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terça-feira, 18 de agosto de 2009

Do Início Eis o Verso - por Ana

Lá no início dos tempos
Houve o primeiro contato
Entre o Poder do Universo
E um bicho esquisitaço.

O Poder chegou à Terra
Trazendo a evolução
Pr’uma raça preguiçosa
Que vivia a fuçar o chão

E perdia pros seus predadores,
Tava sempre na carreira,
Se alimentava de sobras...
A vida era uma doideira!

Se alimentava também
Dos seus próprios carrapatos,
Que infestavam seus pelos.
Gente! Que troço mais chato!


Então o Poder chegou
De forma muito especial,
Em aparição repentina
Pro grupo muito animal.

As feras, assim que O viram,
Se afastaram, estupefatas,
Mas uma delas, mais afoita,
Resolveu tocá-Lo com a pata.

Então dentro dela ocorreu
Uma enorme transformação
Que mudou a sua história:
Foi o momento da evolução!

Que foi imortalizado
Por versos codificados
Que agora, neste momento,
Estão aqui revelados:


No meio do caminho do Gio havia um monolito
havia um monolito no meio do caminho do Gio
havia um monolito
no meio do caminho do Gio havia um monolito.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida desta espécie tão atrasada.
Nunca me esquecerei que no meio da evolução do Gio
havia um monolito. Pensando bem...
havia um monolito no início da evolução do Gio.


E sei que diante disso
O Gio, ainda meio tonto,
Lembra do acontecido,
Mas reconhece, de pronto:

“Agora tudo está claro!
Como a gente se engana!
Sou um ser abençoado!
O monolito, meu Deus, é a Ana!”

Sim, Gio, agora posso
Revelar minha missão.
Retornei ao seu caminho
E digo, eu própria, então:

No início da sua evolução, Gio, havia EU, O MONOLITO.


E o evento foi filmado
Por cineasta amigo meu.
Graças à sua presença,
O momento não se perdeu.

E nesta hora sagrada
Vou com vocês dividir
Como foi que aconteceu
Do Gio evoluir.

Apresento, portanto, a vocês
O vídeo-revelação,
“A Evolução do Gio”,
Agora, em primeira mão:
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Resposta a No Meio do Duelo... (II), de Gio.
Paródia de “No Meio do Caminho”, de Carlos Drummond de Andrade.
Referências: Sempre Alguém se EngAna, de Gio;
“O Bicho”, de Manuel Bandeira;
filme “2001: Uma Odisseia no Espaço”.
Stanley Kubrick

Florbela Espanca “A Um Moribundo” - por Alba Vieira

Não tenhas medo, não! Tranquilamente,
Como adormece a noite pelo Outono,
Fecha os teus olhos, simples, docemente,
Como, à tarde, uma pomba que tem sono…

A cabeça reclina levemente
E os braços deixa-os ir ao abandono,
Como tombam, arfando, ao sol poente,
As asas de uma pomba que tem sono…

O que há depois? Depois?… O azul dos céus?
Um outro mundo? O eterno nada? Deus?
Um abismo? Um castigo? Uma guarida?

Que importa? Que te importa, ó moribundo?
– Seja o que for, será melhor que o mundo!
Tudo será melhor do que esta vida!…
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Ainda em Tempo III - por Gio

A Guerreira do Cangaço, terra quente
Aquela mesma que se julga tão valente
E lutaria sozinha com todo o povo
Quer chamar a Escrevinha de novo...

Pare de cacarejar feito galinha
(Que foi? Agora não se garante sozinha?)
Deixa de lado as ameaças e o alarde
E me enfrente, como mulher de verdade.



Resposta a De Goleada, de Ana.
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Visitem Gio
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Dos Grilhões Invisíveis: o Homem e Seus Simbolismos - por Leandro M. de Oliveira

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O processo de adestramento do homem enquanto espírito livre se cristaliza nas formas mais difusas, entretanto é inegável a importância de um dos métodos utilizados na milenar arte de agrilhoar o ser em flagelos invisíveis. Na sociedade ocidental herdeira direta dos valores romano-cristãos e em princípio formatada a partir deles, incide de forma capital a ideia advinda do argumento teológico, hoje já um imperativo no arcabouço de crenças da nossa tradição onde o homem se vê projetado na figura do próprio “Deus”, uma vez que foi concebido à sua imagem e semelhança. O aceite dessa condição leva o indivíduo a uma perigosa jornada transnatural, fazendo-o interagir em um mundo alheio ao seu. Em primeira análise poderia isso ser de grande valia, pois o homem mediano, o decadente que habita em nós consegue se aprazer em seu instante particular de meditação onde contempla essa origem divina, mais que isso, essa cristalização do macrocosmo em microcosmo. Todavia, é mister observar que o êxtase proporcionado por esse breve momento é quebrado tão logo se restitui o senso comum, e o homem ou se vê impotente ou se vê em uma espécie de exílio não voluntário, e por esse igualmente oprimido. A ideia de deidificação do homem o faz perder contato com sua essência humana, assim ele permanece estranho a si mesmo, e a fé que deveria edificar uma sociedade justa, um resgate da verdade de ser belo por ser imperfeito, já não se encontra mais disponível, uma vez que fora alienada na busca ininterrupta daquela medida de perfeição a que teríamos direito de acordo com essa gênese criacional ofertada a nós pela tradição. O que se pretende dizer com isso, em linhas gerais, é que a perda da identidade humano-temporal para uma identidade humano-atemporal (seguindo-se o raciocínio da busca de uma equivalência entre homem e Deus), afasta o indivíduo do prazer das coisas simples, do sentido de fraternidade e bem coletivo que só pode ser restaurado quando o homem voltar-se integralmente a si mesmo e não mais a metas inalcançáveis de perfeição. Revisitando a visão Grega, nota-se que o indivíduo era a polis e a polis era o indivíduo, e assim confundido com a coletividade o homem se via imediatamente livre e universal, diferente dessa realidade cotidiana onde o ser se coloca individual necessitando deliberadamente de símbolos que justifiquem a sua condição. O fim da cidade Grega representa com efeito, na nossa tradição, o momento de ruptura, o início da tragédia de existir. Esse é o momento onde sociedade, cultura, o eu e o espírito operam-se na criatura humana como peças separadas de um quebra-cabeças, muitas vezes antagônicas e estranhas umas as outras. Talvez por força desse dilema, a humanidade desconstruída venha buscar alento na quimera da perfeição divina e da missão de alcançá-la a qualquer custo. Daí surgem inúmeras manifestações como a criação do mártir e a moral do vencido, tão típicas da decadência desses tempos. Todavia, minha fé reside na crença de que apenas o amor entre homens (concreto) e não só em Deus (abstrato), é o que pode restituir a essência desse perdido sonho trazendo de volta ao âmago humano a perfeição que hoje se vê alienada no “divino”, despertando a consciência adormecida e tirando-nos de uma vez por todas dessa existência medíocre.



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Bruna Lombardi e “Corisco” - Citada por Penélope Charmosa

Vem pra cá cavalo doido
que eu vou te beber todo
atravessa esse meu fogo
te arremessa nesse jogo
de cabeça.
Que cresça a tua vontade
que seja feita a tua vaidade
nessa terra de homens e mistério.
te quero
na relva molhada
me quero ver derrubada
me transpassa
a arco e flecha
lança e mordaça.
Te fecha a trinco.
Te tranca
barra a passagem. Espanta
a última solidão que te ameaça
- que o ritual comece –
(ah se eu fosse se eu pudesse)
que esse tal de amor se faça.
Vem pra cá cavalo doido
que eu vou te fazer a festa
que eu vou conhecer a tua raça.
Cigano. Mestiço.
Teu pulo arisco
o risco do teu jugo
o perigo de tua caça
eu arrisco.
Me laça que eu fico contigo
me cobre no dia da graça.



In “No Ritmo Dessa Festa”.
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segunda-feira, 17 de agosto de 2009

De Goleada - por Ana

Meu sapo-rei sem pulôver,
Descalço... Está tremendo...
Coloca casaco, sapato!
Não adiantou... Estou vendo.

Tirita é de apavorado,
Bate os dentes sem parar!
Os joelhos: tec, tec!
Ó: cadeirinha pra sentar.

Pois percebeu no meu post,
Com intuição pós-matéria,
Que eu sou uma descendente
Da heroína Maria Quitéria.

Por aí você já vê
Que não sou da tua laia.
Veja bem se eu pareço
Ser parente de lacraia!

E Homem-Zoológico tu não é,
Pois a lista, veja você:
Morcego, lacraia, sapo...
Ninguém vai pagar pra ver!


Monge desarticulado!
Não digo que tu vai mal?
Dou um sopro miserinha,
Desanda tua energia vital.

Aí vem e joga praga,
Me chama de lazarenta,
Diz que tô com escorbuto,
Esclerosada e pustulenta...

Inda me põe boca inchada
Com mordida de dragão!
Imaginaram meu look?
Coisa mais linda tem não!


Sobre suas “explicações”
Aqui eu nem vou me deter...
Tu pensa que pode enrolar
A mim ou ao povo que lê...

Pode desistir, meu filho,
Isso é página virada.
Vitória magistral pra mim
E seu gol contra na parada.


Que Monge é esse, meu povo?
Vem me chamando de ladra!!!!
Tu toma cuidado, fedelho,
Ou a Escrevinha te enquadra!


E agora corrijo teu verso
(Foi problema cognitivo).
O que tu quis dizer foi:
“Cirurgicamente preciso do Ivo”.

Levou tanta bordoada...
Eu concordo com você.
Se quiser te levo lá,
Pro gênio te refazer.


E não adianta nem tentar
Jogar shintoni contra mim:
Garoto, sou torcida dele!
Shintoniete até o fim!


E a MELHOR cobra é a naja,
Tão linda e encantadora!
Só ataca se ofendida:
Ela não é provocadora.


Mancada? Não dei nenhuma!
Não adianta distorcer!
Já expliquei bem direitinho!
Não finge desentender...


Nonsense tá tua mente,
Indo lá proutros planetas...
Quer me rotular de ET!
Entupiu, tua ampulheta!


Contos de fadas ou fatos,
Este negócio é contigo...
Eu vivo bem na real:
Tu tá falando comigo!!!


Sobre os berros da torcida:
Tu viu? Não era sonho, não!
Pra que eu vou ser comedida?
O meu fã-clube é dos BÃO!

E já te digo o porquê
D’eu ter torcida cativa:
Eu amo a minha Fiel
E tenho visão coletiva!


E que golpe me acertou?
Eu continuo intacta!
Cê ainda não percebeu?
O que vem de ti não me impacta!

Quem saiu do duelo por fome,
Sem se aguentar em pé?
Quem delirava adoidado,
Implorando um filé?

Então para de despautério,
Altera essa ladainha.
Se refaz, depauperado:
Pega, vai roendo essa abobrinha...



Resposta a Soterrada da Semana e O Juiz Vai Apitar, Mas..., ambos de Gio.
Referências:
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No Meio do Duelo... - por Gio

(Paródia [obviamente, haha] de “No Meio do Caminho”, de Carlos Drummond de Andrade)



I.
No meio do duelo tinha um intervalo
tinha um intervalo no meio do duelo
tinha um INTERVALO (Entendeu agora?)
no meio do duelo não tinha uma desistência.

Nunca me esquecerei desse aborrecimento
às minhas pobres retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do duelo
viste uma desistência
mas era um intervalo no meio do caminho
no meio do caminho tinha um intervalo.
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II.
No meio do caminho da Ana tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho da Ana
tinha uma pedra (E que pedra!)
no meio do caminho tinha um meteorito.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida da dama de língua tão afiada.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho da Ana
tinha “A Pedra”
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha o seu ego.
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Resposta a Prá Gio II, de Ana.
Referência a Aos Guerreiros, o Descanso!, de Gio.
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Visitem Gio
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Motivos - por Duanny

Posso dizer que tenho motivos para diversos assuntos ou, se preferir, alguns assuntos com meus motivos.
Meus motivos revelam quem eu sou, quem quero ser e quem uma dia eu já fui. Não se incomode, aquela garota que escrevia aqui, há um mês atrás, não existe mais. Gosto de pensar que ando em constante Metamorfose, como um Camaleão, que se transforma a cada ambiente, a cada cenário, a cada mudança.
Poderia nesse exato momento revelar alguns dos meus motivos óbvios e extremamente patéticos. Caso esteja se perguntando sobre meu repentino modo de colocar em palavras o que seria óbvio demais dizer, não é nada demais, talvez seja hora de um novo cenário.
Você quer um motivo para ler? Ler é a única maneira de fundir a Fantasia com realidade, de se transformar meros sonhos em objetivos concretos, de se superar e cativar a criatividade.
Você quer um motivo para acreditar nas pessoas? São os únicos seres da terra que podem te magoar, podem fazer você se arrepender, perdoar ou se apaixonar... Por que não podemos simplesmente acreditar nelas e pronto? Elas, ao contrário de certos animais, não precisam de tranquilizantes para serem acariciadas, mas ainda há quem duvide.
Você quer um motivo para ajudar o meio ambiente? Feche os olhos e respire bem fundo. Pronto! Agora você já tem um motivo.
Queria poder ter um motivo para cada ocasião, para cada atitude, para cada pensamento. Mas agora minha criatividade tem limites, talvez aos 14 anos não seja uma boa hora para pensar sobre certos assuntos. Mas quem somos nós para dizer o que deve ser feito, e quando?
Talvez eu seja mesmo aquela menina do outro lado da rua, com a risada esquisita, jeito escandaloso de se comunicar. Talvez seja eu mesma que esteja procurando motivos para deixar a vida de alguém um pouco mais feliz.



Visitem Duanny
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Cecília Meireles, “Ou Isto Ou Aquilo” - Citada por Lélia

Ou se tem chuva e não se tem sol,
ou se tem sol e não se tem chuva!

Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!

Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.

É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo nos dois lugares!

Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.

Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo...
e vivo escolhendo o dia inteiro!

Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranquilo.

Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.
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domingo, 16 de agosto de 2009

3.000 POSTS!

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Queridos amigos:

Chegamos à marca de 3.000 posts!

Quero agradecer a todos vocês
que contribuíram para este sucesso do Duelos!

Foi a partir da colaboração de todos,
participantes e leitores,
que consegui tornar realidade este projeto
que agora é nosso.

Um enorme abraço extremamente agradecido!

E vamos continuar nos divertindo!
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Duelochat - por Gio e Ana

(Estrofes de Gio em letra normal, estrofes de Ana em itálico.)
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Opa! Cheguei do ensaio animado
Eu até ganhei carona
Já estou a postos, pena afiada
E pés bem postos na lona


Boa noite, companheiros!
Grande povo do Duelos!
Estou aqui pra duelar
Em embate ético e belo.

Quem será que está aqui?
O Gio do lanche está vindo...
Você taí, Escrevinha?
Luiz, Clarice, shintolindo?

Fatinha, Ninguém, Mellon?
Adir, Bruno, Lumena?
Tá preparado, meu povo?
A luta não vai ser amena!

(Mas antes digo aqui
Que adorei Parmegiana!
Tão linda, emocionei...
Só rimas com “gio” e “ana”...)


Que bom que tu gostou!
Temia que tu nem tivesse lido
Eu sei que o nosso embate começou
Mas nem por isso eu virei bandido

A gente ainda é a dupla mais
Puxa-saco e irreverente do pedaço
Não deixamos nem o Shintoni em paz
O Gio dos Pampas e a Ana do Cangaço)

Boa noite, chefe!
Estamos eu e a menina
Dispensando qualquer blefe
Sendo pura adrenalina!


Já tô pronta pro duelo
Adversário, pode vir.
Trazendo o seu punhal
Pra cometer harakiri.


Boa noite, guerreira menina
Hora de começar o carnaval
Tiro logo a “batina”
No maior estilo Kung Lao


Que coisa escalafobética!
Entre o bem e o mal reveza.
Que monge falsificado!
Nem ajoelha, nem reza.


Nada disso, minha cara!
Jogo apenas de um lado
Olhe bem pra minha cara:
Meu duelo é Sagrado


*Comentário do Gio sobre o poema Parmegiana*


Ô Gio, olha o golpe baixo!
Não fale mais destes versos!
Senão fico emocionada,
Paro o duelo e converso.


É mesmo, melhor deixar quieto
Senão vira babação de ovo
(Juro, não foi golpe indireto...)
Agora, é animar o povo!


Já que temos plateia
(Já vimos que tem gente aqui),
Eu prometo diversão
E passo a palavra ao guri.


O nosso Duelo de estreia
Tem muita gente, logo vi
Tem realeza, tem plebeia
O show devemos garantir!


Isso eu garanto mesmo!
Eu vim aqui fazer isso.
Então eu parto pra luta
Tu sai daqui um chouriço.


Chouriço? Isso dá fome!
Não me desvia a atenção!
Você não é “cabra homi”
Mas vai se estatelar no chão


Mas que marmanjo folgado!
Que fedelho insolente!
Vou te quebrar os dedos,
Arrancar dente por dente.


Se me quebrares os dentes
Tudo bem, ponho dentadura
Mas meus golpes, menina valente
Deformam e isso não tem cura...


É?!!!! Como já te disse,
Eu tô sem nenhuma marca.
E hoje, não tenha dúvida,
Com certeza tu embarca.


Para levar tanta porrada
E não sentir, está leprosa
Apanha feito condenada
E se acha a vitoriosa...


Menino, tu fica quieto!
Sossegue e não me provoque!
Eu sou da terra dos elfos
E tu não passa de um orc.


Agora me vem falando
De jogo de tabuleiro
Devia, se está apanhando,
Tentar se defender primeiro!


Que jogo de tabuleiro...
Tô lendo “O Senhor dos Anéis”.
Cê já deve estar com sono:
Vai dormir com as cascavéis!


Sono não, estou com fome
(Pipoqueiro, tem troco pra dez?)
Não irei dormir com seus clones
Peçonhentamente fiéis


Quem disse que sou cascavel?
Haja paciência, haja!
Já disse que sou poderosa!
Meu codinome: Anaja!


Gostar de ser chamada cobra
É prova de sua maldade
E seus tropeços são obras
Da sua grande vaidade


Olha aqui, ô maritaca:
Fica quieto no teu canto.
Treme todo e não ataca,
Até agora, só pranto...


Fico no canto ou ataco?
Decida e não faça alarde!
Isso aí me cheira tanto
A desculpas de uma covarde...


Como é, dragão de Komodo?!!!
Seu réptil degenerado!
Eu te expulso dos pampas,
Te mando lá pro cerrado.


Dragão de Komodo eu não sou
Escovo bem os meus dentinhos
Mas mexeu comigo, dançou
Toda flor tem seus espinhos


Tu pensa que tenho medo?
Isso em mim existe não
Porque aqui, no duelo,
Sou São Jorge, tu é o dragão


Se sou dragão, cuspo fogo
E derreto a sua espada
Acabo logo com esse jogo
Tu sai fugindo em disparada!


Bicho mais que peçonhento,
Faz as trouxas e vai embora.
Aqui não dá mais pra ti:
Já chegou a tua hora.


Você é desaforada
E quer que eu vá me despedir?
Ou, então, ficou despeitada
E, medrosa, me incita a fugir?


Se eu fosse você ia indo:
A coisa aqui não tá boa.
Vai rimar pras tuas sapas,
Seu Menestrel das Lagoas.


Tenho cara de zoológico
Pra comportar tantos animais?
Tu morres de medo, é lógico
Quer que eu saia, pois pra ti não dá mais


Já te disse da outra vez:
Vai rimar pras tuas sapas.
Rima pra mim, tá ferrado,
De minha fúria não escapa.


Tua fúria? Que piada
Isso mais parece chilique
De quem tá estoporada
No chão, tendo tremelique


Tremelique tem é tu,
Sapo-rei da charcaria.
Vai assistir à Globo.
Para de escrever porcaria.


Porcaria é a Globo
Coisa que eu não assisto
Rápido como um lobo
Te bato até deixar cisto


De mim tu não passa nem perto!
Como vai me deixar cisto?
Anda, cai logo fora,
Antes que fique esquisito.


Eu passo, eu bato, eu volto
E, pobre, tu nem nota
Vai te bater a revolta
Ao sentires a dor na capota


Vê lá se eu tenho capota!
Não sô carro conversível!
A coisa pra tu tá maus!
Tá queimado um teu fusível!


Fusível eu não tenho
Já disse, só tenho diodo
Melhor demonstrar mais empenho
Ou vais ficar do tamanho do Frodo!


O que tem o tamanho do Frodo?
Concorda comigo todo o fórum:
Pior ser que nem você,
Que tem a cara do Gollum.


E você, na prepotência
Me diz isso com toda a aspereza
(Depois mulher preza inteligência
E, sei, nem liga pra beleza...)


Senti a sua ironia.
Agora esquenta a rinha!
Por acaso tá achando
Que eu sou tipo patricinha?


Chame-se do jeito que quiser
Mas, na próxima vez, pensa...
Em um duelo, seja ele qualquer,
Ser feio não faz diferença


Mas aí você se engana...
Você não se diz tão esperto?
Tu tem a cara do Gollum
De tanto que eu te acerto.


*Ana, tu tá vendo muito Rocky...
E fala demais,
pra quem tá em estado de choque.*


Quem está em estado de choque?
Chocado aqui tá você:
Já tá misturando as ideias...
“CHAMA O SOCORRO PRA ATENDER!!!”


Se isso fosse verdade
Até faria sentido
Pena pra você, na verdade
Seu rosto é que está bipartido!


O rosto tá bipartido?
Que ideia alucinada...
O choque foi sério mesmo!
Exagerei na cacetada!


É claro que estou chocado
Olhe a cena que se vê:
Você, com seu corpo atirado
Implorando pra se render


Continua delirando...
Tô ficando preocupada...
Shintoni, o que fazer?
Socorre o meu camarada!


Se for esse o caso,
Eis aqui minha mão estendida
Levanto-te, não faço caso
A honra aos dois é merecida

Aninha, o papo tá bom
Mas eu tô morrendo de fome
E agora que o povo vazou
Tamos dispensados, Shintoni?


Melhor mesmo dispensar...
Tá ficando perigoso...
A fome tá dando delírio...
Que troço mais cavernoso...

Eu já vou te liberando,
Vai correndo lá jantar!
Mas antes te digo, amigo,
Que adorei duelar!


E, lutador nessa terra,
Como a gente, não há igual
Nessa hora, o povo berra
“Essa dupla é maioral!”
.
.
.
Primeiro combate ao vivo entre a Samurai e o Monge (Ana e Gio)
que aconteceu no chat do Duelos, no dia 13/08/09, com início às 22h30min,
com as presenças de Clarice, Fatinha, Escrevinhadora, ju,
Luiz de Almeida Neto, Ninguém Envolvente e pecoço
na plateia explicitamente animada e espetacularmente hilária.
.
.
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Recado de shintoni
Agradeço imensamente aos oponentes pelo brilhante duelo,
à torcida, pelo incrível show dos intervalos,
e a quem assistiu ao espetáculo em surdina.
J. R. R. Tolkien

Monge x Samurai - por Clarice A.

Local e hora marcados
Duelandos convidados
Duelo século XXI
Palavras, dardos afiados
De um lado experiente Samurai
Do outro, jovem Monge
Com um pé na tecnologia
O outro nas letras na poesia
Esse embate promete ir longe
A torcida feminina compareceu
Sainhas e pompons na mão
Na masculina só o Luiz
Mas não fechou com o Monge não
A Fatinha e seu humor na veia
Tentou desequilibrar o rapaz
Chamou-o de perereco
E ele magoou
Mas logo se refez
Monge zen meditou
OOOOOOOMMMMMMMM
E o equilíbrio voltou
A Samurai à vontade
Torcida participando a mil
O Monge levando pancada
Espremido num funil

Agora faço uma pausa
Para poder explicar
Que sofri uma cisão
Meu coração dividido
Torcida é emoção
Eu virando casaca direto
Fiquei em cima do muro
Que a Samurai me perdoe
Por não ter fechado com ela
É que esse menino dos pampas
Me conquistou assim que chegou
E vou dizer para vocês
A mim não decepcionou
A tarefa era inglória
Porque a Samurai bate bem
Mas ele não arrega
Segura bem o tranco
E desce a lenha também

A Samurai trouxe com ela
Além do conhecimento milenar
A ginga carioca
O Monge trouxe com ele
Além de seus poderosos mantras
A força do minuano
A torcida impagável
Trouxe o humor necessário
E assim caros amigos
Estava pronto o cenário
Apesar do sono insistente
Eu me diverti a balde
Não ia perder a peleja
E ficar no ora veja
Ninguém arbitrou um resultado
Mas quero dar modesta opinião
Para mim deu empate
Porque esse Monge é tinhoso
É osso duro de roer
E agora volto para a retaguarda
E fico pelos dois a torcer
Da maneira mais imparcial possível
Que o coração permitir
Ora torcerei para um
Ora torcerei para outro
Para o que melhor se sair
E à SamurANA
E ao MonGIO
Meu beijo agradecido
Pelo duelo oferecido.



Referência ao Duelochat, que foi ao ar em 13/08/09, no chat do Duelos.
.
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Ou Gio ou Aquilo - por Ana

(Paródia de “Ou Isto ou Aquilo”, de Cecília Meireles)



Ou se tem lanche e não se tem duelo,
ou se tem duelo e não se tem lanche!

Ou te descabelo e não te afago,
ou te afago e não te descabelo!

Quem vai pelos ares não rima com emoção,
Quem rima com emoção não vai pelos ares.

É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo em dois lugares!

Ou deleto o companheiro e não ganho doce,
ou ganho doce e não deleto o companheiro.

Ou Gio ou Monge: ou Gio ou Aquilo...
e vivo escolhendo o duelo inteiro!

Não sei se brinco, não sei se esmurro,
se ele sai correndo ou fica tranquilo.

Mas não consegui decidir ainda
qual é melhor: se é Gio ou Aquilo...
.

As Nossas Poesias XVIII

.
CAMINHO


Solta aos ventos da mudança
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Fantasia - por Ana

Criei uma fantasia
Pra me ajudar a viver
Neste mundo de aimeudeus.
Antes isso que morrer.

É que eu andava deprimido
Vendo tanta injustiça.
Cheguei a tomar comprimidos
Depois de ter ido à missa.

(Procurei Deus, não resolveu.
Procurei um analista.
Procurei um pai-de-santo.
Continuava a desdita...)

Depois de tentar suicídio,
Ainda lá no hospital,
Pensei no que ia fazer
Pra remediar o mal

De ver um mundo cinzento,
De ver tanta ignorância,
Ver tanta desigualdade,
Tanta dor na nossa infância...

Nesta hora resolvi
Mudar o meu ponto de vista.
Não ia ficar sofrendo
Com espírito derrotista:

A energia que eu gastava
Com autocomiseração,
Poderia utilizá-la
Em outra combinação.

Fui pra casa decidido,
Peguei o telefone e liguei,
Fiz inscrição na Escola,
Cursei, me empenhei, me formei.

Foi assim que aconteceu
D’eu criar a fantasia.
Hoje só vivo com ela:
Sou mais um Doutor da Alegria!
.
.
.

.
.
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Poesia cujos título e primeiro verso foram utilizados para a versão coletiva Fantasia - As Nossas Poesias XVII.
.
.

As Nossas Palavras XVIII - por Gio

.
O PODER DA GENTILEZA


Ah, se o ser humano soubesse
O poder de uma gentileza
Moveria mil montanhas
Derrubaria fortalezas

Pois a arte de ser sutil
Gentil e bem-educado
É melhor do que ser arredio
Mais eficiente que ser bombado

Quem resiste a um pedido
De uma voz inofensiva?
Já o agressor desmedido
Coloca o outro na defensiva

Quem é duro, é porque quer
Ou tem medo de amolecer
Esconde do jeito que puder
O seu verdadeiro ser

Tenho teoria sem furos
Das que se tomam de um gole:
Por que cedem os dentes, tão duros
À solitária língua, que é mole?
.
.
.
Visitem Gio
.
.

Uma Voz Mais Alta que Causou Torpor - por Adir Vieira

Sua mudança de humor
fingindo estar afetado,
só provoca mais horror
em meus sentimentos velados.

Não entendo como pode,
alguém tendo tudo o que quer
ainda se dizer roubado
dos afetos da mulher.

Às vezes até me arrependo
de tanta canja que dei,
pois se é para reclamar
que fique sem ter ninguém...

Mudar da docilidade
para um gesto tão duro,
não faz parte das coisas
que escolhi pelo mundo.

Ando meio preocupada,
por saber que não aturo,
de um homem só quero flores,
jamais algo que importune.

Me conheço por demais,
sei que vai perder meu amor,
se ele não se retratar rapidinho
e com ardor.

Minha história tão romântica
não pode ficar mesclada,
mesmo com interferências
que não aceitei, por hora...

Não importa minha idade,
minha história já vivida,
se não é pra ser como quero,
não aceito, vivo sozinha.

O que mais prezo é o romance,
o doce ar que respiro,
a calma, o envolvimento,
os carinhos e os devaneios.

Mesmo que tenha sido
a primeira vez, chocou,
ainda estou meio lerda,
em meio ao horror que me causou.

E olhe que foi só
uma voz mais alta, nervosa,
que não estou acostumada,
mas convém botar limites,
senão tudo vira desordem.

Com o meu sofrimento,
espero que ele repense
que, comigo,
só afeto e doces versos,
o resto dê pra quem aceite.

E não adianta dizerem
que sou infantil,
imatura,
comigo é assim mesmo,
se quiser, que jamais mude!



Visitem Adir Vieira
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Eduardo Galeano e os “Pontos de Vista / 2” - Citado por Lélia

Do ponto de vista do sul, o verão do norte é inverno.

Do ponto de vista de uma minhoca, um prato de espaguete é uma orgia.

Onde os hindus veem uma vaca sagrada, outros veem um grande hambúrguer.

Do ponto de vista de Hipócrates, Galeno, Maimônides e Paracelso, havia uma enfermidade no mundo chamada fome.

Do ponto de vista de seus vizinhos no povoado de Cardona, o Toto Zaugg, que andava com a mesma roupa no verão e no inverno, era um homem admirável:

- O Toto nunca tem frio - diziam.

Ele não dizia nada. Frio ele tinha, o que não tinha era agasalho.
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Bruna Lombardi num “Romance de Bairro” - Citada por Penélope Charmosa

João... mas logo agora
que as coisas tavam se ajeitando
logo agora que eu tinha
aprendido a fazer suflê
logo agora que eu tava
com a melhor das intenções
que eu até falei com o síndico
pra abrir uma janela
pra aquele terreno baldio
só pra você olhar o jogo
que eu ia trocar meu canário
pelo relógio do Armando
de que você tanto gosta, João.

Mas logo agora, João
que pode ter guerra lá fora
que eu tô com medo da vida
que prendem gente na rua
e nem dizem por quê
logo agora...
quando eu ia plantar tulipas
pra gente fazer de conta
que o mundo é diferente
pra gente não se dar conta
do que está acontecendo
do lado de fora do mundo, João
logo agora
que eu fiz um quadro novo
com umas cores bonitas
porque na rua, João
já tem cinza demais.
Eu ia pintar as paredes
com as cores do absurdo.
João, em que lugar do mundo
você encontra um canto assim?

João, a coisa não é essa
é preciso ter invento
a coisa precisa de graça
tem que ter magia, João
e isso o mundo esquece
... o Mundo, João, não merece
consideração.

Mas logo agora
que eu tinha comprado incenso
e avenca de pôr no vaso
cheiro de jasmim no portão
você não queria... João

logo agora
que as coisas tavam se ajeitando
logo agora que eu tava
com a melhor das intenções
logo agora, João

esperasse mais um pouco.



In “No Ritmo Dessa Festa”.
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Detenha-me - por Poty

Meus pensamentos são vorazes,
Tão aguçados...
Então me detenha!

Hoje meu dia é de cão,
Venha detenha-me!

A situação é caótica
Não deixe de me deter!

Sou teu furor...
Não tem como me deter!

Serei teu juiz
Sem prejuízo...
Algoz de tua insatisfação

Teu caso infernal
Não tem nada anormal
Neste mundo normal.

... Venha detenha-me!...

Caberá a você deter-me!
Caso contrário serei a tua penúria.
Astúcia em minha detenção.



Visitem Poty
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