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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
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sábado, 17 de janeiro de 2009

OÔ - Léo...

Sem
Tindo
Vento s
Em
AL (u) GO –
ME
do
Chão
Vão
Caio
NE
m E
Ralo
Ferro
Abaixo

.

Ímpar - por Casé Uchôa

É sem igual a moça que anuncio
Só se compara à lua cheia, plena
Que resplandece lá no céu, serena
E enche de luz o meu olhar vazio

Amiga dessa e, sei, de outras vidas
Conheço o seu olhar de outras eras
De outros mundos, de outras esferas
Sorriso que curou-me outras feridas

É doce a voz dessa mulher, candura
Que sabe ser feliz, mulher poeta
Sutil e ao mesmo tempo tão concreta
Criança e ao mesmo tempo tão madura

É ímpar a mulher que anuncio
É ímpar a mulher
É ímpar

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Abandono - por vestivermelho

Doendo a alma nua
Abandonada…
Na estrada sem eira nem beira
Bela e encantadora
Para os dias tristes
Uma roseira como consolo
Nas rosas se inspira
Nas labaredas da fogueira
Aquece o coração de esperança
No novo dia segue a estrada
Sacode a saia
Sorri e segue a caminhada

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A Sonhadora - por Adir Vieira

Olhou-se no espelho com aquela habitual benevolência de quem sempre vê o melhor. Não aceita e não admite o fato de não ser linda. Em sua fértil imaginação, os homens, sem exceção, a desejam como parceira.
Antes de sair - o que se dá todos os dias no cair da tarde - experimenta vários trajes e pinta olhos, sobrancelhas e boca, com o esmero de quem tem certeza de que vai atrair olhares e causar inveja. Frente ao espelho, mexe-se e remexe-se de forma a captar seus melhores ângulos. Ensaia sorrisos e modos de olhar para o mendigo, para o padeiro, para a senhora que vende açaí e, repetidamente, vive, na memória, as frases que dirá em resposta aos comentários elogiosos que, segundo acredita, receberá. É e foi assim sempre.
Viveu sua alegria crendo ser a mais formosa das mulheres.
Hoje, o verão escaldante fez com que escolhesse shorts e uma camiseta cavada; afinal, suas pernas torneadas eram tudo de bom. E, assim, foi ela vestida.
Na esquina, um grupo de adolescentes conversavam e riam.
Quando passou, um deles, mais atrevido, em resposta ao seu sorriso de poderosa, fez o seguinte comentário:
– “Ô tia, na fila da ‘celulite’ você entrou quantas vezes?”
A princípio não soube o que responder, quis atinar que não era para ela, mas a primeira coisa que fez, ao voltar para casa, foi se olhar no espelho, apreensiva.
O susto e a decepção fizeram cair o véu da sua verdade que há muito lhe cobria os olhos e mostrou-lhe que o tempo havia passado sem que ela percebesse…

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Minha Boneca - por Adir Vieira

Tão pequenina e já dá mostras do que vai ser quando adulta.
Assume ares de dengosa idênticos aos das fêmeas que querem agradar os parceiros sempre que sua vontade encontra negativas.
Assume sua impaciência quando as brincadeiras de criança alcançam a repetitividade tão desconexa com seu modo de ser.
Assume sua mágoa e desapontamento se alguém eleva um pouquinho que seja o tom de voz quando a ela se dirige, e cobra o porque do maltrato imediatamente.
Tão pequenina e repete tantos atos quando os fatos não condizem com o que lá, em outras vidas, aprendeu…

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Nada - por Adir Vieira

Nada esperei da vida,
Nada quis, nada pedi,
O medo de ser abduzida
Fez com que eu fizesse assim…

Se tive pouco, não reparei,
Ou melhor, vi sempre mais…
Se me deram um limão,
Fiz suco, tortas e outras coisas frugais.

Se vi quase nada ao redor,
Por dentro, viajei o mundo,
Tudo me pareceu igual
E escolhi ser vagabundo…

Se o amor custei a achar,
Dei muitas razões para o fato,
Acreditei no tempo a passar
E entrei no terceiro ato…

A ordem natural das coisas
Não segui, não persegui,
Vi no contrário a forma exata
De melhor me conduzir…

Se minha mão não alcança,
Creio que é melhor voltar,
Escolher o que se pode
É nunca se atrapalhar…

Mas apesar de, sempre,
Não comprar briga, esconder-me…
Vejo que não adianta…
O bom ou o ruim são meus.

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A Vizinha que Ninguém Merece - por Adir Vieira

Como posso descrever você?
Louca? Fofoqueira? Despeitada?
Não sei… Talvez sim, talvez não…
Louca, você me parece, quando começa do nada e cheia de caras e bocas, a me descrever, diante de mim, como uma pessoa elegante, bonita, bem formada, educadíssima… Sei que assim sou, mas sei também que nunca lhe dei oportunidade para me conhecer a fundo. Enquanto você fala, vou me olhando exatamente como estou – cabelos em desalinho, trajes simples, unhas dos pés, por fazer, apesar de calçados com sandálias de dedo – e penso que você olha para mim e vê ou a Angelina Jolie ou a Lya Luft…
Fofoqueira você me parece quando tenta, sempre que me vê, citar um fato ou outro desabonador da pessoa com quem me viu conversando naquela semana. Foi assim com a mãe dos gêmeos, foi assim com a velhinha do 314, foi assim com o porteiro que elogiou o bolo que eu fiz…
Despeitada você me parece quando, sem mais nem porquê, diz que meu apartamento, onde você esteve, na sala, e em uma única vez, é mostra de decoração, digno de figurar nas revistas e de ser fotografado pelo Rio Decor.
Já não me surpreendo com seus comentários elogiosos a meu respeito. Vejo neles um misto de loucura e despeito. Sequer ensaio um pequenino obrigada.
Fico refletindo se sou eu, com minha pose de melhor do mundo e com meu nariz empinado, que faço com que você seja assim.

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Morte em Vidas - por Raquel Aiuendi

A vida anda não só banalizada... também desgastada por um dia-a-dia de repetidos rituais vazios e/ou estressantes. Desgastada pela repetição das notícias, conversas sociais, ambientes de trabalho, convivências que, antes de serem adoecidas, são dormentes, alienadas, tensas etc.
A dor interna das pessoas é a conseqüência da vida não ter um desenvolvimento saudável e ansiado, como se as pessoas estivessem vivendo em cima de uma esteira ergométrica: se cansam, mas não saem do lugar. Sugada a energia realizadora não sobra quase nada para a reflexão, para a convivência, para o descanso e, muito menos, para o espírito. Lazer se resume em consumismo: criatividade e troca despretenciosa e relax, reposição vital... tudo conceito “ultrapassado”.
A vida está difícil, mas que fazem as pessoas? Divertem-se com a violência, digerem uma mágoa, dormem com as brigas, despertam com os problemas.
Tudo é dependente do dinheiro. O sistema faz todos crerem que até pra sentar no sofá da sala ou na calçada em frente de casa para conversar com parentes e vizinhos é preciso discorrer sobre o ter ou não ter, problemas, violência... Os pássaros tentam participar da conversa e não são notados; as crianças já não passam pela fase da brincadeira pela brincadeira; morros, árvores e flores ficaram cinzas a long time a go.
Aparência é a maior preocupação, não só a pessoal, mas principalmente aparentar o ter: beleza, bom gosto, sutileza, gentileza, amizade são bobagens sem valor na prática de um ritual que carencia os indivíduos.
A dor daqueles que crêem no amor, a convivência saudável entre seus semelhantes, que celebram a evolução etc., ao se depararem com o egoísmo, o endurecimento dos sentimentos e, pior, o apodrecimento da sensibilidade... essa dor é tão profunda que no momento em que se apresenta parece infinita. O chorar é sine qua non neste momento, um chorar pelo mundo, pelas vidas que perambulam já amortevidas. Que dor!!!!
De dor em dor se vivem, de dor em dor se sentem sós quando sem dinheiro mesmo que rodeados de amigos, de dor em dor aumentam o vazio que se alastra pela existência... assim são disseminados tristezas, violência, abandono... e, algo pior que o ateísmo, um deus com o qual se barganha na intenção de terem mais para custearem a involução e as mortes prematuras de suas essências.
Ninguém pode viver sem amor. Ninguém pode viver sem acreditar numa força geradora, criadora, no Deus que mantém a Lei relacionista. Não há dinheiro que possa respeitar tudo o que nos foi dado de graça. O materialismo caotiza, destrói e corrompe a Lógica natural da criação e das relações. Que pena!!! O Amor é tão absoluto, porque o ser humano se esvai em ‘complementos’?

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Aprendizagem - por Raquel Aiuendi

Aprendi sofrendo e, onde aprendi sofrendo, ali mesmo, pude ensinar amando; pois nada, nada se iguala à experiência do real Amor.

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Desejo - por Adir Vieira

Não busco em você bens materiais, prazeres mundanos, coisas palpáveis.
Quero manter na mente e vivenciar, pra todo o sempre, esse brilho no olhar quando me olha, esse sorriso de canto que, ao contemplar-me, promete carícias sem fim…
Quero sempre tuas mãos cheias, enormes, para percorrer meu corpo, para esquentar minha pele, para fazer-me feliz!

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Delícia - por Adir Vieira

Já há algum tempo não visito esse supermercado. E hoje estou aqui novamente.
Embora a maioria das pessoas não goste dessa prática, sempre me deliciei percorrendo os corredores de alimentos. Acho que esse gosto remonta à minha infância, quando não tinha condições, nem dinheiro, para apreciar coisas que fugissem ao feijão com arroz.
Ao adentrar a porta principal, sinto a mesma sensação de quando vou a Paris, aguça-me a curiosidade de conhecer produtos novos.
Sigo sempre o mesmo ritual.
Percorro todas as gôndolas como se não soubesse o que quero comprar.
Vou do início ao fim, com os olhos espertos, como os do detetive na expectativa do fato inédito.
Viajo em satisfação, por pelo menos, umas duas horas.
Sigo pelos corredores com a mesma paciência daquele que procura um defeito mínimo numa peça de valor.
Saboreio os aromas e gostos das mercadorias.
Até a bancada dos peixes, com seu odor desagradável, assume para mim um visual delicioso.
A arrumação dada pelo balconista e as crostas de gelo do balcão formam barrancos idênticos a um mar de ondas, onde as variadas espécies nos sugerem os mais deliciosos pratos.
E o corredor dos pães artesanais? Esse, então, me faz sentir dona do mundo. Fico pensando em como alguém, com as próprias mãos, pode desenhar formas, recheá-las com doces ou salgados, amassá-las ou acarinhá-las até adquirirem o ponto ideal e, por fim, transformá-las em gostosos quadrados ou círculos açucarados?
Parece que tudo posso quando vejo a gôndola dos temperos. Aí, sim, minha imaginação atinge os píncaros do imaginável. Desenho na mente misturas e mais misturas e, pacientemente, penso e decido qual será o prato do dia.
Já decorridas mais de duas horas nesse passeio, pego um carrinho e vou enchendo-o ao meu bel prazer.
As filas nos caixas, nessa altura, já exibem quinze ou mais pessoas na minha frente, mas nem a expectativa da demora me impede de deliciar-me com as compras.
Sou só eu e o meu carrinho, repleto nas minhas possibilidades e prometendo, com suas iguarias, novas horas de satisfação junto ao fogão de casa…
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Chuva - por Adir Vieira

Estamos em janeiro, mas chove. Chove muito. Parece que o tempo, o clima, não se compraz em fazer feliz aqueles que escolhem esse período para o divertimento.
Como se deliciar na piscina com esse friozinho?
Como correr em volta do prédio e sentir o suor do esforço escorrendo pelo rosto?
Como vestir o traje branco, sumário, combinando com a sandália da moda e sair a passear até o restaurante próximo?
Como escorregar os pés na areia branca, seca e quente da praia?
Parece que todos os prazeres esperados o ano inteiro têm que se internar em si mesmos e ficar à espera.
O céu, sei lá o quê, ainda brinca de esconde-esconde e lança modestos raios de sol e claridade em meio à chuva fina, de quinze em quinze minutos.
Na ânsia de que o tempo se firme, sem crer nos prognósticos da meteorologia que anuncia mais chuva, os mais crédulos desenham “sóis” gigantescos no chão e nada…
Já lá se vai mais da metade das férias e vamos nós, guardando para o próximo ano, tudo o que nos prometemos curtir em janeiro.
Diante disso, só temos uma única certeza: o primeiro dia de volta às aulas ou ao trabalho, no retorno das férias, será de sol escaldante!

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Novos Tempos - por Theodiano Bastos

Os tempos são outros.
Diz o psicanalista francês Charles Melman (Veja 23/04/08 pág. 92):
“Assistimos hoje a um acontecimento que talvez não tenha precedente na história, que é a dissolução do grupo familiar. Pela primeira vez a instituição familiar está desaparecendo, e as conseqüências são imprevisíveis”. Os jovens de 18 a 30 anos não procuram o psicanalista pelo fato de reprimirem seus desejos, mas porque não sabem o que desejam. Busca rápida do prazer. A idéia é aproveitar sem se envolver, o sexo sem compromisso, o prazer ocasional, sem compromisso… busca imediata de prazer máximo, sem freios nem restrições. O mundo virtual pela internet… Ali qualquer um pode viver uma série de vidas sucessivas sem nenhum compromisso definitivo NOS PERÍODOS DE CRISE MORAL, COMO O ATUAL, as pessoas querem se distanciar da realidade, não querem um limite. Antes se preocupavam porque não ousavam realizar seus desejos…
Vivemos a era da incerteza, do lusco-fusco, aurora e trevas, o sol da madrugada, a era dos extremos. Os muros caíram os sonhos se desvaneceram, ideologias não exercem mais fascínio, como também um curso, um diploma que garanta mais emprego. Estudar para quê? Os jovens se perguntam. Como dissipar a ansiedade dos jovens que não conseguem entrar no mercado de trabalho e dos desempregados que não sabem como voltar a ele? A verdade é que vivemos em um mundo no qual a única certeza é a de que tudo muda ou pode mudar. Algum tempo atrás cada geração vivia melhor que a anterior. Agora não é bem assim. Está se desconstruindo um mundo sem construir uma coisa nova em seu lugar.
Vazio existencial, falta de amparo emocional no seio da família, ausência de perspectivas de vida decorrente da falta de trabalho, enfim, caminhamos para o desconhecido. Para onde vamos? Cada vez mais homens sem rostos, que acreditam serem deuses e que elegeram o dinheiro como uma religião universal, tomam decisões nas empresas transnacionais que afetam a vida dos cidadãos em todos os cantos do mundo. O desenganjamento é a característica dos nossos tempos. As pessoas estão desiludidas politicamente, e mesmo quem não está fica desorientado.
Hoje os adversários são muito mais difusos. Uma grave ameaça à democracia participativa. Estamos cada dia mais desesperados e infelizes com o estilo de vida que levamos. O estilo de vida é de uma velocidade vertiginosa, ninguém tem mais tempo para a reflexão sobre o significado da vida, a meditação ou a contemplação. Isso é enlouquecedor. Estresse, ansiedade, angústia, correria. Globalização da economia, homens e mulheres transformados em meros consumidores de coisas.
Nas condições atuais divertir-se é alienar-se. Comprar coisas, comprar, comprar, comprar, é o novo ópio. O desemprego deixou de ser um mal econômico e social e passou a ser um bem econômico. As corporações multinacionais anunciam programa de desemprego e suas ações sobem nas bolsas, pois isso representa mais enriquecimento dos acionistas e executivos. O dinheiro, o dólar, cultuado como o “Bezerro de Ouro” Bíblico, “América, terra de ganâncias ilimitadas e esperanças traídas”. O medo dos pobres, o crime organizado, o fundamentalismo islâmico. O desencanto com as religiões, a desilusão com o materialismo, a sede de Deus, os moços abrindo a porta do inferno com as drogas (75% homens 20% mulheres e apenas 30% se curam), a violência grassando nos quatro cantos do mundo.
Crianças matando os pais, professores e colegas nas escolas. A mídia eletrônica (TV vídeo, cinema, internet) cultuando a agressividade nas crianças e contribuindo para o desenvolvimento de uma sociedade cada vez mais violenta. A respeito, diz o famoso cineasta Steven Spielberg: “Assistir à violência no cinema ou em programa de TV estimula muito mais os espectadores a imitar o que vêem do que assistir a ela ao vivo nos telejornais. No cinema, a violência é filmada com iluminação perfeita, em cenas espetaculares, em câmara lenta, tornando-a até romântica. Já no noticiário o público tem a percepção muito melhor de como a violência pode ser horrorosa, e usada com finalidade que não existem no cinema”, conclui.
O surgimento dos serial killlers juvenis. “Violência é definitivamente coisa de garoto e uma tendência masculina” (90% homens, 10% mulheres). Eros e Tanatos, amor e morte, as profecias de Nostradamus prevendo a batalha de Armagedom (nome de um monte do Iraque), as figuras sinistras de Gog e Magog, os quatro cavaleiros do Apocalipse: morte, fome, peste e guerra do “Livro das Revelações” da Bíblia, um texto fantástico e confuso de São João. Agora descobrem na biblioteca Nacional de Israel manuscritos de Isaac Newton “Os segredos de Newton”, revelando que o mundo deve acabar em 2006, baseando-se no texto bíblico do Livro de Daniel. “Ele pode acabar além desta data, mas não há razão para acabar antes”, revela. Segundo ele, 1.260 anos se passariam entre a refundação do Santo Império Romano por Carlos Magno, no ano 800, e o final dos tempos.
Tudo isso torna confuso a cabeça dos moços, que precisam ser sacudidos para tirá-los da passividade. Muitos estão num nevoeiro, não enxergam bem o caminho, não têm projeto de vida, não têm esperança. Tão inclinados às ilusões quanto às desilusões, nos jovens o que prevalece não é a esperança de um progresso humanizado, de libertação, mas de exploração, da opressão, do poder de destruir. A realidade virtual, “grandes ambições com poucos esforços”. Gostaria de vê-los mais inquietos, mais pensantes, menos centrados no próprio umbigo, diz a escritora Fanny Abramovich, Nunca foi tão difícil ser adolescente. Dentro das brumas do amanhecer do novo milênio, os jovens estão marcados pelo dasajustamento entre o sonho e a realidade. Sentem dificuldade de superar o real do virtual: sexo virtual, ambições virtuais ilimitadas, violência virtual, tudo superexcitante, nada satisfaz.



Theodiano Bastos é escritor, autor dos livros:
O Triunfo das Idéias, A Procura do Destino e coletâneas
e é idealizador e presidente do Círculo de Estudo, Pensamento e Ação (CEPA) – ES
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Há um Biscoito que Eu Adoro… - por Ana

Eu moro perto de uma escola
que é grande como o quê
lá tem árvores e sombra,
e dá p’ra rodar bambolê.

Nessa mesma escola aprendi
a escrever o bê-a-bá.
Hoje, ouço daqui os recreios
e a criançada a gritar.

Quando eu ouço a meninada
fazendo bagunça adoidado,
penso numa coisa boa
e o coração fica apertado.

É que nessa escola, agora,
estuda um lindo garotinho
que é fofo, branco, magrinho,
que eu chamava “biscoitinho”.

Depois ele virou biscoito
Porque, de repente, cresceu…
Do jeito que está espichando
ficará maior que eu.

Logo depois, outro segundo,
virou um lindo garotão,
esticou uma vez ainda,
e eu chamei de biscoitão.

Eu sou sua “tia Ana”,
que não gosta de ouvir: -“Tia”.
Porque tias existem muitas:
na escola, na rua, família…

Quando ele me chama assim,
meus ouvidos dão um nó,
eu faço ameaça, careta
e respondo assim: -“Óóóóóóó…”

Esse menino-biscoito,
branquinho como polvilho
hoje tem sardas lindas
e nos olhos tanto brilho!

Pois é por isso que eu,
que não posso mais ir vê-lo,
fico triste de dar dó
quando ouço, no recreio,

as vozes das criancinhas
e imagino o biscoitão,
já tão crescido brincando
no meio da berração.

Não posso vê-lo, nem nada,
e ele não vem me ver.
Estas coisas do destino
que não se consegue entender…

Às vezes eu vou à janela
e vejo as crianças sentadas
esperando a mamãezinha,
a titia ou a empregada.

Imagino que um dia
alguém pode se atrasar
e eu verei o biscoitinho,
sentadinho a esperar.

Meu coração bate forte,
olho, olho e nada vejo.
Deixo, então, para amanhã,
talvez, realizar meu desejo.

Mesmo que fosse de longe,
queria ver Ronier.
Sei que está lindo de morrer,
queria ver como é que é.

Dá um vazio por dentro,
uma tristeza calada,
é tanta falta que eu sinto…
uma saudade danada…

Lembro o sorriso, olho a foto,
é uma judiação!,
choro um pouquinho de nada
p’ra aliviar o coração.

Em breve ele vai mudar
p’ra longe, um lugar bom,
para perto da vovó
com a mamãe e o irmão.

Não sei como irei vê-lo,
ficará tão mais difícil!
Será mesmo absoluto
impedimento, impossível!

Mas, assim que eu tiver um quarto
todo espaçoso e arrumado,
enquanto eu trabalho duro,
vou pôr seu retrato a meu lado.

Olharei sempre pra ele
junto a tantas outras fotos
de gente que também amo…
o meu sentimento remoto.

Pensarei sempre em você,
querendo que esteja sorrindo
naquele momento e sempre,
do jeito que eu acho lindo.

Aproveitando essa vida
da melhor forma possível,
pois tem tantas coisas boas
e pode ser tão incrível.

Desejarei sempre assim,
só pensando positivo
a quem será sempre, pra mim,
o meu biscoito preferido.

Ah! Meu biscoito querido,
adorado biscoitão…
Quanta saudade que eu sinto
dentro do meu coração!

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Hate There I Love You - por Passa-Tempo

Agora aqui estou; deitado na cama; pretendo dormir. Meu dia foi festivo, talvez pudesse ter sido significativo, se a falta que sinto de você, não estivesse presente em minhas mãos, nos meus lábios, no meu corpo e na minha mente; tamanha saudade que sinto de ti, que me corrói por dentro, coração bate mais forte, juntamente com os flashes das imagens de cada momento que passamos juntos, numa dança sincronizada ao som da minha dor de cabeça latejante. O peso da solidão bate cada vez mais forte, tamanha força que chega esquentando o meu corpo, esquentando não apenas com chamas, mas sim com a explosão de uma mistura, que une a saudade, a dor e o desejo de te ter aqui comigo. A cada segundo que passa é uma facada acertando o meu peito, um sentimento bom de um ódio afetivo, odeio cada palavra que sai da sua boca, odeio cada roupa sua, odeio seu jeito, odeio seu novo corte de cabelo, odeio sua maneira de andar, falar e odeio também sua maneira de me seduzir, odeio gostar de cada ódio que tenho de você, odeio estar falando essas palavras que demonstram o sentimento que tenho por ti, odeio gostar de você por cada característica sua, odeio admitir que eu perdi, e você venceu… Meu coração é todo seu!!!

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Desabafo - por Carlos Oliveira

Se todos partiram com sua chegada,
ou você ou eles não valem de nada!
Então, se você teima em ficar,
o que fazer?
Tenho que te aceitar!
E os amigos, que eu pensava ter,
os que permanecerem, devo amar!
E aprender a te amar…

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Ventre da Grande Mãe - por Alba Vieira

Tua força, meu sustento,
a seiva de onde extraio a força vital.
Teu eixo, meu amparo,
se desestabilizo.
Tuas emanações,
céu ilimitado para meus sonhos.
E teu solo, descanso da morte
Fértil.


Inspirado na pintura Ventre da Grande Mãe, de Alba Vieira.
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Ventre da Grande Mãe - por Alba Vieira

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A intenção de postar imagens neste blog
é propiciar inspiração para textos referentes a elas.
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Resposta - por Alba Vieira

Na sua estrela cadente,
A forma me fez perceber
Que os versos se vão reduzindo
Até a estrela desaparecer.


Inspirado em “Abandono”, de Ana.
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O Bule de Chá - por Adir Vieira

Sempre achei “bocomoco” ter um aparelho de chá.
Conceituo-o sem serventia; afinal, já lá se vão mais de dez anos que ninguém convida para chás. No entanto, algumas peças do aparelho, como o açucareiro e o bule, sempre me chamaram a atenção.
Foi num dia, por acaso, que encontrei o tal bule numa loja especializada.
Apaixonei-me por ele, de cara. Tinha um tamanho maior do que o normal, branco como a neve e brincando em sua borda estavam lá os frisos azuis floridos e, firmando as florzinhas, uns mais fortes prateados. Tamanha foi minha atração por ele, que me impediu de apreciar outras peças igualmente bonitas. O seu charme estava no bico, torneado de forma a parecer um bico de ganso e isso, inexplicavelmente, completava a peça de um jeito absolutamente perfeito. Especialmente lindo. Convivendo comigo por mais de quinze anos, era assim que ele era. Pelo menos, até ontem, quando, após uma briga insana da esponja ensaboada com minhas mãos, espatifou-se na pia da cozinha.
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Cessar-fogo - por Alba Vieira

Cessar-fogo. Cessa a guerra?
Decerto que não vai cessar,
Pois corre nas veias lodo:
Eles não vão cooperar.

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Semblante - por Hellinho Ferreira

Com a ilusão cortada vou entregando os pontos
Fingindo não sofrer ao lembrar seu semblante
Revelar os sentimentos do meu ser não acendeu sua estrela
Amores do passado transformam-se em arrependimentos eternos
Vivo lado a lado com meus erros grotescos numa reconquista fracassada
A ausência é a cortante navalha que vejo perfurar-me
Talvez se eu tivesse diamante nas palavras e ouro nos dedos você voltaria
Agora como levar a vida pra frente fingindo não sofrer?
Veias dormentes que precisam teu sangue e tua carne
Imagino meu futuro trazendo meu passado pro presente
Aquela foi a mulher de semblante magicamente inesquecível
Impossível quebrar as barreiras que construí pra distanciá-la
Talvez se eu fosse um velho de barbas longas e cara de sábio você estaria aqui
Subir na laje e fazer serenata de um caçador apaixonado não coibiu o bastante
Quem dera fosse invisível pra estar perto do meu grande amor
Meu cérebro congelou-se em você após a neblina
A beleza matutina é a cortina que avisto com semblante do seu rosto
Minha guerra com minha mente é pra te esquecer
Minha guerra com o coração é pra reconquistar-te sem ser conquistador
Sua face e seu semblante lutador desconhecem meus gemidos chamando-te
Ruínas perseguem-me como feitiço de atos perigosos que te afastaram
No caminho rotineiro lembranças das canções que nos embalaram igualmente
Vejo-me esperando-te, você está bem na frente, por outro caminho e não vai voltar
Fui um péssimo soldado na luta pelo amor
Aqui armado completamente vejo a última batalha acabar
Por isso vou me calando
Nada mais vai acontecer
Seu semblante será a bala perdida a me perfurar

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Haikai - por Raquel Aiuendi

Hoje feliz, eu
Dormi tranqüilamente
Um amor de’mail.

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Bolo Inglês - por Alba Vieira

Bolo inglês, minhas amigas,
Não me desperta ufanismo,
O que me traz são vovós
E tantos outros saudosismos.

E me vêm os cafés da tarde
Em volta de mesas fartas,
Crianças correndo por perto
Sempre em grande algazarra.

Minha mãe servindo a todos,
Conversando, contando histórias,
Trazendo o bolo quentinho...
Memória feliz de outrora.

Que ainda hoje me permite
Trazê-la e a avó também
Sempre nas tardes saudosas
Quando ofereço bolo inglês.


Resposta aos posts "Bolo Inglês", de Raquel Aieundi
e "Bolo Inglês", de Ana.
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