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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

O Encapotado - por Vera Celms

Céu de chumbo,
Um amanhecer com o peso do mundo...
Cena de terror bravio,
Uns poucos pássaros apressados entrecortavam o espaço,
Como que tomados de surpresa,
Antecipando o regresso...
As folhas das árvores precipitavam a tempestade,
E o céu rugia a fumaça de um dragão,
Quem andava pelas ruas sabia do que fugir,
Quem não tinha urgência optava por não sair,
Passos rápidos, medo, assombro,
O tempo foi avançando e a ventania aumentando,
Papéis saíam do chão como pipas no ar...
A poeira já formava uma máscara no ar,
E as pessoas protegiam os olhos e a boca daquela névoa...
Só que aquela situação estava durando demais...
Se alongava pelo tempo,
O relógio ia deixando o dia pra trás...
Meia hora, uma hora, hora e meia,
Meio dia... e a chuva que não caía...
O povo, já aflito,
Evitava as ruas,
Todos olhavam pela janela,
Aquela loucura da natureza,
Era como se a qualquer momento do céu abrissem as comportas,
E o tempo foi correndo... passando e passando,
E o vento incessante tudo desarrumava,
A natureza já descabelada,
Vazias e sujas as calçadas,
As ruas, as casas ameaçadas,
Todo mundo apavorado,
Menos o encapotado,
Que andava pela rua com cara de turista apaixonado,
Olhando o céu, o alto dos prédios admirado,
Como quem estivesse vendo um monumento,
Sem se preocupar com o vento,
Seu capote negro voava,
E o homem tranquilo caminhava,
Com as mãos nos bolsos, no próprio eixo girava,
Com um sorriso infantil, quase delirante,
Estranho esse ser andante...
De repente, um raio e um trovão...
E o homem que andava solto foi dragado por um tufão,
No instante seguinte, o sol abriu e o pesadelo passou,
De todos que assistiram àquilo, ninguém acreditou...
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