Samuel Marinho sobre LIMBO + poema
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Este novo livro de Sebastião Ribeiro nasce num território de suspensão.
Não se trata apenas de um estado emocional, mas de uma experiência de
desloc...
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segunda-feira, 14 de outubro de 2013
mahler e eu - por Cármino Caramello
acordei com vontade de fumar
os cigarros dos meus pais
que eles nunca fumaram
e de agradecê-los por fumarem
sua vida inteira
eles não estão
e os cinzeiros estão espalhados pela casa
então não há problemas
vou jogar na privada
e vai estar tudo bem
eu acendo o primeiro
e vou fumando com prazer
mentalmente
trago por trago
enquanto mahler
me adverte
na ausência deles
polidamente
como se soubesse
lidar comigo
e você sabe que banheiros
são ótimos lugares
para refletir
relaxar
resfriar-se
e conversar
logo mahler
me acompanha
entusiasmado
ele havia parado
mas não há problema
estamos falando
de assuntos corriqueiros
e é impressionante
como duas pessoas lúcidas
podem se comunicar
com tanta objetividade
que é quase fluído
eu conto pra ele
que o filtro é feito de nuvem
e que foi um amigo nosso
que está perdendo os cabelos como ele
que me disse isso
quando paro
e olho para frente
vejo mahler
fumando minha mãe
no mesmo instante
abaixo os olhos
e vejo o meu pai-cigarro
queimando em minha boca
eu lembro-o
de cuidar do coração
e sugiro
que não demoremos muito mais
se senão nos atrasaremos
ele consente
e depois de mais um pouco de conversa
se despedi
em seguida
eu dou descarga
domingo, 16 de dezembro de 2012
Tabagismo - por Cármino Caramello
o mar,
fiel adepto do tabagismo,
o faz com largos tragos infinitos,
permitidos apenas para o deleite solitário,
fumo áspero da observância,
fiel adepto do tabagismo,
o faz com largos tragos infinitos,
permitidos apenas para o deleite solitário,
fumo áspero da observância,
de alguém que há eras
espera
por doses matinais
de ventos frutíferos e saborosos,
carregados com aromas da estação;
por doses matinais
de ventos frutíferos e saborosos,
carregados com aromas da estação;
de alguém que
espera
pássaros de alma branca
da imensidão das águas
que chegam
com as primeiras notas
brancas de luz,
com penas graciosas
de veludo arbóreo, sutil e duro
pássaros de alma branca
da imensidão das águas
que chegam
com as primeiras notas
brancas de luz,
com penas graciosas
de veludo arbóreo, sutil e duro
seres distintos,
raros
como as árvores de plumagem aérea,
estabelecidas entre as nuvens,
porto e cais
dessas linhagens ancestrais,
estalagem de brisa e migração,
no qual se falam línguas sussurradas,
próprias a esses lugares mágicos
e seus seres cultos de simplicidade;
como as árvores de plumagem aérea,
estabelecidas entre as nuvens,
porto e cais
dessas linhagens ancestrais,
estalagem de brisa e migração,
no qual se falam línguas sussurradas,
próprias a esses lugares mágicos
e seus seres cultos de simplicidade;
é a esperada boa nova
esquecida
espera por palavras soltas,
livres, de alma limpa e branca,
dançarinas sob chuva divina
de prata, néctar e seiva
espera por palavras soltas,
livres, de alma limpa e branca,
dançarinas sob chuva divina
de prata, néctar e seiva
velho na varanda do
mundo
de esperança calma e crente,
apego voluntário
ao vício do fogo antigo,
às damas de branco
e casamentos em jardins
de esperança calma e crente,
apego voluntário
ao vício do fogo antigo,
às damas de branco
e casamentos em jardins
apenas a
vigília
de uma alma velha, desgastada na umidade,
mais um vício louco,
um apego tosco,
de uma alma velha, desgastada na umidade,
mais um vício louco,
um apego tosco,
devaneio
nostálgico
de uma vida passada,
alucinação profética,
crença particular desacreditada
de uma vida passada,
alucinação profética,
crença particular desacreditada
o esperar de
uma
espécime rara,
desconhecida,
inútil,
cansada, antiquada,
num mundo de pó
e palavras rápidas
espécime rara,
desconhecida,
inútil,
cansada, antiquada,
num mundo de pó
e palavras rápidas
apenas maré, hábito
cotidiano,
diligência prazerosa
vício voluntário
de um viver,
tão velho quanto
o mundo
diligência prazerosa
vício voluntário
de um viver,
tão velho quanto
o mundo
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