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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




quarta-feira, 29 de abril de 2015

Receita caseira para uma boa publicação

Recolha da gaveta os textos que escreveu quando jovem. Também funciona com aqueles gravados num diretório remoto, se você não perdeu quando trocou de computador pela quinta vez. Neste caso, imprima. Reúna todos numa grande bacia. Acrescente 5 l de experiência e duas gotas de bom-senso (cuidado para não exagerar). Deixe de molho por aproximadamente 23 anos. Com auxílio de uma pinça grande, retire-os do recipiente delicadamente. É provável que os papéis estejam meio frágeis. Estenda um a um no varal do anti-heroísmo (se for o do seu vizinho, melhor ainda). Depois de algumas horas secando na sombra, todos os textos em que se consiga ler algo além do inconformismo sem sentido estão prontos para publicação! Entretanto, caso tenha restado pouca substância literária, não se chateie. Você agora tem todos os ingredientes para tentar de novo.


Fênix_K!


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sexta-feira, 24 de abril de 2015

ARRASTAR DAS HORAS -por- Kbçapoeta






 
 
Catadupas de minutos,
 
Cessaram as mensagens,
 
Redobraram as  horas,
 
O silêncio tomou conta
 
Após uma tarde morta.
 
Fruto de uma manhã fria,
 
Sete espectros e seus efeitos.
 
Tato, vibração caótica.
 
Todos imersos,
 
Suscetíveis aos efeitos das 24 horas tortas.
 
Que se resumem em nada.
 
Diástole que do tempo vaza.
 
 
 
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quarta-feira, 22 de abril de 2015

GUI CANTA PARA LOU

Louzinha querida queria morrer num dia em que tivesses me amado

Queria ser bonito para que me amasses

Queria ser forte para que me amasses

Queria ser jovem jovem para que me amasses

Queria que a guerra começasse outra vez para que me amasses

Queria te agarrar para que me amasses

Queria te dar palmadas no traseiro para que me amasses

Queria te pisar para que me amasses

Queria que ficássemos sós num quarto de hotel em Grasse para
que me amasses

Queria que fosses minha irmã para eu te amar incestuosamente

Queria que fosses minha prima que nos amássemos desde criança

Queria que fosses o meu cavalo para eu te montar muito muito tempo

Queria que fosses meu coração para eu te sentir sempre em mim

Queria que fosses o paraíso ou o inferno de acordo com o lugar
onde eu vá

Queria que fosses um menino e eu o teu preceptor

Queria que fosses a noite para nos amarmos no escuro

Queria que fosses a minha vida para eu existir só por ti

Queria que fosses um obus boche para me matar de súbito amor



Guillaume Apollinaire (1880 - 1918) nasceu em Roma, Itália. Mas foi em Paris, França, onde se tornou célebre poeta, crítico de arte, literatura e agitador cultural.








Fênix_K!

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sexta-feira, 17 de abril de 2015

Dei ad infinitum -por-Kbçapoeta










Venho de um processo

Onde o recesso cósmico é permitido.

O espaço e o tempo.

O espaço-tempo.

Tudo criado pelo homem,

Carmas e pecados

Devolvem ao homem sua paz.

A certeza de que conforta a espécie

É a ausência de Deus e não sua presença.

Se Deus manifestasse sua onipresença

Adentrando as mentes humanas

Durantes as 24 horas do dia.

Para muitos

Isso seria o inferno.



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My Iraq

Quero uma poesia de olhos fechados, que não veja hipocrisias, atrocidades, que não veja nada Uma poesia alienígena, que não seja desse mundo nem tente entendê-lo Num papel que as balas não furem e as crianças, desesperadas, desmembradas, decapitadas, não sujem de sangue Não! Não quero papel algum, é resquício que nos incrimina, todos os homens Quero palavras sustentadas no vazio, sem lastro algum com a dor, a vida, ou seu extermínio Quero frases eternas, que nunca foram escritas, e nunca serão apagadas Velhos versos da Torre de Marfim, neo-simbolistas contextualizados Quero um poema que tenha vergonha de ser humano.




Fênix_K!

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terça-feira, 14 de abril de 2015

EXISTÊNCIA

Ser poeta é pensar poeticamente em tudo que se vê.
Ouvir o barulho dos pratos estilhaçando
e o tilintar dos talheres
caindo no chão e se espalhando.

Ser poeta é ocupar o pensamento
com todos os apelos visuais e sonoros
para transformá-los em versos
impressos a sangue, suor e outros fluidos.
É dizer o que se espera quebrando o esquema,
mudando o desenlace e improvisando o desfecho.
É fingir tão completamente que,
como dizia Pessoa,
"chega a fingir que é dor a dor que deveras sente".
É ser tão verdadeiro nas mentiras
que a própria verdade se envergonhe
de sua nudez e crueza.
É expor-se tão inacreditavelmente
que ninguém se atreva a invadir a sua publicidade.
É não fazer marketing, nem propaganda,
mas espalhar-se como o amor, boca a boca.
É ser, mais do que estar;
é partir mais do que ficar;
é sentir, mais do que existir.

Ser poeta é complicar o resumo da história,
tirar da pedra a sua essência
e gritar na praia, mais alto do que o mar.
É ter areia nos olhos e, mesmo assim, enxergar;
abrir os braços ao vento como se fosse voar.
É voar em pensamento e, ao cair, se estatelar.
Ser viajante no universo,
mas tripulante ao invés de passageiro.
É eternizar cada instante,
seja falso ou verdadeiro.
É deflagrar revoluções,
andar pra trás pra avançar.
É pegar uma cadeira e se sentar;
é ter tudo diante de si, sobre a mesa,
em frente a um papel branco.
É ficar tonto ante as palavras revoluteando em sua mente
e desmaiar,
inédito de espanto.


[Adhemar - S. Paulo, 28/11/2004]

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Narciso


Pobre poeta,
sou a palavra mais preciosa e precisa.
E me ignora, põe terra sobre mim,
cospe na minha cara!
Insulta, espanca.
Muda meu nome.
Esconde-se de mim.
Mas não escapa.

Cansado, humilhado,
me redime.
Brada aos quatro cantos,
me espalha.

Pobre poeta,
não se livrará de minha sombra.
Pois “eu” sou você.
Em “mim”, há de se afogar.

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CALAS - POR - Kbçapoeta







Ideias que não chegam

São obras que se vão.

Por não ter disponível o prelo,

Desmerecerás a destreza de sua mão?

No poema tudo se perde,

Tudo se usa.

O fundamental

Utilizado em vão,

O singular

Multiplicando eternas vias sacras.

Aspirando

Louvas e redenção.

Letra forte,

Carne fraca.

Sejas como Noé ou Nefi.

Veja o cosmos tal qual Krishina.

Cro Maat,

Destino,

Palma da mão.




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sexta-feira, 3 de abril de 2015

A NOVA IMERSÃO





A nuvem negra passa

Ninguém viu o temporal

Ininterruptamente trovejava

Caiam relâmpagos

Enxurrada fria e caudalosa

Lúgubre cenário

Mata-me dia a dia

Através de sua sombra



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