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quarta-feira, 24 de junho de 2009

A Fila - por Duanny

Já reparou como em todos os lugares tem uma fila? Fila para comprar pão, fila para pagar o pão, fila para pagar as contas, fila no hospital, fila para ver um show, fila para comer, fila até para morrer... enfim, o mundo atual é dominado por filas! Sim, ele é. E se não fosse, também, imagina só a zona!
Mas as filas não servem apenas para organizar. Você pode conhecer muito de uma pessoa em uma fila. Por exemplo, na fila de um mercado você praticamente conhece a vida e os hábitos das pessoas que estão na fila. Se no carrinho tem papinha, fraldas, verduras, margarina, bolachas e suco light, é sinal de uma família bem grande, provavelmente com a mãe preocupada com a saúde dos filhos e opta por verduras para um bebê que precisa da papinha e das fraldas, margarina para o irmão caçula que só come pão com margarina, e a filha mais velha, que se acha a maior gorda do mundo, precisa tomar suco light.
Também tem aquelas filas que denunciam, a fila do banco, por exemplo. Sabe quando você atrasa o pagamento de alguma conta? É lá que você tem que ir, e pior, você sabe que todos estão lá porque não pagaram suas contas no devido prazo, o que deixa tudo muito difícil para iniciar uma conversa agradável; o pior de tudo é que a fila demora, é uma das filas mais chatas de se frequentar, tem aqueles velhinhos que não seguram nenhum papel na mão e você acha que vai ser super rápido, mas é só chegar no balcão que o bendito tira uma pasta cheia de papel, aí vai uma meia hora só com o velhinho.
Às vezes fico pensando como seria o mundo sem essas filas, não ia ser uma coisa muito prática, nem organizada, claro que ia ser difícil de pagar suas contas ou comprar alguma coisa... dá para perceber: é impossível viver sem fila. Eu, por exemplo, não resisto a uma fila.



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Um comentário:

Ana disse...

Pô, Duanny, não brinca! Fila é horrível! Detesto fila!
Vamos sentar aqui nas mesinhas do Litercafé para conversr sobre isso e veja se não tenho razão...
Paciência para esperar eu tenho de sobra, mas para ficar sendo intimada a comentar sobre o tempo de espera, o clima, as tragédias do mundo, a política do país, ou a ouvir relatos de acontecimentos familiares, conflitos, dúvidas existenciais, tudo isso daquele jeito exclusivo de fila: tô falando já indo embora. As pessoas falam por falar, provavelmente porque não aguentam o próprio silêncio. E falam olhando para todos os lados, não se fixam no coitado que escolheram pra pinico, parece que estes faladores de fila compulsivos (FFC) são todos médiuns: vivem acompanhados de espíritos e ficam falando com os encostos que estão por todos os lados enquanto fingem que falam com você.
E quando estão na fila do banco para pagar contas atrasadas e resolvem justificar pra VOCÊ o atraso (e eu com isso...)? Os FFC's são malucos! Você tá no seu canto, tranquilo, na boa, tentando ler um livro ou pensando na sua vida, e os doidos te chamam pra dizer que as contas deles estão atrasadas, te mostram os boletos (!!!!) e começam a desfiar um monte de histórias familiares mirabolantes ou contar sobre o atraso no pagamento dos seus salários para justificar o atraso. Como assim?!!! Daí para começarem a falar sobre o emprego, o patrão, os filhos, todas as grandes e pequenas desgraças vividas desde a primeira encarnação, é um passo (se a fila andar).
Desconfio que existam FFC's profissionais. Sabe aquelas pessoas que ficam no início da fila deixando todo mundo passar enquanto, na maior animação e sem pressa nenhuma, falam alto conversando com o banco inteiro, como se estivessem num palco? Pois é, são estes.
Há, também, os FFC's emocionais. São aquelas donas de casa que sorriem, felizes, quando dão aquela paradinha para entrar numa das filas do supermercado. Ato contínuo, começam a falar sobre preços, descontos, supermercados concorrentes, filhos, netos, cunhados, sogras, noras, cachorros, papagaios e tartarugas até serem atendidas. Quando isto acontece, pode notar que elas desabam, murcham, perdem o brilho e saem da fila cabisbaixas, deprimidas mesmo...
E esta última categoria se divide em dois tipos distintos: os conformados e os totalmente inconvenientes. Os primeiros são estes que falam com você apenas enquanto estão na fila e ficam tristes quando saem dela. Os segundos são os inconformados: puxam assunto com a pessoa de trás porque depois de atendidos continuam conversando com o infeliz, esperam ele sair da fila e o acompanham pelo supermercado, falando pelos cotovelos, como se fossem amigos de longa data. Fazem perguntas pessoais, tipo: onde você mora, é casado, quantos filhos tem, onde trabalha, pedem seu telefone, ficam na fila do caixa com você, te ajudam a embalar as suas compras e, se você não conseguir se livrar deles num momento em que parem para respirar, corre o risco de irem com você até sua casa "porque moram pertinho"...
Ou seja, a fila é multifuncional: pode ser divã, pinico, palco, local para fazer amizades, além de muitas outras coisas... Porque não falei dos que entram na fila para azarar, dos que ficam quietos durante horas e vão embora de repente sem serem atendidos e dos possíveis ouvintes de fila compulsivos (OFC). Mas estes ficam para outra vez...
E agora vou indo, pois tenho que ir ao banco enfrentar uma fila.
Beijo!