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quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Meu Avô - por Ana Lucia Timotheo da Costa

Todo sábado eu, meu pai e meu irmão íamos vê-lo. Meu pai tinha a obrigação de barbeá-lo, à navalha, e nós aproveitávamos a visita para estudar francês e matemática com uma das tias. Confesso que eu o admirava com uma certa distância. Afinal, por ser avô paterno, não privávamos de muita intimidade.

Sabia-o lido e bem informado e meninota, ainda, aquilo me encantava. Como me lembro das partidas de xadrez entre ele e o meu pai – discussões engolidas e veladas. “Pedaço-de-asno” dizia o velho, enquanto calado, meu pai não respondia.

Papai jamais usava o possessivo. Falava: “O pai”, nunca meu pai, deferência de amor e sintonia.

Com a maturidade percebi que bastante coisa era ilusória; muita contradição cabia-lhe.

Vovô, professor nato (alfabetizava adultos), tinha uma liderança imposta, ditatorial.

As filhas eram-lhe de uma obediência cega, semi-castradas. Namoro não fez parte de suas vidas.

Batia no peito a confessar-se ateu, no entanto era um sujeito de gestos de bondade.

Mamãe conta uma inacreditável passagem - O primeiro salário de meu pai (que ele achou alto), foi dividido com outro empregado, por justiça. (Muitos diziam que tinha postura marxista).

Afirmava que a morte não temia, ‘hei de enfrentá-la de frente, sem temor’. Mas um ônibus apanhou-lhe pelas costas...
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