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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Luzeiros - por Leo Santos

O primeiro limiar no teto, marco entre a noite e o dia, bradou:
“Deixai um pouco vosso tapete mágico,
contemplai o alto, vede as obras do Senhor!

A lua pela fenda da janela tocou-se e disse: Oi!
Depois seguiu indiferente,
mirou seu rumo, e se foi.

Ditosa loura celeste! Vê de perto, a Constância bela das constelações.
Famílias que não desagregam,
felizes amoladas às suas missões.

Os passageiros do expresso noturno saltam, quando o advento do dia, é certo;
Alva, a última. Quanto às obras do Senhor, ela diz:
Vede-as mais de perto…

A mão de Hélio, força a entrada e grita: Vem.
Nada impõe contudo, só a luz,
depois segue, pois tem um ofício também.

De perto se ouve o que quiçá não se ouvisse;
A sabedoria chorando filhos roubados,
que foram adotados pela estultice…

Essa ruína, é certo, não vem do Senhor, é obrada por todos nós;
Aves noturnas inimigas da luz,
que pousam sobre os girassóis…



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Feliz Aniversário, Adilson! - por Alba Vieira

Ele ocupa o lugar do irmão mais velho em nossa família, não por sua opção, mas por força das contingências e por possuir os dons necessários para exercer esse papel que sempre desempenhou com responsabilidade e dedicação.
Aos quinze anos, ainda usando calças curtas, foi subitamente promovido a arrimo de família, em virtude do casamento inesperado do irmão que era de fato o primogênito. Amedrontado, ouviu de nossa mãe a sentença de que na semana seguinte, iria trabalhar como boy na Phillips do Brasil e passaria a estudar à noite. Para cristalizar esse momento solene, foi levado às lojas Ducal onde lhe compraram um terno e um par de sapatos pretos.
Assim, o menino franzino e medroso passou a enfrentar os trens cheios, onde era colocado para dentro, todas as manhãs, empurrado pela multidão que embarcava. E pode conhecer o centro da cidade nas andanças durante o expediente. Entretanto, permaneceu como boy por pouquíssimo tempo, sendo sua promoção motivada pela inteligência, responsabilidade e presteza na execução das tarefas que lhe eram atribuídas e também porque não ficava bem um boy trabalhando de terno. Essa postura de responsabilidade, orgulho e altivez, todos nós herdamos da mãe que, repetidamente nos estimulava dizendo: “É pra frente que se anda”.
Evidentemente que a Phillips foi seu único emprego, onde se aposentou após 35 anos de trabalho, atingindo o cargo máximo a que poderiam almejar aqueles que só contavam com competência, retidão de caráter e dedicação.
Sempre cuidou dos irmãos mais novos e mais velhos que ele, sete ao todo. Esteve ao lado da nossa mãe em todos os seus empreendimentos, já que nosso pai não compartilhava da mesma ambição e capacidade de lidar com a realidade, um pisciano típico, por natureza, contemplativo.
Mesmo com seu casamento, um tanto ou quanto tardio, continuou a ocupar-se de nossa família, sobretudo naquilo que se referisse à parte administrativa e legal. Foi, por todos esses anos, o burocrata de plantão e desempenhou funções de advogado sem nunca ter-se graduado nesta carreira, com competência e brilhantismo.
Nas questões ligadas à saúde, ele não se empenha, posto que é seu ponto fraco lidar com a doença. Deixa isso para as suas irmãs. Mas, quando se trata de cuidar dos óbitos da família, inventários, compras de bens e imóveis, sempre podemos contar com a sua prestimosa ajuda.
Ele sempre tem a palavra certa, a atitude coerente, a conduta irrepreensível e a ação protetora, nos momentos mais delicados de nossas vidas.
No fundo, ainda é o mesmo menino que pegava os doces de Cosme e Damião para organizar e dividir com os irmãos; que vendia as pipas que fazia e não soltava, para aumentar o orçamento familiar; que começou a trabalhar cedo e aprendeu com a vida que o mundo era ameaçador e que era preciso estar sempre alerta para não ser atingido. Com a maturidade, adquiriu a segurança que a competência e o progresso alcançado lhe trouxeram na expressão do seu dom natural para vendas.
Depois da morte de nossa mãe, que era seu grande exemplo e representava para todos nós a segurança e proteção, ele pode iniciar uma nova fase de sua vida.
Agora está sendo convidado a relaxar, soltar as amarras, dispensar defesas que hoje, mais o impedem que protegem e inaugurar um novo tempo.
Neste momento, ele já pode viver seus dias com mais calma e tranquilidade, dedicando-se mais a si mesmo, fazendo o que gosta de fazer, sem cobranças, sem expectativas, apenas saboreando os acontecimentos, expressando suas habilidades e exercendo suas funções de irmão mais velho, no que toca à proteção, orientação e esclarecimento. E podendo estar mais livre para se dedicar à esposa e ao filho, para os seus passeios, os contatos com os amigos ou simplesmente para ouvir o canto dos seus pássaros, uma de suas paixões.
Hoje é seu aniversário, quando completa 67 anos. E você merece de todos nós, seus irmãos, o reconhecimento de tudo que representa em nossas vidas e o agradecimento sincero por tudo que fez e continua a fazer por nós.
Um grande abraço, com todo o meu afeto, carinho e agradecimento. Beijos e um feliz aniversário.



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Mea Culpa - por Ana

Eu devia ter-te ignorado. Devia ter guardado em mim aquilo que é meu. Devia ter ficado quieta e fingido indiferença. Acontece que sigo pela vida me dirigindo às pessoas, olhando-as, admirando-as, interagindo. É meu jeito e gosto disto. Penso que empatia e comunicação sincera são coisas que fazem muita falta hoje em dia. Mas nem todos aceitam, e outros ainda confundem com mediocridade. Fazer o quê? Eu errei, confesso. Tentei compartilhar com Narciso. Foi ato vão.
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Ponto - por Vicenzo Raphaello (Erótico)

Ela o apresentara àquele ponto.
Não era um ponto qualquer.
Chegar nele requeria sedução, e convite.
Cedo ela aprendera alcançá-lo, agradá-lo; outros na juventude chegaram nele sem sucesso, para jovens não há lugar para sutilezas.
Em Veneza, já mulher, brincando com sedutora amiga aprende a dar ao ponto novas formas de prazer.
O tempo
Vão-se o entusiasmo e a amiga.
Seus dedos dão a ele a atenção que não recebe de outros, acaricia-o onde houvesse chance de.
Esse ponto seu vício, adora tocá-lo exibindo-se frente a um espelho, no banho acaricia-o, num tempo sem tempo, excita-se com o cheiro e sabor que seus dedos trazem do seu corpo.
Neste ato solitário, falta testemunha e cúmplice para seu jogo.
Seduz um amigo, ensina-o como fazer.
Este exacerbado no seu despudorado exibicionismo, agrada-a mais do que ela própria consegue.
Entre os ruivos cabelos que adornam sua concha, ele surge, o pequeno e róseo ponto, deixa-se tocar pelos habilidosos dedos, lubrificado pela boca ansiosa em sugá-lo e mordê-lo, em meio a grunhidos e gemidos; próxima da tensão ela assume o controle do seu ritmo e ele expondo sua virilidade a mão agita jorrando, lubrificando-o.
Complementam-se no desejo, na forma, na exibição, na cumplicidade de novas descobertas, a lição de Veneza é sua sexualidade, as mãos, a boca, o sexo do companheiro não são mais suficientes, todo corpo é necessário, deitada de bruços roçando com suavidade seus seios nas suas costas, atrita o ponto no corpo arqueado do amante, molhando-o com o fluir da sua excitação, tudo a satisfaz, costas, coxas, ombros, a rigidez do seu sexo sem penetrar, apenas o roçar.
O tempo
Prolongada rotina cansa, desejo acaba.
O ponto é, para ele, apenas lembranças de visões, cheiros e sabores.
Para ela, razão de nova procura.

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Hoje Choveu - por Violeta

A frase dizia qualquer coisa como: “manda-me uma palavra”… Só uma. Uma. Às vezes necessito de qualquer coisa… uma espécie de inspiração e, muitas vezes, quanto mais pequena… melhor. É nas coisas ínfimas e simples que encontramos aquilo que nos altera, no sentido de vivermos um pouco mais a dita “efémera felicidade” que todos buscamos. Por isso, uma palavra. Uma só palavra pode ser sinónimo de nada, mas pode também ser sinónimo de tudo. Lembro-me sempre da passagem de uma carta que Frida Kahlo escreveu ao seu amigo de longa data Alejandro Arias, na qual dizia qualquer coisa como “escreve-me, nem que seja só uma palavra, mas escreve-me. Assim saberei que enquanto escrevias aquela palavra pensavas em mim…” Frida era brilhante. Um gigante brilhante, mas assustado. Assustado com uma coisa que se chama esquecimento... Uma palavra. Uma só. O poder do seu significado. Lápis, mar, manta, colher, entardecer, arrepio, pedra, cheiro … não importa se é um verbo, um adjectivo ou um substantivo, é uma palavra e as palavras transportam-nos. Leio: “chuva” e de repente já não estou aqui… não. Fui transportada pelo significado e estou no meio de um sítio mágico, numa cidade que adoro. Chove. (Eu amo a chuva, mas…) Chove muito. Refugio-me num espaço que me assombra com a sua intensa magia… estou na Casa Batlló. Logo nas primeiras salas não deixo de me encantar com uma das minhas filhas que tenta brincar com todas as formas das paredes e das portas… são rampas, são montes, são florestas e ela rapidamente compõe um conto infantil. Na verdade, ela também já não está ali, já está num outro lugar onde a magia dos talhes tomou conta da sua fértil imaginação de criança. Uma palavra. Às vezes basta uma palavra.
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Foto: “A Popcorn na casa Batlló”, de Violeta
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terça-feira, 20 de outubro de 2009

Fúria Legiferante - por Fatinha

Querido Brógui:

Para os pobres e sofridos estudantes de Direito, bem como para os nada pobres mas igualmente sofridos Juízes, Promotores, Defensores Públicos, nada pior do que a “fúria legiferante” do nosso Poder Legislativo. Quando eu penso que tenho mais ou menos uma leve noção do universo legal, tenho notícia de que mais uma lei foi publicada, seja inovando, seja reformando, seja remendando essa enorme colcha de retalhos que é o nosso ordenamento jurídico. Exemplo recente disso são as modificações no Código de Processo Penal, que confesso ainda não ter tido coragem de me debruçar sobre.
Para estar relativamente atualizada, recebo pela internet um informativo do site do Planalto, contendo as últimas publicações. Deixo juntar uma semana e tiro uma manhã pra executar essa difícil tarefa que é me manter a par do que anda fazendo nosso Congresso. Verdade seja dita: os caras trabalham muito. É tanta coisa que chega dar vontade de chorar.
Hoje, depois de ver que o CPP foi mais uma vez bolinado, saltou aos meus olhos uma lei absurda. Antes de comentá-la, vou fazer uma leve digressão acerca desses remendos nos códigos, em especial no CPP.
Quem sou eu para me meter a criticar a sistemática de um código… Mas, tomo para mim as palavras de meus professores, esses sim, estudiosos com cabedal para falar daquilo que entendem. Um deles diz sempre que o CPP é ininteligível (no que eu concordo), anacrônico (no que eu concordo), assistemático (no que eu concordo) e ineficiente (no que eu concordo).
O Código de Processo Penal é de 1941, da época que ainda havia o Decreto-lei. De lá pra cá, sofreu inúmeras alterações para meio que se adaptar às exigências mais modernas. Meu professor disse que o projeto de lei para promulgar um novo código está engavetado há mais de quinze anos!!! Ou seja, esse projeto já está igualmente ultrapassado e mais ainda, reza a lenda que já existe uma comissão para fazer sua reforma!!! Vamos esperar mais uns quinze anos, para ver se a reforma de reforma sai.
Podemos então concluir que, nesse nosso amado e idolatrado país, salve, salve, é mais fácil mudar a Constituição do que mudar uma lei ordinária, o que é uma distorção absurda considerando o Direito Comparado. As Emendas Constitucionais são sempre votadas em regime de urgência urgentíssima (cá pra nós, só em terras brasileiras existe algo urgente urgentíssimo) e enquanto isso coisas urgentes, mas que não são tãããão urgentes assim permanecem como calço de pé de mesa.
Em meio a essa barafunda, vem a Lei 11721/08 instituir o Dia Nacional de Prevenção à Obesidade e é sobre ela que venho tecer meus sábios comentários.

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Desculpe, não tenho palavras para comentar.



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Lembrei da Visita ao Cristo Redentor - por Adir Vieira

Ontem os jornais comemoravam mais um aniversário do Cristo Redentor e me veio à memória um fato inusitado, quando da minha primeira visita ao local.
Tinha eu uns dezessete anos e fomos em grupo, numa pequena excursão. Um grupo de cinco amigas, e uma delas, com o namorado, tinha cerca de vinte e cinco anos.
Marta, a responsável por todas nós, aquela que estava com o namorado, trabalhava numa multinacional. O namorado, Pedro, fazia parte do grupo de vendas da mesma empresa. Naquela época, há uns quarenta anos atrás, não se permitia que funcionários tivessem qualquer tipo de relacionamento, ainda mais em funções de prestígio, como ela, que era a secretária principal do Diretor Presidente.
Dessa forma, ela e o namorado jamais frequentavam juntos locais de grandes aglomerações ou mesmo lugares da moda, para evitar que fossem flagrados em colóquio amoroso.
No entanto, aquele era um dia de férias dos dois e tanta era a felicidade de ambos, que acredito, naquela altura, tenham até esquecido que trabalhavam no mesmo local e de que eram muitos os impedimentos à sua união. Daí, aceitaram de pronto o nosso convite para a excursão. Como era comum há alguns anos atrás, nos armamos de “mala e cuia”, ficando cada uma responsável por aprimorar nosso lanche da tarde com iguarias dignas do local.
Em lá chegando, escolhemos um local próprio para esse fim e após registrarmos o passeio com fotos especiais, preparamos nossa “mesa improvisada” com a toalha quadriculada e nos acomodamos para nossa refeição, cansadas que estávamos das andanças pelo lugar maravilhoso.
Tão logo nos sentamos, um grupo se aproximou e, dentre eles, exatamente o Diretor Presidente da empresa onde Marta trabalhava dirigiu-se a nós para um pedido de informações. Nós, que não o conhecíamos, fomos solícitas em esclarecê-lo, ao tempo em que estranhávamos sua cara de espanto olhando para Marta que, tremendo como vara verde, tentava sair daquela armadilha, imputando o namorado a uma das meninas do grupo que, assustada, não entendia nada.
Lembro que, já em casa, Marta nos colocou a par da delicada situação e não pudemos deixar de rir muito com o fato.
Soubemos, mais tarde, que o chefe de Marta foi bastante discreto, fingindo ignorar a situação por todos os anos em que foi seu chefe naquela empresa.



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Jornada - por Ana

Pelos eflúvios de Plutão e pelos labirintos de Hades você é levado e aqui nos descortina parcialmente sua jornada, com os olhos inertes e crus, enquanto sua alma se espanta diante do assombro de sua razão. Por estas profundezas não há janelas, quase não há luz. Apenas a chama de uma sua vela que permite a leitura de páginas que foram deixadas no caminho por aqueles que, antes de você, trilharam a difícil alameda da perplexidade sombria. Tantas lágrimas silenciosas, dúvidas desesperadas, certezas tristes e conceitos avassaladores encontram-se entre estas paredes. Tantas vidas que se consumiram em letras que tentaram justificar a compreensão desta existência. Quantos cérebros escorrendo pelas faces duras, esmagados pela força hercúlea das hipóteses confirmadas. Quantas falas e, depois delas, quantos silêncios retumbantes do nada que se impõe após o completo desfiar da carne pensante. Mais nem um passo, mais nenhuma voz. É o momento do terror mais absoluto. Não há direção, sentido ou vontade. Dissolveu-se o homem. Mas o mundo clama sua presença, sua aparição, seu retorno. Diante disso você se recompõe, percebe que o caminho segue em elevação mais à frente e, digerindo tantas verdades obrigatórias, renasce da caverna de si próprio. Povoado, ainda, das falas dos fantasmas luciferianos que, à luz do sol, se mostram bússolas que orientam seu entendimento pela selva das incoerências.
E eu, Beatriz, te acompanho os passos dilacerados através desta impiedosa terra dos homens.
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Inspirado em Remake, de Leandro M. de Oliveira.
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Alegrias - por Passa-Tempo

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Comigo cada abraço é um presente, cada beijo uma surpresa, mais que isso é festa!
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segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Recado - por Marília Abduani

Se quiser voltar, me avise,
talvez meu olhar precise
de algum aviso ou sinal.
Não chegue subitamente,
pode ser que eu não aguente
a tua volta de vendaval.

Não me chegue de repente,
sem que eu controle essa mente.
Meu amor, mande um recado
no bico de um passarinho.
No correio do caminho
teu beijo ficou selado.

Não me chegue assim, de leve,
se o meu peito pulsa breve,
vai morrer se acelerar.
Tua presença é lua cheia,
afaga, aquece, tonteia.
Me avise se for voltar.


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Parabéns, Meu Irmão! - por Ana

Neste dia, há alguns anos,
Nascia mais um meu irmão.
Lindo ele, uma gracinha!
Falador, bagunceirão!

Sorriso maravilhoso,
Vinha da alma o sorrir.
Prestativo, amoroso,
E sempre a nos divertir.

Cresceu, ficou tão bonito!
Vaidoso, trabalhador,
Amigo, muito querido
Por todos, com muito amor!

Como cultua o corpo,
Luta artes marciais.
É medalhista (que orgulho!)
De torneios internacionais!

Hoje é pai: tem uns pimpolhos
Que têm o mesmo sorriso...
Serão legais como o pai.
Isto, aqui, eu profetizo.

A vida dele não é fácil,
Mas vive bem-humorado.
Te mando beijos com saudade,
Gilson, meu irmão amado!
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De Braços Abertos - por Duanny

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Parece que minha vida vai mudar, acabei de ouvir as últimas notícias e, em um ato quase que automático, fechei meus olhos e comecei a rezar, lágrimas de felicidade caíram estupidamente em meu rosto, quase que inconvenientes.

Com os braços bem abertos, sob a luz do sol, bem-vindo ao meu mundo, vou-te mostrar tudo, não sei se estou preparada para ser quem tenho quer ser. Vou tomar fôlego, vou trazê-lo pra junto de mim, paralisamos deslumbrados, criamos vida.

Vou te apresentar ao amor, te mostrar como é realmente aqui, escondidos de todo o resto do universo, longe de um mundo envenenado pela soberania dos céticos que não acreditam em nós. Sim, em nós.

Vamos ser imortalizados por versos ridiculamente clichês, vamos ser apenas eu e você nesse mundo protegido de tudo e de todos, nesse meu mundo. De braços bem abertos sob a luz do sol, você vai ver o que é ser feliz.

Se eu tivesse apenas um desejo, somente um pedido, eu torceria pra que ele não fosse como eu. Espero que ela compreenda que pode ter esta vida, e segurá-la pela mão e apresentá-la ao mundo, com os braços bem abertos...



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Ano Um - por Flavio Braga

Hoje, por um breve momento, olhei para meu passado recente. Um ano atrás, para ser mais exato. Olhei e não me reconheci. Vi que procurei o que me é fundamental nos lugares errados. Em portas erradas, em cidades erradas, em pessoas erradas. Estava me conformando em ter como única companheira até meus últimos dias a Solidão. Já preparava até algo para eu e a Solidão fazermos para passar esse tempo que me resta – que espero que seja muito ainda. Sei lá, um filme, um jogo de xadrez, ficar falando amenidades, que seja. O fato é que a solidão nunca tinha batido na minha porta com tanta força, e - o que é mais triste - eu estava disposto a abrir a porta para ela. Mas na última hora, fechei. Fechei e joguei as chaves fora, fui ver o que o mundo podia me oferecer. E ele, que dá muitas voltas, me ofereceu o sorriso mais lindo que eu já vi. Não quis mais voltar para meu mundo. Vi que queria fazer parte de outro mundo. Do mundo dela, da minha amada.
E assim o fiz.
Na hora em que vi seu sorriso, sorri como não sorria há muito. Era a hora. A hora de eu enfim sorrir. E sorri, e continuo sorrindo com igual intensidade até hoje. Verdade, chorei também. Mas muitas dessas lágrimas foram de felicidade por tê-la encontrado.
E assim foram meus dias no último ano. Acordar e abrir um sorriso, por tê-la do meu lado.

E já não me vejo sem ela por aqui, do meu lado. Angelical que só ela.



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Discurso de Existir - por Leandro M. de Oliveira

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Cisma-me por vazio, ó visão que a minha turba. Sabendo além do que devo, podendo muito menos do que ouso. De argila e utopia vai moldando a terra. O homem passou por ti e continua de mesmo modo, um animal a carregar um cadáver consigo. Sei que sou finito. Que tal se inventássemos uma nova religião a fim de reparar esse imbróglio? Você se sente só? Quanto pagaria pra não se sentir? A política orienta a vida na polis. Saudações aos fascistas travestidos de gente de bem. A realidade bate à porta enquanto o morador se esquiva. Pergunta a calhar número um: Sou um homem? Não, ainda não houve tempo o suficiente para saber da vassalagem enquanto profissão de fé. Como é duro carregar uma metralhadora na cabeça. O que leva alguém a ratificar um pacto estranho a si? O homem, sempre ele, optando por estar desacordado enquanto a vida acontece. Eu sonhando em ser livre, os religiosos insistindo na luta armada. Sodoma não caiu, o cataclismo tem escolhido bem os seus mensageiros. A crença em si próprio poderia moldar um mundo novo, inglória verdade. Ser fútil é menos oneroso. Ser relapso é garantia de absolvição alheia. A senso comum o pré-fabricado é uma experiência messiânica. Mas afinal que é ser fútil, oneroso ou utópico? Palavras são conceitos, ação é sentença. O corpo, destino convergente de todas as blasfêmias, os anos passam o tecido somatiza. Diminuo enquanto se me aumenta a contagem dos dias, veloz. Estar vivo é aceitar o caos. Na impossibilidade de reinventar o meio dou graças pela cretinice alheia. Deus segue como aquele velho bonachão, o pai não castrado, a virilidade em pessoa. Terrivelmente amoroso. Tudo pode, tudo pode. Essa idéia é magnífica, consolo clichê dos que não aprendem com as próprias limitações ou se rebelam ao verificar que às vezes os seus possuem membros amputados. Pensar assim é fabricar transcendência. Talvez eu me drogue um pouco, ou quem sabe, recite um salmo. A totalidade é uma experiência sem precedente. Bem-aventurados aqueles sem memória, pois a tragédia não lhes questiona durante o sono. Meu único devir é ser eu mesmo, urge uma fórmula que aponte a direção, me sinto todos e ao mesmo tempo nenhum. Nossa tacanhice frente ao ser viabiliza com presteza a tiranização da “persona”. Autoconhecimento tem sido a mais insidiosa utopia, somente a embriaguez nos é acessível. Consciência esta para o homem como a pá esta para o coveiro, más notícias, o acidente da matéria não se repara com hipóteses. Tentei ser mais sociável, não foi exatamente um sucesso, detesto dialogar com zumbis. A experiência animal tornou-se suportável. Tão logo ele optou pelo engodo, o tom pálido foi ganhando cores, as equações foram simplificando-se. O dilema era esse, uma vida cor de rosa ou o desejo imanente de mil vezes estourar os miolos. Bendito seja o homem que inventou a coca-cola. Anestesia cotidiana, paz de um espírito anão. Pra que lado fica a terra de Marlboro? Vamos todos, enquanto ainda dispomos de nossos pulmões e nossa inocência. A máquina do mundo continua, eternamente a fabricar totalitarismos. É claro que o mal existe, a miséria humana fez-se prova irrefutável disso. Resta saber se há algum bem gratuito. Nisso tenho posto minhas dúvidas. Afinal a idéia audaz de construção do nome como continuação perene da memória conforta muito mais que aquela inevitável transfiguração em resto decomposto de um delírio esquecido. Mísero legado, abençoada condição. Ser eterno é como imitar as rochas, no fim o alheio não suporta o tédio das ditaduras. A mídia é orientada como um dos braços de trincheira da democracia, talvez por isso haja tantos campos de concentração sem cercanias estabelecidas. Isso dá uma sensação de liberdade. É aprazível a falta de grades físicas. Todavia, passear pelo campo minado pode nos deixar sem pernas, daí por diante aleijados para sempre. Quem vai caminhar por mim? Não é uma questão que causa pânico, há inevitavelmente alguém apto a reclamar passos que nunca foram seus. Se eu morresse amanhã viria ao menos fechar meus olhos, minha tresloucada irmã? Sou feito do que suponho, vendido pelo que rejeito. A vida glacial será extinta, a primavera não produzirá mais flores. Pastoreio o destino como se acreditasse nele. Pensar dói, esperar desfigura.
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domingo, 18 de outubro de 2009

Palhaço - Imagem Enviada por Adhemar

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.A intenção de postar imagens neste blog
é propiciar inspiração para textos referentes a elas.
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Visitem Adhemar
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A Contratação Indevida - por Adir Vieira


Relutei, mas contratei uma pessoa para uma vez por semana me ajudar nas tarefas domésticas.
O momento exige que eu tome essa providência, porque as tarefas externas são muitas, não me sobrando muito tempo para limpezas diárias. O que me sobra me consome na cozinha, minha atividade predileta.
Enfim, recebo minha auxiliar, com a maior boa-vontade. Sento-a diante de mim e com paciência explico como desejo que ela trabalhe, qual a tarefa que deve desempenhar primeiro, qual cômodo da casa exige cuidados apurados etc.
Depois de quase meia hora mostrando como deve se posicionar, ela, moça de trinta e cinco anos, abre com constância a boca, denotando um sono premente que, com ela, briga durante toda a nossa conversa.
Percebo que a estou cansando com minhas explicações e lembro de perguntar se tomou café. De imediato responde que não come desde ontem às sete da noite.
Meu marido, que a essa altura também já está esfomeado, dá salvas à minha brilhante lembrança e parto para a cozinha para preparar o nosso café da manhã. Coloco a mesa à qual ela, minha auxiliar, de pronto se senta aguardando meus preparativos. Meu marido, do outro lado da mesa, espera e ela, sem pestanejar, toma para si a caneca que para ele preparei e sorve com assobios o café do meu marido. Espantada, tento deixar para lá, mas ela, sem qualquer cerimônia, toma para si pão, queijo e a fatia de bolo de café destinada ao meu marido que começa a sorrir pelo canto dos olhos.
Decido dar uma pausa nos preparos e deixo-a terminar seu café. Pede mais uma xícara e eu a preparo, arquitetando na mente um jeito de despachá-la, sem mesmo começar o serviço, pois já lá se vão quase nove horas da manhã.
Meu marido, na mesa com ela, sequer abre a boca, talvez pensando no que havia me dito antes da contratação, visto que me conhece mais do que a palma da própria mão.
Não pensei duas vezes, quando ela, minha futura auxiliar, levanta da mesa, sem pedir licença e se espreguiçando, pergunta: - Madame, cadê os produtos de limpeza?
Minha resposta foi dizer que infelizmente havia surgido um imprevisto e nós não poderíamos estar em casa aquela manhã e, portanto, teríamos que dispensá-la, sem mesmo iniciar suas tarefas.
Notei em seu semblante um misto de surpresa e satisfação que ficou mais evidente quando eu paguei sua diária. Ao indagar quando poderia retornar, pedi que aguardasse meu telefonema, porque o tal imprevisto não me dava margens a fazer qualquer programação.
Quando minha futura auxiliar saiu, senti um alívio e um contentamento tamanhos que jurei não tentar outra vez.
Sei que essa minha decisão não ajuda a mim, nem tampouco a quem precisa de emprego, mas o que posso fazer, se não tenho estômago para aturar certos abusos, hoje tão presentes nos chamados “necessitados”?



Visitem Adir Vieira
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Duelando Manchetes IX: Justiça no Brasil - Reportagem Enviada por Luiz de Almeida Neto

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MARIDO TRAÍDO PROCESSA AMANTE DA MULHER, E SENTENÇA FALA EM ‘SOLENE CORNO’


“Solene corno.” Essas e outras expressões, no mínimo curiosas, foram usadas por um juiz numa sentença do 1º Juizado Especial Cível do Tribunal de Justiça do Rio. A decisão foi dada em um processo em que um marido traído acusa o amante de sua mulher de calúnia e ofensa à honra e pede indenização por danos morais.
Segundo a ação, o caso começou quando o marido, um policial federal, descobriu que a mulher o traía. Ele, então, resolveu telefonar para o amante para cobrar explicações e exigir seu afastamento. O policial teria feito ameaças ao rival.
Assustado, o amante recorreu à corregedoria da PF, onde denunciou as ameaças. Não houve, no entanto, sigilo no processo administrativo e o marido, sentindo-se ultrajado pelo deboche de colegas de trabalho, decidiu entrar na Justiça pedindo danos morais ao amante.

Devaneio sobre homens de meia-idade
Antes de anunciar sua decisão, o juiz devaneia e faz uma comparação entre o homem e a mulher de meia-idade e seus motivos para trair e ser traído.
“Alguns homens, no início da ‘meia-idade’, já não tão viris, o corpo não mais respondendo de imediato ao comando cerebral/hormonal e o hábito de querer a mulher ‘plugada’ 24hs, começam a descarregar sobre elas suas frustrações, apontando celulite, chamando-as de gordas (pecado mortal) e deixando-lhes toda a culpa pelo seu pobre desempenho sexual”, diz, na sentença, o juiz Paulo Mello Feijó.

Mulheres ‘traem de coração’, diz juiz
Em contrapartida, o juiz afirma no documento que as mulheres na fase pré-menopausa “desejam sexo com maior frequência, melhor qualidade e mais carinho – que não dure alguns minutos apenas”. Mulheres nessa situação, diz o magistrado, têm dois caminhos: ou se fecham deprimidas ou “buscam o prazer em outros olhos, outros braços, outros beijos (...) e traem de coração”.
Nesses casos, o pensamento é, segundo Feijó: “Meu marido não me quer, não me deseja, me acha uma ‘baranga’ - (azar dele!) mas o meu amante me olha com desejo, me quer - eu sou um bom violino, há que se ter um bom músico para me fazer mostrar toda a música que sou capaz de oferecer!!!!”

Sentença diz ainda: ‘solene corno!’
O juiz, que cita os clássicos da literatura “Madame Bovary”, de Gustave Flaubert, e a Capitu de “Dom Casmurro”, de Machado de Assis. Depois de expor as hipotéticas situações conjugais, Feijó conclui: “Um dia o marido relapso descobre o que outro teve a sua mulher e quer matá-lo - ou seja, aquele que tirou sua dignidade de marido, de posseiro e o transformou num solene corno!”.
“Portanto, ao réu também deve ser estendido (...) perdão, porque as provas nos autos demonstraram que o autor perdoou sua esposa e agora busca vingança contra o réu, que também é vítima de si mesmo juntamente com a esposa do autor.” Com isso, finalmente, o magistrado julga o pedido do marido improcedente e o processo deve ser arquivado.



Fonte: G1
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sábado, 17 de outubro de 2009

E Assim é a Vida... - por Adir Vieira


Judith vinha caminhando lentamente pela rua movimentada. No rosto, uma expressão de cansaço, de quem tinha lutado o dia inteiro e sabia que ainda até o cair da noite teria muitas coisas a fazer. Sabia que os três filhos a esperavam para o jantar, sabia que a casa, como sempre, necessitaria de uma “organizada” e que ainda teria que estender no varal as roupas que o marido, antes de sair para o trabalho - pois o seu turno era noturno -, havia colocado na máquina de lavar.
As pessoas passavam por Judith e estranhavam sua calma aparente, visto que todas naquele percurso, corriam praticamente. Tinham ânsia de chegar ao local para onde iam. Fosse sua própria casa ou algum outro lugar. Mas Judith não. Caminhava sem pressa, com o olhar fixo no vazio. Passava diariamente por aquele local e era, a essa altura, uma autômata. Na sua mente revivia a vida vivida até ali. Quantos sonhos havia deixado para trás quando escolheu para seu marido o Gilberto. Gostava de sua alegria, de sua forma carinhosa de ver a vida, de seu sentimentalismo em excesso. Lembrava do dia em que ele, às três da manhã, quando retornava do trabalho, trazia nos braços um cãozinho faminto, encontrado na esquina de casa, choramingando. Lembrava de sua felicidade extasiante no nascimento dos filhos, de suas promessas aos mesmos pelo vidro do berçário de que a eles nada faltaria, tivesse ele que morrer por cada um.
Lembrava de como os anos, agora já dez passados, foram exterminando de sua personalidade, com as dificuldades diárias, aquele sorriso aberto, aquela confiança no amanhã, aquela certeza de que tudo seria melhor no dia seguinte.
Lembrava de quantas vezes nesses anos todos, encontrou-o chorando escondido no banheiro, vendo-a partir para a batalha da sobrevivência. Por mais que Judith tentasse mostrar-lhe que não era sacrifício partilhar com ele a criação dos filhos, Gilberto não se convencia de sua obrigação em fazê-lo sozinho, pelo menos no terreno financeiro.
E assim vinha Judith pela rua, pensando, pensando... De repente viu diante dos olhos o Joaquim, seu primeiro amor, um sonho de criança. Ele não estava ali e ela sequer sabia como se lembrou dele naquela hora, mas sentiu, aos quarenta anos, com todo o fervor, o sangue percorrer-lhe as entranhas, quente e rápido, como a proclamar a vida!



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Terremotos, Tufões, Tsunamis Etc. - por Paulo Chinelate

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Todos ficamos estupefatos pelos acontecimentos atuais no campo das calamidades. São eles tufões, vendavais, ciclones, maremotos, furacões, erupções vulcânicas e cataclismas outros.
Ouvimos, por outro lado, que isto sempre aconteceu em todos os tempos. Tomamos conhecimento dos atuais, ao vivo e a cores, por conta dos meios de informação cobertos pela tecnologia moderna. No entanto a história sempre foi registrada de uma forma ou de outra, com atrasos ou não, e não sabemos se a intensidade foi como agora.
Portanto, podemos descartar que fatos idênticos aos de agora mataram igualmente no passado, ou que foram em tamanha intensidade como agora. Claro está que os fósseis encontrados pela paleontologia vêm demonstrar as ocorrências multimilenares dos cataclismas.
Tomemos como exemplo um só dos fenômenos, os tsunamis. Não conhecíamos, até pouco tempo atrás, nos estudos de geografia, ciências e afins, o fenômeno em referência. Ainda que já tenha havido eventos desta natureza, eram de diminuta grandeza nas áreas afetadas.
Então nos vem o questionamento: qual tem sido a causa primária de tais fatos?
É muito cômodo colocarmos culpa no homem pelo descuido no respeito à natureza. Nós, acionando o efeito estufa, podemos, certamente, comprometer as geleiras da Antártica ou do Ártico. Não participamos, no entanto, da ocorrência dos terremotos. A menos que agora estejamos sofrendo efeitos na camada geológica originados das desgraçadas experiências atômicas no passado no atol de Biquíni, o que me parece improvável. O efeito climático “El Niño” pelo superaquecimento das águas do Pacífico não nos parece resultado das queimas de gás em nossas cozinhas.
Então, por qual razão tantas mortes, tantas desgraças ao mesmo tempo?
A uma visão curta e míope, certamente não teríamos como responder. Mas se olharmos a natureza (digam-se aqui as leis naturais da destruição) que nos cerca, poderemos concluir que tudo no universo baila orquestrado sob leis estabelecidas de que não podemos fugir.
Conhecemos, ou nem tanto, as Leis Naturais estabelecidas tais como: relatividade, gravitacional, equilíbrio, ação e reação. Dentre elas existe uma tão pouco estudada, entendida e/ou aceita: A Lei da Destruição.
A árvore centenária da floresta amazônica que caída vira um pasto a bactérias, formigas, fungos e cupins está tão atrelada a esta lei quanto os insetos, animais e nós humanos. Precisamos, necessitamos ser renovados. Se as leis naturais existem para serem cumpridas, quem somos nós para pretender execrá-las?
A renovação, em todos os aspectos da vida material, é necessária. O que não percebemos (e aqui incluo até mesmo os profundamente espiritualizados) é o quão importante também é saber que a vida não termina com a morte física. Aqueles que ainda estão atrelados somente à vida aparente, física, que abram os olhos para ver, ouvidos para ouvir e coloquem todos os sentidos outros para perceberem que atrás do que se manifesta materialmente esconde-se uma vida pungente, a vida espiritual.
Se passarmos a entender o “fenômeno” da morte, qualquer que seja a forma que ela se apresentar, lidaremos com mais respeito com a vida física enquanto ela existir. Devemos também procurar perceber a abrangência que esta existência tem para vivermos a outra, esta sim verdadeira, a vida espiritual.


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sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Ar Urgente - por Kbçapoeta

Deixa o verso respirar!

O verso às vezes sai do peito
Como lâmina de dois gumes,
Abrindo espaço urgente
Como quem procura ar
Após um quase sufocamento.
Instinto.
Ora pensado, ora sofrido
Mas sempre dolorido.

Deixe o verso respirar!

Ser esquisito, esse verso.
Faz-se de parte vital
Como um coração,
Quando menos se espera,
Foge, faz galhofa e ri com sua independência,
Prematura e precisa.
Depois de escrito, os versos não são meus,
São seus.
E o verso malandro?
Ele quer pulular...
Ser popular.

Deixe o verso respirar!

Ser o que sempre quis,
Em cada rosto que ele pintar.
A porta da mente está aberta.
A palavra está no ar.

Deixe o verso Respirar!



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