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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Um - por Leo Santos

Um só, é um meio
e outro meio, vazio;
Um só, é só um,
presa fácil para o frio.

P’ra um só, a cama aumenta,
mas quem quer espaço?
Antes, ligeira oposição,
aparteada por carinhos e abraços.

É como se a primavera faltasse,
inverno com flores então;
Belezas e aromas pulsando,
p’ra acentuar a solidão.

“Não é bom que o homem esteja só”
Dos lábios do Criador, esse dom;
Ruim é a sina de um só,
“viu Deus o que criara, e era bom”.

Os desencontros têm autoria espúria,
por fúria do inimigo comum;
O encontro de eu e o tu, o nós,
vem de Deus, dois sós… um.



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Sem Intenção - por Ana

Puxa, Gio, fiquei triste...
Não queria te ofender...
Era tudo brincadeira...
Eu não fiz pra aborrecer.

Eu tava achando engraçado,
Pensei que tu também tava...
Adorava o duelo,
Sua implicância me animava!

Não sou pessoa ofensiva,
Mas assumo: sou implicante.
Adoro brincar assim,
Mas se firo, paro num instante!

E já que tu não gostou,
Tá bom, vamos pras paródias!
Samurai pede desculpas
E começa outras histórias...
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Resposta a R-Evolução, de Gio.
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Minha Bruxa Boa - por Adir Vieira

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(Imagem: Anna Leão)

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Ontem novamente falei com ela.
Percebo que sua voz a cada dia está mais fraquinha, mas jamais deixa com que sua eterna segurança e o tom imponente desapareçam.
É sempre uma grande alegria ouvi-la, pois junto com sua voz, voltam a minha mente todos os momentos bons vividos na convivência que tive com ela durante a infância e a adolescência.
Creio que hoje ela já tenha uns oitenta anos, pois era um pouco mais nova do que minha mãe falecida há três anos.
O bom nessa criatura é injetar na gente, quando fala, um ânimo genuíno, real. Qualquer ser vivente que tivesse vivido todos os reveses pelos quais ela passou, seria, no mínimo, revoltada com a vida. Ela não, não tem tempo para essas bobagens.
Já está velhinha e doente, mas a alegria que demonstra quando ouve a nossa voz tem o aroma e a sutileza da maior felicidade da juventude.
Tem sempre lições de vida para passar e, nessas horas, esquece que está tão longe e que a ligação telefônica é cara. Eu também não me importo, porque sentir sua energia não tem preço.
Sempre tem novidades, apesar de viver só, a maior parte do tempo. Pelo que me disse, o único filho a visita diariamente e a empregada cuida de suas tarefas, enquanto ela divaga sobre a vida, fazendo crochet.
Ontem veio ela com mais uma de suas crendices que não tenho a mínima condição de contestar, mesmo com todos os meus diplomas.
Ganhei o dia, quando ela me disse:
- Sempre que você quiser alguma coisa, olhe para o Céu e diga: MILAGRE ESPECIAL URGENTE! Duvido que você não consiga!...
Faz questão de afirmar que só eu estou sabendo disso...
Foi sempre assim, a convivência com ela. Pedaços de coragem e sabedoria jogados ao vento, à mercê de quem quisesse pegar.
Não preciso dizer a vocês que desde ontem já repeti a expressão umas vinte vezes....
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Olhos Negros - por Alba Vieira

Solidão dilacera meu corpo neste momento sem glórias. Tropeço pelo caminho feito de misérias em que sigo como única opção ao desfalecimento definitivo e morte.
Não encontro quem me apoie. Eu tenho que ser meu próprio esteio quando a sentença é olhar a morte cara a cara.
É uma iniciação. É mais uma depois de tantas e não me amedronto. Sei que posso olhar agora o que de mais horroroso se apresentar. Desconheço as máscaras que pretensos salvadores insistem em usar. Não as quero intuir também. É preciso lidar com as personas na forma que tiverem. E apenas ter o conhecimento de que são apenas máscaras.
Procuro na vida o conhecimento puro, aquele que provém da experiência. E devo vivenciar a dualidade de todas as coisas, por mais que isto me custe.
O que é mais difícil é ser subjugada e admitir, na caminhada, trechos que foram repudiados e rejeitados anteriormente e que, em dado momento, se constituem no aprendizado mais valioso. Afinal, faz-se necessário vencer a si mesmo antes de ser aceito como iniciado.
Procuro a natureza real das coisas e neste caso é preciso estar sozinho, ser absolutamente aberto no olhar e não ter medo de ver. Buscar ver, desvendar o que não se mostra, esclarecer o que é dissimulado. É isso o que eu desejo.
E no caminho da descoberta do que é real, imagino que sou apenas dois grandes olhos pretos e perscrutadores.



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O Amor - por Gio

O amor é cego, egoísta, e vive de momento. É preciso o tempero da razão para poder mostrar que o sofrimento de hoje pode evitar futuras dores, e tornar mais brando o amor de amanhã.

O amor preenche mesmo todas as lacunas, e segue preenchendo-as por um tempo depois que nos deixa. Ficamos sozinhos, e ainda assim não achamos graça em ninguém mais. O mundo é cinza, sem graça, e descobrimos que há algo pior que amor não correspondido: o vazio de não amar ninguém.

É, talvez o amor nos deixe mal-acostumados.



Comentário em Anulei-me por Ti..., de Esther Rogessi.
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Procura-se - por Kbçapoeta

Procuro versos
Que façam você sentir
No mínimo um instante
Da possibilidade
Que seria amar intensamente,
Ludibriar os paradigmas da emoção
Ao pronunciar: eu te amo.



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Violeta em Abrigo - Citada por Leandro de M. Oliveira

Posso sentar-me aqui? Aqui, neste canto desta caixa postal? Quero ficar aqui. Escondida. (Aqui não me vão encontrar de certeza. Aqui nem eu me vou encontrar.) Não digas nada. Nem precisas de olhar para mim. Deixa. Se eu gritar não ligues, se soluçar de choro não olhes. Não te preocupes. Tudo passa. Que raio de dia. Eu sei que já te devia ter escrito. Eu sei exactamente o que tenho para te dizer. Digo depois. Música. Põe qualquer coisa, mas alto. Põe Blur. Song 2. Isso. Mas alto. Muito alto. Não quero ouvir o meu pensamento. Estou farta das minhas ideias. A luz. Apaga. Comecei o dia com uma palmada na “Miss” Popcorn, devias ter visto a birra. Logo a seguir a “Miss” Mermaid perdeu os óculos. Porque perdem as pessoas os óculos? Eu também perco os óculos, mas eu sou eu, sou um despiste sempre pronto a acontecer. Mas isso agora não interessa nada, eu só não quero ouvir as minhas ideias… estão por todo o lado. Abafa-as. Estão espalhadas pela casa toda, na sala, na cozinha, até na lavandaria tenho ideias. A música? O que quiseres. Qualquer coisa. Escolhe. Não sei. Espera! Creep, dos Radiohead. Já tenho saudades. Andávamos a estudar e ouvíamos. Que bom. Lembro-me da Teresa que sofria de um síndrome antiapartamento. Nunca tinha vivido numa coisa daquelas, então resolvia arrumar o quarto, e muitas vezes a disposição dos móveis, às 4 ou 5 da manhã. Enquanto isso, ouvia Radiohead ou Tindersticks. A Teresa era uma querida. Tenho saudades dela. Tenho saudades de todos. Tenho saudades dos cheiros daquela altura. Muito bom. Saudades bonitas. Melhor. Já me sinto melhor, obrigada. É verdade, já ouviste o álbum do Thom Yorke? O Eraser? Está giro. Analyse é um tema que acho particularmente interessante. Deixa ouvir só um pouco, porque tenho de ir. Já estão à minha procura. Estão sempre à minha espera, eu é que penso que não. Ainda tenho de ir buscar a Popcorn e a Mermaid. Preciso daquele mimo que elas têm sempre para me dar. Sim. Podes acender a luz sim. Obrigada pelo abrigo.
Fica bem
Cristina



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Bruna Lombardi, “Sinistro” - Citada por Penélope Charmosa

Inclua no seu amor um pouco de desespero
derrame seu potencial de drama nos tapetes
ponha sal nas frutas ácidas
tente um pouco de champagne no sapato.

Esparrame de preguiça pelos linhos
no espalhafatoso desleixo dos lençóis
use olhos cristalizados, cintilantes
com faíscas no meio das plumagens.

Aprenda a cantar e a cabriolar um pouco
a dança elástica de uma enguia
se esfregue nas nervuras, descubra trunfos
muito escorregadia.

Saiba o zodíaco chinês e as manhas do demônio
conhecedora de alquimias
deguste seus horrores em rituais estranhos.
Seja uma ameaça.

Dê telefonemas interurbanos em meio à noite
a Angkor, Himalaia, Terra do Fogo.
Estilhace as regras desse jogo
que um pouco de maldade é necessária.

Libidinosa sempre entre parênteses
esguiche todo esse seu som de dentro
ensopada de paixão e de água fria
leviana até a última mordida.

Esquiva como uma taturana
penetrando no gargalo da garrafa
estenda suas estrias até o limite da suspeita
pois não há nada como um crime atrás do outro.



In “No Ritmo Dessa Festa”.
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