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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




segunda-feira, 8 de junho de 2009

As Nossas Palavras XIII - por Clarice A.

É manhã. Num bairro do subúrbio carioca, da janela do ônibus, indo para mais um dia de trabalho, ela vê a cena: crianças dormindo agrupadas sob a marquise, drogadas, sujas, maltrapilhas, expressão máxima do descaso e abandono dos governantes com sua própria gente. A maneira que se deitam encostados uns aos outros (segundo a percepção dela, olhar capaz de captar sutilezas) forma a figura de um cata-vento. Estranho cata-vento de crianças sofridas, sem infância.
Ela é médica. Em sua lida cuida, trata, cura, conforta, orienta, escuta. Importa-se com seu semelhante, verdadeiramente. Como outras pessoas de sensibilidade, sofre e indigna-se ao ver tal cena.
Crianças, apenas crianças, a quem são negadas as mínimas condições de uma vida digna. O pior: quantos de nós já não passaram pela sensação de medo ou intimidação ao ver aproximarem-se estas crianças maltrapilhas, achando que uma delas pode ter consigo uma arma que nos ferirá de morte, levando-nos a temer pela nossa vida?
A terrível constatação: tememos as nossas crianças!
Estes grupos aumentam dia a dia, cada vez mais menores perambulam pelas ruas, uma arma mortal desenvolvendo-se nas sociedades doentes.
A pergunta: o que se pode esperar de quem da vida só conhece o pior? De quem nasceu, cresceu (os que crescem, porque muitos morrem ainda crianças) e só viveu abandono e miséria? A escola é a rua e o aprendizado é de pequenos delitos que levarão a delitos maiores. Há exceções? Certamente, mas estamos falando da regra.
Como resolver? É caso de urgência e não dá para protelar.
O que fazem homens e mulheres eleitos pelo povo e responsáveis pelo destino da nação? As crianças não são nosso patrimônio?
O país vive uma crise muito séria. Educação formal e gratuita de baixíssima qualidade, falta tudo: moradia, saneamento, serviços médicos etc., e sobra tudo: violência, drogas, prostituição infantil e mais e mais...
Os políticos, argh, os políticos. Bem vestidos, falantes, usuários do que há de mais novo em termos de impressionar e manipular pessoas. Quando discursam nem parece que vivemos no mesmo país. Vivem no seu mundo de conchavos e falcatruas, protegendo-se mutuamente (macaco, olha o teu rabo), em infindáveis comissões e reuniões criadas para discutir problemas. Projetos e mais projetos. As ideias? De matar jerico de inveja.
Alguns pedem que os esqueçam, outros que esqueçam sua bibliografia, os cínicos assumidos dizem que estão se lixando para a opinião pública. Serão reeleitos, manipulam com maestria a propaganda a seu favor.
Não há dia em que não haja uma manchete sobre escândalos e desvios de dinheiro em todos os níveis.
Tributação altíssima, sem benefícios em troca (quer dizer, benefícios para a sociedade), para os pobres apenas migalhas. Já para os políticos...
Voltemos às crianças. O que se pode fazer não é impossível e nem faraônico. Pensemos junto com a médica citada no início: uma moradia modesta mas protetora, roupas limpas, alimentação, escola, uma família formada por laços de sangue ou de amor. É querer muito? Quando o poder público olhará por elas?
Em alguns ainda existe a esperança (não dizem que é a última que morre?) de que os políticos comprometidos com seu povo sejam maioria e mudem esse panorama. E que, da janela do ônibus indo para mais um dia de trabalho, a médica, eu, você possamos ver as crianças como deve ser, não mais formando um triste cata-vento e sim com seus cata-ventos coloridos nas mãos girando na brisa suave do dia ou quando agitado por elas em suas brincadeiras infantis. Esse dia há de chegar. Deus é pai.



Inspirado em Cata-vento de Meninos, de Alba Vieira.
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Clarice Lispector em sua “Autocrítica no Entanto Benévola” - Citada por Alba Vieira

Tem que ser benévola, porque se fosse aguda, isso talvez me fizesse nunca mais escrever. E eu quero escrever, algum dia talvez. Embora sentindo que se voltar a escrever, será de um modo diferente do meu antigo: diferente em quê? Não me interessa.
Minha autocrítica a certas coisas que escrevo, por exemplo, não importa no caso se boas ou más: mas falta a elas chegar àquele ponto em que a dor se mistura à profunda alegria e a alegria chega a ser dolorosa - pois esse ponto é o aguilhão da vida.
E tantas vezes não consegui o encontro máximo de um ser consigo mesmo, quando com espanto dizemos: “Ah!” Às vezes esse encontro comigo mesmo se consegue através do encontro de um ser com outro ser.
Não, eu não teria vergonha de dizer tão claramente que quero o máximo - e o máximo deve ser atingido e dito com a matemática perfeição da música ouvida e transposta para o profundo arrebatamento que sentimos. Não transposta, pois é a mesma coisa. Deve, eu sei que deve, haver um modo em mim de chegar a isso.
Às vezes sinto que esse modo eu o conseguiria através simplesmente de meu modo de ver, evoluindo. Uma vez senti, no entanto, que seria conseguido através da misericórdia. Não da misericórdia transformada em gentileza de alma. Mas da profunda misericórdia transformada em ação, mesmo que seja a ação das palavras. E assim como “Deus escreve direito por linhas tortas”, através de nossos erros correria o grande amor que seria a misericórdia.



In “A Descoberta do Mundo”.
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Fica o Dito Pelo Não Dito - por Ana

Não, eu não sou shintoni!
E nem poderia ser:
Sou livre, não gosto de nada
Que esteja a me prender.

Não teria paciência
Pra organizar tudo isto!
Gente! É tarefa hercúlea!
E um baita compromisso!

Cês veem quantos posts por dia?
Há vídeos, links, recados...
Administração de primeira!
Vive ocupado, o coitado:

Ele responde os e-mails,
Faz convites, agradece,
Avisa que já postou,
E acho que nunca esquece

Do agendamento dos posts,
Dos pedidos que são feitos,
Da programação do blog...
Galera! Ele é perfeito!

Essa não é minha praia,
Eu sou mais de fofocar,
De conversar com as pessoas,
Me divertir e brincar.

Ele parece ser sério,
Não conversa com ninguém...
Embora seja simpático
E educado também.

É justamente o contrário
De mim, com a minha ousadia,
Quase ausência de limites...
Tô em outra shintonia!

Foi um engano, Gio,
Mas o que pensou faz sentido:
Você viu lá no Twitter
O nome de Ana escrito

No perfil do shintoni,
Mas era outra, não eu.
Daí te atacou a pulga,
Atrás da orelha se meteu.

Mas pode tirar a coitada.
É só parar pra pensar:
Um quase mudo, eu assim,
Tão difícil de calar...

Um tão senhor, tão sensato,
Eu, por pouco, inconsequente;
Ele tão breve, sisudo,
Eu, nas bobagens, fluente.

Ainda por cima, outro dia,
Ele me repreendeu
Naquele post do chat...
Até me surpreendeu!

Tive que pedir desculpas,
Me retratar sem demora!
Afinal, a casa é dele,
Eu aqui não sou senhora...

Hum... Me ocorreu uma coisa...
Eu não posso me furtar...
Imaginação é fogo!
Não escolhe hora ou lugar...

Devo dizer a vocês
O que me veio de repente
(Shintoni, não fica bravo,
Foi culpa da minha mente):

Aqui no planeta Duelos,
Que é lugar tão bacana,
Me sinto habitante-nativa:
ENTÃO EU SOU SHINTONIANA!!!



Resposta a “Recado”, de Gio.
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Recado - por Clarice A.

Alba:
Quando você me indicou o Duelos achei que não conseguiria postar nada, apenas lia. Sempre fui boa aluna em português e frequentemente tirava ótimas notas nas redações, mas nunca havia escrito poesias. O Duelos me deixa à vontade, pois como você havia me explicado, o importante é participar e, melhor ainda: terapia grátis. Poder criar com outras pessoas como nas Nossas Poesias e Nossas Histórias é bom demais, ler os outros é uma delícia. Quando não consigo ler as postagens do dia, no dia seguinte acesso logo que posso. Parabéns ao Shintoni e a todos que participam do Duelos. Muito bom poder se expressar da maneira que o blog propõe.
Beijo,
Clarice.



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A Felicidade - por Duanny

Muitos pensam que só merece a Felicidade quem acorda todos os dias disposto a conquistá-la, outros preferem simplesmente esperar que a Felicidade venha até elas, o que fica difícil, porque depois de tanto tempo esperando, tanto tempo sofrendo, a chegada dela pode ser um grande choque, e muitas pessoas se contentam em deixar a Felicidade ir embora.
Outras pessoas acordam todos dias e saem em busca da felicidade, como se fosse um grande prêmio, e o caminho até ela seja o maior desafio de todas a sua vida, e quando a encontram se deixam levar pelo desapontamento, pois para alguns uma vida cheia de obstáculos a serem vencidos e problemas para serem resolvidos parece muito melhor do que ser feliz; elas preferem brigas, discordar e intrigar a quem queira somente ser feliz.
Talvez as pessoas devessem parar de esperar a hora certa para serem felizes... o tempo não espera ninguém. Então a gente devia não esperar perder ou ganhar 5 quilos, ter filhos, ser promovido no trabalho, esperar chegar sexta-feira ou segunda de manhã, pagar todas as dívidas, morrer ou nascer de novo... não há hora para ser feliz, a não ser agora.
Porque não ser Feliz agora? Para ser feliz não é necessário fazer coisas erradas ou sacrificar algo, você só tem que ser você mesmo e viver a vida intensamente, como se cada dia fosse o último, mas não podemos generalizar, ter uma vida assim não é cometer loucuras, mas impedir que seus filhos cometam essas loucuras; não é jogar tudo para o alto e dizer “agora sim eu sou feliz”, mas é saber administrar os erros e compreender a quem te compreende.
Então, não importa a sua idade ou a sua profissão, o importante é VOCÊ ser feliz.



Visitem Duanny
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Sobre o Duelos - por Escrevinhadora

Gosto da Alba e da Ana
admiro o Bruno e o Gio
o Shintoni não escreve
mas foi o criador do espaço
e por isso o aprecio.

Entro quase todo dia
para ler, comentar, escrever
nas vezes em que não passo
fica a tarde meio vazia
e alguma coisa por fazer.

Por causa da nomenclatura
pensei que fosse luta renhida
depois que acessei descobri
que a ideia é se divertir
brincar de literatura
sem regras muito definidas
então passei a escrever
deixando de lado a censura,
relaxada, à vontade.

Certa vez disse besteira
apanhei da Ana e da Adir
meio zonza, meio grogue
me recolhi, refleti
depois consertei a asneira
voltei correndo pro blog
pedindo perdão escrevi.

Não me julgo escritora
misturo as letras, crio versos
falo de assuntos diversos,
conheço gente, faço amigos
e se alguém quiser falar comigo
é só clicar lá no chat
e chamar a escrevinhadora.



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Escrever - por Gio

Escrever, pra mim, é expor na pele o que se está sentindo. Só que na forma de palavras, histórias e estórias que nem sempre são as mesmas que estamos vivendo - e nem precisa... a nossa marca, o nosso recado fica lá estampado, mesmo que a gente não queira.



Resposta a “Sobre Minha Participação no Duelos”, de Alba Vieira.
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Crueldade - por Raquel Aiuendi

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Sou cruel comigo quando sou ingênua em relação ao próximo.
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domingo, 7 de junho de 2009

Movimento Migratório de Peixes Dentro de um Táxi - por Bruno D’Almeida

Lúcio estava explicando suas teorias a mais um passageiro que entrava em seu táxi. Com seus cabelos esvoaçantes e barba por fazer, ele discorria que aquele domingo de pesadas nuvens pairando no céu era um excelente dia para fazer corridas e ganhar um dinheiro extra. Mas as pessoas nesse caso gostam de ficar em casa, retrucou o passageiro tirando melequinha do nariz. Mas o fato é que o senhor está pegando um táxi, meu amigo, eu vou te explicar como isso funciona, disse Lúcio, com cara de oráculo dos filmes de ação da Sessão da Tarde.

Quando chove logo cedinho, realmente eu fico boiando e não pego muitos passageiros. As pessoas adiam alguns compromissos que não são muito importantes e ficam em casa. Só consigo uma corrida ou outra de um cliente conhecido que liga pra mim. O bom mesmo é quando começa a chover depois das pessoas já estarem na rua. Aí é uma beleza. O cidadão já está no médico, na loteria, no shopping, correndo pela cidade, quando as nuvens ficam escuras no céu. A cidade já fica lenta na própria iminência da chuva. É hora de seguir as nuvens para encontrar os passageiros.

Eu prefiro os bairros de classe média nessas horas. Sempre encontro um senhor aposentado ou uma mulher madura com pressa. Aliás, essa é batata. Uma senhora de 40 anos, toda maquiada, com seu perfume francês, salto alto e bolsa tamanho gigante não espera nem chover para pegar um táxi, basta o tempo fechar que ela levanta a mão para o primeiro taxista que aparecer. Sempre quando chove eu faço umas quatro ou cinco corridas na Av. Paulo VI, no bairro da Pituba. Ou então vou para a Barra. Quer dizer que o senhor é taxista somente quando chove, riu o passageiro roendo cuidadosamente as unhas sujas. Não senhor, disse Lúcio, tem estratégia também quando o tempo está bom. Explico.

Quando faz sol, o movimento das pessoas muda. Eu fico na porta dos shoppings, na frente dos bares, eu adoro pegar passageiros em avenidas largas e retas no sol escaldante de meio-dia. Nesse caso, o melhor lugar são os espaços abertos, onde o calor insuportável força alguém a pegar um táxi e me agradecer pelo ar condicionado. Ofereço uma bala, o jornal está aí do lado, ele usa o táxi não só como uma corrida, mas como um alívio. O senhor mesmo, é hora de almoço, o senhor quer ir pra casa, viu aquela nuvem pesada lá na frente, o que pensou? Eu estava atrás daquele ponto de ônibus que o senhor estava, tive que dar a volta no quarteirão para passar bem devagar pela sua frente e o que o senhor fez? Eu aprendi tudo isso com meu pai, que era pescador. Como? Explico.

Eu sempre ia com meu pai nas embarcações da Colônia de Pesca do Rio Vermelho. Pescador adora pescar em dia de chuva. Ele fica torcendo para a chuva acabar depois de uns dois ou três dias, os peixes estão famintos, jogávamos a rede e era um mar de peixe. Muitas vezes, no mar, íamos ao encontro da chuva mesmo para pegar os cardumes de peixes fugindo. Já época de sol, era melhor de anzol mesmo. Tudo que tem vida neste mundo está sempre indo de um lugar para outro, seja fugindo da chuva, procurando comida ou correndo pra não perder o horário. O senhor mesmo está fazendo essas três coisas de uma só vez. Chegamos. São dezesseis reais e vinte. Quinze está bom. Até a próxima. Aqui está o meu cartão.

E lá se foi Lúcio buscando o movimento migratório das pessoas e de corridas através do céu nublado. Foi parando o carro devagar. Para onde vai a senhora? Salvador Shopping? Vamos. Eu sabia que a senhora ia pegar o meu táxi. Como? O tempo está fechado. Explico. É que…



Sobre Minha Participação no Duelos - por Alba Vieira

Quando recebi o convite para participar do Duelos, aceitei porque se destinava também a amadores que gostassem de escrever com qualquer estilo, podendo se expressar de várias formas e com liberdade total.
A ideia inicial era que as pessoas escrevessem sobre um mesmo tema (e iam sendo criadas as categorias) para que se tivesse diferentes visões sobre cada um deles. Achei muito interessante e claro que quis participar.
Como trabalho há muitos anos na área de saúde, sempre gostei de escrever e fazia isto de forma terapêutica desde adolescente, com uma frequência maior nas passagens mais difíceis da minha vida, nos momentos de perdas, nas dúvidas, inquietações, desespero mesmo, no meu longo processo de autoconhecimento que se mantém até hoje.
Assim, reunia meus textos numa pastinha que não mostrava a ninguém (cruz credo!).
Quando surgiu o Duelos, fui aos poucos enviando estes textos, de acordo com a minha preferência pessoal, fora da ordem cronológica em que foram escritos.
Depois gostei da experiência, me assanhei e quase esgotei o conteúdo da pastinha, ao mesmo tempo em que, inspirada por outros autores, resolvi escrever outras coisas além de cartas para mim mesma.
Foi assim que misturei textos com informações sobre saúde, testemunhos de fatos que observo no dia a dia e histórias pessoais. Aí fui mais longe e passei a criar outros textos em que relatava vivências de outras pessoas que encontro no dia a dia na rua, na família, no trabalho. Então virou um verdadeiro caldeirão, onde muito me agrada exercitar a observação do que é humano, vivências de qualquer um de nós.
Concordo que naquilo que escrevemos deixamos inscrita a nossa essência, ainda que ela assuma diferentes roupagens.
Mas, afinal, não é só através das palavras; de muitas formas, para quem sabe decifrar, nos expomos no dia a dia. Admiro a coragem de quem também faz isto escrevendo.



Visitem Alba Vieira
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Sobre o que o Duelos Representa para Mim - por Alba Vieira

O Duelos hoje representa um espaço importante onde posso me expressar falando sobre minhas observações do mundo em que vivemos, onde falo sobre minhas experiências de vida, como enxergo as pessoas, sobre o que elas me passam, apresento minhas reflexões sobre o caos urbano, a solidão, a busca crescente pela individualidade, o egoísmo, os fatos que nos causam indignação, a política, a economia, a desigualdade social e tantas outras coisas que diariamente passam pela minha cabeça.
Representa, ainda, a possibilidade de fazer ensaios em prosa e “poesia”, onde me aventuro de forma “irresponsável” nos haikais que, para mim, são um exercício gostoso e descompromissado da síntese do pensamento. Não tenho formação técnica, nunca fui muito chegada à literatura e nem tenho talento especial nesta área. Aproveito para me desculpar com meus eventuais leitores do Duelos por minha descompromissada e despretensiosa forma de escrever, em virtude da frequencia que considero mesmo exagerada dos meus textos (é que é muito bom escrever). Mas me lembro que este espaço, segundo sua descrição no blog, está aberto para amadores que gostam de escrever e que os que o acessam têm sempre a opção de não ler, pulando os textos de autores cujo estilo não lhes agradar (Felizmente! Isto diminui a minha culpa. rsrs).
Penso que, eventualmente, existam algumas pessoas que aproveitem meus textos para refletir sobre temas polêmicos, que usem as informações que passo e que se referem, principalmente, à minha área de atuação (saúde) e ainda que possam compartilhar de minhas opiniões nada convencionais.
Aproveito este blog, também, para homenagear os amigos e parentes em dias festivos e enviar votos para todos em datas comemorativas.
Visito o Duelos porque ele me presta um serviço importantíssimo (me perdoem, novamente, os eventuais leitores) quando me permite, através dos textos, extravasar minhas dores, dificuldades, questionamentos, exercitar o autoconhecimento escrevendo para mim mesma, partindo do princípio de que escrever é terapêutico.
Mas, representa, principalmente, o espaço onde continuamente aprendo sobre várias coisas e sobre o outro, com os demais autores e, sobretudo, me divirto muito. Adoro participar, tenho total liberdade, me sinto entre amigos.



Visitem Alba Vieira
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Sobre a Participação de Outros Autores no Duelos - por Alba Vieira

Leio quase diariamente todos os textos que são postados no Duelos, desde sua criação, em 02/12/2008, ainda no Terra. Tenho todo respeito ao fazer isto porque considero um ato de coragem quando cada um expõe sua sensibilidade, suas opiniões, crenças e reflexões livremente, correndo o risco de, às vezes, ser mal interpretado.
Entendo que cada um dos leitores tem afinidades maiores com alguns autores e tenho minhas preferências, embora admire o trabalho de todos. Existem os mais soltos, os mais graves, os profundos, os originalíssimos, os contundentes, os que nos divertem com seu humor afiadíssimo, os autobiográficos, os contadores de histórias e, ainda, os que misturam todas estas habilidades. Estão todos de parabéns: os que atuam com maestria e os amadores e sem qualquer pretensão no campo das letras. Entre estes eu me incluo, aproveitando esta participação para me tornar uma pessoa melhor.



Visitem Alba Vieira
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O Duelos

Crie um texto sobre este tema e deixe aqui, em “comentários”, que nós postaremos.
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Criação - por Escrevinhadora

Um monte de ideias fervilhando na cabeça,
o universo inteiro nos motivando
e a tal da Sofia não faz o favor de aparecer,
em sonhos que seja, pra me ajudar a organizar as palavras,
pra me ensinar outra vez a escrever.
É um deserto, uma secura...
chega a doer.



Resposta a “As Nossas Palavras II”, de Ana.
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447 - por Gio

Na segunda eu acordei
E no jornal vi, logo cedo
Notícias de um mundo de medo
Corriqueiro - sim, eu sei

Mas algo se destacou
Dentre política e comportamento
Desapareceu no firmamento
Um grande pássaro que alçou voo

Alçou pra não mais voltar
Ninguém sabe o que aconteceu
Horrendo foi o que se sucedeu:
Viram chamas pelo mar

Pois sabemos que horrendo
É mistura imperecível
Da feiura do “horrível”
Com a força do “tremendo”

E quem treme aqui sou eu
Não de medo, e nem de frio
Mas de um desejo ardil
Em saber o que aconteceu

E mesmo que isso me toque
Eu divago, assim, ao léu:
Foram todos para o Céu
Ou p’ra ilha de Joch Locke?



Visitem Gio
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Jean-Jacques Rousseau: A Verdade Universal Não Existe - Citado por Penélope Charmosa

Consultei os filósofos, folheei os seus livros, examinei as suas diversas opiniões; achei-os todos orgulhosos, afirmativos, dog­máticos - mesmo no seu pretenso ceticismo -, não ignorando nada, não demonstrando nada, troçando uns dos outros; e esse ponto, que é comum a todos eles, pareceu-me ser o único em que todos concordavam. Triunfantes quando atacam, não têm vigor quando se defendem. Se examinais as suas razões, só as têm para destruir; se contais os seus caminhos, cada um está limitado ao seu; só se põem de acordo para discutir; prestar-lhes ouvidos não era o meio de me livrar da minha incerteza. Compreendi que a insuficiência do espírito humano é a primeira causa dessa prodigiosa diversidade de sentimentos, e que o orgulho é a segunda.
Nós não temos a medida dessa imensa máquina, não podemos calcular as suas proporções; não lhe conhecemos nem as primeiras leis nem a causa final; ignoramo-nos a nós mesmos; não conhecemos nem a nossa natureza nem o nosso princípio ativo; mal sabemos se o homem é um ser simples ou composto: mistérios impenetráveis rodeiam-nos por todos os lados; pairam por cima da região sensível; para os compreendermos, supomos ter inteligência, e apenas temos imaginação. Cada um de nós abre­ - através desse mundo imaginário - um caminho que supõe ser o bom; nenhum de nós pode saber se o caminho que abriu conduz ao objetivo que tem em mente. Porém, queremos compreender tudo, tudo conhecer. A única coisa que não conseguimos é ignorar o que não conseguimos saber. Preferimos entregar-nos ao acaso, e crer naquilo que não existe, a reconhecer que nenhum de nós pode compreender o que é. Pequena parte de um grande todo cujos limites não alcançamos, e cujo autor entrega às nossas loucas discussões. Somos suficientemente vãos para pretender decidir o que é esse todo, e o que nós próprios somos, em relação a ele.
Mesmo que os filósofos tivessem a possibilidade de descobrir a verdade, qual, dentre eles, se interessaria por ela? Cada um deles sabe muito bem que o seu sistema não tem mais fundamentos que os dos outros; mas sustenta-o, porque é seu. Não houve um único que, tendo chegado a distinguir o verdadeiro e o falso, não tivesse preferido a mentira que encontrou à verdade descoberta por outro. Onde se encontra o filósofo que, para defender a sua glória, não enganaria cientemente o gênero humano? Onde se encontra aquele que, no âmago do seu coração, tem outro propósito que não seja o de se distinguir? Contanto que se eleve acima do vulgar, contanto que apague o brilho dos seus concorrentes, que mais deseja ele? O essencial é pensar diferentemente dos outros. Para os crentes, é um ateu; para os ateus, seria um crente.
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sábado, 6 de junho de 2009

Memórias de um Seminarista (Parte VIII) - por Paulo Chinelate

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LONGE DOS OLHOS…


Não sei quanto tempo permaneci sentado até que, esgotado das lágrimas, os soluços cessaram.
Retomei a estrada ladeira acima. Tudo era novidade para mim. Até o sentimento que oprimia ainda em meu peito. Não me recordava de ter chorado antes. Exceto, é claro, pelas surras merecidas até os seis anos de idade. Menino peralta, não escapara das “prestações de conta” no retorno de papai à noite. Mamãe não batia, quando muito uns bons beliscões que doíam mais no ego que na pele. Então chorava miudinho, mas parava logo, quase sem lágrimas, porque “homem não chora”. Hoje me descobri em nova situação: “molenga”. Seria um frouxo?
Os sons que ouvia agora, subindo aquela estrada, carroçável, íngreme, também os eram novos para mim. Os assobios de pássaros desconhecidos e o correr do córrego cristalino, o mesmo que alimentava a cachoeira vista quando de minha chegada ao seminário.
O cheiro então! Misto de água enferrujada com folhas mortas. No mais o silêncio, acho que mais de solidão do que falta de ruídos.
Após uns quinze minutos de subida deparei-me com um panorama exuberante: uma grande clareira fora aberta na floresta. Via-se um corte de quinze metros de altura no morro, certamente usado para o aterro de três grandes campos de futebol. Um de tamanho oficial, um mediano e outro pequeno. Nas divisões dos espaços havia enormes eucaliptos, sendo um deles de altura descomunal. Ao fundo uma grota onde dois caminhos largos que ladeavam os campos para lá se dirigiam.
Descobri que para os esportes havia uma classificação diferente da dos dormitórios. Dividiam-nos em grandes, médios e menores. Não podíamos nos misturar. Por qual razão assim procediam, ainda não atinara.
Ao ser notada a minha presença, um religioso, batina levantada nas laterais e presa ao cinto de cordas, veio ao meu encontro. Apresentou-se como Irmão Claudino, o nosso regente. Engraçado. Na perspectiva em que me encontrava não pude fugir à comparação. O moço, beirando aí trinta e cinco anos, mais de dois metros de altura, fazia par com o eucalipto maior ali plantado. Nomeei, de imediato, a árvore de “Irmão Claudino”.
O Irmão regente era o responsável por nos acompanhar em todos os deslocamentos. Dos alojamentos ao oratório, deste à capela para a missa, dali ao refeitório e deste ao salão comum de estudos, ali o religioso permanecendo em local elevado, sentado em sua escrivaninha. Só se via livre de nós ou nós dele quando nos dirigíamos às salas de aulas. Mesmo lá, de quando em vez, o tínhamos como professor de matemática. Enfim, um vigilante contumaz. E devia ter lá suas razões com um bando de adolescentes.
Joguei futebol, corri, me esbaldei. Muito diferentemente, certamente, de lá de casa, quando corria ladeira acima em brincadeiras de picula no Morro Fantasma, favela que ficava atrás da nossa rua. Aqui espaço aberto, salubre e limpo e sob a vigilância do… irmão regente!
Fui me integrando ao ambiente. Nos dias seguintes pude apreciar a chegada de novos colegas. Uns, antigos alunos retornando das férias anuais de quinze dias com suas famílias, outros, novatos como eu.
Tinha chegado àquele lugar no 12 de janeiro de 1960. Vinte dias depois deu-se início ao período letivo.
As lembranças de papai e mamãe, de meus sete irmãos, de vovó Lidia, dos primos e dos colegas de rua iam-se desbotando. As atividades constantes não me permitiam espaço para elocubrações. Exceção feita à hora de deitar que, apagadas as luzes, ainda teimavam em brotar lágrimas a algumas lembranças. O sono era o meu reconforto.



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Charada III - por Alba Vieira

Deixo pegadas de sangue na trilha do tempo.
De início sou dor a dilacerar,
Depois um simples lamento.
Justifico a eterna presença do que feneceu.
Pois consolo na perda do amor que morreu.

Teço com os fios das lembranças,
A manta quente que agasalha,
Nos graves momentos de dor
Em que a falta do amor estraçalha
Trazendo o medo da mudança.

Às vezes sou o único remédio
Da relação que já virou tédio,
Porque contra mim não cabe argumento.
É melhor se render,
Quem comanda é o tempo.

Tantas vezes único consolo na terceira idade,
Ainda que isso pareça, da Vida, maldade.
Sou filha da perda e irmã do amor.
Gerada, inevitavelmente, por ela,
Dele, na distância, sou o elo mantenedor.

Atinjo pessoas de qualquer idade,
Pra mim não há limites se é amor de verdade.
Com os fios do tempo teço rede de proteção
Que minora o efeito de cair na realidade
De quem perdeu a razão de sua felicidade.

Sou o mata-borrão pro estrago
Das tintas da morte na tela da vida.
Cicatrizo, se é profunda a ferida,
Inevitável consequência
De uma paixão plenamente vivida.



Visitem Alba Vieira
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Recado - por Gio

Boa tarde, meus amigos!
(dia ou noite, tanto faz...)
Cá eu escrevo no Duelos
É o vício que me traz

Eu andei meio sumido
E o motivo eu logo dou
Fui pego desprevenido:
A gripe me derrubou!

Nem o post da semana
Eu consegui enviar
Sobrou pro pobre do Shintoni
Meu baú ir revirar

E ele achou um textinho
Bem coberto de poeira
Hoje, eu acho ele curtinho
Sei, parece ser besteira

Claro, não pode faltar
A resposta da charada
A Ana deixou sem ar
O resto da povarada

Sem rodeios, já lhes disse
Respondendo no embalo
Nem doença, nem burrice
É de dor mesmo que eu falo

Meu recado está no fim
Mas eu termino contando
Um fato, logo, assim
Que me deixou divagando

O Twitter me acusou
Algo curioso essa semana
Fiquei com a pulga atrás da orelha
Seria Shintoni a Ana?

Penso logo em alter ego,
Ou até dupla personalidade
É loucura - eu não nego -
Mas não pode ser verdade?




Visitem Gio
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Onde Já Se Viu? - por Ana

Por ser tão ignorada
A verdade entristeceu
Quase fez como a camélia:
Deu dois suspiros e morreu.

Foi pra beira do abismo
Para se atirar ao mar.
Imaginava: a sua ausência
Ninguém iria reparar.

Mas desistiu a tempo,
Pôs-se a reconsiderar
Sua decisão radical:
Os homens abandonar.

“Por eles ainda sou vista,
Há gente que gosta de mim...
Posso definir questões,
Não sou tão inútil assim...

Mas queria ser senhora,
Única, sem concorrentes,
Não perder tanto pra mentira,
Pra omissão e seus parentes.

Estou certa de estar certa!
Eu sou a certeza, afinal
Depois de mim não há nada:
Eu sou a palavra final.”

Estava assim a pensar
Até que ouviu uma voz
Repentina e conhecida,
Sua consciência atroz:

Já disse mais de mil vezes,
Para com o egocentrismo...
Você não é absoluta...
Na Terra isso é castigo.

Você é tão relativa,
Que estar no singular
É erro crasso, primevo,
De alguém que não soube pensar.

Tu não é cartesiana,
Não é e nem pode ser...
Devia estar no plural
No falar e no escrever.

Cada pessoa uma verdade
Não sabe disso? Vai mal...
Porque tu não é coletiva,
Tu é individual.

Para com as reflexões
E autocomiseração,
Vai trabalhar, minha filha,
Volta pra tua função

De habitar os humanos
Da forma que lhes aprouver,
Pois tu não existe sem eles
E só te aceita quem quer.

Quem foi que te iludiu
Que tu seria a Verdade?
Que a Verdade um dia existiu
No meio da humanidade?

Para com a palhaçada
E de fazer corpo mole.
Suicídio não é pra ti,
Pois a morte não te engole.

Ouvindo a voz da razão
(ou da desrazão humana),
A verdade deprimiu
Mas concordou com a veterana.

“Volto, sim, mas daqui a pouco,
Eu ainda tenho brios!”
Resolveu olhar o mar,
E ficou a ver navios...



Inspirado em “A Verdade a Ver Navios”, de Gio.
Orlando Silva