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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Χρόνος (Chronos) - por Leandro M. de Oliveira

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Em vezes é como se o tempo rastejasse mais lento, o ar é denso, quase viscoso. Em vezes essa sensação me acomete, como estar dopado numa camisa de força. Aparte isso, o mundo pulsa a virulência das horas irresgatáveis, por entre animais e homens, cospe a fúria do tempo a recolher seus tributos. Olho a medo as sacadas distantes, onde em tempos remotos havia castelãs virtuosas à minha espera. Constato. A vida corrompe até os mais distantes. Sensação; as mulheres são espectros, a virtude também, todas as coisas são invenções de um recém-chegado a tentar redefinir a dor que se sente na queda.

Tenho medo que meu corpo seja composto da argila dessa terra, que ele tenha se fundido ao chão enquanto os anos passavam sem alarde. A noite passa qual quimera, como passa o desfile de sombras, como passam e se aninham em mim tudo o que há de grave e profundo. Queria buscar na cidade um propósito novo, lá caminhando só encontrei postes e praças. Pelas ruas um silêncio inconsútil reina soberano, às vezes um cão cruza o caminho; silencioso.

O ar é de gelatina, definitivamente baço, mesmo ao sopé das luzes de sódio. Os sinos do campanário anunciam indiferentes, todos têm de prestar contas um dia. Antes, os que devem a si mesmos. Viver pra morrer, morrer pra viver. O pasmo de existir é oscilante em olhos e mãos, postura imobilizada. A única coisa digna de nota parece ser o dilema. Bem-aventurados os que não nasceram...
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