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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

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Um comentário:

Adir disse...

Hoje é dia de pânico.

Pelo menos para mim, é assim, todos os meses, quando eu tenho que ir a um Banco movimentar o famigerado provento da aposentadoria.
Às vezes penso se tal pânico vem lá de dentro, do âmago, por não saber como esticar a pequena quantia e cobrir as necessidades básicas ou se vem mesmo, da violência atual.
No momento em que saio de casa, não me importo com a razão real, prefiro atentar para o que aparece em minha mente, de forma superficial – a violência que assola o país.
Chego a apostar que em outra época de minha existência já fui assaltada e espancada, tamanho é o meu pavor nessa situação.
Prefiro ir a pé para relaxar enquanto caminho e observo-me no percurso – músculos da face tensos e rígidos, sem se permitir ao menos um sorriso disfarçado, se encontro um conhecido – As pernas pesam, negando-se a ir em frente e chego a despender o dobro do tempo até o local, mesmo indo apressadamente.
O medo me persegue e ao abrir a porta e adentrar o Banco, meus olhos e toda a minha fisionomia demonstram esse medo. Chego a perceber que as pessoas ao me olharem mostram surpresa e algumas assimilam meu pavor ficando também assustadas.
Vou em busca da senha rezando por obter um número próximo e também para que o sistema não saia do ar até chegar minha vez. Como sempre, observo na ala em que estou, gente de toda a espécie, de idade avançada. Na minha faixa de idade posso perceber não mais de três pessoas. Inquieto-me porque visualizo aquele velhinho que habitualmente esquece a senha e depois da quinta tentativa entrega seu segredo ao caixa que, encabulado, prossegue no atendimento sob a reclamação dos demais. Vejo também a mesma senhora de lábios agressivamente pintados de vermelho que, na vez passada preencheu os trinta minutos de espera contando-me todas as cirurgias que já fez em minúcias e fujo dela, porque no seu único interesse de falar, nem percebeu o meu desagrado no assunto e por certo, se eu ficar perto, vai repetir a dose.
Um pouco mais na frente, uma mãe com olhar sofrido, tenta doutrinar a filha, deficiente mental, para que se acalme, enquanto um dos clientes que recebeu um forte chute da menina nas pernas, foi se queixar ao gerente.
Tudo é tumulto nesse pequeno espaço.
No físico e na minha mente.
As figuras enquanto aguardam a vez se atropelam e se cuidam entre si para não perderem o número no painel. Falam demais, para minha agonia.
Meus olhos percorrem tudo com desvairada atenção.
Para mim, a qualquer momento, um bando de assaltantes, com fuzis e pistolas em punho, vai manter todo mundo no chão, enquanto esvaziam os caixas.
Sempre é a mesma coisa. Tento me acalmar me convencendo de que tudo é fruto de minha imaginação e não percebo que chegou a minha vez, até um velhinho de rosto redondo e vermelho gritar: olha o 316, morreu ou está aí?


O domingo frustrante

Decidiu fugir aquele domingo.
Desde quinta-feira não pensava em outra coisa. Já tinha feito a mala e como o tempo prometia sol, não poderia esquecer os shorts brancos e as sandálias vermelhas. Levaria também a bolsa de palha, meio desconexa do traje, mas inseparável e necessária para abrigar todos os pertences de mão de que precisaria dispor.
Não queria contar ainda a ninguém sua decisão de fugir, afinal, seriam apenas dois dias fora e tudo parecia estar em ordem para a sua estratégia. Apenas sua amiga íntima que concordara em tomar conta do Príncipe, seu cachorrinho, sabia e ficara feliz por ela. Trabalhava tanto, coitada, e rara era a ocasião que sentia essa vontade de espairecer.
Sábado pela manhã ao acordar, percebeu seu cãozinho ainda prostrado na caminha azul acolchoada com edredons listrados de verde. Estranhou, porque ele sempre corria ao seu encontro, logo que ela saia do quarto. Chamou por ele e ele não se moveu. Assustada, chegou mais perto, chamou mais uma vez e nada.
Esqueceu o café, trocou de roupa, embrulhou o cãozinho na toalha limpa e partiu com ele para a garagem. Abriu a porta traseira do carro e acomodou-o ainda sem sentidos no banco de trás, tomando a direção da Veterinária próxima.
Apreensiva e nervosa, entregou o cão ao atendente, que a fez esperar uma eternidade pelo veredicto – infecção estomacal. Após três horas na sala de espera, ainda não sabia o que fazer, pois a amiga que havia se disposto a ficar com o Príncipe, por certo não o aceitaria doente.
O que fazer com as passagens compradas, como cancelar o hotel se dali não podia despregar os pés. Viu o sábado, quase todo indo embora. Sentiu um misto de amor e ódio pelo cãozinho que a tirava dos sonhos, naquele exato momento em que precisava tanto. Dirigiu aos Céus aquela série de blasfêmias próprias daqueles que se sentem ultrajados no seu mais ínfimo desejo. O que fazer era a questão e enquanto buscava mentalmente as soluções, chegou o atendente para dizer que em menos de meia hora o seu Príncipe já poderia retornar ao lar, são e salvo.
Agora agradeceu aos Céus e aguardou pacientemente, com a certeza de que enfim, tudo havia se resolvido. Afinal, se fosse rápida, seus planos ainda poderiam se concretizar. Pensou em notificar sua mãe e sua irmã em Friburgo, únicas pessoas a quem devia consideração na vida, do aeroporto mesmo.
Eis que surge o atendente com o cão nos braços que, ao vê-la, late sem parar, até que ela o acaricie, no que retribui com lambidas doces e espaçadas. No percurso para casa, Príncipe, olhando-a com insistência, pula para o banco da frente do carro, virando e revirando em meio a latidos baixos em forma de soluços, a fim de chamar sua atenção. Quase não consegue abrir a porta de casa com o risco de tropeçar no cãozinho que, esbaforido corre e pula em seu colo, obrigando-a a sentar-se, como a impedi-la de qualquer ato que não fosse, exclusivamente, cuidar dele.
De repente, num suspiro que trouxe do fundo da alma, ela compreendeu que naquele fim de semana, especialmente naquele fim de semana, não poderia deixá-lo à sorte ou em outra companhia que não fosse a dela. E, de pronto, decidiu que com ele permaneceria.
Ligou para a amiga falando de sua decisão e desobrigando-a do combinado e concluiu que lá se foi, mais um final de semana cuidadosamente programado, pelos ares.





A feira de domingo

Estou a pé, a caminho da casa de uma amiga. Não costumo vir por essas bandas e começo a ouvir, cada vez mais perto, um burburinho de vozes gritando ao mesmo tempo, coisas diversas – olha o tomate, vermelho como boca de moça bonita!
Senhorita, a maçã está quase de graça... Quanto mais me aproximo, vou identificando a feira livre. Sorrio mentalmente enquanto me dou ao luxo de seguir os outros visitantes. Já na entrada identifico as barracas milimetricamente enfileiradas, dando um visual especial com suas lonas multicoloridas. Todos ali, clamam à vida. Os que vendem, buscando recuperar com lucros, o dinheiro empregado na madrugada, na Central de Abastecimentos e os que compram, adquirir o produto realmente cuidado e selecionado, concorrentes que são, nas várias barracas que os exibem. Todos ali, parecem ter uma alegria evidente e natural quando anunciam seus produtos, angariando a simpatia e a fidelidade de seus clientes habituais. Percebo que as pessoas de um modo geral são moradoras do local e já tornaram-se quase amigas dos vendedores, tamanha a fluência do discurso entre eles.
Estrategicamente dispostas de forma a obterem altos índices de venda, as barracas se agrupam por tipo de produto, dando vez , logo na entrada às frutas e legumes. Em seguida as barracas de verduras,várias, até aquelas menos comuns, são organizadas nas bancadas de forma a atrair a atenção dos clientes e dão um ar forte de natureza, naquele local de tanto tumulto. Entre carrinhos pequenos de transporte, bolsas de lona grossa colorida, gritinhos de crianças, puxadas pela mão, por mães e babás, vou seguindo, observando tudo.
No meio da feira, dispõem-se as barracas de roupas leves e artesanatos, mais adiante, para fazer parar toda a gente, uma barraca, com bancos e mesinhas em toda a volta, vende pastéis e salgados, com caldo de cana. Penso em experimentar, mas confesso que os cuidados com a higiene não fortificam minha vontade. Vou seguindo e já lá no fundo da feira, duas barracas me chamam a atenção. A de aves é um carrinho com balcão, frigorífico e lona encima e a de peixes tem um enorme latão ao lado com água que serve para lavar os peixes escolhidos, antes do preparo de tirar a cabeça e cortar em postas. Confesso que o odor que vem dali não se coaduna com o início da feira, tão limpo e colorido. Retorno ao início com o intuito de seguir meu destino, quando estaco diante da barraca de abóboras. Estranho não tê-la notado quando por ali passei e percebo que a aglomeração que se forma na frente não deixa mesmo o cliente que nunca ali foi, sequer ter acesso a barraca.
São muitas e muitas abóboras gigantes, cuidadosamente arrumadas, dando um visual artístico a barraca.
Tomo conhecimento de que o vendedor está no local há décadas, seu produto é confiável e a própria arrumação clama aos que ali passam pela compra do produto. São abóboras de todos os tipos, dispostas algumas,ainda inteiras e quando abertas, exibindo a polpa absurdamente vermelha como a lona da barraca. Como anuncia o vendedor sem cessar, servem para doces, sopas ou ensopados, enquanto suas mãos ágeis e espertas manuseiam o facão afiado, descascando e cortando o produto escolhido. Paro e observo que pela aglomeração que ali se forma, não é necessário técnicas ou estudos para se fazer dinheiro. Como os demais, aguardo minha vez, escolho dois quilos de abóbora baiana de polpa úmida e tomo o meu caminho original, já tendo em mente o doce que vou preparar quando retornar à casa.