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quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Minha Querida: - por Aaron Caronte Badiz

Vivemos juntos há anos. Já fomos mais que irmãos, já fomos amantes, já fomos muito amigos, já fomos confidentes. Houve um tempo em que nós éramos um: a mesma forma de pensar; todos os medos expostos, você sempre buscando meu colo, se aconchegando no meu ombro para contar suas desventuras e seus dias; as noites em claro entre sorrisos e lembranças; as refeições temperadas a reflexões, divagações e análises existenciais.
Hoje continuamos aqui, juntos, mas somos dois. Eu sempre no escritório, você na cozinha. Ouvimos músicas diferentes; não assistimos aos mesmos programas; os relatos de seus dias são curtos; meu colo não te abriga mais; seus medos (se é que os tem), você os enfrenta sozinha; meu ombro está esquecido, apenas se curvando cada vez mais facilmente ao peso dos dias; as noites são de sono escuro e silencioso; as refeições são acompanhadas pelas notícias dos telejornais, que nem comentamos, pois refletem, monocordicamente, este mundo errado em que vivemos.
Então eu me pergunto e te pergunto: será que já nos conhecemos tanto e equilibramos tão bem dentro deste estado humano, que as palavras não são mais necessárias; ou será que, em algum momento de nossa jornada, sem sentir, nós nos abandonamos?
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Um comentário:

uai, mundo? disse...

Eu também me pergunto: será que o amor se transforma em um costume? Será que o abandono voluntário é amor estacionado à espera de novidade? Belíssima a sua crônica, Aaron! Paz e bem.