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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Haikai - por Kbçapoeta

Mefistófeles
enganar o anjo-luz
com prazer o fiz

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Loucuras em Gaza - por Alba Vieira

Caminha entre os destroços
Com expressão de terror
Um clarão, estrondo forte
Paredes que foram ao chão
Perto dele a família morta
Foge da insanidade que se diz libertadora

Queria poder tirá-lo de lá para sempre
Mas quem, um dia, poderá
Arrancar-lhe da mente
As lembranças deste dia?

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A Revolta - por Raquel Aiuendi

A REDENÇÃO SÓ É CONSEGUIDA COM A VERDADE, ninguém se redime de erros, ‘pecados’, omissões, sem encarar de frente suas atitudes e muito menos fingindo, categoricamente, que nada houve ou fez.

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Engarrafamento de Carros no Meu Lençol Limpinho - por Bruno D’Almeida

Hoje recebi uma lição de vida de um cotoquinho de gente de quatro anos! E eu não senti vergonha, como quem fica desconcertado com as frases certeiras de uma criança. As crianças somos nós em um passado muito distante, que aprendíamos tão fácil que a expressão eu te amo vale muito e que podíamos arrotar e peidar na frente de todo mundo com toda naturalidade, com risos de orgulho até.
Cheguei do trabalho no automático, tão autômato celular que falei com ele com um beijo na testa, porque sabemos falar com gestos. Tomei banho, comi, escovei os dentes, não necessariamente nesta ordem e deitei na cama (esta sim, por último mesmo). Deitado, sorumbático, com o travesseiro arremessado no rosto, ouvi meu cotoquinho falar vou ficar aqui com você, papai.
Como um raio, lembrei-me daquele pestinha pulando na minha cama de molas, gritando mais alto do que qualquer silêncio de nervosismo pode fazer, correndo pelo quarto, brincando de astronauta, fazendo engarrafamento de carros no meu lençol limpinho, perguntando por que a cortina era verde, por que seu amigo Vasconcelos falava palavrão na escolinha, por que ele não podia comer duas balas depois do almoço, por que eu não levava ele pra comer uma pizza, por que a bunda dele tinha um carocinho, e tantos porquês inumeráveis com sinal de infinito. Mas João Fernando não disse nada disso. Ele ficou amuado, no cantinho da parede, agachadinho, mais lindo que uma conchinha do mar, e disse apenas eu fico aqui no cantinho calado vendo você dormir.
Eu deitado na cama olhando aquela criança me dizendo, da maneira mais tênue do mundo, que apesar do cansaço, da fadiga, da rotina, do exaurido, do torpor de um dia cheio de trabalho, ele me queria mesmo assim, no bagaço, somente para contemplação. Um pai que esqueceu, naquele dia, que ficar com aquela gotinha de luz recarregava qualquer bateria. Eu queria apenas um momento de sono. Ele queria fazer do meu silêncio uma companhia de contemplação que só ele, mais ninguém, teria o prazer de fazer. Sublime contemplação.
Nem precisei terminar de dizer venha cá, deite aqui comigo, para ele estar abraçadinho comigo. Meu pai, sabia que minha lapiseira é o planeta dos continentes? Eu balançava o rosto e sorria. Meu pai, sabia que hoje eu comi tudinho, e nem chutei minha vó quando ela me deu banho? Sabia que eu se comportei direitinho e nem mordi o braço de Bia na escolinha? Sabia que meu cocô saiu laranja? Sabia que laranja é minha cor preferida? E de tanto me falar coisas tão deliciosamente divertidas e sérias, ele foi dormindo, como se estivesse ninando os próprios pensamentos de debutante de aprendiz. Era eu quem aprendia com ele.
João dormiu e eu é que fiquei contemplando aquela criatura dormindo, com minhas feições, meu jeito de dormir e o jeito da mãe ao mesmo tempo. Ele me ensina o que eu já fui e é a prova do eu nunca devo deixar de ser. Quando dei por mim, estava deitado na mesma posição, só que de lado, tal que ele estava na parede do quarto. E eu torcia pra ele acordar e perguntar o que eu estava vendo. E eu louco de vontade de dizer que só queria vê-lo dormir. E era isso que ele fazia. Dormia.


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Te Gosto... - por Manhosa

Estou sentindo uma saudade tão grande de ti…
Passei o dia pensando como podia expressar isso.
Por isso resolvi te mandar este abraço…

Cuidado…
É um abraço forte… muito especial…
muito apertado…

É para sentires todo o carinho que tenho por ti…
Transmitir meu desejo de te ver sempre feliz… sorrindo…
Suplantando quaisquer dificuldades que possam aparecer…

Quero que em tua vida tenhas sempre muita paz e harmonia…
Que o teu dia tenha sempre a energia do Sol…
Que teu sono seja calmo e protegido pela Luz Divina…
Meu abraço quer dizer também “OBRIGADO”…

Obrigado por ter me aceito sem me questionar…
e por seres este Amigo tão Especial…

Te Gosto

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Apenas Ser - por Raquel Aiuendi

Escrever à posteridade
É escrever ao depois
Que ainda não chegou
(dããã)
Escrever à ancestralidade
É querer estatizar
O que já se reciclou
Sou contemporânea
Não imediatisticamente
Contemporânea
Sou, deixei de ser,
Como saber
O que serei?
Quero apenas: viver.

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Tesouro da Infância - por Ana

Meu coração está órfão. De amor compartilhado.
Uma menininha tranqüila, cabelos compridos, bem penteados, saia pregueada impecável, blusa perfeitamente costurada para ela, sapatos limpos que cobrem meias três quartos muito alvas, senta-se de pernas cruzadas, cotovelos sobre os joelhos, mãos entrelaçadas que apóiam o queixo, cabeça baixa olhando o chão, acompanhando a sombra que se move diante e após si, ponteiro exato dos dias que se escoam, aguardando, neste lugar isolado, seguro, agora na penumbra, o retorno que virá em breve.
Então, enquanto se levanta para receber sua companhia, que inunda de claridade tudo à volta ao abrir a porta, modifica-se lentamente e, já de pé, é uma mulher que abraça e recebe de volta, feliz.


Inspirado na pintura Tesouro da Infância, de Alba Vieira.
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Tesouro da Infância - por Alba Vieira

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A intenção de postar imagens neste blog
é propiciar inspiração para textos referentes a elas.
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Voltas ou Não Voltas - por Raquel Aiuendi

Talvez o mundo
não dê tantas voltas, não
Talvez sejamos nós
que circundemos em torno
de um mesmo núcleo
por ignorânciade outros universos.

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Duas Gordas na Cabine - por Adir Vieira

Era uma loja também de roupas íntimas.
Ela e a prima precisavam renovar o guarda-roupa nessa área. As calcinhas naquele verão estavam maiores e as tangas na gaveta pediam substituição, além do fato de que não cabiam mais. Os soutiens de tecidos coloridos davam lugar àqueles de cor única de tecido elástico, dos quais tinham mais de dez cada uma.
Os cartazes, aqui e ali na loja, indicavam que aquele tipo de peça não podia ser experimentado. Após a escolha, o jeito era identificar o tamanho e mandar embalar.
Mas... como ela e a prima, depois de um período de férias em extravagância alimentar, podiam acertar seus números, sem provar suas escolhas? Todos os modelos pareciam estar de acordo, mas não restava outra saída a não ser conversar com a vendedora e obter sua permissão.
Espera aqui, vai ali e, por fim, com o consentimento do gerente, foram-lhes mostrada as cabines que deveriam usar. Decidiram-se por uma única cabine. Afinal, uma queria a opinião da outra e vice-versa. A cabine era estreita, sem ventilação e sem cabides e a cada movimento a cortina vedatória abria-se sem anunciar. Tinham estimado erradamente o seu tamanho. Já nessa altura, as duas gordas, como que cimentadas naquele metro quadrado, não podiam sequer tirar as peças com que estavam vestidas, sem esbarrarem-se e taparem completamente o espelho, única coisa grande no local.
Ensaiaram fazê-lo cada uma por vez e num esforço atroz tiravam calça, blusa, calcinha, soutien até que nuas tentavam, num malabarismo, colocar as novas. Nesse vai-e-vem, as bundas, os braços e as coxas das duas se encaixavam prometendo nunca mais se separarem. Por fim, escolheram duas peças cada uma. Já fora da cabine enfrentaram os olhos da vendedora que, disfarçando a voz, perguntou, como de costume:
- Alguma peça serviu?

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segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Aparências - por Raquel Aiuendi

Quem beija o sapo
sabe lá se terá um príncipe;
quem ama a fera
a transforma em amor?
Quem corre atrás de sereia
se afoga
e amanhece na areia.
Poupe-se de dores
saiba que dentro da gente
é que se encontram valores
dos mais permanentes
por isso quem ama o feio
bonito lhe parece.

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Desagravo a Inês de Castro - por Ana

Se eu sou Inês…
te castro, desgraçado!
Eu amo Pedro
e é dele o meu quarto!

Não me importam teu nome,
Afonso, e teu título de rei,
amo teu filho
e com ele me casei.

Se não de fato,
em alma certamente;
veja meus filhos:
são dele a semente.

Se eu sou Inês…
nunca é tarde, não estou morta,
nenhuma espada me fere
nenhum punhal me degola.
Beijarias minha mão ainda viva,
tu e os outros tantos reis,
diante de mim ninguém seria casto,
Se eu fosse Inês…


Inspirado em “Para Alceu”, de Raquel Aiuendi.
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Bacurau - por Raquel Aiuendi

Amanhã Eu Vou
Se hoje Bem-Te-Vi
Si Dó é ter pena
Sem Tempo Quente
Sou seu cobertor
O Dia Nasceu
O Dia Nasceu
eu Quero Quero
te ver
mas Tô Fraco Tô Fraco
Amanhã Eu vou
Doce-Doce
Pra você.

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Lucidez - por Alba Vieira

Ah, seu moço! Quer saber? Eu tenho vivido de lendas… Porque isso é bom, aquilo é ruim; pode isso, não pode aquilo; tenho que isto, tenho que aquilo outro. Tudo já pronto, sem possibilidades. Agora chega! Vou sair desta camisa de impedimentos e regras pra me encontrar: pela experiência.
Sei lá como eu sou! E posso saber, com tantas coisas que foram coladas em mim sem me perguntarem antes se tinham algo a ver comigo? Pois é: quem não se toca um dia para esta armadilha permanece amarrado, a existência inteira de pernas pro ar, balançando pra lá e pra cá ao sabor dos movimentos da Vida. Seria bom aproveitar: que de cabeça pra baixo o sangue circula melhor e pode iluminar a mente para a descoberta fatal: eu sou único, sem igual.
É, moço, cansei de balançar. Quero ser firme, ter direção certa: a dos meus próprios passos. E isto só posso saber andando. E, de preferência, sem outra companhia que não eu mesmo. Para poder me concentrar e perceber cada pedacinho do caminho: olhando as maravilhas, atento aos acidentes do terreno, aproveitando e seguindo os atalhos, apanhando chuva, me deixando levar pelos ventos, iluminado pela claridade do sol forte, andando a esmo nos momentos de neblina cerrada norteado apenas pela intuição, molhando meus pés descalços nas águas frias ou quentes, curando as feridas destes mesmos pés depois de finalmente fazer as escolhas certas, pegando a estrada que me levará para onde meu coração apontar.
Vou me descobrir. Ou, quem sabe, me construir outra vez, depois de me pôr abaixo diante do meu primeiro olhar lúcido desta encarnação.

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Nosso Aniversário - por Adir Vieira

Estava prestes a completar mais um ano com ele em minha vida. Era mais um aniversário dessa união feliz.
Sabia que, como nos outros anos, ele não iria lembrar da data.
Atribuía sempre ao seu esquecimento o fato de que outras eram as datas marcantes – a que me conheceu, a do nosso reencontro… – mas nunca a do nosso primeiro dia na mesma casa, como marido e mulher.
Houve tempos em que muito me decepcionou e não tendo papas na língua, cuspia minha insatisfação em reclamações, quase obrigando-o a pedidos de desculpas e pagamentos de prendas para que eu voltasse ao normal.
Houve tempos em que abominei minha família, alguns amigos, por nesse dia não me parabenizar.
Houve outros tempos em que pensei em formalizar nossa união só para, como todo o mundo, dar o que a sociedade exigente pedia.
Hoje, já decorridos tantos anos, vejo que se essa formalização não se dá nos corações, não adiantarão datas, locais, fotos, pois tudo morrerá ao longo do tempo.
Tempos como o de hoje em que, segura e fortalecida, percebo que passou o dia e eu também esqueci.

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Abundância - por Ana Maria Guimarães Ferreira

Me senti feliz por ser um pouco abundante. Abundante na ternura, na amizade, na lealdade e, porque não confessar, na carne que enche a panela da minha alma.


Resposta à "Abundância" de Adir Vieira.
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Riqueza - por Adir Vieira

Pensam que eu sou rica,
Cheguei a essa conclusão.
Por que será?
Será pelos meus olhos firmes em qualquer direção?
Será pela minha voz segura em profusão?
Ou será pelo andar calmo e coerente?
Será por esbanjar tempero no alimento?
Acho que é por nada negar ao elemento.

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Descompasso - por Alba Vieira

Morro um pouco a cada dia,
Não abro mais a porta,
Não recebo ninguém, ninguém me recebe,
Não brigo mais, não participo,
Não caminho,
Apenas permaneço triste, desenergizado,
Em total estagnação.
Quero ajuda? De quem?
Não vislumbro o futuro…
Não quero mais lutar, nem esperar…
Há uma névoa que encobre meus olhos,
Sou quase um morto.

Não enxergo o quanto me engano,
Se tento ensaiar passos tímidos
Para onde não desejo de fato ir.
E nada acontece…
Não consigo. Tento?
Sou um perdedor.
Todos já sabem. Menos eu.
Não vou conseguir mesmo o que afirmo querer. Mentira.
Quero ou querem para minha vida?
Perdi para mim mesmo.
Sigo as escolhas que outros fizeram por mim e para mim.
Deixei de ser eu. Apenas hoje arco com a responsabilidade.
Nem sei agora quem sou.

Tenho lapsos, vivo o descompasso…

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O Ataque - por Ana Maria Guimarães Ferreira

O calor estava insuportável naquele dia de outubro.
Da minha sala, sem janelas e sem ventilação, eu via as gotas de suor caírem pelas minhas costas e molharem minha blusa.
O sono queria, a todo custo, tomar minhas pálpebras e eu lutava bravamente para manter os olhos abertos, sem conseguir, e foi assim, no meio de um olhar sonolento, que eu o vi e me assustei, pois não esperava ninguém ali àquela hora e muito menos mudo, me olhando assim furtivamente e ao mesmo tempo insistentemente.
Observei de relance seus bigodes que apesar de não correr vento por ali, pareciam se mexer.
Mas ele permanecia assim, imóvel, estático a me olhar como um busto de bronze que você conhece, mas que a simples aparição no meio do nada te leva a mil conjecturas.
Assustei-me ao olhar de novo para ele, constatar que ele estava realmente ali e que me olhava com bastante interesse.
Na verdade, quando nossos olhares se cruzaram, nós dois nos assustamos.
Dei um grito misto de medo e de pavor. Aquele grito agudo, mas que sai da garganta com dificuldade, quando olhei de novo ele havia sumido do meu ângulo de visão.
Mas eu sabia que ele estava ali me espreitando, sentia no ar e quase que inconscientemente, numa tentativa de sobrevivência, quando vi estava em cima da cadeira com um monte de processos na mão.
Eu subi no primeiro lugar que encontrei e que achei que poderia me servir para ver tudo, para ter uma visão de todos os cantos onde ele poderia ter se escondido.
Minha respiração ofegante, o suor aumentando e eu rezando para alguém aparecer e me salvar…
Mas nada... parecia que todos tinham se evaporado.
E eu me vi assim, em cima da cadeira, tremendo de medo que ele pudesse me atacar, mas não criava coragem de largar tudo e fugir.
Por isso dizem que o medo paralisa. É verdade.
Ali estava eu paralisada com toda aquela papelada nas mãos sem conseguir assim me segurar em algum lugar e descer.
Olhei de novo e não mais o vi, o que aumentou meu medo. Imaginei que ele poderia estar escondido em algum canto sem muita luz, à espreita e quando eu descesse, ele me atacasse.
Queria gritar por socorro, mas as palavras não saiam de minha boca seca. Eu estava muda!
O tempo parecia não correr, como eu, estava parado.
Ninguém chegava…
Ninguém aparecia para me salvar.
Os minutos pareciam horas e eu ali sentindo o corpo todo tremer e suando como uma bica.
As pernas doíam de estarem na mesma posição.
Os olhos vasculhando tudo e não vendo nada!
O que ele faria? Onde eu estava que eu não conseguia vê-lo, mas eu sabia, tinha a certeza que ele ainda estava ali, à espreita, pronto para dar o bote.
Cinco minutos se passaram, mas parecia que toda a eternidade estava passando por mim.
Ninguém.
Apenas o silêncio incrível.
Até que finalmente apareceu meu herói.
Não veio montado no cavalo branco, mas com certeza vinha para me salvar.
A sensação de alívio me trouxe de volta à realidade.
- Ana, o que você esta fazendo aí parada em cima dessa cadeira cheia de processos na mão? Você pode cair daí. Venha, desça.
Segurei naquelas mãos salvadoras, me joguei nos braços do meu herói e aí vi o marginalzinho…
Parece que viu que eu não estava mais só e passou correndo por nós.
O rato correu e foi se esconder num buraco que eu imagino devia ser a sua casa.

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Mapa Mundi - por Ana Maria Guimarães Ferreira

Tuas mãos de menino
Percorreram meu corpo
Pelo prazer de brincar…
Tuas mãos de homem
Percorreram meu corpo
Pelo prazer de amar…

E tuas mãos andantes,
Percorreram vales e montanhas
Curvas e abismos
Parando no lago dos meus olhos
Para descansar

Escalaram a montanha dos meus seios
E atingiram o cume
E eu
Mapa mundi entre tuas mãos
Aprendi a ter ciúmes
Do que tocavas
Aprendi a conhecer-me
E terra por terra,
Monte por monte,
Aprenderam a obedecer-te
A adorar-te

Depois
Tuas mãos menino
De tanto brincar cansaram
E abandonaram meu corpo
À mercê das marés
Que pensastes que viriam
Depois que te fosses…
Ilusão!
Meu corpo menino
Tal como a praia deserta
E a terra desconhecida,
Só teve um descobridor…
Você!

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