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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Pessoas Manipuladoras da Internet - por Ninguém Envolvente

Fato verídico que ocorreu comigo.

Há dois anos atrás fiz um Orkut e entrei em muitas comunidades médicas e coisas do tipo (pelo meu grande interesse em prestar vestibular para medicina). Após entrar em uma comunidade sobre Leucemia, logo apareceu uma mulher querendo que eu a adicionasse em meu círculo de amizades lá do Orkut; penalizada pelo estado da moça, adicionei e passei a trocar scraps todo dia.
Moni, era assim que ela gostava de ser chamada. A Moni era linda, apesar de estar com leucemia mielóide aguda e obviamente careca e abatida. Do Orkut passamos para o messenger (MSN) e depois para o celular.
Eu me tornei uma quase meia irmã desta Moni e ficava muito triste por ver aquele sofrimento. Quando ela ligava a webcam, tinha dias que eu ficava para morrer: vê-la na cama, careca, parecendo uma defunta já, era demais pra mim e muitas vezes eu chorei por ela e com ela.
Fiz campanhas para doação de medula óssea, consegui 5 mil voluntários e fiz também um blog (Moni quer medula). Tudo para ajudar a divulgar a Leucemia, o transtorno que era a doença e tudo mais. Ia colocar uma lojinha no blog (loja virtual, para arrecadar algum dinheiro e ajudar a Moni, minha querida amiga).
Um dia, entrei no msn e a Moni me falou, chorando, que a Leucemia estava muito avançada e não tinha mais o que fazer, seu corpo não reagia mais aos tratamentos e ela teria que amputar as pernas (ela era bailarina antes de ficar doente, dançava muito e bem).
Neste dia, eu não dormi! Juro por Deus... Não dormi! Fiquei imaginando como ia ser... minha amiga distante, doente, sozinha e agora sem pernas.
Fiquei emocionalmente abalada uns 15 dias.
Eu não tinha mais forças para alegrá-la, não conseguia mais falar com ela sem chorar e fazer com que ela chorasse, eu estava mais abalada do que ela própria.
Depois do ocorrido, comecei a pesquisar muito sobre câncer e leucemia, a mecânica da doença e como a medicação ia agir, pirei em estudar leucemia, conversei com muitos médicos sobre o caso da minha amiga e fiquei quase uma expert no assunto.
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Uns 9 meses após já ter esse grande vínculo de amizade com a Moni, eu passei a desconfiar de que ela poderia ter qualquer doença do universo, menos LEUCEMIA. Resumindo bem a história, tinha coisa que não fazia sentido, eu passei a estudar mais do que um leigo faria, estudei coisas clínicas e dados que ela nunca achou que eu fosse pesquisar, estudei sobre o tanto de plaquetas que ela tinha que ter em tal circunstância e tanto de hemoglobina etc., coisas que nunca passaria pela cabeça de alguém tão desesperado como eu estava. Geralmente, as pessoas procuram por sobrevida ou coisas assim (no máximo pesquisariam sobre a medicação), mas eu fui a fundo no assunto e notei que ela estava mentindo, mas eu não tinha prova de que ela mentia, e nessa altura do campeonato a comunidade no Orkut (Moni quer medula) já contava com mais de 10 mil pessoas e eu era responsável pelo blog também; eu não podia do nada sair falando que uma menina com cara de defunto não estava morrendo e aquilo era uma maquiagem 5D.
Fiquei na moita, dando print em conversas, cada detalhe era importante e não poderia ser perdido.
Até que surgiram outras pessoas - desta vez tinha um oncologista - que vieram me confrontar, falando que a Moni não tinha câncer e que nós duas éramos golpistas e queríamos a grana do povo.
Depois dessa, fiquei com medo e resolvi que, naquele mesmo dia, eu seria sincera com ela e falaria na cara dura que eu sabia que ela não passava de uma mentirosa. Falei. Ela não disse que sim e nem que não. Ficou offline, excluiu o Orkut dela, sumiu com as comunidades e nunca mais a vi.
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Fiquei sabendo depois que foram até a cidade dela e descobriram que ela não tinha nada mesmo e era mais pra doente mental do tipo QUERO ATENÇÃO... era uma hipocondríaca maluca.
Me senti uma otária.
O meu prejuízo foi emocional: fiquei com depressão, às vezes nem dormia ou mal dormia de tão preocupada, mas algumas pessoas tiveram prejuízo financeiro com valores absurdos, p’ra mais de 3 mil reais, por ajudá-la e de tanto telefonarem para ela.
Ela, na verdade, não queria dinheiro ou bens materiais, queria emoção e atenção. Ela vivia uma vida cheia de ação, com muita adrenalina, com medo que todos sacassem, e acho que isso a estimulou.
As últimas notícias que tive dela, foram a de que ela ficou internada em um hospício e depois saiu, toma Prozac e outros controladores de humor e ansiedade, teve uma filha e ainda apronta no Orkut.
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O que tenho a dizer é CUIDADO, ela é uma pessoa muito convincente (enganou 10 mil pessoas) e o poder de manipular que ela tem é surreal. Faz ótimos jogos emocionais.
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