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domingo, 18 de outubro de 2009

A Contratação Indevida - por Adir Vieira


Relutei, mas contratei uma pessoa para uma vez por semana me ajudar nas tarefas domésticas.
O momento exige que eu tome essa providência, porque as tarefas externas são muitas, não me sobrando muito tempo para limpezas diárias. O que me sobra me consome na cozinha, minha atividade predileta.
Enfim, recebo minha auxiliar, com a maior boa-vontade. Sento-a diante de mim e com paciência explico como desejo que ela trabalhe, qual a tarefa que deve desempenhar primeiro, qual cômodo da casa exige cuidados apurados etc.
Depois de quase meia hora mostrando como deve se posicionar, ela, moça de trinta e cinco anos, abre com constância a boca, denotando um sono premente que, com ela, briga durante toda a nossa conversa.
Percebo que a estou cansando com minhas explicações e lembro de perguntar se tomou café. De imediato responde que não come desde ontem às sete da noite.
Meu marido, que a essa altura também já está esfomeado, dá salvas à minha brilhante lembrança e parto para a cozinha para preparar o nosso café da manhã. Coloco a mesa à qual ela, minha auxiliar, de pronto se senta aguardando meus preparativos. Meu marido, do outro lado da mesa, espera e ela, sem pestanejar, toma para si a caneca que para ele preparei e sorve com assobios o café do meu marido. Espantada, tento deixar para lá, mas ela, sem qualquer cerimônia, toma para si pão, queijo e a fatia de bolo de café destinada ao meu marido que começa a sorrir pelo canto dos olhos.
Decido dar uma pausa nos preparos e deixo-a terminar seu café. Pede mais uma xícara e eu a preparo, arquitetando na mente um jeito de despachá-la, sem mesmo começar o serviço, pois já lá se vão quase nove horas da manhã.
Meu marido, na mesa com ela, sequer abre a boca, talvez pensando no que havia me dito antes da contratação, visto que me conhece mais do que a palma da própria mão.
Não pensei duas vezes, quando ela, minha futura auxiliar, levanta da mesa, sem pedir licença e se espreguiçando, pergunta: - Madame, cadê os produtos de limpeza?
Minha resposta foi dizer que infelizmente havia surgido um imprevisto e nós não poderíamos estar em casa aquela manhã e, portanto, teríamos que dispensá-la, sem mesmo iniciar suas tarefas.
Notei em seu semblante um misto de surpresa e satisfação que ficou mais evidente quando eu paguei sua diária. Ao indagar quando poderia retornar, pedi que aguardasse meu telefonema, porque o tal imprevisto não me dava margens a fazer qualquer programação.
Quando minha futura auxiliar saiu, senti um alívio e um contentamento tamanhos que jurei não tentar outra vez.
Sei que essa minha decisão não ajuda a mim, nem tampouco a quem precisa de emprego, mas o que posso fazer, se não tenho estômago para aturar certos abusos, hoje tão presentes nos chamados “necessitados”?



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3 comentários:

Fatinha disse...

Querida Adir,
Só quem precisa dos serviços de uma empregada doméstica sabe toda a extensão e profundidade da expressão "mal necessário".
Bjs
Paz

escrevinhadora disse...

Xi Adir, na minha casa teve uma que, na maior sem cerimônia, logo após o almoço entrou no meu banheiro (o da suite), pegou um pedaço de fio dental e saiu limpando os dentes (tudo isso sem me pedir licença); dispensei a folgada no ato. Felizmente, com o tempo encontrei outras com quem estabeleci um relação de respeito e confiança.

Ana disse...

Folgados, a gente encontra em qualquer lugar... infelizmente...
Êta raça sem-noção!
Beijos!