados da malandragem... Que matam o seu povo para tirar vantagem! Brasil... o que é teu? O que de ti não se vendeu?... Como foi paga a impagável Anaconda? A longo prazo ou à vista? De quem? Quais os artistas?... Quando Deus marca alguém... É pra não perder de vista!!


Visitem Esther Rogessi
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Albert Camus e o Destino - Citado por Penélope Charmosa

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Não há destino que não se transcenda pelo desprezo.
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segunda-feira, 13 de agosto de 2012

A Alegria de Viver - por Adir Vieira


Cuido para que nunca
atenha-me a bobagens vãs
rindo ou chorando sozinha
ouço sempre a voz da razão.
Se hoje estou quase triste
amanhã, feliz estarei
mesmo que a vida ofereça
insensatez ou rispidez.
Gosto de feliz estar
ouvindo o coração falar
se não o escuto ou atendo
a culpa trago pra mim.
Quando quero alegrias
sei onde devo buscar,
é só ver os olhos rindo
ou onde o choro está.
Mas nem tudo são flores,
assim já dizia o poeta
cabe a mim, com precisão,
suavizar, onde o calo aperta.
Pode parecer besteira,
mas todos podemos ser
só aquilo que queremos
na alegria de viver.
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Visitem Adir Vieira
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domingo, 12 de agosto de 2012

Arthur da Távola e a “Minha Criança” - Citado por Adir Vieira

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Nesses dias que antecedem o Natal e me deixam sem tempo para colocar no papel minhas próprias reflexões, divido com vocês esse belíssimo texto de Arthur da Távola.
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.“Peço licença para falar na minha criança, a que mora aqui dentro e não me abandonará jamais.
Talvez com a morte eu até regresse a ela.
Os quase setenta anos que dela me separam não a removem.
Ela ali está, magra e tímida, a me olhar e ditar comportamentos e reações.
Minha criança esteve em todos os meus filhos e aparece nos meus netos.
Ela se refaz da morte da irmã e abre os olhos para o mundo, com a certeza de que veio ao mundo para alguma missão, embora sempre se considere inferior ao tamanho da mesma.
Ela sente enorme saudade do pai e da mãe com quem o adulto já não conta salvo no exemplo, na saudade e nas orações quando me domina uma fugidia sensação de estarem, incorpóreos, a meu lado, mas sem se manifestarem.
Minha criança possui incomensuráveis solidões diante do mistério do infinito.
Ainda recua diante do violento, embora não o tema, e ainda se infiltra em episódios de distração e inocência inexplicáveis num homem com minha carga de vivências.
Minha criança ainda gosta de abraço caloroso, proteções misteriosas e de um modo de rezar que o adulto nunca mais conseguiu, tais a entrega e a total confiança no mistério e na proteção de Deus.
Ela carrega o melhor de mim, é portadora de meu modo triste de falar de coisas alegres e de algum susto misterioso sempre que se lhe impõe alguma expectativa de enfermidade.
Minha criança é inteira, mansa, bondosa e linda.
Eu a amo, preservo, e dou boas gargalhadas quando a vejo infiltrar-se nas graves decisões de algumas de minhas responsabilidades adultas.
Ninguém a vê, salvo eu.
Ninguém a acaricia, salvo eu, que a estimo, procuro e admiro mais a cada dia e com quem converso histórias infinitas, que somente a imaginação pode conceber no universo maravilhoso da fabulação interior e solitária.
Diariamente passeio com minha criança e estou muito feliz por cumprimentá-la, levar-lhe balas, nuvens, aquele cão da meninice, as canções de minha mãe e os carinhos de meu pai.
Que eu possa acarinhar sempre minha criança, dando a ela a oportunidade de sonhar e ser feliz.
Seja feliz, minha criança!!!”
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.Visitem Adir Vieira
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Esquisitice - por Clarice A.

Ninguém sabia quando tinha começado aquela mania. Alguns achavam que foi quando casou com a Dona Valdice. Assim que perceberam, Seu Antenor (pela frente) virou Seu Ice (pelas costas).
O nome das filhas: Janice e Eunice. Era um homem de frases curtas talvez para facilitar a tarefa de terminar as palavras com ice. Devia ser seu mantra.
Apaixonara-se pela morenice e brejeirice de Valdice e agora mais velho não se importava com suas crendices e ranhetices.
Curtiu a meninice, peraltice, tagarelice, faceirice e meiguice das filhas.
Não o incomodavam a burrice, lerdice, cafonice ou gabolice dos outros mas detestava bisbilhotice, imundície, calhordice, gatunice, cretinice e invencionice.
Um dia, ao atender a campainha, um rapaz procurava pela Jan. Seu Ice disse-lhe que ali não morava ninguém com esse nome e o rapaz explicou-lhe que Jan havia dado aquele endereço. O rapaz já ia embora quando Janice chegou à porta e acenou para ele. Tentou explicar ao namorado que o pai não gostava que abreviassem seus nomes mas ele não gostou nada, e se ela não tivesse aparecido? Ele perderia a viagem e o encontro. Ficou a má impressão. O tempo passou, o namoro engrenou, casaram-se e o genro, segundo suas palavras, não tinha saco para as maluquices do sogro, os outros não ligavam, mas ele não ia bater palmas para maluco dançar.
Eunice casou logo depois e para felicidade do pai as duas engravidaram. Nasceram duas meninas e o avô deu suas sugestões de nome. As filhas gostavam de agradá-lo, era uma forma de retribuir todo amor dele à família. Eunice e o marido aceitaram de imediato a sugestão, gostaram do nome e a primeira neta recebeu o nome de Alice. Quando a menina de Janice nasceu, o genro achou de dar o troco ao sogro. Aceitava qualquer nome desde que não fosse o sugerido por ele. Dona Valdice, Eunice e Janice tentaram contornar, o avô estava tão feliz, já havia escolhido o nome de uma neta, vivia para a família, dedicação total, coisa raríssima, mas o genro estava irredutível. Janice não queria contrariar o marido mas não aceitava que ele nem sugerisse um nome. Pesou prós e contras e escolheu ficar do lado do pai, sabe que pode contar com ele, seu porto seguro é o pai. Usou com o marido argumento de peso. Não foi o pai quem deu o imóvel confortável onde moravam, a festa de casamento e ainda fazia o possível para facilitar as coisas para eles? Ele não aceitou? O marido rendeu-se ao argumento, pensando bem, tinham cobertura total dos pais dela e era melhor ceder. A condição era que gostassem do nome. A menina recebeu o nome de Berenice mas o pai só a chamava de Berê. Seu Ice achava idiotice do genro, um nome lindo como Berenice, chamar a criança de Berê, mas as coisas voltaram ao seu ritmo normal.
Seu Ice felicíssimo com Dona Valdice, Janice, Eunice, Alice e Berenice. Cuida-se bem, e faz questão que a mulher também se cuide. Evita aborrecimentos e raiva, inimigos da boa saúde. Vai regularmente ao médico, come com moderação, caminha diariamente uma hora e não tem vícios. Quando chegar a sua hora, certamente Deus olhará por ele e realizará seu último desejo: morrer de velhice.
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sábado, 11 de agosto de 2012

Vazio - por Alba Vieira

A casa agora completamente vazia.
Reina o absoluto silêncio
Naquela moradia antes tão ruidosa.
Foram-se os móveis, os enfeites, as flores.
Os tapetes foram levados deixando nu o chão.
Não mais esvoaçam as cortinas.
Não há música nem vozes humanas.
E este silêncio berra nos meus ouvidos a dor.
A dor de um tempo perdido,
Tempo que não volta mais.
Dias e dias felizes
Com fatos importantes ou coisas banais.
A morte levou o pai, a avó e a mãe também.
Dissolveu-se a família e os anjos disseram amém.
Ficou somente a lembrança de tudo.
O coração abarrotado de recordações,
Tão cheio que inunda de pranto
As faces que contemplam a nova visão
Daquela que abrigou três lindas gerações,
Que viu crescer os filhos e netos.
E hoje, quando se foram para sempre,
É apenas uma casa vazia, repleta de emoções.
O silêncio traduz a perda, ficou no lugar das canções
Que se ouviam por ali naqueles tempos bons.
Hoje, só o amor nos permite enxergar o que havia lá,
Já que, pros olhos da alma, não há tempo nem lugar.



Visitem Alba Vieira.......
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Imunidade e Impunidade - por Tércio Sthal

Pode ser que eu saiba pouco.
Pode ser que eu seja um louco.
Louco ou não, falo do que sei.
Se todos são iguais perante a Lei,
o Poder não deve proteger a corja,
a súcia que vem, corrompe e se forja
imune e impune, a desafiar o brio
de um país inteiro chamado Brasil.



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sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Despedida - por Duanny

Cheguei a pensar que essa, sem dúvida, seria a última vez. Me sentei naquela poltrona confortável de couro preto, que entregava a mim todas as suas más intenções, olhei pela janela e pude ver que a noite tinha finalmente domado o dia, que se rebelava querendo me mostrar seus raios de amargura.
Você me fitava o tempo todo, e isso me incomodava. Seu silêncio me envergonhava de tal modo que me deixava inquieta, queria levantar te dar um beijo e dizer “Eu amo você”, mas me diga, de que adiantaria? Você iria continuar com suas más intenções e eu com as minhas ilusões de uma católica virgem, porque era isso mesmo que você queria, e eu sempre soube.
Eu me revirava, me contorcia, gritava por dentro enquanto observava seus olhos caçadores, procurando dentro de mim aquela presa que você deixou fugir, aquela presa que um dia você pensou estar morta.
Daria qualquer coisa para gritar, para afastar você de mim em uma tentativa inútil de acabar com aqueles olhares. Por que você não fazia nada além de me olhar? Por que não parava com isso? Era como se estivesse preparando para se imortalizar em minha pele, em meus sentimentos.
Inútil. Ridículo.
Me levantei, pousei delicadamente meus lábios sobre os seus, olhei firme em seus olhos. Você continuava me procurando, investigando cada parte de minha alma em silêncio. Não me importei muito, já estava ficando absorta por essa tortura, deixei um riso escapar pateticamente do canto dos lábios, agora separados dos seus, e disse “Não sou o que você espera, e dou graças a Deus por isso”.
Pela primeira vez você me olhou como alguém, não como objeto, tentou dizer algo, mas já era tarde, já havia malícia suficiente em meu coração para saber que agora tudo seria mais uma perda de tempo.
Fui embora à procura de mais um amor pra poder me fantasiar de coisas que sempre sonhei em ouvir, mas nunca me disseram.



Visitem Duanny
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quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Interstícios - por Ana

Às vezes nos afastamos
De uma forma muito estranha...
São mundos que não se tocam,
Tangente que nem arranha.

São palavras diferentes
Daquelas que sempre usamos,
Olhares impertinentes...
Estando assim... nos amamos?

É pergunta que procede,
Tamanha a nossa distância.
Universos paralelos:
O silêncio / a ressonância.

Mas, então, em um momento,
Num átimo de segundo,
Big bem no coração...
Voltamos a ser um só mundo.
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segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Urbano Poeta - por Kbçapoeta

Trago o espírito
Da melhor ocasião.
Devaneio certo de um corpo
Disperso, imerso em profunda
Divagação.
Abstração contínua,
Intensa e transcendental,
Sílaba por sílaba.
Notas musicais e palavras
Dançam um frevo
Poético, versado
Na mais longínqua
Fonte que pude vislumbrar.
Oásis no deserto dos sem-lirismo,
Os cinzas de suas vidas
Pouco a pouco ficam mais coloridos,
Graças aos versos dos poetas,
A maldição dos profetas
E meus doces acordes de trovador
urbano.



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domingo, 5 de agosto de 2012

Hermógenes - Citado por Alba Vieira

Se em teu surrão levas todas as tuas queridas crenças, para que visitar o pomar da Sabedoria?! Não tens lugar para mais nada.
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quinta-feira, 2 de agosto de 2012

O Duelos nos Tempos da Cólera - por Ana

Para os que não conheceram
O Duelos antes daqui,
Conto que ele habitava o Terra
E foi o maior tititi!

Andava tudo certinho,
O Duelos numa boa,
Quando o Terra resolveu
Infernizar as pessoas:

Alterou a plataforma,
Adotou o wordpress.
Ninguém conseguia postar!
Mininos! Ninguém merece!

Teve blog transferido
Todo torto, à metade,
Blog que se perdeu,
Uma total calamidade!

As pessoas reclamavam
On line, mandavam e-mail,
Nada se resolvia
E só aumentava o receio

Dos posts saírem truncados,
Não se conseguir postar,
Nosso blog ser migrado
E então sumir no ar...

O povo vivia raivoso,
Muito irado e indignado!
Circulavam pelos blogs
Vários posts revoltados!

O shintoni sofreu pacas!
Vivia postando mensagens
Pedindo desculpas, explicando
Os problemas com as postagens.

Até que um dia, surpresa!
Um post do anfitrião
Nos informava, vencido,
Que partia pra emigração.

Viria pro blogspot.
No Terra, sem condição!
O seguissem os dueleiros
Que quisessem, em procissão.

Então, cá estamos, moçada!
Tribo menor, é verdade,
Mas deixamos as linhas da ira,
Abandonamos a enfermidade!
.John Steinbeck, Gabriel García Márquez

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Alberto Caeiro e Nossa Riqueza - Citado por Ana


Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.
Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave,
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que nossos olhos nos podem dar
E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver.
.Fernando Pessoa