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sábado, 18 de julho de 2009

Não Empresto, Alugo - por Flavio Braga

Emprestar as coisas é uma coisa complicada. Tem coisas que eu evito emprestar, como livros, CDs e dinheiro. Mas tem horas que as pessoas que querem algo emprestado me deixam me sentindo tão culpado que acabo cedendo:

- Flavio, você pode me emprestar esse CD?
- Não.
- Por quê não?
- Porque esse CD, como disse um ex-presidente do Corinthians, é inegociável, insubstituível e imprestável. Nem se minha mãe me pedisse eu emprestaria.
- Mas, Flavio, eu sou sua mãe.
- Mãe, lamento, regras são regras.
- Como eu pude criar uma criatura que não confia nem na própria mãe? Que vergonha!
- Tá bom, mãe, eu empresto. Mas faz um favor?
- Tá.
- Preencha esse formulário aqui, é coisa boba, só para me dar uma segurança, se você danificar o CD, e mais esse contrato aqui no caso de acontecer alguma coisa mais grave comigo, tipo eu precisar de um rim ou um coração. Qual seu tipo sanguíneo mesmo, mãe?
- Mas que moleque cético que criei! Eu te amamentei, dediquei os melhores anos da minha vida em prol da sua criação e você cria toda essa novela para me emprestar um CD?
- Mãe, não é “um” CD, é “O” CD. Assina aí embaixo e tá tudo certo.

Agora, tem o outro lado, quando você torce para que te peçam alguma coisa emprestada que você se arrepende, até a medula, de ter. Eu, particularmente, faço o esforço que for preciso para a pessoa levar o objeto de tanto arrependimento:

- Flavio, estava dando uma olhada nos seus CDs e vi um aqui que eu estou procurando há tempos e não consigo achar.
- Olha, se for o mesmo que a minha mãe estava querendo emprestado há uns dias atrás, você vai precisar preencher esse formulário e...
- Não, rapaz, não é esse não, eu sei que você não empresta esse CD nem se Bob Marley ressuscitasse e te pedisse o tal CD em pessoa, cantando sua música predileta e te oferecendo um teco no baseado. Eu quero esse aqui, ó...
- “O Melhor do Tecno-Funk – Verão de 1999”?
- É.
- Cara, pode levar esse troço daqui, e toma mais R$50 para não trazer de volta.
- Quero R$ 100.
- Toma R$ 300.

E ainda tem quando o vilão é você, que, sempre bonzinho, solícito, empresta as coisas e acaba sempre sem as coisas que emprestou. Então, para se vingar desse mundo tão injusto e cruel, você devolve na mesma moeda. Mas como tem coisas que só acontecem com os bonzinhos, com o Botafogo e a Portela, você tem que se virar quando está prestes a ser desmascarado:

- Flavio, há quanto tempo!
- Ô, rapaz, quanto tempo! Como você está?
- Estou bem... O de sempre: trabalhando, estudando. Criando os filhos... E você?
- Mesma coisa... Mesma preguiça, mesmo emprego, mesmo apartamento...
- Me lembrei de uma coisa agora...
- É? O quê?
- Eu te emprestei um livro, tem uns quatro anos, lembra? Nós éramos vizinhos...
- Sim, lembro sim, mas eu me mudei, e devo ter perdido o livro na mudança, sabe como que é, mudança é complicada, blábláblá...
- Mas você acabou de dizer que mora no mesmo lugar...
- Não, é que eu me mudei. Mas aí depois eu voltei para o apartamento, entendeu?
- Sei...
- Sério, rapaz, não é desculpa para não te devolver o livro não, sou um cara responsável, pai de família, servidor público, vascaíno...
- E mentiroso!
- Olha a hora! É melhor eu correr...

Siga meu conselho. Em caso de dúvida, não empreste. Venda. Ou alugue, como o rapaz da piada.



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2 comentários:

_Gio_ disse...

Muito bom! ahuhauhahauahuhauah

Emprestar certas coisas dá uma dor no coração, principalmente quando já houveram antecedentes ruins...

Ana disse...

Muito bom mesmo!
kkkkkkkk
Concordo plenamente! Só se deve emprestar aquilo que podemos dispensar sem remorso.