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domingo, 19 de julho de 2009

Ode Contra os Demônios - por Theresa Russo

Não posso aceitar a natureza das coisas mundanas se creio nos sonhos e na poesia. Não são essas portas em madeira ou ferro ou de outra matéria artefato humano que vão me impedir de dizer o que sinto. É que posso olhar através delas todo o rancor dos olhos e bocas a difamar a nossa poesia. Afinal, os sonhos não podem ser decompostos e eu insisto em não aceitar a natureza das coisas – eu me declaro antinatural. Na noite em que escutei os passos de demônios a subirem os degraus que morrem na porta do meu quarto, invoquei um enorme anjo alado com túnica azul clara para me defender dos que afligem a minha mente sã. Se a loucura é a fuga da natureza do homem eu me declaro antinatural. Não vou enlouquecer porque sempre acreditarei num Deus que olha de baixo para cima, de cima para baixo, para os lados e para o infinito por detrás das portas máscaras que construímos para sobreviver. E cada mentira é como um repolho límpido recheado de fungos e bactérias invisíveis que pregam as verdades cometidas do outro lado do mundo. Não me peçam para ser livre, pois, quanto mais se pensa e projeta um modo de ser e viver, mais distantes estaremos da liberdade. Eu ando vivendo um dia por dia e tenho o passado, o presente e o futuro agora bem próximos de mim. E sou tantos e tantas nesse espaço-tempo que nem me importo mais se um dia irei me encontrar ou encontrar esse você. Os demônios estão a caminho e eu não mais tenho medo. Além do anjo branco eu também tenho um escudo negro sagrado e simples que se faz a sombra de cada um dos meus eus a me vigiar e proteger. Não posso aceitar a natureza das coisas e nem permitir que alguém venha desdenhar da minha doce poesia e dos meus tenros e açucarados sonhos. Sonhos e poesias não podem ser decompostos e eu me reafirmo antinatural no estado atual das coisas. Se eu não tivesse um lar e se a comida não me bastasse eu teria que roubar para comer. Talvez eu tenha muita sorte de estar abrigada em minha coragem de acordar amanhã e seguir reto no prumo do navio nesse mar chamado vida. E eu não me aquieto enquanto uma poesia vadia não chegar até as minhas mãos para que eu vomite tudo que me cerca como um papel amassado e jogado na coxia. Eles dominaram as ruas, as telas e as cidades agora estão como desertos de sonhos. Eu preciso e quero estar aqui quando as crianças acordarem e seus olhos enxergarem toda a antibeleza que há.



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3 comentários:

Theresa Russo disse...

Honrada extremamente pela oportunidade de compor essa página literária ricas em sonhos e realismos dos escritores de todos os tempos e espaços. Obrigada especial ao diretório e a escritora Alba Vieira. Um grande abraço a todos.

Alba disse...

Seja bem-vinda ao Duelos. Será um grande prazer ler suas belíssimas composições.Um abraço.

Ana disse...

Theresa:
LINDO E PROFUNDO!!! MUITO BOM!!!
Gostaria de te deixar mensagem lá no Mural, mas enviei à administradora minha inscrição e ainda não recebi resposta, por isso não pude te dizer, lá, que AMEI este texto! Então digo só aqui mesmo...
Seja bem-vinda e volte sempre, como diz nosso anfitrião!
Beijo!