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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




domingo, 19 de julho de 2009

Post Inesquecível do Duelos - Indicado por Ana

Este é um soneto lindíssimo do grande Moita, que, realmente, vale a pena ler de novo, pela forma e pelo conteúdo.



O AMOR
(MOITA)

Displicente, relaxado e consumido,
o amor consumado e leniente,
corroído, apressado, aparente,
esmaece conturbado, arrependido.

Não matura reformado e concluído,
transparente, concebido e assentado
no buscar intermitente e adiado
do ser renegado e esquecido.

O amor, quando amor é indubitado,
imutável, inconsequente, inarredado,
afetado, individido e consistente.

Acabado, puramente, concebido,
moldado certamente no sentido
de imorrido, eternizado e permanente.
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Visitem Moita
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As Lojas de R$ 1,99 - por Adir Vieira

Ainda não descobri minha atração por camelôs e por lojas de artigos diversos a preço baratíssimo.
Confesso que até já tentei, por várias vezes, prestar atenção nessa “tara”, descobrir a razão exata de tal preferência, mas sempre me perco em explicações óbvias que não me rotulem de brega ou maluca.
Hoje tive a grata surpresa de encontrar, totalmente por acaso, uma bem próxima de minha residência.
Acho que os céus clamaram por isso a meu favor, pois foi mesmo por acaso que a encontrei. Vejam que a rua por onde eu teria que passar estava fechada para obras da Prefeitura e eu tive que tomar outro acesso – esse bendito caminho que me levaria à loja de R$ 1,99.
Tão extasiada fiquei que me detive na porta por uns cinco minutos. Não sei o que a recepcionista pensou ao meu olhar ali, apatetada, como se estivesse diante da Torre Eiffel.
Ela não entende que o grande “barato” é investigar, como um colecionador, as miudezas e se surpreender com o preço baixo, agrupar na cesta muitas e muitas delas e, ao chegar em casa, espalhá-las em cima de uma mesa somente para apreciar a diversidade de cores e as miniaturas.
Sei que grande parte desses produtos são descartáveis, mas a graça está nessa possibilidade. Se duram uma semana, o custo não foi alto e a reposição torna, de novo, a casa nova.
Já na porta, como a convidar à entrada, grandes amarrados de fitas coloridas, em tecido imitando cetim, formavam arranjos delicados propiciados por seus diferentes tamanhos.
No lado oposto, uma prateleira de porta-retratos de todas as larguras, exibia fotos em preto e branco de crianças fazendo graça. O que me chamou a atenção foi a forma como estavam dispostos, parecendo uma história em quadrinhos, devido à sequência de atitudes. A primeira criança, com as mãos esticadas, jogava uma bola, no seguinte, a outra com os braços levantados parecia buscar a bola no ar e assim seguiam as outras imagens.
Bolas, bolas e mais bolas enfeitavam um dos lados de uma parede e exibiam com maestria um arco tão chamativo que o mais experiente decorador de festas infantis talvez não soubesse compor.
E a cesta no meio da loja abrigando bonecas de todas as qualidades? Essa, então, parecia mais uma cama grande, acolchoada, onde, sem se misturar, as bonecas carecas e as cabeludas se harmonizavam, vestidas ou não, e todas pareciam fazer parte da mesma família. Percebi que a forma do rosto era a mesma em todas.
Continuei deliciando minha alma com tanta coisa pequena e colorida. De repente, meus olhos descobriram lá no fundo de um dos cestos expositores, talvez colocado ali por alguém desistente da compra, um desses pequenos relógios de mesa. Sempre acho relógios, onde quer que eu vá.
Com uns dez centímetros de altura, na cor rosa com os ponteiros pretos, era mais chamativo do que um rubi. Tinha tudo que os relógios de mesa de tamanho normal têm. Os pés torneados, virados para fora, campainhas redondas com aquele botãozinho na parte superior, visor com os ponteiros e números indicativos das horas e minutos perfeitamente desenhados, era uma verdadeira jóia.
Não pensei duas vezes – arrebatei-o do cesto com vigor, tomei-o como meu e dirigi-me ao caixa. Paguei por essa raridade apenas R$ 5,99.
Quando saí, a recepcionista ainda ali estava, na porta, a convidar os que saíam a um retorno.
Olhou-me mais uma vez e pude sentir que não entendia minha fisionomia feliz.
Não me importei. Abracei minha preciosidade e rumei para casa realizada.



Visitem Adir Vieira
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Tali, Meu Orvalho - por Alba Vieira

Gotas de emoção caem do céu...
Chega a luz inundando de amor
Vidas que silenciosamente aguardavam,
Guardando no fundo de si a esperança.

Tali é seu nome escolhido
Por quem o trouxe a este mundo.
E aprova aquela que bem sabe
Que ele é o milagre da vida.

Orvalho que enfeita de luz
Gotinhas de vida nas flores,
Umidade dando cor e brilho
À vida de seus grandes amores.

Orvalho é o sentimento do mundo
Recolhido pelas plantas que recebem,
Se umedecem, ganham vida
E brilham de amor quando amanhece.



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Sempre Alguém se EngAna... - por Gio

Eu, aqui, quietinho no meu canto
Descansando do atropelo da semana
Entro um pouco no Duelos, e me espanto
Com protestos de uma moça tão bacana

Diz que foi ameaçada e agredida
E que anda querendo me processar
Acho essa reação tão desmedida
E, agora, peço a vez de me explicar:

Desde o dia em que cheguei nessa bagaça
Pela Ana, sempre fui bem recebido
Não há um post meu em que ela não faça
Um comentário, pra mostrar que ele foi lido

Mais que isso, ela busca ressaltar
Habilidade que eu nem sei bem se tenho
Cabeça dura - eu vou sempre discordar
Pra convencer, vai precisar de mais empenho

Antes dela, houve o Casé, tão boa gente
O primeiro a me dar as boas-vindas
Sumiu, voltou, sumiu... E há quem tente
Explicar essas suas idas e vindas

Voltando à nossa amiga, a ré da vez
O que ela vem a vós pra reclamar
É, como se diria em enrolês,
“Pancada na cavidade auricular”

Tudo porque, num surto de humildade
Ela fez a típica “glicose anal”
Veio com “prosa flácida” e, na verdade
Ela sabe que é mesmo genial

Foi assim que ameacei a pancadinha
Como um pai dá pro filho educação
Pois, se ela faz poesias fraquinhas,
O resto não serve nem pra sujar o chão

E isso é feio, com ela e com o povo
Por isso, eu digo a essa pentelha
Tudo bem, posso até ser mais novo
Mas, precisando, dou outro puxão de orelha!



Resposta a De Orelha em Pé..., de Ana.
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Fernando Pessoa e a Inação - Citado por Penélope Charmosa

O governo do mundo começa em nós mesmos. Não são os sinceros que governam o mundo, mas também não são os insinceros. São os que fabricam em si uma sinceridade real por meios artificiais e automáticos; essa sinceridade constitui a sua força, e é ela que irradia para a sinceridade menos falsa dos outros. Saber iludir-se bem é a primeira qualidade do estadista. Só aos poetas e aos filósofos compete a visão prática do mundo, porque só a esses é dado não ter ilusões. Ver claro é não agir.



In “Livro do Desassossego”.
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Ode Contra os Demônios - por Theresa Russo

Não posso aceitar a natureza das coisas mundanas se creio nos sonhos e na poesia. Não são essas portas em madeira ou ferro ou de outra matéria artefato humano que vão me impedir de dizer o que sinto. É que posso olhar através delas todo o rancor dos olhos e bocas a difamar a nossa poesia. Afinal, os sonhos não podem ser decompostos e eu insisto em não aceitar a natureza das coisas – eu me declaro antinatural. Na noite em que escutei os passos de demônios a subirem os degraus que morrem na porta do meu quarto, invoquei um enorme anjo alado com túnica azul clara para me defender dos que afligem a minha mente sã. Se a loucura é a fuga da natureza do homem eu me declaro antinatural. Não vou enlouquecer porque sempre acreditarei num Deus que olha de baixo para cima, de cima para baixo, para os lados e para o infinito por detrás das portas máscaras que construímos para sobreviver. E cada mentira é como um repolho límpido recheado de fungos e bactérias invisíveis que pregam as verdades cometidas do outro lado do mundo. Não me peçam para ser livre, pois, quanto mais se pensa e projeta um modo de ser e viver, mais distantes estaremos da liberdade. Eu ando vivendo um dia por dia e tenho o passado, o presente e o futuro agora bem próximos de mim. E sou tantos e tantas nesse espaço-tempo que nem me importo mais se um dia irei me encontrar ou encontrar esse você. Os demônios estão a caminho e eu não mais tenho medo. Além do anjo branco eu também tenho um escudo negro sagrado e simples que se faz a sombra de cada um dos meus eus a me vigiar e proteger. Não posso aceitar a natureza das coisas e nem permitir que alguém venha desdenhar da minha doce poesia e dos meus tenros e açucarados sonhos. Sonhos e poesias não podem ser decompostos e eu me reafirmo antinatural no estado atual das coisas. Se eu não tivesse um lar e se a comida não me bastasse eu teria que roubar para comer. Talvez eu tenha muita sorte de estar abrigada em minha coragem de acordar amanhã e seguir reto no prumo do navio nesse mar chamado vida. E eu não me aquieto enquanto uma poesia vadia não chegar até as minhas mãos para que eu vomite tudo que me cerca como um papel amassado e jogado na coxia. Eles dominaram as ruas, as telas e as cidades agora estão como desertos de sonhos. Eu preciso e quero estar aqui quando as crianças acordarem e seus olhos enxergarem toda a antibeleza que há.



Visitem Theresa Russo
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