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terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Pertinho do Céu - por Clarice A.

.....Sentada num grande galho da jaqueira a menina acenava para a mãe que a procurava da janela da cozinha. A mãe já não se preocupava mais com a mania da menina de subir nas árvores, acostumara-se com isso. Quem a ensinou foi o irmão mais velho e ela o acompanhava ágil, segura, ele ensinando-lhe onde pisar, a procurar os galhos mais fortes, os entroncamentos onde podia sentar-se e descansar da subida, a ter cuidados com as lagartas, distinguir entre elas as perigosas que queimavam, como pegar as frutas mais distantes sem cair. Era atrás das frutas que ele subia; ela, porque gostava de subir nas árvores, e quando chegava o mais alto que conseguia esticava o braço com a mão espalmada para o alto como se quisesse tocar em algo e gritava: mãe, estou pertinho do céu. A mãe mandava que ela descesse e viesse para a jaqueira que ficava bem perto dos fundos e podia avistá-la enquanto fazia o serviço da casa. Além disto, o galho em que a menina sentava-se era forte e não muito alto. Ela dizia para a mãe que as coisas diminuíam de tamanho quanto mais alto subisse e descrevia os ninhos que via, mas não tocava.
.....A menina gostava de brincar com os irmãos, colegas, os numerosos primos mas a correria e o barulho a cansavam rapidamente e preferia ficar sozinha observando os pássaros, as fileiras de formigas e os demais insetos que habitavam o seu quintal. Não tinha medo, não os pegava, apenas observava. Ajudava a mãe a cuidar do jardim, regava as plantas, sabia a época das flores e das frutas. Criança observadora e de natureza contemplativa.
.....Um domingo à tarde a tia apareceu com os primos para irem juntos ao parque de diversões. Tarde promissora de céu azul e temperatura agradável.
.....No parque as coisas num ritmo frenético. Primeiro os carrinhos, desviando, batendo uns nos outros, os risos, os gritos de susto e alegria. Dali vieram as voltas num carrossel e depois a montanha-russa com a lenta subida e a descida vertiginosa. Quando chegaram lá embaixo a menina apertando a mão da mãe pediu com voz chorosa que voltassem para casa. Tonta, enjoada, as pernas bambas, o coração acelerado, não entendia como aquele lugar podia se chamar parque de diversões. Queria estar em casa, na sua jaqueira.
.....As duas separaram-se do grupo, sentaram-se até que a menina se recuperasse e foram dar uma volta pelo parque enquanto os outros brincavam. Ao avistar a roda-gigante a menina observou o lento movimento para cima, seus olhos voltaram a brilhar e ela pediu à mãe para dar uma volta. Enquanto a roda subia lentamente, o sorriso e a alegria voltaram ao rosto da menina e, quando a cadeira em que estavam atingiu o ponto mais alto, ela esticou o braço com a mão espalmada e disse a frase que a mãe já esperava: mãe, a gente tá pertinho do céu. Enfim, naquela tarde, naquele mesmo parque, a menina encontrou o significado do lugar se chamar parque de diversões.


Inspirado na serigrafia Roda-gigante, de Anita Bastos.
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