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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Saudade - por Marília Abduani

Ave que voa rasteiro
dispersa,
sombria,
irisada pelo sol da manhã.
Provoca calafrios,
goza profundamente
ante a nossa fragilidade.
Dor fria e imóvel,
ata o nosso destino:
consolo áspero.
Compacta como a noite,
a saudade,
constelação de sonhos,
insaciável, deixa oca a nossa cabeça.
Masturba a nossa inocência
e o nosso coração, oceano humano.
Azinhavra a nossa pureza
e atropela o nosso orgulho.
Faca de dois gumes.
É morna e é quente.
É dura e é terna.
Eternamente saudade.



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Solidão - por Alba Vieira

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Solidão cessa
Quando compartilhamos
Um pensamento



..........................................Visitem Alba Vieira
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O Estratosférico Preço do Pensar - por Ana

Para mim, o preço a pagar por se ter opinião própria é andar com a etiqueta da esquisitice pregada na testa. Expressões atônitas e comportamentos posteriores de evitação são muito comuns no meu cotidiano...
Mas vendar os olhos?... Bem que, de vez em quando, eu preciso muito disso... Mas quem disse que consigo? Já pensei, algumas vezes, se é o mundo que me choca ou se é o meu olhar para o mundo que me fere...



Comentário em O Preço do Pensar, de Gio.
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Teoria Literária e Questionamentos sobre o Indriso - por Esther Rogessi

Essa variante surgiu devido ao apreço e requinte existente no soneto. Surgiu no século XX, na Espanha, criado por Isidro Iturat, espanhol de Villanueva i la Geltrú, nascido em 1973. Isidro pensou em uma nova forma de soneto e este novo formato caiu ao gosto de vários autores, espalhando-se na Europa.
Em verdade diz o seu criador: “O indriso é uma imagem que a minha cabeça criou de forma espontânea. Às vezes, faço o exercício de visualizar a estrutura dos poemas mentalmente. O indriso surgiu em um momento em que meditava sobre o soneto e em um determinado instante, vi as estrofes da figura clássica se condensando desde o padrão (4-4-3-3) para o (3-3-1-1)”.
Hoje, radicado em São Paulo /Brasil, desde 2005, Isidro leciona literatura espanhola e se dedica à arte da escrita.


Curiosidade
A origem da nomenclatura: sendo o indriso uma variante do soneto, o qual, alguns atribuem a criação a Jacopo Lentini, aconteceu um fato curioso na vida de Isidro: uma garota, contando os seus três anos de idade, esforçando-se em chamá-lo pelo nome, sem conseguir, insistia em dar-lhe o nome de Indriso. Isto chamou a atenção daquele que viria ser o criador da variante do soneto: “o indriso”.

Podemos encontrar no site Indrisos.com a primeira coletânea do autor, “El Manantial”, inteiramente disponível online. Há exemplares em outros idiomas além do espanhol. Inclusive tupiniquês.
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Exemplos (3-3-1-1)

Luna Menguante
................(Isidro Iturat)

El sentauro se asoma por la ventana
Y La mujer dormida está hablando em suemos
Llora y rie porque um centauro la rapta

Cabalga em su sueño la mujer dormida,
Cabalga em su sueño y es cabalgada
Em La selva, nadie la oye cuando chilla

Llora y ríe como nunca em vigília

El centauro la mira por la ventana



Quem Me Dera... Poder Ser Eu!................................(Esther Rogessi)

A lágrima que não chorei,
e o grito que não fiz ouvir,
em mim tranca se fez...

Verdades que não falei,
E, o amor que não vivi...
Assim, minh’alma mutilei.

Quereres que só eu quis...

Eu poderia ter sido feliz!


Indriso publicado como destaque no livro “Versos Inéditos”, jul./09.
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Isidro usa de transparência ao afirmar e defender a tese de que a sua criação inovadora é definida pela estruturação, à qual ele impõe os limites que se seguem, segundo as suas palavras: “O único limite no indriso está na associação dos dois tercetos e das duas estrofes de verso único duplicados, pois é isso o que o define. Em relação a outras particularidades textuais (medida nos versos, rima, temática, estilo, associações de vários indrisos etc.) o autor tem total liberdade criativa.” Palavras de Isidro Iturat quando em entrevista à Revista SAMIZDAT.
Em outra entrevista à Revista Los Argonautas.net, Espanha, mar./09, o escritor e poeta nos esclarece as limitações de tal estruturação e diz: “O indriso é um poema estruturado em (3-3-1-1), que admite qualquer tipo de rima e medida (métrica), nos seus versos.”
Ou seja: sua estrutura é livre quanto a rima e métrica, porém, se não estiver estruturado dentro da forma (3-3-1-1), não será o indriso criado por Isidro Iturat.

As inúmeras variações que se nos apresentam são de outros autores. Os estudos por eles feitos ao longo dos anos deram origens a novas formas de estruturações, geradas do indriso original.
O escritor diz ter conhecido formas e esquemas, tais quais podemos ver a seguir: 3-3-2, 3-3-3-1-1, 4-4-1-1 etc. Autores diversos têm chamado a essas novas formas de indrisos. No entanto, diz Isidro não achar pertinente assumi-los como tais, pois mesmo que sejam oriundos do esquema 3-3-1-1, ficam longe do original. Isto, no tocante ao ritmo, visual e arquétipo. Exorta a todos quantos estiverem usando as novas estruturações a procurarem “outras denominações e/ou nomenclaturas, para se referirem a elas...”
“Devemos considerar o fato de que, assumindo-os, poderíamos cair em uma ILIMITAÇÃO, o que tornaria a sua definição sem sentido” - afirma o escritor. Por outro lado, a escritora uruguaia Teresa Marcialetti apresentou a Isidro uma proposta, a qual o escritor viu de forma diferente, achando coerência em seus estudos. Ela investigou as possibilidades de combinações do 3 e do 1 duplicados. Por sua vez, Isidro, com a devida permissão, também estudou o assunto. Contrariamente a todos os outros esquemas por ele vistos, achou grande afinidade entre o 3-3-1-1 e outras variantes mostradas a seguir, considerando as formas em que os dois tercetos e as estrofes de verso único podem se relacionar.

Isidro acha adequado considerar uma nova terminologia baseada nos conceitos de sístole e diástole, entendendo a transição de 3 para 1 como um movimento de contração do discurso e a transição de 1 para 3 como um movimento de expansão:
3-3-1-1: indriso ou indriso em sístole
1-1-3-3: indriso em diástole
3-1-3-1: indriso de duas sístoles
1-3-1-3: indriso de duas diástoles
3-1-1-3: indriso em sístole interna
1-3-3-1: indriso em diástole interna

Como vemos a seguir existem inúmeras possibilidades de estruturação: 3-3-2-2; 2-2-1-1; 3-3-1-1... Podemos denominá-las indrisos?



O Laço (3-3-2-2)..................(Esther Rogessi)

O amor é um grande laço...
Lindo como o jasmim...
Em minha volta o teu braço,

Não te separas de mim...
O caminho contigo faço,
Apegamo-nos enfim...

Não é de fita esse laço...
Estás contido em mim!

Dele não se desvencilha,
Não se tem como fugir...
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Publicado como destaque no livro “Versos Inéditos”, jul./09.
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Retalhos (3-3-1-1)
Trago em minh’alma múltiplo sofrer,
Chegando assim, a ser, tornei-me nulo ser.
Exausto viver, quero não mais querer!...

Nulo existir, enfim: Quem vive em mim?
Quero sem ter, tenho o que não quero.
Quereres adquiridos sou um ser induzido!

Tecido de carne e sangue, robô sensitivo!

Sentindo e sofrendo, por não agir, morrendo!
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.Fontes de pesquisa: Google; Revista SAMIZDAT e
Revista Los Argonautas.net, Espanha, mar./09.
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Precipitação Funérea - por Kbçapoeta

Não há nada igual!
O fim pode trazer
Surpresa, com efeito, colateral.
Intransigente, diferente,
Muito aquém do casual.
Nada de mal!
Nada demais.
O sortilégio do mistério,
Lapidar a pedra bruta
Na ourivesaria das virtudes
E ao menor descuido,
Quedar-se na homeopatia da ilusão.
Eu, Você.
Diferença abissal
Faz-se quando corpos
Abraçam-se em um velório.
Sob o mesmo temporal.



Visitem Kbçapoeta
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domingo, 25 de outubro de 2009

Rio de Janeiro em Guerra! - por Adir Vieira


O Rio de Janeiro está em guerra. Lamentável!
Quando, em minha adolescência (época em que os pais de crianças com dez anos jamais se preocupavam em deixá-las ir sozinhas à padaria), eu imaginaria que hoje, em minha “velhescência”, estaria vivendo esse horror?
Já há alguns meses, creio que a maior parte dos brasileiros, principalmente os cariocas, já sabem, por “a mais b” que não têm ninguém em quem confiar para tirá-los desse pesadelo.
Desde o tempo em que os melhores imóveis da Tijuca tiveram que ser quase vendidos a preço de bananas, o Rio de Janeiro vive esse terror, mas confesso que como ocorreu no sábado, nunca imaginei que pudesse acontecer.
A forma como esse tipo de coisa interfere na nossa saúde é direta, sem condescendência. Mesmo morando distante do local onde o helicóptero foi alvejado, a dor na nuca indicou meu desalento. Sofri com as pessoas correndo por entre carros, fugindo de possíveis balas perdidas, quando os policiais revidaram ao tiroteio.
Imaginei pessoas em casa paralisadas, deitadas no chão, enquanto durava o confronto. Ouvi o choro de crianças que com tanto barulho, não entendiam o que estava acontecendo. Senti o desespero dos idosos e daqueles que já não podem mais correr e se refugiar não se sabe onde para escapar da morte.
Que lamentável está a vida, meu Deus!



Visitem Adir Vieira
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Sobre a Ofensiva da Polícia nas Comunidades do Rio de Janeiro - por Alba Vieira

É insustentável para a população que mora em comunidades do Rio de Janeiro, a situação que agora se apresenta: um clima de terror inviabilizando o cotidiano de quem lá reside, diuturnamente.
É óbvio que nenhuma outra administração enfrentou o problema da criminalidade com tamanha coragem e persistência quase obsessiva.
É evidente que quem mora em comunidades gostaria de se ver livre dos traficantes que lá infernizam as suas vidas.
É notório que não se resolve o problema das drogas e da criminalidade ligada ao tráfico apenas com a repressão e prisão dos bandidos sem as medidas que resolvam os problemas sociais gravíssimos por trás disso.
Ninguém ignora que o trabalho da polícia, deixando-se de lado a corrupção de alguns profissionais, é importantíssimo, desgastante, altamente estressante e exige um desprendimento e vocação enormes.
Claro que os bons profissionais merecem todo o nosso apoio e louvor pela proteção que nos concedem.
Mas o que assistimos na última semana foi um descaso total com a vida, transformando o bairro da Penha numa praça de guerra, com um tiroteio próximo a uma unidade de saúde, ignorando completamente a presença de pessoas comuns nas ruas, incluindo idosos, crianças e doentes.
É triste saber que situação parecida vem afetando tantas outras comunidades desde o ocorrido na invasão do Morro dos Macacos e a derrubada do helicóptero, matando os policiais.
O que é isso? É a banalização completa da morte? É a ode ao ódio?

O corpo da polícia quer encontrar os bandidos audaciosos que mataram seus companheiros.
Policial não é pago pra morrer.
Os bandidos devem ser presos.

Mas isso que vem ocorrendo me parece mais brincadeira de bandido e mocinho das crianças: uma vergonha para o Rio de Janeiro.

Isso tem que parar!!!!!!!!!!!!
O enfrentamento da criminalidade pela polícia, feito desta forma mambembe, só está ceifando vidas inocentes.
Onde estão as entidades que cuidam dos direitos humanos???????????????



Visitem Alba Vieira
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Paixão - por Esther Rogessi

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Frente a frente de ti
Perco do mundo a noção
O meu coração pulsa forte
Ouço o badalar de sinos
Murmúrios e desatinos
Sou vulcão em erupção
Frente a frente de ti
Perco do mundo a noção
Tua boca tal qual ímã
Suga o meu olhar...
Sedento pelos teus lábios...
Que aos meus vem procurar
Minha boca assim, fremente
Colada unida à tua
Dentro delas bailarinas nuas
Contorcem-se, enroscam-se...
Prazer há no paladar
Minha língua toca a tua
Abraçam-se... Tremulo nua.
Bailando tocam o céu
Da minha e da tua boca
– O amor me faz audaz –
De outra... Louca... Rio se faz!



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sábado, 24 de outubro de 2009

O Grande Mico que Paguei e Depois Chorei... - por Adir Vieira


Hoje já se passaram dois dias do ocorrido, mas ainda sinto lá no fundo uma ponta de mágoa pelo que fiz. Para que vocês entendam, vou relatar aqui e dividir com vocês.
Temos um profissional eletricista que já há uns dez anos nos atende. Há uns dias atrás, esteve ele aqui em casa para desinstalar um ventilador e instalar um outro. Calmo e eficiente, além de muito educado, o deixamos à vontade no seu trabalho, haja vista a grande confiança que sempre depositamos nele.
Dessa vez, no entanto, estranhamos o fato de estar demorando tanto e fomos ao local ver o que acontecia, quando o vimos andando de um lado para o outro com o manual de instruções nas mãos. Ele é um sujeito de pele clara que, naquela altura, estava vermelha como um pimentão.
Perguntamos o que estava havendo e ele, muito sem graça, explicou que não conhecia aquele modelo de ventilador de teto, novidade no mercado, e que tinha esquecido os óculos e não conseguia ler as instruções. Meu marido prontificou-se a ler para ele, mostrando os gráficos.
Lia, mostrava, lia, mostrava, mas ele não entendia e repetidamente perguntava:
- Onde ligo o fio cinza? Só preciso saber do fio cinza! - cada vez mais demonstrando estar nervoso.
Da cozinha, eu ouvia e estranhava o que estava ouvindo, quando pedi ao meu marido que emprestasse a ele os seus óculos para uma tentativa de, quem sabe, se os céus ajudassem, eles pudessem servir, por eles terem o mesmo problema ocular! Mais eu estranhei a negativa do meu marido que, firme, me olhava e dizia:
- Não precisa, deixa que eu vou ler para ele.
Dois medos tomaram conta de mim - uma instrução interpretada erroneamente pelo meu marido e a falta de confiança naquele profissional de ouro que, por ter esquecido os óculos, tinha se tornado profissional de lata. Daí, apressei-me a pegar meus próprios óculos e forçá-lo a colocar no rosto, para tentar enxergar. Muito sem graça, ele repetia:
- Com esse aí mesmo é que eu não vejo nada.
Fiquei nessa tentativa pelo menos uns dez minutos, fazendo com que ele experimentasse cinco pares de óculos.
De repente, eu mesma descobri etiquetas nos fios indicando os locais onde deveriam ser ligados.
Quando acabei de ler, o eletricista suspirou de alívio. E nós também!
Por fim, meia hora depois, o trabalho foi concluído com pleno sucesso.
O mico veio por conta do que meu marido contou após sua saída. Ele na realidade não tinha “esquecido” os óculos. Não lia porque era analfabeto.
Naquele momento me dei conta do meu “mico” e senti na pele a dor que ele deve ter sentido com minha insistência boba.



Visitem Adir Vieira
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Foi Marcante! - por Esther Rogessi

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Naquela noite estavam todos reunidos no pátio para uma devocional (momento de louvor e oração), o que costumava acontecer antes do início das aulas. Os meus olhos viciados em ti começaram a te buscar. Lá estavas... Tão simples, vestido em uma calça jeans, camisa de malha branca, sapatos “coiote” sem meias, bem à vontade. Deixavas transparecer cansaço. Passavas as mãos no rosto, como que para retirar o sono, o enfado.
Fiquei parada a te contemplar... Lindo! Simples, pele branca, emoldurada por fartos cabelos negros... O meu jasmim!
Levantaste o olhar e me viste ali... muda a olhar-te. Fiquei inibida. Parecia que eu era uma garotinha em falta, pega em fragrante... Escondi-me, por trás dos colegas.
Ah! Que alegria... Você ficou a me procurar com o olhar, insistentemente, a ponto de chamar a atenção da minha insuportável colega que, olhando para ti, procurou ver para onde e para quem estavas a olhar... Descobriu! Olhou-me, como a pensar: Ah! É para ela que ele está a olhar!...
O tempo passou! Ah! Passou... Porém, a simplicidade e singeleza desses momentos permanecem em mim... Onde você está? Lembras de mim?


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O Novo - por Leandro M. de Oliveira

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Preparar, apontar... Morte ao tirano. Homens fuzilem-no! (1, 2...) Descansar armas. Ascendam a pira funerária ou deixem o corpo aos cães. (1, 2...) E algumas horas mais tarde, histeria coletiva... Saudações ao novo tirano! Ele já esperava pelo desjejum na sala de jantar. Sirvam-lhe carne e sangue se disso é composto o triunfo. Um cai e outro ascende, e esse também enfrenta a derrocada pra que um outro mais astuto venha. (1, 2...) Bola da vez, o eterno samsara do concurso mundial de vaidades. Seja rápido! Ou lento o bastante, pra que as sentinelas do caos te acertem no peito.
O problema humano não é político mas, antes de qualquer outro, um problema ético. Enquanto não houver um sentido de coerência de ação entre homens nada se fará tão pragmático como a inabilidade das buscas coletivas em produzir algo de bom ou justo. A consciência do senso comum é nascente como espelho da conjuntura em que se vive. Assim, há que se supor que enquanto o aviltamento do ser humano em seu sentido mais elevado for distribuído por meio de teorias, dissimulações e forja daqueles a quem cabe ditar um caminho na tecnocracia do mundo atual, todo o mais que se constrói a sua borda resultará inútil. A escola não ensina, a política não governa, o exército não protege, a TV não informa. As assim ditas redes de manutenção e formação da ordem social constituem só uma forma sofisticada do velho desejo de manter o homem médio anestesiado. Aquele homem bate mais uma vez à sua porta, vez em quando a capa do sacerdote, do candidato, do capitão, do professor ou do jornalista, vez em sempre o desejo frenético de te manter suficientemente submisso. Nada de novo pode ser produzido sem que o mestre ordene, isso seria uma subversão perigosa. Então a busca de um progresso inclusivo ofusca os olhos de teu amo. Morra como um cão! Ou vomite seu ressentimento na cara desses guias cegos. Eles te fizeram refém por muito tempo, é hora de acordar. O sol brilha lá fora, que ninguém nos cobre mais por esses raios. Expurgue de uma vez o seu medo e a sua escravidão, já é hora de tentar algo novo. E até que esse algo inédito apareça, nenhum comunismo, nenhum paganismo, nenhum filosofar profundo... Nada será capaz de restituir ao homem aquilo que desde sempre lhe sentiu usurpado. É preciso mergulhar mais fundo, vasculhar escombros, caminhar no subterrâneo de si próprio. Vá agora àquele quarto desabitado, acorde sua alma, chame-a pra dançar. Contemple em silêncio, comemore aos berros. És o soberano de teu próprio ser! Respire fundo, avance a passos confiantes. Siga até a fenda aberta entre o animal e o algo superior, costure-a com os dentes, reequilibre as partes. Una em si tudo o que é mundo disse impossível. Cuspa nos arremedos da vida, tenha a versão original. Um novo livro foi lançado, uma nova ideologia criada. Livros são suportes de palavras que são suportes de elevação a quem sabe usá-las. Ideologias são suportes de ideias que são suportes dos mais hábeis demagogos. Uma crença é semelhante a um instrumento de corte nas mãos de um homem, se ele é um cirurgião procurará curar com sua cirurgia, se é um açougueiro, maquinalmente decepará as partes que estiverem à sua frente. A questão fundamental está ligada àquilo a que cada um se propõe. Posso ser um socialista que não divide ou um capitalista que crê no altruísmo. Um homem-bomba que detona bombas de confete, um judeu que crê na humanidade como povo escolhido. E é isso que sou e é isso que podemos ser, habita em mim essa contradição vacilante. Um homem sem bandeira, credo ou partido. Que o vento seja gentil, que nossas velas inflem rumo ao desconhecido. E que nesse nos reconheçamos como criaturas livres. A noite passou como um vulto, enfim vem se aproximando a aurora. É hora de partir, é hora de ficar, é tempo de transcender.

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Luis Fernando Veríssimo em “Quem Sou Eu?” - Citado por Paulo Chinelate

Nesta altura da vida já não sei mais quem sou… Vejam só que dilema!!!
Na ficha da loja sou CLIENTE, no restaurante FREGUÊS, quando alugo uma casa INQUILINO, na condução PASSAGEIRO, nos correios REMETENTE, no supermercado CONSUMIDOR.
Para a Receita Federal CONTRIBUINTE, se vendo algo importado CONTRABANDISTA. Se revendo algo sou MUAMBEIRO, se o carnê tá com o prazo vencido INADIMPLENTE, se não pago imposto SONEGADOR. Para votar ELEITOR, mas em comícios MASSA, em viagens TURISTA, na rua caminhando PEDESTRE, se sou atropelado ACIDENTADO, no hospital PACIENTE. Nos jornais viro VÍTIMA, se compro um livro LEITOR, se ouço rádio OUVINTE. Para o Ibope ESPECTADOR, para apresentador de televisão TELESPECTADOR, no campo de futebol TORCEDOR.
Se sou cruzeirense, SOFREDOR. Agora, já virei GALERA (se trabalho na ANATEL, sou COLABORADOR) e, quando morrer… uns dirão… FINADO, outros… DEFUNTO, para outros… EXTINTO, para o povão… PRESUNTO. Em certos círculos espiritualistas serei… DESENCARNADO, evangélicos dirão que fui… ARREBATADO.
E o pior de tudo é que para todo governante sou apenas um IMBECIL!!!
E pensar que um dia já fui mais EU.


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sexta-feira, 23 de outubro de 2009

IX de Roma - por Kbçapoeta

Pedra de tropeço,
Fez-me acreditar
Nos altos e baixos da vida.

Eles me reconheceram!
Não fui confundido entre os demais.
Cumpriu-se a palavra.

A verdade se faz aparecer
Quando ficamos despidos
Das vestimentas da vaidade.

A verdade mostra
Seu único objetivo:
A nudez.

Mesma nudez
Que foi castigada e coberta
Com os tecidos mais grosseiros.

De tão grosseiros,
Foram expostos
No alto da rocha.


Tal qual a de Sião,
A pedra ficou conhecida
Como rocha do escândalo.


Escandalizada a conduta,
Capa dos hipócritas
Chamada moral.

Oh! Pedra do tropeço e rocha do escândalo.
Não fui confundido.
Nego-me a acreditar que eles me pegaram.



Visitem Kbçapoeta
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As Nossas Palavras XXIV - por Lélia

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O que é bom para todos será o bom para cada pessoa? O que é bom para a colmeia será bom para cada abelha? Claro que o todo se beneficiaria se todas as partes seguissem todas as regras, sem pestanejar, mas não creio que as partes se beneficiariam com isto.
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Seus Olhos - por Ana

Seus olhos, contas negras,
Invadem tudo o que sou:
O que já fui, o que escondo,
O que esqueci, o que restou.

Seus olhos, que em sonhos vejo
Como espelhos da minha verdade,
Refletem se os meus atos
Mantêm a sinceridade

De minha alma exigente
Que prima pela excelência,
Que, quando erro, corrige
Entre a paciência e a inclemência.

Mas seus olhos, quando só seus,
Sem espelharem minha alma,
Transmitem a sua bondade,
Sua compreensão e sua calma.

Seus olhos são força viva
De inteligência sagaz;
Lagos densos, habitados
Por nenúfares e abissais.

Seus olhos, tantas tristezas,
Medos, desilusões...
E tolerâncias, amores,
Curiosidades, compaixões.

Seus olhos que trazem a mim
Aquilo que é, e o reverso,
Guardam o princípio de tudo
Até o fim... nosso universo.
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Quando o Cão Vale Mais que a Criança! - por Esther Rogessi

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Ao publicar uma matéria sobre os maus-tratos à criança, colocando uma foto da triste realidade da fome, oriunda do descaso, não só concernente às forças governamentais, porém de cada um de nós, cidadãos do mundo, pessoas reagiram se expressando verbalmente, por vezes denotando indignação pelo sofrimento exposto de forma clara através da foto que, por si só, falava da realidade da subvida na qual se encontram tantos outros. Diante desse quadro triste e cruel, porém verdadeiro, realista, disse alguém, simplesmente, não ter palavras; outros, ser a matéria, forte e comovente; ainda houve quem falasse ser o texto lindo, porém muito duro! Pasmei, no entanto, quando li outro comentário a respeito, dizendo: “quem quer olhar?...”

“Para o escritor, cada texto, é a criança que ele pariu! Esta, jamais estará pronta. A cada olhar seu, se sentirá propenso a acariciá-la, mudando algo, tentando melhorar!”

Assim, meditando sobre o texto e as opiniões diversas, através da observância cheguei a conclusões mais tristes e mais fortes que a realidade da fome. Infelizmente, a maioria de nós costuma fugir do que julgamos nos maltratar... ferir a nossa visão! Há um dito popular que diz: “O que os olhos não veem o coração não sente!” Não podemos esquecer, jamais, que ao agirmos desta forma estaremos entregando seres humanos, nossos irmãos, à dura sorte, ao lixo e/ou à morte! Se podemos fazer o bem e não o fazemos, estaremos a errar. As grandes conquistas se originaram das ações. A princípio pequenas, e estas conduziram homens e mulheres à execução das que se tornaram revolucionárias. Através das quais, hoje, usufruímos sem percebermo-nos do custo delas.
Para que haja mudanças é preciso, antes de tudo, da conscientização de um povo. Jamais exerceremos cidadania nos esquivando da triste realidade reinante na nação e no mundo. Aos que dizem, diante do triste quadro, não ter palavras, eu digo: ajam! Há casos em que as palavras são dispensadas, o melhor discurso é gerado através da ação!

A imagem mexe conosco! É forte! A fome é forte! O leite derramado na pia do abastado é forte! É forte o fato de o mendigo catar do lixo para comer; é forte a imagem da criança esquelética e ávida pelas migalhas do pão sujo no meio da rua... é forte!

Quantos tratam animais como se fossem bebês? Carregando-os orgulhosamente em seus braços, vestindo-os com roupas confeccionadas por lojas especializadas, fazendo-os frequentar semanalmente o salão de beleza... Porém fecham as portas dos seus carros, levantam os vidros para não serem incomodados pelas crianças que catam moedas para que possam sobreviver ao descaso de todos nós... Não queremos ver, saber, não nos interessa! Esta não é a nossa realidade, não são nossos filhos, nem parentes e menos ainda o nosso cão! “Ah!... Estão acostumados!” “Os pais os forçam...” “São trombadinhas!” “Se ajudarmos estaremos cooperando com a ociosidade dos pais.” - Afirmamos e ainda achamos quem concorde! E, assim, seguimos procurando alívio para a nossa consciência, justificando o nosso descaso diante dos famigerados. Levamos para o nosso lar o cão abandonado e faminto (amo os animais, tenho gato e cachorro, alimento-os e zelo pelo bem-estar próprio de cada raça, porém não me deixarei confundir, não perderei a devida consciência de que são cães e não crianças) e deixamos ao relento, entregues aos múltiplos abusos, os pequeninos seres humanos...
Aproxima-se o “Dia da Criança” e muitos de nós ficaremos comovidos com algumas delas na rua, orfanatos e lhes daremos alimento, roupas e alguns brinquedos, que não mais servem para os nossos filhos, alguns serão novos. Afinal, será dia 12 de Outubro, a mesma mágica que nos inclinou à prática do bem nesta data funcionará congelando todos os pequeninos, para que assim suportem a fome. Voltaremos às vésperas do Natal... OH! OH! OH! OH!




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Alzheimer - por Ninguém Envolvente

Brvee decsirção sbroe o Alzihmeer: é uma doneça do cérbero que atfea a meómira, capaacdide de racoiciíno e couanicmção.
Escervo praa aleartr que um cébrero bem trneaido pdoe eivtar o Alzihmeer. Eustdos msoatrm que pesosas que leêm mias e exetcaum jgoos de psasa-tepmo têm a mneor chacne de faicr doetne.
É prescio não dexiar que o seu cébrero enrferuje. Fçaa cosais dierfeents, se vtisa de olohs fechoads e expreimnete viarar seu carpdáio diráio.
Conomfre evnelhmeceos a nsosa móemira se evsai ntaulramnete e praa prolgonar sua sanaidde metnal, coecme com aots que paeecrm irriósrios, cmoo, faezr palvraas curazads, sudkou ou xaredz.
Vcoê só pdôe ler etse tetxo, poqrue seu cérbero não lê cdaa lerta sepaardmaente, mas a plaarva cmoo um tdoo, dedse que a úlmita e a priirmea ltera estajem no luagr crreoto, etãno persrvee essa mavalhria que é seu cbréero.
Etsa foi uma perstaãço de seçrivo do Bolg “Não se elnvvoa”.

Praa ler mias sorbe a denoça de Alzhimeer, clquie auqi.


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quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Psicólogo no Divã - por Gio

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De uns tempos pra cá, eu praticamente abri meu consultório de psicologia virtual - e tenho estendido ele ao mundo real. A minha capacidade de ouvir, combinada com a minha mania de querer ajudar os outros, faz com que um número razoável de pessoas venha falar as coisas comigo. E sabe... é ótimo ver que a minha opinião conta! Não passei por todas as experiências do mundo, mas, das que eu passei, eu sei exatamente quais eu quero (e quais eu não quero) que os outros passem.

Ultimamente, quem anda pedindo muitos conselhos sou eu. Conselhos sobre a vida, sobre o trabalho, sobre o amor, sobre minhas próprias decisões. Tem horas que a gente fica perdido, querendo saber o que fazer, e precisa de uma segunda, terceira, quarta opinião. A dúvida e a insegurança afetam todo mundo.

Mas, quando pedimos conselhos, temos que estar com a mente aberta e preparada para recebê-los. De nada adianta falar com alguém, esperando apenas que essa pessoa aprove a sua decisão - se ela discordar de você, tem seus motivos, e é bom que você ouça (não é por isso mesmo que está pedindo ajuda?). Às vezes estamos tão cegos com uma decisão, que qualquer crítica é encarada como uma ofensa. Melhor mudar isso.

A vantagem de ter opiniões alheias, é que elas vêm de uma visão de fora, que pode estar enxergando a situação com mais clareza, ou mesmo vendo coisas que não conseguimos enxergar. Tem certos sentimentos que cegam a gente... entende o que eu quero dizer?

O importante é nunca deixar que os outros falem mais alto que você mesmo. Damos conselhos de acordo com nossas próprias experiências, que nem sempre são as mesmas de quem ouve - então, quando ouvimos, precisamos lembrar disso. Seguir pelo passado dos outros faz com que ignoremos as pistas que o próprio presente nos dá. Tenha seu próprio tempo, deixe acontecer e use daquilo que só você sabe pra decidir. Você não vai se arrepender!



Visitem Gio
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Metamorfose - Imagem Enviada por Marcelo Ferla

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A intenção de postar imagens neste blog
é propiciar inspiração para textos referentes a elas.
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Fonte: Eclisse
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.Visitem Marcelo Ferla
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Jactância - por Ana

Dentre as masmorras possíveis,
Você escolheu a da arrogância;
Em que se mantém prisioneiro
Por obra e graça de sua insânia.

Alisando o próprio umbigo,
Esquece o que tem relevância.
Passa os dias iludido,
Bajulando a discordância.

Por valores distorcidos
Se afoga em autoimportância,
Não vê que tal atitude
Extravasa ignorância.

E é um ser inteligente...
Pra mim isto é discrepância!
Deve ser transtorno inato
Acentuado na infância...

Teu fim é a guilhotina
Da vida, última instância.
E chorando só, no velório,
Sua única amiga, a intolerância.
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