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sábado, 15 de janeiro de 2011

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2 comentários:

Adir disse...

Os três mosqueteiros do ônibus sacolão

Aparentemente eles se entendem como irmãos que não são.
Os três - as duas moças e o ajudante. Sua lida diária começa já de madrugada, quando cada um, partindo de suas casas, encontram-se pontualmente às três da manhã, no local de abastecimento, para a escolha frenética dos produtos, sua separação e armazenamento.
Lá, sequer têm tempo para um pequeno café. Pelo que comentam, até as seis da manhã, a corrida pelo ouro é grande.
Seu cansaço fica imperceptível quando já no ponto de vendas, revezam-se na atenção aos clientes.
No entanto, na minha visita anterior, notei o quanto é grande a concorrência entre os três.
Uma das moças é a responsável pelo caixa e assume ares de dona do veículo e de sua carga.
Acho mesmo que é ela a encarregada do transporte. Chamou-me a atenção seus gestos másculos e firmes e seus músculos do braço acentuados demais para uma mulher. É a que mais fala, enquanto recebe o dinheiro e dá o troco. Se elogia quase sem sentir e engrandece os produtos, como se fosse ela a única peça naquele movimento.
A outra moça é responsável por separar as verduras, memorizar quantas cada cliente ensacou e colocar os ovos em dúzias, nas caixinhas apropriadas. Se algum dos clientes informa a caixa, quantidade inferior a que tem na sacola, ela se apressa a corrigir o erro e fazer o cliente pagar o valor correto. Não sei como consegue fazer as vezes de um computador, memorizando sempre o exato, esteja a fila pequena ou quilométrica.
O rapaz é o responsável por colocar e tirar as sacas de cima da balança, enquanto a caixa digita o valor do quilo. Seus braços fortes dançam ritmados naquele tira e põe sem cessar. Cuida também de informar aos clientes os preços dos produtos selecionados, como frutas e legumes fora de época, que por essa razão, variam de preço. Se ele se engana na informação, aquela que parece ser a gerente, corre a corrigi-lo com energia na frente dos demais.
Percebi que os três se fiscalizam e não apreciam muito o trabalho que fazem.
Já pelo menos há cinco semanas,com a permissão da gerente, me utilizo dos serviços do ajudante que transporta minhas compras até minha casa. Ela mesmo, sempre fez questão de mandar fazer a entrega, pois é do seu total interesse que eu acumule bolsas e mais bolsas com seus produtos.
Nesse final de semana, os produtos estavam por demais selecionados, o que me fez exceder nas compras, no que fui acompanhada por um grande número de clientes.


Como sempre, acabei de pagar e pedi pelo entregador. De pronto, a gerente negou, passando um sermão no coitado na frente de todos que ali estavam, enfatizando seu interesse em ganhar a minha gorjeta, que só ficaria para ele.
Estupefata, ameacei deixar as sacolas e fazer com que ela devolvesse meu dinheiro, quando apressou-se a me acalmar, dizendo que eu era sua cliente especial. Não percebeu, na sua ignorância, que com isso arrematava a ira da fila que, depois do comentário, não se julgou tão especial assim.
De súbito, deu ordens para que o ajudante trouxesse minhas compras.
Descobri então a causa da questão – é que há duas semanas atrás, eu tinha presenteado o ajudante com sapatos, sandálias e camisas do meu marido que, em desuso, julguei pudessem ser melhor aproveitadas por alguém mais necessitado. E eu, que sempre os via felizes e puros no seu trabalho braçal, conclui então que, nem sempre o que parece é.





Luvas, pra que te quero?


Abro uma de minhas gavetas. Aquela que guarda as relíquias, como cartões de amigos, santinhos, grampos de cabelo com strass, enfim, pequenas miudezas que só vem à tona, uma ou duas vezes por ano, em época de faxina geral. Sem querer, dou de cara com um par de luvas brancas de renda vazada, com um botãozinho de pérola próprio para o abotoamento no pulso.
Num piscar de olhos, volto no tempo e vejo-me ao vivo e a cores, com nove anos de idade, no teatrinho da escola pública. Meus cabelos encaracolados e compridos, faziam uma moldura para o rosto rosado e redondo. Eu representava uma daminha e entrava num salão finamente decorado, dirigindo-me a uma senhora à moda antiga, sentada num divã e dizia: - boa noite Dona Gertrudes. Essas eram as únicas palavras ditas por mim e como levei tempo para decorá-lo no tom desejado pela instrutora.
Lembro-me dos dias anteriores ao espetáculo e revejo minha mãe preocupada em arranjar vestido, chapéu e as tais luvas. Vejo-me experimentando o traje e ensaiando todas as tardes na mesa da cozinha. Num piscar de olhos vejo mãe,pai e irmãos menores na platéia do pequeno teatro, com os olhos fixos na cortina e do sorriso nervoso quando terminei minha apresentação.
E aí eu pergunto, luvas pra que te quero? Ao tempo em que respondo – para no futuro, lembrar novamente desse doce momento da minha vida.



Seria tão bom...

Seria bom se hoje, ele não viesse. Sinto que hoje quero dissociar-me de tudo e de todos e colocar o olhar atento apenas sobre mim, cuidando das minhas vontades e desejos pueris.
Seria tão bom se hoje ele não viesse... Poderia esquecer horário, a preparação do ambiente, a escolha das roupas, o cuidado com os cabelos, o amansamento da fala e deixar correr o mundo, em volta de mim, como sou, sem a preocupação do agradar e do servir...
Seria tão bom se hoje ele não viesse... Poderia sair por aí, a pé, esbarrando em qualquer tipo de pessoa, descobrindo seus anseios, o que fazem, como passam o dia...
Seria tão bom se hoje, apenas hoje, ele não viesse, para que eu pudesse sentir, genuinamente, como seria a vida sem ele.

Ana Guimaraes Ferreira disse...

A RESERVA DO CACHORRO DA LUA

Finalmente encontro meus ancestrais: Meu avô -Dente de Leão- um cara pálido que ganhou este nome porque tratava dos dentes de seus irmãos brancos.
Meu tio Lata lata - outro cara pálida que ganhava a vida catando nas matas e nas florestas, latinhas ajudando assim a mãe natureza e auxiliando a despoluição do planeta Terra.
Meu pai - Grande chefe Maruá -chefe por longos anos e a quem devo os ensinamentos que me fizeram acreditar que o homem branco, ou o cara-pálida como ficamos sendo conhecidos, teríamos nossos direitos reservados e preservados e por isso lutou toda a sua vida.
Nossos direitos se estendiam do nosso quintal ao quintal do vizinho.
Tínhamos plantações produtivas de macaxeira, abobora, chuchu, tomates, alface, manjericão e muitas outras.
Tínhamos ervas que curavam, ervas que nos ajudavam a respirar, que temperavam a carne de caça que comiamos a beira do fogão de lenha.
Nossas terras foram conquistadas em lugares distantes onde ninguém queria morar.
Afastadas das grandes moradas e onde um pequeno igarapé cortava e servia de divisória entre nossas terras.
Nossos terrenos eram pequenos, mas cabíamos nele. Nossos descendentes cresciam e faziam as suas casas dentro de nossas terras e éramos felizes. Éramos o clã da Grande Família.
E o local passou a ser conhecido como a Reserva do Cachorro da Lua.

Não tínhamos invasores. Nem arrozeiros, nem posseiros, nem fofoqueiros, nem maconheiros todos ficavam longe da reserva, longe das nossas divisas.
Nossas terras não produziam petróleo, não tínhamos madeiras para cortar ou vender, não tínhamos minérios no chão. Tínhamos apenas a paz, a lua para ver e o cão para cuidar da reserva.
Assim vivemos felizes por muito tempo e numa grande nação.
Mas o tempo correu e os brancos foram se mesclando e surgiram novas tribos, novas etnias: os índios, os negros, os pobres, os sem terra e muitas outras raças e nações.
Se aglomeravam, viviam em bandos, destruíam as plantações sob a égide de querer terras para plantar. A cada ano sentíamos que o ar se tornava mais e mais rarefeito.
Nossas crianças tossiam muito e cuspiam fumaça; não as do cachimbo da paz, mas outras...
Vieram outros cachimbos que destruíam as nações...
Nosso igarapé foi seco e nosso espaço foi sendo espremido e em seu lugar surgiu o grande destruidor - o aranha céu - aquele que destruía a vista dos céus... e surgiam mais e mais ate que surgiu o grande aranha céu - o shopping
Nossa terra foi ficando pequena demais e fomos sendo empurrados, empurrados cada vez mais para longe da terra dos nossos ancestrais... acabamos sob a ponte onde se aglomeravam vários clãs.... Não mais víamos a lua e os cães pararam de latir.
E nós cara-pálido da reserva do Cão da lua, viramos caras sem eira nem beira, sem lugar para ficar ou para morar... sem teto, sem morada.
Sem proteção...
Hoje não temos direito a mais nada Nem latinhas para catar - existem as cooperativas, sem dentes para curar - existem os convênios-nada mais nos restou;
Nossos direitos foram sendo tomados e hoje ficamos enjaulados em casas com grades e de La ficamos vendo o mundo onde marginal cara-pálida e de outras etnias dominam a nossa reserva, a nossa vida, inclusive a nós.
Nossa reserva não passa de um metro quadrado onde nos acotovelamos. Não temos mais a Lua que deu nome a reserva e nem os cães, pois a fome nos fez fazer deles o nosso alimento.
Assim, Grande Chefe Branco, escrevemos esta carta para que nos de um local onde nós cara-pálida que cultivamos, trabalhamos, pagamos impostos, possamos recomeçar a plantar, a acreditar e a viver de acordo com todas as tribos que foram privilegiadas
e para que possamos ter o mesmo direito que nossos ancestrais tiveram - de viver em sociedade, de serem livres, de terem segurança, saúde, alimento e paz!
Postado por Ana Guimarães Ferreira