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Eróticos.)




quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Seu Santuário - por Vera Celms (Erótico)

Meu corpo,
Na sua proximidade,
É um santuário,
Que cultua o seu prazer,
Que nutre a sua lascívia,
Que lambe,
A sua libido inflamada,
A sua fantasia avolumada,
A sua imaginação indecente,
rasgada,
Nada, nesse culto é vulgar,
Ou prolixo,
Nada é acaso,
Nem sem querer,
Nada é embuste,
Tudo é milimetricamente sonhado,
Imaginado,
Incrementado,
Mas, acontece naturalmente,
Como a fé,
Como o desejo,
Como o arrepio na pele suada,
Como a promÍscua safadeza,
A que nos permitimos,
Só a nós, entre quatro paredes,
Vigiamos nós, o nosso isolamento,
Cuidamos nós, do nosso deleite,
Vivemos nós, o nosso delírio,
Na sua proximidade,
Meu corpo é um santuário,
Em que te permito qualquer culto,
Onde nada é demais,
Nem além,
Onde o aquém não existe,
Não há fronteiras,
Nem limites,
Sua fantasia é o meu prazer,
E a minha... o seu êxtase,
Deliramos em viagens transcendentais,
Que acabariam além da porta,
Não fosse a eternização da imagem,
A cada baixar de nossas pálpebras,
Em sonhos,
Em outras dimensões,
Onde levitamos de tesão,
Querendo mais,
Sonhando de novo,
Acordados,
Desejando mais um momento,
Um toque,
Um sensor que nunca fora desligado
Ou esquecido em stand by,
Na sua proximidade,
Meu corpo é um santuário,
Onde eu cultuo você...
.
.
.
Visitem Vera Celms
.

3 comentários:

Vera Celms disse...

O ENCAPOTADO

Céu de chumbo,
Um amanhecer com o peso do mundo...
Cena de terror bravio,
Uns poucos pássaros apressados entrecortavam o espaço,
Como que tomados de surpresa,
Antecipando o regresso...
As folhas das arvores precipitavam a tempestade,
E o céu rugia a fumaça de um dragão,
Quem andava pelas ruas sabia do que fugir,
Quem não tinha urgência optava por não sair,
Passos rápidos, medo, assombro,
O tempo foi avançando e a ventania aumentando,
Papeis saiam do chão como pipas no ar...
A poeira já formava uma mascara no ar,
E as pessoas protegiam os olhos e a boca daquela nevoa...
Só que aquela situação estava durando demais...
Se alongava pelo tempo,
O relógio ia deixando o dia pra trás...
Meia hora, uma hora, hora e meia,
Meio dia... e a chuva que não caia...
O povo já aflito,
Evitava as ruas,
Todos olhavam pela janela,
Aquela loucura da natureza,
Era como se a qualquer momento do céu abrissem as comportas,
E o tempo foi correndo... passando e passando,
E o vento incessante tudo desarrumava,
A natureza já descabelada,
Vazias e sujas as calçadas,
As ruas, as casas ameaçadas,
Todo mundo apavorado,
Menos o encapotado,
Que andava pela rua com cara de turista apaixonado,
Olhando o céu, o alto dos prédios admirado,
Como quem estivesse vendo um monumento,
Sem se preocupar com o vento,
Seu capote negro voava,
E o homem tranqüilo caminhava,
Com as mãos nos bolsos, no próprio eixo girava,
Com um sorriso infantil, quase delirante,
Estranho esse ser andante...
De repente, um raio e um trovão...
E o homem que andava solto foi dragado por um tufão,
No instante seguinte, o sol abriu e o pesadelo passou,
De todos que assistiram àquilo, ninguém acreditou...

Vera Celms
http://arrastandocorrentes.blogspot.com

Vera Celms disse...

CONVITE A SEDUÇÃO

Vamos sonhar?
Convite sutil, delicado, sugestivo,
Feche os olhos,
Deixe a mente solta,
Viaje comigo,
Ao mundo desconhecido,
Sonhos, desejo, prazer,
Mesa posta,
Sabores excêntricos,
Fogo na luz das velas,
Pétalas de rosas por todos os lados,
Incenso,
Vinho, gelo,
Vendo teus olhos,
Te faço provar,
Alternando com o gelo,
Minha língua nos seus lábios,
Súbito,
De todos os sabores,
De varias sensações pelo corpo,
O gelo lhe percorre o corpo,
Minha língua lhe percorre o corpo,
Detendo-se estrategicamente,
As pétalas lhe cobrem,
Contato suave, leve, perfumado,
Uvas, morangos, ameixas,
Queijos, ostras,
Chocolate, champanhe,
Minha mão percorrendo seu corpo,
Incessante,
Insistente,
Meu corpo a tocar seu corpo,
Suave e umidamente,
Minha boca na sua boca,
Desvendo seus olhos
Para que vejam os meus,
Te fitando sofregamente,
Pelo vão de suas pernas

Vera Celms

Vera Celms disse...

POR COMPAIXÃO AO RIO DE JANEIRO

A chuva castigava aquela terra.
Começara no meio da tarde,
E não parou mais,
Começo da madrugada,
Parte da população dormia,
Parte vigiava preocupada,
De tanto que a chuva castigava,
Lá pelas 3 da matina,
Não dormia João nem Cristina,
As janelas altas não deixavam impressão,
De repente um barulhão,
Vinha lá de fora com certeza,
Era som de coisa caindo,
Que não parava de cair,
E quando João abriu a porta,
Não havia mais nada lá fora,
Não havia jardim, não havia portão,
Não havia rua, nem pontilhão,
Não havia vizinho,
Nem comercio
Nem pra onde fugir,
Era só ruína que se avistava,
Tudo em torno submerso,
Carro, telhado, colchão,
Deu tempo de Cristina dar a mão a João,
E tentar, sob a chuva que não parava,
No meio da escuridão,
Seguir a trilha dos desesperados,
Os poucos que ali estavam
Eram todos fugitivos da desolação,
Da água que derrubava a encosta,
Em turbilhão,
Agora era um “Deus nos acuda”
Era um “salve-se quem e se puder”
Era um não ter mais nada,
Era um contínuo deixar pra traz,
Eram seres humanos, todos na mesma situação
E o País assistindo pela televisão,
Atordoado,
Com desejo profundo de ajudar,
De cada um tirar um de lá,
De oferecer distância segura,
Afinal, todos os assistentes
E os sobreviventes,
Todos em pura comoção,
Com um sentimento único, comum,
A fé...
Deus, por todo esse povo,
pedimos compaixão...

Vera Celms
(chuvas de JANEIRO 2011)