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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Hermógenes e o Homem no Lixo - Citado por Alba Vieira

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Uma vez vi um homem no lixo.
Que vergonha danada senti de ser homem.
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Augusto dos Anjos e “A Morte de Vênus” - Citado por Penélope Charmosa

Velhos berilos, pálidas cortinas,
Morno frouxel de nardos recendendo
Velam-lhe o sono... e Vênus vai morrendo
No berço azul das névoas matutinas!

Halos de luz de brancas musselinas
Vão-lhe do corpo virginal descendo
- Abelha irial que foi adormecendo
Sobre um coxim de pérolas divinas.

E quando o Sol lhe beija a espádua nua,
Cai-lhe da carne o resplendor da Lua
No reverbero dos deslumbramentos...

Enquanto no ar há sândalos, há flores
E haustos de morte - os últimos clangores
Da música chorosa dos mementos!
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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Alguém - por Kbçapoeta

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Segui pelo breu, ciladas de minha sina.
Escapa-me a realidade, aonde sua mão me conduz?
Deveras crer que o fio de Ariadne estava enleado,
O Teseu que reside em mim ficou perdido
Sou a pena displicentemente
Ao escapar da morte por um fio.
Murmuro em pensamento,
Verdades e defeitos
Que não posso falar.
Ousara ter pena dos desvalidos,
Homens condenado
A tudo que não podemos,
Alma umbralina inerte no mar espiritual,
Firme e forte sem saber como.
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......................Visitem Kbçapoeta
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Hermógenes e o Pecado - Citado por Alba Vieira

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Pecador é tão-somente um ser infelicitado pela ignorância e pela doença.
O antídoto do pecado portanto não é virtude, mas saúde e sabedoria.
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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Vertigem - por Gio

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Gi, fica com as coisas na mão, que a mãe nem vai parar o carro aqui na frente. Eram 19:15, e eu tinha show às 20h. De case e mochila de pedais em punho, esperei a carona passar voando, dando sorte de a minha mãe estar trabalhando no mesmo evento onde eu iria tocar. O carro chega, e lá embarcamos nós três – eu, meu irmão e minha cunhada – rumo à FEARG.

A feira estava lotada, como de costume, ainda mais no fim de semana. E o alienígena aqui com uma guitarra em uma mão, e uma mochilinha ridícula na outra. Voando, meu irmão me mostrou onde era o palco onde eu iria tocar, e aterrissando lá eu vi que fui o último da banda a chegar. Sem problemas, ainda tinha meia hora antes de subir no palco. Eu disse sem problemas? A meia hora, que serviria para escutar as músicas próprias da banda, só serviu para aumentar o nervosismo: não conseguiram trazer as músicas, e eu ia ter que, parafraseando um amigo meu, “ir no sentimento”.

E assim eu fui: primeira vez na FEARG, primeiro show com banda na vida, e ainda por cima num domingo, em um dia de bandas conhecidas, e com um único ensaio feito. Pouco ensaio por pouco ensaio, já me apresentei no auditório da escola de Belas Artes sem ensaio nenhum. Mas aquilo não parecia nem um pouco com o auditório da Escola de Belas Artes. O povo vendo o show antes do nosso era grande – se eles seguissem, ia ser a maior plateia para qual eu iria ter tocado. O show termina, a banda desce – já cercada por tietes –, e a gente sobe no palco. E o povo desaparece.

Não sabia se ficava feliz, aliviado, ou intrigado. Escolhi a indiferença, e comecei a arrumar a aparelhagem. Desenrola fio, conecta cabo, afina guitarra... Giovanni gostosão! Parece que alguma amiga minha chegou pra me sacanear – deve ser a Alexandra. De repente, o povo que havia sumido reaparece: eles só foram “tietar” a banda que saiu. O Andrade tá te esperando, hein? É, definitivamente é a Alexandra tirando com a minha cara. Vejo que tem um half-pipe na frente do palco, e essa falsa sensação de segundo plano quase me ajudou a me acalmar.

O show começa e as pessoas vão chegando. Quanto mais gente chega, menos eu olho pra frente. Olho pra cima, olho pra baixo, olho fechado, repete. E assim eu fui, até que... eu erro em uma música própria. Tirando um ex-integrante (meu amigo, por sinal), ninguém parece ter notado: acharam que a banda estava delirando em um jam no meio da música. Mas eu notei, e isso pra mim foi o suficiente para quase petrificar. Quase nem me movi mais no palco depois daquilo. Quem chegou na segunda metade do show deveria pensar que eu era músico de apoio contratado.

De resto, o show correu bem. O coral que cantou as 3 últimas músicas com a gente se saiu melhor na apresentação do que no ensaio; a única pessoa que não ouviu a minha guitarra direito fui eu mesmo; e aparentemente quaisquer possíveis erros meus passaram desapercebidos pelo pessoal. E... Como apareceu gente conhecida pra falar comigo depois do show! Eu não sabia onde me esconder: parece que até eu ganhei meu dia de fama...

No outro dia, falo pro vocalista que fiquei nervoso por ser minha primeira apresentação, e ele ri da minha cara, pois não tinha notado. Já tem convite novo pra tocar essa semana. E eu? Vou dar a cara a bater de novo!
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Visitem Gio
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Ecologia - por Alba Vieira

Mostre que você tem cabeça
E se permita refletir só a alegria.
Vivencie dividir realmente o planeta.
Isso é entender de ecologia.

Estamos todos integrados.
Não há quem seja melhor.
Dependemos sempre do outro.
Fique atento se quiser evitar o pior.

É preciso conter o desperdício
De tudo aquilo que não seja perene.
Recursos eternos, isso é algo fictício.
Ensine às crianças de forma solene.

Proteger a natureza em sua plenitude:
Considerar as plantas e os animais,
Sem esquecer dos minerais que, amiúde,
Constituem riqueza e memória colossais.

Tudo que existe é sagrado!
Incluindo os homens, tudo é vivo e fundamental,
Mas parece que o planeta foi abandonado
Nessa corrida desenfreada pelo bem material.

Equilíbrio é respeitar o semelhante e o desigual.
É na diferença que se busca a complementariedade.
Ser responsável é responder de forma magistral.
O planeta está gritando! Salvá-lo só depende da nossa vontade.
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.Visitem Alba Vieira.........................
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Relógio - por Leila Dohoczki

São três
Um passa por dois
Que marcam seis
Ou cinco para uma.
Vai marcando ponto a ponto
De ponta a ponta
O traço que marca redondo.

Uma e meia
Um dia inteiro
Todos os dias
A vida inteira.
Em silêncio.

E nós?
Meio moribundos...

Vão os três!
Em segundos
Em horas,
Em minutos
O tempo mudo,
Ninguém o ouve chegar.

E quando se vê
Foi-se o tempo
Foram-se as horas
Foram-se os risos
Foi-se solidão...

Já não há mais tempo
Para perdões, nem lágrimas,
Não há mais farsas, nem mais ilusão.

E os três, no relógio de parede
Olham com certa satisfação,
Eles seguem marcando,
Mas já não tiquetaqueia o coração.
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..............Visitem Leila Dohoczki
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Uma Viagem Fantástica - por vestivermelho

Aproveitei os feriados e fui para uma cidadezinha não muito longe. Em duas horas já estava hospedada em uma pousada simples e limpíssima.
Logo que cheguei li que iria ter baile de carnaval. Pensei... fico por aqui, se for ruim vou dormir.
Coloquei meu vestido vermelho, tinha um lado sem alça... em um vermelho que me deixava, se não lindíssima (aiaiai), muito bonita... pelo menos pensava que sim, somente pra me animar.
Desci, meu quarto era no segundo andar. As escadas nem eram tantas...
Estava já animado o baile, músicas novas, pessoas jovens e as mais velhas sentadas nas cadeiras...
Bem, em lugar de interior ainda se tem esse costumes... rs
No bar pedi uma cerveja. Estava um calor... Como não tenho o costume de cerveja fiquei logo alegre...
Um rapaz, com uma camisa toda aberta, achei estranho...
- Boa noite, morena.
- Boa noite.
- Quer ir no cordão?
- Cordão?
- Sim, na pracinha tem um cordão carnavalesco.
- É longe?
- Dá para ir andando...
- Vamos só nós dois?
- Tem um pessoal que vai também.
- Vou sim, vou somente pegar um documento.
- Documento nem precisa... é perto, e você estará comigo.
Pedi mais uma cerveja, estava com sede.

Ele se afastou um pouco para falar com um pessoal. Logo estavam reunidos na porta.
As pessoas sentadas permaneceram sentadas, o salão ficou sem som. Sem barulho é agradável para quem gosta de somente conversar.
Fui seguindo a turma. Ele chegou e me perguntou:
- Seu nome e com H?
- Sim. Como sabe?
- Uma cigana me disse: vai encontrar seu grande amor e logo. Isso foi ontem. Rs
- Faço votos que a cigana acerte.
- Ela acertou. Me disse: seu amor terá H no começo do nome.

Gelei... com aquele calor... pensei vou perder o sentido...
Chegamos na pracinha.
Toda animada e enfeitada com temas do carnaval.
Ele me segurou:
- Não saia de perto de mim.
Entramos no cordão... pulei, cantei, sorri e chorei de alegria... estava cansada.
- Vou embora. Sei o caminho, tem tanta gente na rua, não vou me perder.
- Vou te acompanhar.
Saímos caminhando...
A lua estava clara, enorme, dando um clima mágico.
- Seu nome começa com H... e como termina?
- Helena. E o seu, como começa?
- P
- Pedro?
- Paulo.
- Prazer, Paulo.
- Prazer é todo meu, Helena.
Chegamos, e como estava com sede , pedi outra cerveja.
- Vou te acompanhar, apesar de que não bebo... passo mal.
- Também não me sinto muito bem... mas está um calor!
Não sei quantas tomamos...
Acordei com uma dor de cabeça, senti algo ruim, não sabia o que era pior.
Levantei e fui ao banheiro, tomei um banho.
Desci, vi que não era bem o lugar que pensei...
Estava tudo calmo. O café da manhã estava sendo servido em uma sala pequena.
Tomei o café e fui até a recepção.

- Bom dia.
- Bom dia. Dormiu bem?
- Dormi. Acordei com uma dor de cabeça, mas já passou.
- Pensei em te acordar ontem. O pessoal foi na praça.
- Na praça?
Na praça aqui perto tem um pessoal alegre, canta e dança...

Fiquei pensando...

Não foi essa moça que me mostrou o quarto ontem. Foi uma senhora que me serviu uma xícara de chá.

Logo deitei e dormi...

Será que foi um sonho, pesadelo ou conheci mesmo o Paulo?...

Resolvi ir embora.

- Fecha minha conta, lembrei que tenho compromissos em outra cidade.

Saí rapidinho.
Andei uma hora na estrada sempre em frente, sem curvas nem desvios.
Chequei em uma cidadezinha e vi uma pousada.
Entrei.
Na recepção
Um rapaz com a camisa aberta.

- Bem-vinda, Helena. Estava te esperando.
- Obrigada, Paulo.

Estava com meu lindo vestido vermelho.

Mistério!!!
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.Visitem vestivermelho
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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Boia-louca - por Leo Santos

Vi o amor em dois poemas
Em outros mil, ele oculto;
Ora uma criança apenas,
outra sóbrio e grave adulto.

Vãs as tentativas de sistematizá-lo,
ordenando o conteúdo e a forma;
Um milhão de alfabetos não bastaria,
idiossincrasia é a norma.

Cada palato prova o sabor,
a despeito da versão alheia;
Enquadra e fotografa o amor,
Com o filme que pulsa nas veias.

Risca na pauta nota e pausa,
De uma canção triste, intermitente;
Sintomas que apontam a causa,
cuja dor, só conhece o paciente.

No estranho domínio do dominado,
o carcereiro preso ao labor;
Boia-louca mercê do peixe,
peixe fisgado, mercê do pescador.
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Visitem Leo Santos
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Ouvi de um Esquizofrênico - por Alba Vieira

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“Quanto a mim? Sei lá...
No meu íntimo: graças a Deus!”
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Visitem Alba Vieira.............
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Festa na Floresta - por Leila Dohoczki

Vamos fazer uma festa?
Falou a zebra empolgada
Em seu pijama listrado
Chamando a atenção da bicharada.

Foi aquele alvoroço.
A hiena ria sem parar
Um falando com o outro,
Todos juntos a tagarelar

Silêncio! Gritou a aliá.
Eu também quero falar...
Na festa tem que ter muita comida
Dançar gasta bastante energia
Quero o meu corpinho conservar.

O hipopótamo, também grandinho, fez questão de concordar
Diz que se todos colaborarem um pouquinho,
comida não vai faltar.

O macaco que não tem parada
Sugere que seja sábado, à noitinha
Na cachoeira de prata,
Diz, coçando a barriguinha.
E quem concorda comigo,
Bate aqui e dá uma rodadinha.

Viva!
Que emoção!
Bateram todos em sua mão.

O bicho preguiça
lento como ele só
sorriu bem sonolento
- Vou de carona com o hipopó...
Caiu no sono de novo
Nem terminar o que dizia deu tempo,
Ai que dó.

Assim, cada um com seu talento
Todos faziam o que sabiam
Fizeram tudo a contento.

Ter uma festa bem linda
É o que eles mais queriam.

E no dia da festa então
Vaga-lumes na iluminação
Cigarras e grilos no Rap
pra garantir a animação.

O macaco dançarino
com seus passos de dança engraçados
Fez sorrir o leão
que estava ali, meio parado.

Até os peixes do lago
Que desciam cachoeira abaixo
Iam logo à margem, pensando:
Que festão animado!

E pularam e cantaram
Por toda a madrugada.

A festa foi até o galo cantar
Depois foram pra casa
Era hora de descansar.

É assim lá na floresta.
Tudo e todos vivem em paz
Existe nesse mundo
Razão melhor pra comemorar?

É por isso que a noite na floresta
Tem tantos barulhos misturados.
De dia os bichos, estão todos cansados
Ou estão preparando uma outra festa.
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terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Como Assim? - por Fatinha

Querido Brógui:

Marque com um X a afirmativa correta.
Pergunta: “Como assim?”
Olhar incrédulo, suspiro, sorriso forçado.

Você vai ler as duas frases, a que estiver certa, você marca.
Pergunta: “Como assim?”
Olho esbugalhado, taquicardia, sorriso forçado.

Não tem duas frases? Então, uma delas está certa. Você pega o lápis e marca um X nela.
Pergunta: “E a que estiver errada?”

A que estiver errada, você deixa lá, não faz nada com ela.
Pergunta: “Como assim?”
Falta de ar.

Não está errada? Então não precisa fazer nada. Não marca nada. Não faz X. Deixa ela quietinha.
Pergunta: “É pra marcar um X na certa?”
Fogos de artifício.

É.
Pergunta: “Em cima da frase ou do lado?”
Enfarto quase que fulminante.

Cai o pano.
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.Postado, originalmente, em 26/09/2008.
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. Visitem Fatinha
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Irmãos - por Alba Vieira

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Imundície indiferença infelicidade incerteza irritação insólito
Ruas rato ronda rosário raquítico ruindade
Menino madrugada maltrapilho maus-tratos mandamentos morte
ALMAS açoite ausência ANSEIOS ALIMENTO AMOR
Odores orgulho ofensa olhos ódio ocaso
Sombra solidão sumiço sofrimento sopro SEMENTE
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.....................................Visitem Alba Vieira
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O Jabuti - por Leila Dohoczki

O jabuti
Não tem pressa
Se ele cansa no caminho
Para e vai descansar
Na casa que leva
Para todo e qualquer lugar.

Come de tudo um pouquinho
Mas não tem dentes pra mastigar
Amassa tudo na boca
Manda tudo pra dentro
E vai tomar sol pra relaxar.

Passa assim a vida toda
Entre grandes sonecas
E pequenas caminhadas
Diferente de gente
Que volta e meia
Fica estressada.

O jabuti não tem noção
Nem de tempo
Nem de espaço
Só o que ele sabe
É que grandes caminhadas
Faz-se passo a passo.

Não precisa ter pressa
Estando na direção certa
Sempre se chega lá...
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Augusto dos Anjos e “A Minha Estrela” - Citado por Penélope Charmosa

Eu disse - Vai-te, estrela do Passado!
Esconde-te no Azul da Imensidade,
Lá onde nunca chegue esta saudade,
- A sombra deste afeto estiolado.

Disse, e a estrela foi p’ra o Céu subindo,
Minh’alma que de longe a acompanhava,
Viu o adeus que ela do Céu enviava,
E quando ela no Azul foi se sumindo

Surgia a Aurora - a mágica princesa!
E eu vi o Sol do Céu iluminando
A Catedral da Grande Natureza.

Mas a noite chegou, triste, com ela
Negras sombras também foram chegando,
E eu nunca mais vi a minha estrela!
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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Haikai - por Marília Abduani

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Inspire
Respire
Não pire.
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..................
Visitem Marília Abduani
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Escrevendo Bobagens - por Alba Vieira

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A idiotice manifesta é o único recurso que nos resta quando a habilidade nunca existiu ou o talento para escrever abandona a gente por longo tempo.
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.Visitem Alba Vieira
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Destino e Acaso - por Ana

Gio:
Acredito que, na vida, sobre algumas coisas temos ingerência, sobre outras não; às vezes podemos prever, às vezes, somos pegos de surpresa; uns acontecimentos são destinos, outros, acaso. Mas dentro de cada uma destas coisas, temos possibilidade de escolher. E isto eu acho o mais importante e especial.
Também acho que, mesmo para aquelas pessoas que mantêm a vida sob controle, não existe a segurança da imutabilidade.
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Resposta a Caminhos, de Gio.
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Doente... - por Flavio Braga

- Senhor Flavio, tenho boas notícias.
- O que houve, doutor, vocês mudaram meu sexo?
- Quê?
- Desculpa, doutor, estou brincando. Acho que esses remédios estão me deixando meio chapado. A propósito, meu amigo Ringo te mandou um alô.
- Quem é Ringo?
- Você não conhece, é meu amigo invisível. Ele é um elefante rosa botafoguense que se comunica comigo falando javanês.
- Estou espantado.
- Com o quê, doutor? Com minha fluência em javanês ou por eu ser amigo de um elefante rosa?
- Não, por ele ser botafoguense.
- E anarquista! Elefante rosa botafoguense E anarquista! Acredita? Esse Ringo é mesmo uma figura!
- Sei... Bem, como ia dizendo, tenho boas notícias para o senhor. Como a operação é de rotina e o tempo de recuperação é curto, amanhã você pode voltar para casa e dentro de dois dias você pode voltar ao trabalho.
- Estou decepcionado...
- Por quê?
- Eu pensei que vocês iam me dar um pouco mais de tempo para me recuperar, coisa pouca, tipo uns seis meses.
- Hum... Entendo.
- Sabe como é, preciso de umas férias. Doutor, posso te perguntar uma coisa?
- Claro.
- É uma coisa que vou perguntar e preciso ser forte o suficiente para poder escutar a resposta, que pode acabar com todo o sentido da minha vida. Deixa eu respirar. Preciso ser forte para aguentar a resposta, talvez eu nunca suportei escutar de alguém algo tão sincero, mas preciso que o senhor não minta para mim.
- Tudo bem, diga.
- Doutor, antes de ser mandado para casa, uma enfermeira morena, com quadris fartos e sedenta por sexo selvagem com o primeiro paciente que apareça na sua frente, que por coincidência, sou eu, vai me dar banho?
- Hum... Talvez.
- Legal! Espero não ter exigido muito.
- Não, que é isso! Boa noite, Flavio, volto aqui amanhã de manhã.
- Tudo bem, doutor. Doutor?
- Sim?
- Liga não, é tudo brincadeira. Serve uma enfermeira loira.
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Visitem Flavio Braga
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Ciúme - por Leila Dohoczki

A faca cravada
Fincada na carne
Do corpo inerte
Que verte o sangue
Que de vermelho tinge
A mão que antes
Acariciava a pele
Com ternura e leve
Num instante breve
Pôs fim a vida
O ciúme finda
A loucura, a vida
E a lágrima caída
No último instante de dor
Na face do medo
Nos olhos fechados
Futuro que a faca ceifou.

Na honra do homem
A marca negra da morte.

Dor e arrependimento
E o mesmo instrumento
Corta-lhe os pulsos
E a vida se esvai...

Aconchegado no frio corpo
Vai morrendo aos poucos
Despedindo-se da amada
Em sangue banhada
Última visão registrada
Quando seus olhos cerrou.

Não há mais honra,
Nem glória em possuir
Não há mais juras, nem loucuras
Não há mais dois
Não há nenhum.
Onde antes eram um.

O que há é a faca
Jogada entre corpos que já se amaram...
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