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Eróticos.)




segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Discurso de Existir - por Leandro M. de Oliveira

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Cisma-me por vazio, ó visão que a minha turba. Sabendo além do que devo, podendo muito menos do que ouso. De argila e utopia vai moldando a terra. O homem passou por ti e continua de mesmo modo, um animal a carregar um cadáver consigo. Sei que sou finito. Que tal se inventássemos uma nova religião a fim de reparar esse imbróglio? Você se sente só? Quanto pagaria pra não se sentir? A política orienta a vida na polis. Saudações aos fascistas travestidos de gente de bem. A realidade bate à porta enquanto o morador se esquiva. Pergunta a calhar número um: Sou um homem? Não, ainda não houve tempo o suficiente para saber da vassalagem enquanto profissão de fé. Como é duro carregar uma metralhadora na cabeça. O que leva alguém a ratificar um pacto estranho a si? O homem, sempre ele, optando por estar desacordado enquanto a vida acontece. Eu sonhando em ser livre, os religiosos insistindo na luta armada. Sodoma não caiu, o cataclismo tem escolhido bem os seus mensageiros. A crença em si próprio poderia moldar um mundo novo, inglória verdade. Ser fútil é menos oneroso. Ser relapso é garantia de absolvição alheia. A senso comum o pré-fabricado é uma experiência messiânica. Mas afinal que é ser fútil, oneroso ou utópico? Palavras são conceitos, ação é sentença. O corpo, destino convergente de todas as blasfêmias, os anos passam o tecido somatiza. Diminuo enquanto se me aumenta a contagem dos dias, veloz. Estar vivo é aceitar o caos. Na impossibilidade de reinventar o meio dou graças pela cretinice alheia. Deus segue como aquele velho bonachão, o pai não castrado, a virilidade em pessoa. Terrivelmente amoroso. Tudo pode, tudo pode. Essa idéia é magnífica, consolo clichê dos que não aprendem com as próprias limitações ou se rebelam ao verificar que às vezes os seus possuem membros amputados. Pensar assim é fabricar transcendência. Talvez eu me drogue um pouco, ou quem sabe, recite um salmo. A totalidade é uma experiência sem precedente. Bem-aventurados aqueles sem memória, pois a tragédia não lhes questiona durante o sono. Meu único devir é ser eu mesmo, urge uma fórmula que aponte a direção, me sinto todos e ao mesmo tempo nenhum. Nossa tacanhice frente ao ser viabiliza com presteza a tiranização da “persona”. Autoconhecimento tem sido a mais insidiosa utopia, somente a embriaguez nos é acessível. Consciência esta para o homem como a pá esta para o coveiro, más notícias, o acidente da matéria não se repara com hipóteses. Tentei ser mais sociável, não foi exatamente um sucesso, detesto dialogar com zumbis. A experiência animal tornou-se suportável. Tão logo ele optou pelo engodo, o tom pálido foi ganhando cores, as equações foram simplificando-se. O dilema era esse, uma vida cor de rosa ou o desejo imanente de mil vezes estourar os miolos. Bendito seja o homem que inventou a coca-cola. Anestesia cotidiana, paz de um espírito anão. Pra que lado fica a terra de Marlboro? Vamos todos, enquanto ainda dispomos de nossos pulmões e nossa inocência. A máquina do mundo continua, eternamente a fabricar totalitarismos. É claro que o mal existe, a miséria humana fez-se prova irrefutável disso. Resta saber se há algum bem gratuito. Nisso tenho posto minhas dúvidas. Afinal a idéia audaz de construção do nome como continuação perene da memória conforta muito mais que aquela inevitável transfiguração em resto decomposto de um delírio esquecido. Mísero legado, abençoada condição. Ser eterno é como imitar as rochas, no fim o alheio não suporta o tédio das ditaduras. A mídia é orientada como um dos braços de trincheira da democracia, talvez por isso haja tantos campos de concentração sem cercanias estabelecidas. Isso dá uma sensação de liberdade. É aprazível a falta de grades físicas. Todavia, passear pelo campo minado pode nos deixar sem pernas, daí por diante aleijados para sempre. Quem vai caminhar por mim? Não é uma questão que causa pânico, há inevitavelmente alguém apto a reclamar passos que nunca foram seus. Se eu morresse amanhã viria ao menos fechar meus olhos, minha tresloucada irmã? Sou feito do que suponho, vendido pelo que rejeito. A vida glacial será extinta, a primavera não produzirá mais flores. Pastoreio o destino como se acreditasse nele. Pensar dói, esperar desfigura.
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Um comentário:

Ana disse...

"Pastoreio o destino como se acreditasse nele. Pensar dói, esperar desfigura."
LINDO, LINDO, LINDO!!!
Beijos!